As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
ATENÇÃO: POR FALTA DE TEMPO SÓ RESPONDEREI PERGUNTAS INÉDITAS. NÃO RESPONDO NO WHATSAPP.
PESQUISE assunto +mario persona NO GOOGLE PARA VER SE JÁ EXISTE RESPOSTA.

Quem eram os magos?



https://youtu.be/2nMG0_5jl7Q

Sua dúvida é quem seriam estes magos que vieram do Oriente com presentes para o menino Jesus e são citados no Evangelho de Mateus, e como eles tinham conhecimento daquela estrela e das profecias já que não eram judeus. A passagem é esta: "E, tendo nascido Jesus em Belém de Judéia, no tempo do rei Herodes, eis que uns magos vieram do oriente a Jerusalém, dizendo: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? porque vimos a sua estrela no oriente, e viemos a adorá-lo." (Mt 2:1-2).

A Bíblia diz que vieram do Oriente em relação à terra de Israel, de um lugar distante, talvez da Babilônia, Iraque, Síria ou Irã, não sabemos exatamente, e a dúvida fica maior quando encontramos na Lei, no Antigo Testamento, o Senhor falando duramente contra magos, feiticeiros, e todos aqueles que faziam mágicas, feitiçarias e adivinhações. Então como poderiam esses magos terem ido adorar o menino Jesus?

A tradução correta para "magos" no Evangelho seria "sábios". Antigamente havia astrologia e astronomia e, ao contrário de hoje, quando astrólogos são pessoas que produzem horóscopos, e astrônomos cientistas que estudam o firmamento, antigamente um astrólogo era também um astrônomo, pois essas áreas de conhecimento se misturavam. Eles estudavam os astros que Deus colocou no céu como sinais, a fim de darem direção aos homens. Você encontra isso em Gênesis 1:14-19 e pode até ser que existisse nisso algum fundamento para a astrologia, fundamento este corrompido como foi tudo mais pelo pecado.

Com isso durante toda a história da humanidade os homens buscaram nas estrelas a direção e alguma relação com eventos ocorridos na Terra. Isto não deveria ser estranho a nós, que também nos guiamos pelas estrelas para a navegação terrestre, marítima, aérea e espacial. Ao usar o GPS estamos usando o serviço de um satélite que, para saber onde ficar no espaço, se utiliza não apenas de sinais enviados da Terra como também de um sistema de cálculo de medição pelas estrelas.

Para entender o nível de conhecimento que os antigos tinham do estudo das estrelas, descobri que existem nos museus centenas de esferas feitas de cristal polido que não ficam expostas porque até recentemente os arqueólogos não faziam ideia de qual teria sido sua utilidade no passado. Muitas foram tiradas dos olhos de estátuas de divindades antigas, então quando os arqueólogos encontravam qualquer bolinha de cristal polido logo pensavam ser um objeto que seria parte dos sacrifícios e adoração a deuses pagãos.

Hoje se sabe que muitas dessas esferas polidas eram usadas como instrumentos óticos. Os antigos poliam os cristais até os transformarem em lentes e com elas conseguiam observar os céus. Se assim não fosse, como teriam descoberto os planetas antes da invenção oficial das lunetas e telescópios? Toda a localização das pirâmides é baseada em cálculos estelares, que só pessoas com uma capacidade intelectual muito grande e equipamentos de medição de distância poderiam ter produzido. Um artigo que li dizia que os babilônicos já sabiam que Saturno tinha anéis, o que teria sido impossível na época, a menos que já existisse algum tipo de telescópio.

No passado havia muita inteligência, sabedoria e tecnologia, ou não teria sido possível Noé ter construído um navio de madeira com um quarteirão e meio de comprimento. Portanto podemos considerar que esses magos eram os cientistas da época, pessoas com conhecimento não apenas de astronomia, mas de medicina, biologia, química, botânica etc. O capítulo 5 de Daniel nos ajuda a entender isso, pois o próprio Daniel também era um mago neste sentido.

Se o título de "mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores" tivesse alguma coisa a ver com a magia e adivinhações que a Lei mosaica condenava, seria de espantar que Daniel atuasse nessa área já que era tão cuidadoso em desobedecer a Lei que evitava atá os alimentos impuros dos babilônicos. Quando Belsazar, o neto de Nabucodonosor, viu uma mão escrevendo na parede do seu palácio, ficou muito aflito, e como ninguém conseguia interpretar as palavras escritas na parede, a rainha trouxe a Belsazar uma informação importante:

"Há no teu reino um homem, no qual há o espírito dos deuses santos; e nos dias de teu pai se achou nele luz, e inteligência, e sabedoria, como a sabedoria dos deuses; e teu pai, o rei Nabucodonosor, sim, teu pai, o rei, o constituiu mestre dos magos, dos astrólogos, dos caldeus e dos adivinhadores." (Dn 5:11).

Daniel era chefe dos magos, e isto nos ajuda a entender que um mago não era quem fazia magia, um feiticeiro do tipo Harry Potter ou aquela cigana que lê a sorte. É claro que existiam também estes tipos de feiticeiros na época, mas qualquer pessoa sábia naquele tempo era considerada um mago. Ele fazia adivinhações? Sim, Daniel fazia, pois na cabeça dos incrédulos Daniel era um adivinho. O que eles não sabiam era que Daniel recebia revelações diretamente do Deus verdadeiro. Aquelas adivinhações eram, na verdade, profecias recebidas de Deus.

Se já entendemos quem eram os magos, agora podemos perguntar que estrela era aquela que eles tão bem interpretaram como sendo uma profecia do nascimento do Rei e Messias de Israel. A resposta pode estar em Números 22. Ali temos outro mago, cientista ou adivinho, tal qual era visto em sua época. Seu nome era Balaão. Para conhecer toda sua história sugiro ler os capítulos 22 ao 25 de Números.

O resumo é que Balaque, o rei dos moabitas, estava preocupadíssimo com a chegada de Israel às suas terras. Ele tinha notícias de que por onde Israel passava exterminava a todos os seus inimigos. Os moabitas no passado haviam enganado Israel, e agora agora temiam ser castigados pelo Deus dos israelitas, e por isso Balaão é contratado para amaldiçoar Israel. Balaão não era israelita e nem conhecia o Deus de Israel, mas em suas atividades de feiticeiro ele devia invocar demônios ou espíritos imundos como fazem os médiuns de nossos dias que pensam estar conversando com os mortos.

Para impressionar o seu cliente Balaão diz que irá invocar Jeová, só que quando faz isso ele tem uma surpresa: o Senhor Jeová realmente aparece e fala com ele. Era como se ele tivesse discado um número e a ligação caiu em outro. O Senhor tinha muito interesse no seu povo, e não queria de maneira alguma que fosse amaldiçoado.

“E veio Deus a Balaão, e disse: Quem são estes homens que estão contigo? E Balaão disse a Deus: Balaque, filho de Zipor, rei dos moabitas, os enviou, dizendo: Eis que o povo que saiu do Egito cobre a face da terra; vem agora, amaldiçoa-o; porventura poderei pelejar contra ele e expulsá-lo. Então disse Deus a Balaão: Não irás com eles, nem amaldiçoarás a este povo, porquanto é bendito.” (Nm 22:10-12).

Para não me alongar na história, na sequência Balaão volta a consultar o Senhor e recebe a ordem de ir com seus clientes, que agora haviam oferecido ao falso profeta presentes ainda mais valiosos em troca de uma maldição contra Israel. Às vezes encontramos a vontade de Deus, como da primeira vez que apareceu a Balaão, mas quando insistimos num assunto podemos ser surpreendidos com a permissão de Deus, que não é exatamente sua vontade. Assim foi com Balaão e na sua insistência ele precisou escutar da boca de sua jumenta da loucura que estava fazendo em dar ouvidos aos inimigos de Israel.

Depois de repreendido por nada menos que uma jumenta, que demonstrava ter mais bom senso que ele, Balaão segue seu caminho e, ao invés de amaldiçoar a Israel acaba abençoando várias vezes o povo de Deus. A cada benção que é proferida, o rei Balaque fica mais irado e insiste que Balaão amaldiçoe, e aqui chegamos ao ponto importante, que é Números 24:15-17:

“Então proferiu a sua parábola, e disse: Fala Balaão, filho de Beor, e fala o homem de olhos abertos; Fala aquele que ouviu as palavras de Deus, e o que sabe a ciência do Altíssimo; o que viu a visão do Todo-Poderoso, que cai, e se lhe abrem os olhos. Vê-lo-ei, mas não agora, contemplá-lo-ei, mas não de perto, uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel, que ferirá os termos dos moabitas, e destruirá todos os filhos de Sete.”.

Aqui, ele faz uma profecia tremenda: Primeiro ele fala: “Vê-lo-ei, mas não agora, contemplá-lo-ei, mas não de perto”. Balaão sabia que seria condenado, que não teria a proximidade de Cristo jamais! Ele faz também uma dupla profecia: "Uma estrela procederá de Jacó e um cetro subirá de Israel". A estrela nos fala de um Guia, pois como já vimos no primeiro capítulo de Gênesis as estrelas foram criadas para servirem de guias para os homens. Em outras partes elas são usadas no sentido de seres espirituais, como os anjos, e Cristo é também identificado como uma estrela, o Sol da justiça. Aqui, "estrela" indica a vinda do Rei e Messias de Israel, e o cetro é o bastão de seu governo. Então, nesta ordem, primeiro viria a "estrela" e depois "o cetro"; Jesus viria ao mundo e depois voltaria para exterminar seus inimigos e reinar.

Voltando agora a quem teriam sido os magos ou sábios que visitaram o menino Jesus e como eles sabiam da estrela, eles certamente deviam estudar muitos manuscritos, inclusive os textos dos judeus, de Moisés, do livro de Números. As Escrituras naquele tempo faziam parte da biblioteca dos sábios, tanto que ao ler os Evangelhos, milhares de anos depois, encontramos esses sábios vindos do Oriente e cientes de que uma estrela seria usada para indicar a vinda do rei de Israel. Aqueles homens pesquisavam os céus, e eram capazes de identificar qualquer anomalia no mapa estelar que possuíam. Então quando viram aparecer uma estrela que não estava no mapa, podem muito bem terem se lembrado da profecia de Balaão sobre o rei de Israel.

Quando esteve aqui o Senhor repreendeu os sábios de seu tempo no judaísmo: “Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam; E não quereis vir a mim para terdes vida." (Jo 5:40). Para vergonha deles, que examinavam as escrituras, diziam aguardar o Messias e Rei de Israel, são sábios gentios que Deus dirige até onde estava o menino Jesus. Por que não dirigiu os sábios judeus? Por causa de seu orgulho e incredulidade.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

Mais acessadas da semana