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Devo orar pelo bem da humanidade?



https://youtu.be/K_NK_d5xYfs

Você diz que foi convidado para "orar pelas nações" como parte de um evento organizado por uma agência missionária e ficou em dúvida se seria correto "orar pelas nações", em especial neste momento em que uma peste assola a humanidade. Minha resposta será considerada insensível, insensata e até mesmo perversa pela maioria das pessoas, em especial os que não conhecem o Senhor e sua Palavra. O Senhor Jesus não orou pelo mundo, mas só pelos discípulos. Por que ele iria orar por um mundo que o rejeitou e o pregou numa cruz? Entenda como "mundo" o sistema humano de coisas que inclui todas as pessoas.

É por isso que lemos que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, ms tenha a vida eterna" (Jo 3:16). Deus quer salvar as pessoas mas não exatamente que as condições do mundo melhorem, pois tudo faz parte da mesma ruína causada pela rebelião humana no Jardim do Éden.

"Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste. Eu rogo por eles [os discípulos]; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus." (Jo 17:8-9).

Uma busca no Antigo Testamento mostra qual o sentimento de Deus em relação à oração por pessoas que vivem em desobediência à sua Palavra. Era o caso de Israel na antiguidade, e através do profeta Jeremias o Senhor ordenou: "Tu, pois, não ores por este povo, nem levantes por ele clamor nem oração; porque não os ouvirei no tempo em que eles clamarem a mim, por causa do seu mal." (Jr 11:14). Isso incluía não só evitar orar pelo povo em sua rebelião, quanto também denunciar os falsos profetas em seu meio, que se aproveitavam da situação calamitosa em que estavam os judeus para fazer falsas profecias motivacionais de que tudo iria dar certo.

"Disse-me mais o Senhor: Não rogues por este povo para seu bem. Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor, e quando oferecerem holocaustos e ofertas de alimentos, não me agradarei deles; antes eu os consumirei pela espada, e pela fome e pela peste. Então disse eu: Ah! Senhor Deus, eis que os profetas lhes dizem: Não vereis espada, e não tereis fome; antes vos darei paz verdadeira neste lugar. E disse-me o Senhor: Os profetas profetizam falsamente no meu nome; nunca os enviei, nem lhes dei ordem, nem lhes falei; visão falsa, e adivinhação, e vaidade, e o engano do seu coração é o que eles vos profetizam. Portanto assim diz o Senhor acerca dos profetas que profetizam no meu nome, sem que eu os tenha mandado, e que dizem: Nem espada, nem fome haverá nesta terra: À espada e à fome, serão consumidos esses profetas. E o povo a quem eles profetizam será lançado nas ruas de Jerusalém, por causa da fome e da espada; e não haverá quem os sepultem, tanto a eles, como as suas mulheres, e os seus filhos e as suas filhas; porque derramarei sobre eles a sua maldade... Disse-me, porém, o Senhor: Ainda que Moisés e Samuel se pusessem diante de mim, não estaria a minha alma com este povo; lança-os de diante da minha face, e saiam." (Jr 14:11-16; 15:1).

Esse tipo de falso profeta é abundante hoje no meio neopentecostal e espiritualista, e voltará a atuar depois do arrebatamento nos tempos que antecedem a Grande Tribulação. O mesmo tempo a Palavra de Deus nos assegura que os que pertencem a Cristo na atual época da Igreja não passarão por isso, pois para estes o Senhor não virá como ladrão, já que estão esperando por ele.

"Mas, irmãos, acerca dos tempos e das estações, não necessitais de que se vos escreva; porque vós mesmos sabeis muito bem que o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; pois que, quando disserem: Há paz e segurança, então lhes sobre-virá repentina destruição, como as dores de parto àquela que está grávida, e de modo nenhum escaparão. Mas vós, irmãos, já não estais em trevas, para que aquele dia vos surpreenda como um ladrão; porque todos vós sois filhos da luz e filhos do dia; nós não somos da noite nem das trevas." (1 Ts 5:1-5).

No passado vemos que Deus enviava pestes como forma de alertar seu povo de Israel de sua idolatria e mau caminho. Deus pode estar usando esta pandemia para disciplina dos que são seus e levar muitos incrédulos a se converterem a Cristo, porque quando todos os recursos do mundo acabam só nos resta apelar para o Senhor. Jeremias fala disso e Pedro tem uma mensagem para os cristãos:

"Os profetas que houve antes de mim e antes de ti, desde a antiguidade, profetizaram contra muitas terras, e contra grandes reinos, acerca de guerra, e de mal, e de peste." (Jr 28:8).

"Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem." (1 Pe 4:17-19)

Sempre vejo campanhas de orações por Israel e pelo mundo, mas acredito que isto seja falta de entendimento das escrituras. Entendo que devemos orar para que os que hoje vivem em Israel se convertam a Cristo, e os cristãos que estão ali sejam guardados do mal. Depois do arrebatamento da Igreja cerca de dois terços da população de judeus existentes naquela terra serão dizimados, portanto o pior lugar para um judeu estar hoje é justamente na terra de Israel. Eles não voltaram ali como cumprimento das profecias, pois quando estas se cumprirem eles voltarão convertidos. Hoje os que estão lá voltaram na mesma incredulidade e rebeldia do dia em que crucificaram o Senhor, daí estarem ainda sob a mesma maldição que lançaram sobre si mesmos.

"Então Pilatos, vendo que nada aproveitava, antes o tumulto crescia, tomando água, lavou as mãos diante da multidão, dizendo: Estou inocente do sangue deste justo. Considerai isso. E, respondendo todo o povo, disse: O seu sangue caia sobre nós e sobre nossos filhos. Então soltou-lhes Barrabás, e, tendo mandado açoitar a Jesus, entregou-o para ser crucificado." (Mt 27:24-26).

Por causa de sua desobediência e rebeldia os judeus sofrem todos os males previstos em Deuteronômio 28, e em tempos de Grande Tribulação o pior lugar para alguém estar seria na terra de Israel. "E acontecerá em toda a terra, diz o Senhor, que as duas partes dela serão extirpadas, e expirarão; mas a terceira parte restará nela" (Zc 13:7-9). Quando encontramos o Salmo dizendo para orarmos pela paz de Jerusalém, ele é profético e explica que é no sentido de orar pelos que se converterão, os que verdadeiramente amarem Jerusalém: "Orai pela paz de Jerusalém; prosperarão aqueles que te amam." (Sl 122:6).

Encontramos em Paulo um exemplo de oração pelos judeus, não para que fossem livres de problemas, pois Deus mesmo tinha avisado em Deuteronômio 28 que isso viria como juízo sobre eles, mas para que fossem salvos: "Irmãos, o bom desejo do meu coração e a oração a Deus por Israel é para sua salvação." (Rm 10:1).

Quanto ao restante dos povos da terra são igualmente avessos por natureza ao Senhor e sua Palavra. Não se esqueça de que toda a sociedade humana estava representada naquela placa pregada sobre a cruz de Jesus em três idiomas: hebraico — a língua da religião predominante —, grego — a língua da filosofia e cultura — e latim — a língua do poder civil e militar dominante.

"E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.  E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim." (Jo 19:19-20).

Cabe lembrar que orar para que os problemas do mundo terminem, ou até mesmo de um incrédulo em particular, não tem fundamentação bíblica, por outro lado interceder pelos incrédulos tem, e isto no sentido de que se convertam e sejam perdoados de seus pecados e salvos.

O Senhor e também seus discípulos certamente intercediam ao Pai para que incrédulos se convertessem e fossem perdoados de seus pecados, e não para que terminassem os problemas do mundo e das pessoas continuam a viver aqui indiferentes e em inimizade contra Deus. Até mesmo para os que se identificassem como irmãos e vivessem uma vida contrária à fé cristã não deveriam ser objeto da oração dos crentes.

O Senhor nos dá a certeza da eficácia de nossas orações quando feitas "segundo a sua vontade", e não segundo a vontade da opinião pública ou de nossos desejos pessoais. Repare também que ao falar de "pecado para morte", que é quando um verdadeiro crente comete pecados tão graves que já não serve de testemunho na terra e o Senhor está prestes a tirar sua vida aqui, a ordem é para que não se ore por tal pessoa.

"E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que alcançamos as petições que lhe fizemos. Se alguém vir pecar seu irmão, pecado que não é para morte, orará, e Deus dará a vida àqueles que não pecarem para morte. Há pecado para morte, e por esse não digo que ore." (1 Jo 5:14-16).

Foi no sentido de intercedermos por nossos inimigos que o Senhor pediu que orássemos por eles, mas a partir de outras passagens fica claro que o sentido não seria para que melhorassem de vida na terra ou ficassem livres de problemas.

"Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo, e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus" (Mt 5:43-44).

Nesta passagem em particular ele estava fazendo uma emenda à Lei que ele próprio havia dado no Antigo Testamento, mostrando que agora, no atual período da graça de Deus, as coisas não seriam mais na base do "olho por olho, dente por dente". O próprio Senhor faria isso na cruz, quando disse: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lc 23:34).

Estêvão seguiu o exemplo do Senhor ao ser apedrejado, mostrando que ao cristão não cabe qualquer sentimento de vingança ou revanchismo, e sim de intercessão para a salvação de seus opressores: "E apedrejaram a Estêvão que em invocação dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito. E, pondo-se de joelhos, clamou com grande voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. E, tendo dito isto, adormeceu." (At 7:59-60).

No sentido da salvação dos pecadores em geral, e de sabedoria para os governantes em particular para que os cristãos possam ter "uma vida quieta e sossegada" aqui no mundo "em toda a piedade e honestidade", parte esta da oração que é responsabilidade do cristão em seu modo de andar. É neste sentido que somos exortados a orar, como nos ensina a carta de Paulo a Timóteo. Isto serve de alerta a cristãos que usam constantemente das redes sociais para atacar as autoridades com todo tipo de ofensas.

"Admoesto-te, pois, antes de tudo, que se façam deprecações, orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade; porque isto é bom e agradável diante de Deus nosso Salvador, que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." (1 Tm 2:1-5).

O profeta Jeremias também, quando o povo judeu foi levado cativo para a Babilônia, instruiu a que fizessem orações neste mesmo sentido, para que pudessem levar uma vida pacífica em terra inimiga durante o desterro: "E procurai a paz da cidade [de Babilônia], para onde vos fiz transportar em cativeiro, e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz." (Jr 29:7).

Um incrédulo, ao menos no sentido que a Bíblia fala do que é um verdadeiro crente em Jesus, irá odiar minhas palavras que em sua opinião estarão total e politicamente incorretas. Mas não espero uma reação diferente e rogo por ele também, para que conheça a verdade e seja salvo. Contrariando o senso comum e a opinião pública, a Palavra de Deus deixa claro o abismo que existe entre o mundo e os que foram salvos por Cristo, o mesmo abismo e ódio que a humanidade destilou e destila contra o Filho de Deus.

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia." (Jo 15:18-19).

Quanto as cristãos sua responsabilidade não é nem de odiar os incrédulos ou os governantes que Deus colocou sobre nós neste mundo, mas de interceder por eles e ter a certeza de estarmos andando de modo agradável a Deus e sempre lembrando que um dia também fomos trevas, nada diferentes daqueles que hoje nos odeiam, para não nos ensoberbecermos achando que merecemos algum mérito pela posição e privilégios que agora desfrutamos em Cristo:

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados; e andai em amor, como também Cristo vos amou, e se entregou a si mesmo por nós, em oferta e sacrifício a Deus, em cheiro suave. Mas a prostituição, e toda a impureza ou avareza, nem ainda se nomeie entre vós, como convém a santos; nem torpezas, nem parvoíces, nem chocarrices, que não convêm; mas antes, ações de graças. Porque bem sabeis isto: que nenhum devasso, ou impuro, ou avarento, o qual é idólatra, tem herança no reino de Cristo e de Deus. Ninguém vos engane com palavras vãs; porque por estas coisas vem a ira de Deus sobre os filhos da desobediência. Portanto, não sejais seus companheiros. Porque noutro tempo éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz (Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade); Aprovando o que é agradável ao Senhor. E não comuniqueis com as obras infrutuosas das trevas, mas antes condenai-as. Porque o que eles fazem em oculto até dizê-lo é torpe. Mas todas estas coisas se manifestam, sendo condenadas pela luz, porque a luz tudo manifesta. Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, remindo o tempo; porquanto os dias são maus. Por isso não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor." (Ef 5:1-17).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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