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Por que você diz que os mortos não estão dormindo?



https://youtu.be/n0UR_DUtvIM

Recebo com frequência esta pegunta, se os mortos estariam dormindo, e ela costuma vir acompanhada de versículos tirados do contexto. A dúvida das pessoas é recorrente porque aprenderam isso dos ensinos de uma mulher que, para começo de conversa, nunca deveria ensinar. Estou falando da falsa profetiza do Adventismo do Sétimo Dia, Ellen White. A Bíblia deixa muito claro que o ensino de doutrinas é vedado à mulher por ser ela mais suscetível aos ataques de Satanás e por ter sido Eva, e não Adão, que foi enganada pela serpente.

"A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanece em fé, e amor, e santificação, com bom senso." (1 Tm 2:11-15).

Em outros textos e vídeos falei de alguns dos erros que essa mulher ensinou, como a guarda do Sábado e da Lei de Moisés. Acredito que só não falei das várias vezes em que ela e seus sucessores marcaram a volta de Cristo e depois precisaram inventar uma desculpa qualquer por não ter acontecido tal evento. Outro erro gravíssimo, ensinado por essa mulher, é sua interpretação de Levítico, quando são dadas instruções de uma oferta envolvendo dois bodes.

"Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado. Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário." (Lv 16:7-10).

Os dois bodes compõem uma figura de Cristo nos dois aspectos de sua morte na cruz. O primeiro bode, que era "pelo Senhor" representava Cristo atendendo a todas as justas reivindicações de um Deus santo quanto ao pecado. Apenas este bode era sacrificado fazendo "expiação, que será pelo povo, e [Arão] trará o seu sangue para dentro do véu... e o espargirá sobre o propiciatório, e perante a face do propiciatório. Assim fará expiação pelo santuário por causa das imundícias dos filhos de Israel e das suas transgressões, e de todos os seus pecados." (Lv 16:15-16).

Enquanto isso o segundo bode, chamado de "bode emissário", prefigurava Cristo atendendo perfeitamente toda a culpa do homem, cujos pecados Deus lança no esquecimento, fazendo dessa oferta uma figura com dupla face: uma relacionada a Deus e outra ao homem.

"E Arão porá ambas as suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode, e envia-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles à terra solitária; e deixará o bode no deserto." (Lv 16:21-22).

Mas qual foi o estrago que o ensino de Ellen White fez com essa figura mostrada por Deus? Transformou o segundo bode, o "bode emissário", numa figura de Satanás como culpado pelos pecados humanos. Se já não fosse grave transformar uma figura de Cristo numa figura de Satanás, tal raciocínio faz do inimigo de nossas almas co-autor de nossa salvação. A conclusão é que se Satanás não tivesse dado uma mãozinha na obra de Cristo não poderíamos ter sido salvos.

Eu sei que sua dúvida não foi esta, mas sempre é bom mostrar um pouco mais do lamaçal de má doutrina que existe na base dessa religião que se apoia sobre os falsos ensinos de sua suposta profetiza. Alguns adventistas poderão ficar irados com minhas palavras, mas o que o Senhor fazia quando se deparava com os enganos que eram ensinados pelos fariseus do seu tempo? Não era passando a mão na cabeça dos hipócritas que ele alertava seus discípulos contra o "fermento dos fariseus e dos saduceus", que era sua "doutrina" (Mt 16:11-12).

O Senhor denunciava seus erros com duras palavras, e a seus propagadores chamava de "raça de víboras". Do mesmo modo o que digo aqui não é acerca dos seguidores da religião adventista, as pessoas comuns que foram enganadas, mas das doutrinas dessa seita que foram ensinadas por sua falsa profetiza e também por seus falsos mestres, sobre os quais recai a responsabilidade dos desvios que estão cometendo.

Nunca aceite totalmente o que um clérigo de alguma religião ensina a você sem comparar com o que a Bíblia diz, porque devemos julgar tudo o que chega aos nossos ouvidos. O próprio apóstolo Paulo dizia "julgai vós mesmos o que digo" e ensinou que quando os cristãos estivessem congregados ao nome do Senhor deveria existir o julgamento contínuo daquilo que estivesse sendo ensinado: "falem dois ou três profetas, e os outros julguem." (1 Co 14:29). E quando alguém é um empregado de uma instituição religiosa não precisa ser muito inteligente para perceber que ele é obrigado a ensinar apenas aquilo que seus empregadores determinarem.

O resultado disso é que não existe liberdade para que o Espírito Santo use completamente alguém que dentre eles seja verdadeiramente convertido, pois não pode ser "vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra" (2 Tm 2:21). Os muros doutrinários da instituição, e a reverência criada em torno de sua falsa profetiza, barram qualquer tentativa de se crer em tudo o que a Bíblia diz e conflita com os dogmas da instituição.

O Senhor não usava de linguagem politicamente correta quando denunciava a classe clerical de seu tempo, os falsos mestres que torciam as Escrituras, eram enganados e enganavam as pessoas. Jesus os chamava de "guias cegos... insensatos e cegos... que coais um mosquito e engolis um camelo... escribas e fariseus, hipócritas, pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade... assim vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniquidade... Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?" (Mateus 23).

Os que são contaminados por essas falsas doutrinas passam a acreditar naquela que considero a que tem consequências mais terríveis na vida aqui: o sono da alma. Esses poderão citar o livro de Eclesiastes para justificar a ideia de que os mortos estariam num coma induzido, sem a possibilidade de pensar e se comunicar com seu exterior. Uma passagem preferida é esta: "Porque os vivos sabem que hão de morrer, mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa, mas a sua memória fica entregue ao esquecimento." (Ec 9:5). A perspectiva de Eclesiastes é da terra, ou seja, olhamos para um cadáver e dizemos que parece que está dormindo. Tudo em Eclesiastes é das coisas que acontecem "debaixo do sol", uma expressão que aparece muitas vezes neste livro.

Ora, você nunca foi a um velório e escutou as pessoas comentarem "Parece que está dormindo"? É evidente que elas falam do corpo do morto no caixão, e as funerárias capricham na maquiagem para criar essa impressão. Mas se a morte fosse mesmo um sono sem sonhos, como pensam alguns, então o rico da história conhecida como "O rico e Lázaro" precisaria fazer um tratamento para parar de falar enquanto dorme. Apesar de estar morto e seu corpo sepultado, sua alma no hades conversou um bocado com Abraão, que para os judeus era uma figura representativa de Deus.

Você mesmo pode ler a história toda em Lucas 16:22-31, onde o rico morto diz coisas como "Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama". Para qualquer um que não tenha sido reprovado em interpretação de texto isso mostra claramente que os mortos não apenas estão conscientes e são capazes de se comunicar, como também experimentam sofrimentos equivalentes aos que sofriam quando estavam em seus corpos, como tribulação de consciência, sede e dores de queimaduras. Assim como um amputado pode sentir seus membros que já não existem, um morto continua com suas sensações ecoando em sua alma.

Ainda pensando nesse falso ensino dessa falsa profetiza sobre o sono da alma, o que dizer de Moisés, que morreu e apareceu no monte da transfiguração? Ele não só apareceu bem desperto como também falava com Jesus de sua morte que deveria acontecer em breve. "E eis que estavam falando com ele dois homens, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória, e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém." (Lc 9:30-31). Não é maravilhoso pensar que o assunto do céu seja o sacrifício de Cristo? É de sua visão do céu que João diz: "E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto" (Ap 5:6).

O que pensar também das almas dos mortos na Grande Tribulação que aparecem em Apocalipse clamando a Deus? Elas estavam bem despertas e falantes, com excelente memória do que tinha acontecido na terra. "E, havendo aberto o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que foram mortos por amor da palavra de Deus e por amor do testemunho que deram. E clamavam com grande voz, dizendo: Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra? E foram dadas a cada um compridas vestes brancas e foi-lhes dito que repousassem ainda um pouco de tempo, até que também se completasse o número de seus conservos e seus irmãos, que haviam de ser mortos como eles foram." (Ap 6:9-11).

A falsa doutrina do sono da morte obriga os adventistas a fazerem malabarismos, como alegar que o malfeitor na cruz não estaria naquele mesmo dia desfrutando acordado da companhia de Jesus no Paraíso, como lhe havia sido prometido pelo Senhor. Isto porque se tentassem encaixar o sono da alma naquele episódio, Jesus nunca poderia ter dito ao homem moribundo, "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso" (Lc 23:43), mas sim "...hoje estarás dormindo no Paraíso".

A explicação dos que seguem os falsos ensinos de Ellen White é que a verdadeira tradução bíblica para esta passagem seria "em verdade te digo hoje [vírgula], estarás comigo o paraíso", e não "em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso". A seguir tal explicação, a mesma dada pela seita das Testemunhas de Jeová que nega a divindade de Cristo, teríamos de acreditar que o malfeitor não estaria no paraíso com ele naquele mesmo dia, mas que Jesus teria dito naquele dia que ele ainda estará no paraíso algum dia no futuro.

Deixe-me desenhar para você entender. Se você receber uma mensagem minha sem pontuação dizendo: "Podes crer hoje vou passar na tua casa", o que você entenderia? Que a ênfase estaria no "podes crer hoje" ou no "hoje vou passar na tua casa"? Seria uma bobagem eu incluir na mensagem a palavra "hoje" apenas para dizer que "hoje" é o dia de minha mensagem, mesmo porque não seria possível eu ter dito tal frase amanhã ou ontem. Além disso, o verbo que antecede o "hoje" está no presente, não no passado, "disse" ou no futuro "direi", o que já eliminaria a necessidade de se colocar "hoje" se a intenção fosse identificar quando estou dizendo aquilo. Por isso a ênfase do que Jesus disse ao malfeitor na cruz estava no "Hoje estarás comigo no Paraíso" e não no "Te digo hoje".

O cumprimento dessa promessa era também o que o apóstolo Paulo almejava em Filipenses 1:23: "Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor." Paulo não disse que "dormir é ainda muito melhor" ou "partir e esperar estar com Cristo algum dia no futuro seria ainda melhor". Sua certeza era de um encontro imediato com seu Salvador, e não da passagem da vida aqui para uma maca num ambulatório celestial para esperar em um profundo coma espiritual pelo dia da ressurreição de seu corpo.

Eu enquadraria a doutrina do "sono da alma" não apenas como uma questão de semântica, mas sim como um silvo maligno impregnado do hálito da serpente que enganou Eva no Jardim do Éden. Para saber a razão de eu dizer algo tão radical, associe essa doutrina do sono da alma com outro falso ensino da profetiza dos adventistas que é o do aniquilamento final dos ímpios. Atropelando a afirmação bíblica de que existe um "fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos" (Mt 25:41), o adventismo ensina que eterno não seria tão eterno assim, mas um fogo que destruiria para sempre os que não tivessem sido salvos.

Jesus também falou de uma condenação "onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga" (Mc 9:44). O "bicho" ou "verme" que nunca morre nos fala de uma imortal consciência a atribular eternamente os perdidos. Isaías usa a mesma expressão ao falar de forma metafórica dos inimigos de Israel que serão mortos: "Verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne." (Is 66:24).

Se você realmente acreditar nos ensinos de Ellen White provavelmente não terá lá muito amor pelos perdidos a fim de buscar levá-los a conhecer a Cristo. Talvez deseje convertê-los à sua religião, mas se não conseguir, o que importa? Afinal, se eles serão aniquilados no final e deixarão de existir isso demonstra que não farão qualquer diferença. Quantas pessoas você conhece que gostariam de simplesmente desaparecer e deixar de existir? Talvez você seja uma delas. Deixar de evangelizá-las poderia ser até um favor para alcançarem o que sempre desejaram.

Um amigo que escutou a conversa de um Testemunha de Jeová tentando conquistar um ateu para sua religião, viu o ateu ficar todo feliz quando escutou a falsa doutrina do aniquilamento da alma, a mesma ensinada no Adventismo do Sétimo Dia. O ateu agradeceu ao Testemunha de Jeová assim: "Você garante que vou deixar de existir? Uau! Muito obrigado, isso era tudo o que eu queria ouvir. Não tenho nenhum interesse em continuar existindo para sempre.".

Acompanhe meu raciocínio para ver aonde leva a malignidade da doutrina dessa falsa profetiza que ensinou o aniquilamento dos perdidos. Imagine alguém que não encontra qualquer graça nesta vida ou até mesmo esteja sofrendo horrivelmente, enfermo de uma doença incurável. Alguém assim, ao escutar a mentira satânica de que pode deixar de existir no final, poderia optar pelo suicídio ou pela eutanásia. Essa pessoa iria considerar um final de existência digno, morrer para mergulhar num sono profundo sem sonhos e sofrimentos. Quanto a um castigo no juízo final, ela acreditaria que seria algo rápido, já que sua alma seria aniquilada de uma vez para sempre. Uma perspectiva assim da morte seria o remédio para os muitos sofrimentos desta vida.

Nem preciso repetir que quem sussurrou essas mentiras aos ouvidos daquela falsa profetiza foi o diabo, a antiga serpente, Satanás. Ele é quem busca a morte daqueles que Deus criou.

Jesus disse: "Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira." (Jo 8:44).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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