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Afinal, é para vestir o casaco ou tirar o casaco?



https://youtu.be/L4rE6-U8hlc

Zezinho está irritado. Uma hora a mãe manda vestir o casaco, outra hora diz para tirar o casaco. "Mãe! É pra vestir o casaco o tirar o casaco?". "Meu filho, quando eu disser para vestir o casaco você veste, quando eu disser para tirar você tira. Enquanto eu for sua mãe você vai me obedecer sem debater.". Esta é a súmula do princípio da autoridade. Ela existe para ser obedecida, não para ser discutida ou desprezada, seja ela o presidente, o delegado ou a mãe.

E é aí que está a maravilha de ser cristão e de poder descansar crendo que Deus está agindo nos bastidores. Quando ordenado que os meninos fossem jogados no Rio Nilo os pais de Moisés, Anrão e Joquebede, foram criativos e inventaram uma maneira de obedecer o decreto de Faraó ao mesmo tempo em que salvavam o filho da morte. Jogaram no rio, mas dentro de uma cesta impermeável e não longe da margem onde pudesse ser vigiado. "Pela fé Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei." (Hb 11:23).

Muitos entraram em pânico quando o presidente e governadores ordenaram o isolamento e a quarentena. Depois ficaram em pânico quando a ordem foi revertida para que se isolasse apenas os do grupo de risco. Sendo eu parte do grupo de risco, por ser idoso, cardíaco, hipertenso, e com um filho deficiente que depende de meus cuidados, imediatamente me isolei e dei férias às duas funcionárias que me auxiliam em casa com cozinha, limpeza e cuidado de meu filho.

Como posso fazer isso e ainda ter sustento achei prudente não desafiar "o mandamento do rei" e jogar com a sorte. Revertido "o mandamento do rei" continuo do mesmo jeito, dentro de meu cestinho impermeável à margem do Rio da morte. Mas se tivesse filhos pequenos os manteria comigo para não servirem de veículos de contaminação, e se precisasse sair para caçar e garantir o sustento, sairia independente de existir um leão na rua. Afinal, viver é sempre perigoso.

Mas a melhor parte de tudo isso é que o cristão não é chamado a decidir o futuro da nação; o cristão é chamado a andar em submissão. No final o Senhor cobrará da autoridade suas decisões certas ou erradas, mas do cristão cobrará sua submissão. É evidente que estou falando aqui de ações que não vão contra a obediência à Palavra de Deus, que tem precedência sobre a obediência às autoridades que Deus constituiu. Mas é possível obedecer e ao mesmo tempo se proteger, como fizeram com Moisés, juntando submissão e fé.

Você quer exemplo melhor do que o de nosso Senhor Jesus quando andou aqui neste mundo? Ele veio em perfeita submissão e obediência ao Pai, apesar de ele próprio ser Deus e Homem, perfeito em todas as suas decisões, ele só fazia aqui o que era determinado pelo Pai. "Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou." (Jo 6:38). O fim de sua obediência foi a morte, mas apenas alguém de visão míope e materialista poderia achar que sua obediência foi em vão.

Acho que não preciso explicar aqui a razão de Jesus ter vindo ao mundo para morrer. Se você já teve todos os seus pecados perdoados e foi lavado pelo sangue do Cordeiro de Deus pela fé em Jesus saberá que seu sacrifício não foi em vão. Ele "morreu por todos... oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos... o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si." (2 Co 5:15; Hb 9:28; Is 53:11).

O Senhor Jesus, quando veio ao mundo, precisou aprender algo que não conhecia: Obediência. "Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu" (Hb 5:8). Nessa atitude de obediência, mesmo ele próprio sendo uma Pessoa divina, deixava de lado sua própria vontade para submeter-se à vontade do Pai. "Eu nada posso fazer de mim mesmo; na forma por que ouço, julgo. O meu juízo é justo, porque não procuro a minha própria vontade, e sim a daquele que me enviou." (Jo 5:30).

"Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz." (Fp 2:6-8).

Os versículos que antecedem este trecho dizem para termos "o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus", ou seja, "nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo. Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros. Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus" (Fp 2:2-5). Se meu isolamento for bom para mim e para outros, evitando que eu transmita o novo coronavírus, assim seja. Se precisar sair para trabalhar para prover para as necessidades minhas e de outros, amém também.

A obediência de Jesus ao Pai foi tamanha que resultou em sua morte. Ora, não é isso também que se exige de um soldado em campo de batalha? Se o comandante disser "Vai", ele vai, se disser "Vem", ele vem. Ali ele está debaixo de ordens visando proteger sua casa e nação, e bem ciente de que poderá tanto voltar para casa com uma medalha no peito como acabar com uma bala na testa. Ele não discute, ele obedece, e se for cristão, tem fé de que nada do que lhe possa acontecer será à revelia da vontade do Pai. Foi uma obediência assim que Jesus elogiou e associou à fé:

"E, entrando Jesus em Cafarnaum, chegou junto dele um centurião, rogando-lhe, e dizendo: Senhor, o meu criado jaz em casa, paralítico, e violentamente atormentado. E Jesus lhe disse: Eu irei, e lhe darei saúde. E o centurião, respondendo, disse: Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu telhado, mas dize somente uma palavra, e o meu criado há de sarar. Pois também eu sou homem sob autoridade, e tenho soldados às minhas ordens; e digo a este: Vai, e ele vai; e a outro: Vem, e ele vem; e ao meu criado: Faze isto, e ele o faz. E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé." (Mt 8:5-10).

A crise causada pela pandemia do novo coronavírus tem ajudado à trazer à tona em alguns cristãos aquele vírus da contestação e insubordinação que se revelou pela primeira vez no Jardim do Éden. Ali Eva achou que seria uma grande ideia se ela e seu marido não precisassem mais se submeter ao Criador. Porém, se adquirissem o conhecimento do bem e do mal como Satanás sugeria, poderiam tomar suas próprias decisões independentes de Deus. "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal", disse a serpente em Gênesis 3:5.

Nem perco meu tempo esperando que incrédulos, céticos ou ateus escutem, mas me dirijo aos meus irmãos em Cristo: Se a sua mãe ainda não lhe ensinou, aprenda de uma vez por todas que as autoridades foram instituídas por Deus para serem obedecidas.

"Toda a alma esteja sujeita às potestades superiores; porque não há potestade que não venha de Deus; e as potestades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à potestade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a potestade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra." (Rm 13:2-7).

Mas o que fazer quando nem a autoridade sabe como agir e fica sem direção? Quando diz para vestir o casaco e depois diz para tirar? Ainda assim ela é autoridade, e se ela caminha em terreno lamacento e mutante em meio às trevas de um denso nevoeiro, caminhe atrás porém prestando muita atenção onde pisa. O soldado é enviado à batalha, mas seu cérebro não fica em casa, ele leva junto para tomar as micro decisões de onde pisar, quando correr, quando rastejar etc. Não é diferente no que o mundo está passando. Afinal, o novo coronavírus é chamado novo porque ninguém conhecia, ninguém sabia como enfrentá-lo e, no momento em que digo estas palavras, ninguém pode prever suas consequências.

As medidas diferentes tomadas por diferentes autoridades de diferentes países são passos cambaleantes no lamaçal da incerteza, como se tivessem escutado o bookmaker dizer: "Façam suas apostas!". Aí saiu cada um apostando de um jeito sem ter a certeza do resultado final. À medida em que a névoa vai se dissipando podem surgir decisões acertadas, mas exceto pelas micro decisões, que são minhas e suas, a medida mais segura para o cristão é se submeter à autoridade que decide no macro, pois esta ordem veio de Deus e se você tiver de reclamar reclame a ELE.

O que é certo é que, como na navegação, o barco precisa mudar de direção à mercê dos ventos, e é por isso que aqueles que nunca velejaram acham absurdo o veleiro viajar em ziguezague. Ou aqueles que nunca estudaram navegação interplanetária ficarão sem entender a razão de uma sonda destinada a Marte partir em direção a Vênus. Por desconhecerem o "star sling", ou efeito estilingue que se obtém circundando um planeta para aproveitar sua gravidade para ganhar velocidade, não saberão que é assim, ziguezagueando ou dando voltas, que se chega mais rápido ao destino.

O cristão também não deve temer mudar de opinião, como poderá ter de mudar muitas vezes na vida, se a sua bússola for a Verdade da Palavra de Deus e seu Norte continuar sendo Cristo. Você deve ter ouvido eu falar da importância de obedecer a autoridade, mas também da importância ainda maior de se preocupar com a saúde e bem estar das pessoas do grupo de risco neste cenário de pandemia. Ao dizer que você deve se sujeitar aos ziguezagues da autoridade não invalido o que disse, apenas reafirmo. Vou dar um exemplo.

Na faculdade eu era um cego seguidor do espiritualismo, de filosofias orientais e alimentação macrobiótica. Pregava a todos que a solução para todos os males da humanidade estava numa postura Zen e numa cuia de arroz integral com gersal. Um dia me converti a Cristo (leia minha história em "Quando os anjos se alegram") e aí os colegas vinham me cobrar: "Ei, Mario, como é isso? Até ontem você dizia para a gente ler o Bhagavad-Gita, o Tao-te-king, Krishnamurti, Castañeda, Blavatsky, e agora diz para ler a Bíblia?". "Pois é, eu mudei.".

Sim, mudamos mas sempre confiando na "imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa" (Hb 6:17). Em suma, a segurança do crente está em Cristo e na obediência à Palavra de Deus, e quando falamos de assuntos civis e governamentais, ao crente cabe a simples e única tarefa de honrar e obedecer a autoridade enquanto mantém sua fé no Senhor e na provisão do seu poder. Afinal, o que de pior pode acontecer a um crente em Jesus? Morrer? Você deve estar brincando. Que Deus nos dê sempre a mesma confiança do apóstolo Paulo, que dizia: "Para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho." (Fp 1:21).

Depois do elogio que Jesus fez da fé do centurião, que deu uma lição magna de como funciona o princípio de autoridade, o próprio Senhor, embora sendo Deus e Homem, seguiu agindo de acordo com essa mesma cartilha. Ora, que monumento maior de submissão e obediência você poderia encontrar do que no seu encontro com Pilatos?

Ali estava ele diante do governador e juiz que presidia o mais injusto e infame julgamento da História: a condenação à morte do Cristo, o Filho de Deus e Rei dos judeus. Mesmo tendo o poder de mudar o desfecho de tudo aquilo, Jesus não o fez. No episódio de sua prisão, ao repreender a Pedro que quis resolver tudo no fio da espada, ele disse: "Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos?" (Mt 26:53).

Então foi a vez de Pilatos precisar exercer sua autoridade e certamente a eternidade revelará as consequências de sua decisão. Deus não deixou de avisá-lo das consequências da decisão que iria tomar, usando para isso sua esposa "E, estando ele assentado no tribunal, sua mulher mandou-lhe dizer: Não entres na questão desse justo, porque num sonho muito sofri por causa dele." (Mt 27:19). Apesar de outras referências a ela serem extra-bíblicas e baseadas na tradição, como seu nome ter sido Cláudia Prócula e haver se convertido a Cristo, não seria maravilhoso encontrarmos essa mulher no céu?

Mas Pilatos, como bom político que era, estava mais interessado em fazer uma média com a elite do judaísmo do que dar ouvidos à sua mulher e livrar o Justo de uma condenação injusta. "Mas os príncipes dos sacerdotes e os anciãos persuadiram à multidão que pedisse Barrabás e matasse Jesus" (Mt 27:20). Na outra oportunidade que teve de ouvir da boca de Jesus ser ele a Verdade, Pilatos deu as costas para o Senhor do Universo para dar atenção aos judeus.

"Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus" (Jo 18:37-38).

Mas o ápice do reconhecimento da autoridade constituída de cima, pelo próprio Deus, Jesus mostrou em sua atitude em relação a Pilatos nesta passagem:

"E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta. Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar? Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado." (Jo 19:9-11).

Se aquele que é Senhor de todas as coisas, que sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1:3) submeteu-se à autoridade de Pilatos sabendo que esta não era dele, mas emanava do alto e do Deus que controla todas as coisas, quem é você, querido irmão, que arvora ser entendedor de todas as coisas e quer viver em "modo Adão", andando "nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos"? Já se esqueceu do tempo em que estávamos "mortos em ofensas e pecados, em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo — a moda e opinião pública —, segundo o príncipe das potestades do ar — o próprio Satanás —, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência"? (Ef 2:1-3).

O que fazer, então? Aquilo que nos diz a Palavra de Deus, deixar de querer ocupar o cargo de presidente ou ministro da saúde, a menos que tenha planos de se eleger ou fazer uma faculdade de medicina, e vestir o casaco com sua mãe mandar vestir, e tirar quando ela mandar tirar.

"Tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos? Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade. E, na verdade, toda a correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas depois produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela. Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, e fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja não se desvie inteiramente, antes seja sarado. Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem." (Hb 12:9-15).

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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