As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Devo fugir do Natal?



https://youtu.be/vP5vK73cyK4

Todos os anos recebo mensagens de pessoas com dúvidas sobre o Natal, principalmente daquelas que gastam tempo assistindo vídeos de teorias conspiratórias na Internet. A resposta para a pergunta se o Natal é uma festa pagã é mais simples do que você pode imaginar. A resposta é não, e vou explicar a razão.

Digamos que eu seja um torcedor fanático do São Paulo Futebol Clube, cujas cores são preto, branco e vermelho, e decida promover uma festa para homenagear meu time. Por gostar da cor verde, visto minha melhor camisa verde para a ocasião. Como meu esporte favorito é a pesca em alto mar, na parede verde de minha sala tenho pendurados um quadro com a pintura de um peixe e também o timão com o qual eu pilotava meu primeiro barco, ao lado da pintura de uma caravela. Um galo de cerâmica sobre a mesa completa a decoração.

Se alguém perguntar a qualquer pessoa com um mínimo de bom senso e inteligência o motivo daquela comemoração, ela responderá que é por eu ser fã do São Paulo Futebol Clube. Se perguntar a teoristas de conspiração, um responderá que sou torcedor do Palmeiras porque estou de verde, outro que torço para o Santos porque tem um peixe na parede, outro que o timão é sinal de que minha paixão é pelo Corinthians, e outro dirá que sou um torcedor secreto do Vasco da Gama, o time da caravela. O galo de cerâmica irá causar um racha entre os teoristas conspiratórios, já que vários times têm essa ave como símbolo.

Tendo dito isto, permita-me desenhar: O Natal, embora não seja ordenança bíblica, não pode ser chamado de festa pagã, pois foi instituída pela cristandade, não pelo paganismo. Se fosse uma festa pagã seria em homenagem a algum deus pagão, tipo Baal, Moloque ou Zeus. O fato de usar símbolos que também aparecem no paganismo não diz nada, pois as notas de dólares que você está guardando para visitar os Estados Unidos também estão cheias de símbolos pagãos e ocultistas, mas nem por isso você as joga no lixo.

Resumindo: Tem Natal na Bíblia? Tem, porque a palavra natal significa o nascimento de alguém, portanto todo personagem bíblico nasceu em sua data natalícia em sua cidade natal no país de onde é nativo. Isso inclui o natal ou nascimento de Jesus, o Filho de Deus que veio ao mundo em carne para viver, morrer e ressuscitar como Homem. O que não tem na Bíblia é a data de seu nascimento e nem a ordenança para celebrarmos o seu aniversário, mas temos sim a ordenança para celebrarmos sua morte. Isso é feito no primeiro dia da semana com pão e vinho representando seu corpo morto e seu sangue derramado. "Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co 11:26).

Alguns também me escrevem perguntando se o fato de participar na ceia de Natal promovida pela família não seria incorrer em pecado de comer alimentos sacrificados a ídolos. A menos que sua família pretenda degolar um cabrito e oferecê-lo a Baal, não pense na ceia de natal como uma ordenança religiosa, porque não existe na Bíblia tal coisa. Ceias de Natal são promovidas até por ateus, e não passam de outra versão do Dia de Ação de Graças celebrado em alguns países. É uma refeição que permite reunir familiares.

Antes que você me pergunte, a árvore de Natal não significa que as pessoas ali estejam celebrando o aniversário de Ninrode, como mostram vídeos de teorias conspiratórias. Se não acredita em mim, vá a uma loja de enfeites e pergunte se eles têm "Árvore de Ninrode" para vender. A Árvore de Natal é um enfeite que a tradição cristã adotou e pode até ter se originado em costumes nórdicos de celebração da vida, já que pinheiros são plantas de folhas perenes. Não, você não encontrará na Bíblia uma árvore de Natal, mas também não encontrará Bíblia em formato digital, mas é bem provável que já tenha uma instalada em seu celular.

Se fôssemos analisar cada costume para ver se tem origem em povos pagãos teríamos de parar de tomar banho todos os dias. Nós brasileiros herdamos o costume dos pagãos indígenas adoradores de Tupã. Se quiser mesmo não imitar pagãos, volte ao costume europeu de banho uma vez por semana, ou uma vez por ano como na Idade Média. Na época tomar banho era considerado pecado, pois podia promover a vaidade e a luxúria, por isso muitos nem se despiam para se lavar.

Como já me perguntaram se árvore de Natal podia trazer maldição para a casa, devo lembrar que nenhum objeto tem qualquer poder sobre um cristão, seja positivo ou negativo — a menos que tenha um gatilho e munição. Isso inclui árvores, de Natal ou não, vasos de "Comigo-ninguém-pode", ramos de arruda ou um canteiro de "Espadas de São Jorge". Mas você pode se dar mal se comer a folha da "Comigo-ninguém-pode", que é venenosa, ou se um vaso cair na sua cabeça. A única "maldição" que pode vir sobre você com uma árvore de Natal será se não instalar direito as lampadinhas e sua casa pegar fogo ou seu gato morrer eletrocutado.

Mas não seria a estrela de cinco pontas no topo da árvore um símbolo pagão? Pode ser, pois o "pentagrama invertido" é também usado no ocultismo como símbolo do diabo, mas isso não faz daquela estrela especifica de sua árvore um símbolo pagão. No ocultismo o pentagrama tem esse significado por ser possível fazer caber a cara de um bode na estrela: duas pontas são os chifres, duas pontas as orelhas caídas e a ponta para baixo a barbicha do bode. Mas quem foi que falou que Satanás se parece com um bode? Poderia se parecer com uma flor, pois existem também flores, principalmente orquídeas, com cinco pétalas pontiagudas. O que você fará se uma delas nascer no seu jardim? Fugirá de casa? Somos nós que damos significados aos símbolos, e não o contrário.

A Bíblia não diz que cristãos devam usar crucifixos, até porque a cruz foi o instrumento de tortura do Senhor. Mas conheço uma cristã brasileira que vive na Europa e usa um crucifixo numa correntinha no pescoço. Ela não usa para proteção contra o mal, nem para dar sorte ou qualquer outro motivo supersticioso. Ela usa porque é morena e não quer ser confundida com uma muçulmana e acabar vítima de rejeição e agressão em um país cada vez mais avesso a refugiados islâmicos.

O deus pagão Zeus, da mitologia grega, está sempre segurando um raio, mas nem por isso você deixa de carregar seu celular só porque aparece um raiozinho dentro do ícone da bateria. Sim, até isso já me perguntaram: "Devo parar de carregar o celular por causa do símbolo demoníaco que aparece dentro da bateria?". Quando a Sra. Ignorância se casa com o Sr. Superstição seus filhos se chamarão Discriminação, Ódio, Perseguição, Segregação, Intolerância, Inclemência, Incompreensão, Desdém, Sectarismo, Arrogância etc.

Alguém me perguntou se alguém que faça o símbolo dos roqueiros — a "mão chifrada" —, com o mindinho e o indicador esticados e os outros dedos retraídos à semelhança de um chifre, é um adorador do diabo. Ora, quem disse que o diabo tem chifres? E como você sabe se a pessoa com alguns dedos contraídos e outros esticados não sofre de "Contratura de Dupuytren"?

A doença faz com que alguns dedos se contraiam permanentemente em direção à palma da mão. O ator britânico Bill Nighy, o maestro brasileiro João Carlos Martins e Leonardo Da Vinci são algumas vítimas dessa doença. Percebe como é fácil lançar alguém na fogueira por superstição? Pelo menos treze etnias indígenas brasileiras ainda praticam o costume de enterrar vivos os bebês que nascem gêmeos, albinos ou deficientes físicos.

E os presentes colocados debaixo da árvore de Natal, seriam eles oferendas a ídolos pagãos? Seria possível trazerem alguma maldição? Não, presentes são apenas presentes, mas dependendo de quem dá e de quem recebe podem ser chamados de propina, revanche ou simplesmente mau gosto. Mas conheço um rapaz que todo Natal ganhava de uma mesma pessoa da família o mesmo LP da mesma cantora. Para ele aquilo sim era maldição.

Não, o dia 25 de dezembro não foi a data em que Jesus nasceu e acho que nem os duendes do Papai Noel ainda acreditam nisso. O fato de os pagãos celebrarem uma festa na mesma época não quer dizer nada. Pagãos também se alegram com o nascimento de um filho, com casamentos e vitória do time predileto. Como já disse, não é a coisa em si que tem poder de significar algo por si só, mas nós é que damos a ela o significado que quisermos.

Pagãos e até sociedades secretas, como a Maçonaria e a Rosa-cruz, celebram um ritual com pão e vinho, mas nós cristãos não deixamos de celebrar a ceia do Senhor por existirem versões piratas sendo praticadas por aí. Pagãos fazem orações a seus deuses, mas nem por isso deixamos de orar ao Pai. Pagãos também têm seus batismos parecidos com o batismo cristão, e colocam sobrenomes em seus filhos, e nós também, apesar de na Bíblia ninguém ter sobrenome.

O Papai Noel é sim extraído de lendas e costumes dos povos pagãos, mas o original era verde e magro. O moderno, vermelho e gordo, foi criado pelo artista da Coca-Cola que olhou no espelho e pintou a si mesmo com seu nariz vermelho, pois era chegado num uísque. Mas o costume começou mesmo no quarto século quando São Nicolau era tido como o entregador de presentes, apesar de na Itália até hoje os presentes serem entregues por uma bruxa.

Se você odeia ser convidado para festas de Natal, aqui vai uma dica para nunca mais ser convidado: Na hora da entrega dos presentes conte para todas as crianças que Papai Noel não existe. Você nunca mais vai ter de comer peru seco com farofa seca acompanhados de vinho numa noite de 40 graus, nem arroz com passas e maionese com maçã, e nem escutar seu cunhado contar outra vez a piada do "pavê": "É pavê ou pacomê?".

Juntando tudo, não fará mal você ir a uma festa de Natal, comer chester (apesar de eu não conhecer ninguém que tenha visto um vivo), dar e receber presentes, e suportar as conversas de sempre. Pode até ser uma excelente oportunidade de você pegar um gancho para falar da razão de Cristo vir ao mundo, morrer numa cruz e ressuscitar ao terceiro dia. Olhe ao redor e poderá encontrar alguém deprimido gritando silenciosamente por socorro, pois Natal e Ano Novo são campeões de vítimas de depressão, overdose e suicídios.

Que tipo de impressão você quer deixar nas pessoas no próximo Natal? A de um convidado azedo, visto por toda a família como um estraga-prazeres, que nunca mais irá querer ouvir de você qualquer coisa sobre a Bíblia, ou a de alguém que aprendeu com Jesus a não se concentrar na vida devassa da mulher samaritana para levá-la a conhecer a verdade? Ou ainda, um aprendiz de Paulo, que não ficou batendo na mesma tecla da idolatria dos atenienses, mas aproveitou o gancho do "DEUS DESCONHECIDO" para falar do Deus verdadeiro?

As únicas ordenanças bíblicas dadas pelo Senhor foram o batismo, feito uma vez, e a ceia do Senhor, celebrada a cada primeiro dia da semana. Outras festas chamadas "cristãs", como o Natal e a Páscoa, não passam de costumes culturais ou cópias de celebrações judaicas que nada têm a ver com cristianismo, mas também seria falta de inteligência chamá-las de festas pagãs, já que são celebradas por cristãos que não adoram ídolos pagãos. Festas pagãs são as celebradas por pagãos para seus deuses pagãos, e festas para o seu time preferido são isso mesmo, independente da cor de sua camisa ou da decoração de sua sala. Simples assim.

Todos os anos aproveito o período do Natal para presentear minhas funcionárias, os funcionários do condomínio e todos os moradores do prédio com uma folhinha de parede com doze fotos coloridas e versículos, publicada pela Editora Verdades Vivas, e um "Calendário Boa Semente", do Depósito de Literatura Cristã, que é um livro com 365 mensagens evangelísticas renovadas todos os anos. Acredito mesmo que Deus possa usar a sua Palavra impressa nesses materiais para salvar. Outros aproveitam o Natal para comprar alimentos e brinquedos para crianças carentes, visitar asilos e prisões para levar o evangelho e consolar aflitos. Todas essas ações podem trazer frutos para o Reino de Deus.

Mas suponhamos que eu fosse um aficionado por vídeos de teorias conspiratórias e aproveitasse o Natal para alertar essas mesmas pessoas presenteando-as com DVDs de vídeos contra o Natal. Qual seria o resultado? Incrédulos convertidos a Cristo? Deprimidos ganhando um novo alento? Suicidas agarrando-se à vida? "Consoleis os de pouco ânimo, sustenteis os fracos, e sejais pacientes para com todos." (1 Ts 5:14).

"Se algum dentre os incrédulos vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que for posto diante de vós, sem nada perguntardes por motivo de consciência... Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus. Não vos torneis causa de tropeço nem para judeus, nem para gentios, nem tampouco para a igreja de Deus, assim como também eu procuro, em tudo, ser agradável a todos, não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos, para que sejam salvos." (1 Co 10:27, 3133). 

Em tempo: Antes de revisar este texto precisei caminhar até o supermercado da esquina para comprar verduras. Na volta encontrei uma moradora no elevador e ela disse: "Muito obrigado pelo calendário e pelo livro. Em casa todos gostamos de ler as mensagens, gosto de tudo que fala de Jesus". Aproveitei o gancho e sugeri que procurasse pelo meu nome no Google para encontrar muitos vídeos falando de Jesus.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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