As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Cristão pode vender bebida alcoólica?



https://youtu.be/YNnp7E6PsEU

Você disse que tem uma pizzaria e os negócios vão mal porque não serve bebidas alcoólicas. Em razão disso você estaria cogitando incluir bebidas alcoólicas no cardápio, mas ficou em dúvida se um cristão poderia fazer isso.

Cada caso é um caso e essa é uma questão muito pessoal e delicada, e depende de vários fatores. Por exemplo, eu poderia ser dono de uma rede de supermercados e vender de tudo, porque é isso que fazem os supermercados no Brasil. A atividade fim do supermercado não é vender bebida alcoólica, mas tudo o que é relacionado à alimentação, e isso evidentemente inclui bebidas alcoólicas.

Alguns cristãos que veem problemas em entrar em um bar, mesmo que seja para tomar sorvete, porque ali são vendidas bebidas alcoólicas, não deveriam entrar em supermercados. Mas o outro lado da moeda é que alguém que veja um cristão em um supermercado terá uma impressão bem diferente de vê-lo sentado no balcão de um bar. O cristão, onde quer que vá, será visto pelos incrédulos com uma espécie de "uniforme de cristão" por causa das coisas que professa.

Conheço o caso de um cristão nos Estados Unidos que foi demitido de uma empresa de entrega de encomendas porque foi entregar a última em um bar e parou para ver o final do jogo na TV. Uma pessoa que passava na rua o viu ali com o uniforme da empresa e apresentou uma denúncia que custou seu emprego.

Você já deve ter ouvido falar de vinho e pessoas que se embriagavam nas "festas de amor" celebradas em Corinto entre os cristãos. Ali aparentemente a ceia de comunhão ou "festa de amor" era feita em conjunto com a "ceia do Senhor" e os excessos levaram Paulo a admoestá-los.

"De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor. Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro embriaga-se. Não tendes porventura casas para comer e para beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo." (1 Co 11:20-22).

Judas menciona essas "festas de amor" ou "de caridade" em sua carta, ao falar dos falsos profetas que já se infiltravam no meio dos cristãos com intenções de ganho. "Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se convosco" (Jd 1:12). Mas a intenção desses encontros era ter uma refeição conjunta visando promover a comunhão.

Pedro também faz alusão a ela, mais uma vez mencionando falsos cristãos que pegavam carona na comunhão dos cristãos para tirar algum proveito: "Tais homens têm prazer nos deleites quotidianos; nódoas são eles e máculas, deleitando-se em seus enganos, quando se banqueteiam convosco" (2 Pe 2:13).

Se você foi doutrinado por algumas religiões protestantes que proíbem o álcool poderá ter dificuldade com estas passagens onde infelizmente ocorria a embriaguez por ser o vinho parte integrante da alimentação dos cristãos do primeiro século. A Palavra de Deus nunca proíbe o consumo de bebida alcoólica, o que ela proíbe é ao consumo exagerado que leva à embriaguez, do mesmo modo como proíbe a glutonaria.

Repare que o Senhor e os apóstolos advertiram contra as duas coisas, apesar de muitos cristãos que pregam contra o vinho se empanturram de churrasco sempre que têm oportunidade, ou como diz a anedota, "Aquele irmão não bebe, mas come que é uma bênção!".

"E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia... Andemos honestamente, como de dia; não em glutonarias, nem em bebedeiras... Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas... Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias." (Lc 21:34; Rm 13:13; Gl 5:21; 1 Pe 4:3).

Muitos se esquecem de que o primeiro milagre de Jesus foi fornecer vinho para uma festa. Sim, o vinho era alcoólico, apesar de alguns preferirem fazer um malabarismo e trocar a palavra "vinho" por "suco de uva" ou fazer raciocínios mirabolantes para afirmar que já existiam refrigeradores e pasteurização quase dois mil anos de Louis Pasteur tê-la inventado para conservar leite e sucos sem que fermentassem. Veja se fica boa a versão que alguns dão ao milagre da transformação da água em vinho:

"E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia; e estava ali a mãe de Jesus. E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas. E, faltando SUCO DE UVA, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm SUCO DE UVA. (...) E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram. E, logo que o mestre-sala provou a água feita SUCO DE UVA (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo. E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o SUCO DE UVA bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom SUCO DE UVA." (Jo 2:1-3; 8-10).

Nos EUA você não encontra bebida alcoólica em todos os restaurantes e lanchonetes, porque lá existe um imposto pesado para estabelecimentos que vendem bebida alcoólica. Por isso alguns que vão a um restaurante que sabem que não vende bebida alcoólica preferem levar de casa. Fui almoçar com meu filho em uma cantina típica italiana e qual não foi minha surpresa ao descobrir que não poderia pedir vinho para acompanhar a refeição. O garçom indicou a loja ao lado, então fui lá e trouxe uma garrafa para tomarmos no almoço.

O que vou dizer é opinião pessoal, e pode não ser a mesma de outros irmãos. Se eu fosse dono de um restaurante não veria problema em vender bebida alcoólica, pois a atividade fim de um restaurante não é vender bebida, e sim alimentos. Ninguém convida você para ir beber num restaurante, porque lugar de beber é no bar. Por outro lado eu pessoalmente acharia estranho um cristão ser dono de bar, porque ali a atividade fim é vender bebida alcoólica.

Morei num bairro onde havia um bar a menos de cem metros da porta da escola (acho que a lei determinava no mínimo 300 metros e agora parece ser 200 metros). Para conseguir o alvará de funcionamento e burlar a lei esse bar tinha uma placa de "Bomboniere" na porta. Bem, a placa não foi escrita por quem entende de chocolate, porque na verdade estava "BIMBINIÉR". Talvez você encontrasse alguma bala para vender ali, mas o que jorrava mesmo era pinga e a cerveja.

Talvez você não irá conseguir tirar de mim algo como "pode vender" ou "não pode vender" porque existem muitos aspectos a serem considerados, além da oração e exercício pessoal. Em minha profissão de palestrante tracei uma linha que achei que seria coerente. Por exemplo, não faço palestras em organizações cuja atividade fim seja religião, bebida, tabaco e armas de fogo. Entendo o lugar que tudo isso possa ter na economia, mas, como expliquei uma vez para a gerente de uma fábrica de cigarros, conheço gente que morreu de câncer no pulmão causado pelo fumo. Como eu poderia treinar os vendedores da empresa a vender mais? Depois de meu treinamento eles iriam vender menos!

Agora coloque os joelhos no chão e busque o Senhor para saber a vontade dele para você. Não sou eu quem vai dizer o que deve fazer, porque não é assim que funciona um cristão que tem o Espírito Santo. Nossa direção vem da Palavra aplicada pelo Espírito Santo, e sempre lembrando da instrução dada pelo apóstolo Paulo. Ali ele estava falando de alimentos puros e imundos, um critério que alguns que tinham vindo do judaísmo trazia arraigado em seus costumes. Mas o princípio pode também ser aplicado para outras situações:

"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão. Eu sei, e estou certo no Senhor Jesus, que nenhuma coisa é de si mesma imunda, a não ser para aquele que a tem por imunda; para esse é imunda. Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu. Não seja, pois, blasfemado o vosso bem; porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo. Porque quem nisto serve a Cristo agradável é a Deus e aceito aos homens. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo. Bom é não comer carne, nem beber vinho, nem fazer outras coisas em que teu irmão tropece, ou se escandalize, ou se enfraqueça. Tens tu fé? Tem-na em ti mesmo diante de Deus. Bem-aventurado aquele que não se condena a si mesmo naquilo que aprova. Mas aquele que tem dúvidas, se come está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não é de fé é pecado." (Rm 14:12-23).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)


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