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Como devem ser as coletas?



https://youtu.be/m6XRbx3waP8

Um assunto que deve ser de grande cuidado nas assembleias dos irmãos, principalmente naquelas em que muitos vieram do sistema denominacional, é o dinheiro. Os costumes das chamadas "igrejas" não devem ser nosso padrão, e sim o que ensinam as Escrituras. Quando digo que o dízimo não se aplica à Igreja, isto não significa que não existam ofertas para cobrir as necessidades dos santos. Existem e todo salvo por Cristo deve estar exercitado em dar.

O motivo para dar pode ser encontrado em 2 Coríntios 8:9, que diz: "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis.". O Senhor deve ser sempre nosso modelo e motivo de agir, e ele não deu parte do que possuía, mas deu tudo, até a própria vida por nós.

Se tivermos a Cristo como nosso principal motivo ou o que nos move a ofertar, teremos aquilo que Paulo chamou nos Coríntios de "a prontidão do vosso ânimo" e de seu "zelo [que] tem estimulado muitos" (2 Co 9:2). Mas este mesmo versículo, que mostra que havia "prontidão" e "zelo" também diz que "a Acaia está pronta desde o ano passado". A região da Acaia, na Grécia, era onde ficava Corinto, então aparentemente já fazia um ano que estavam capacitados a colaborar com os irmãos pobres de Jerusalém, mas faltava o senso de urgência de colocar isso em prática. Entenderemos melhor se lermos no capítulo anterior que "assim como houve a prontidão de vontade, haja também o cumprimento" (2 Co 8:11).

O estímulo que Paulo utiliza para animá-los a ofertar é o exemplo dos crentes da Macedônia: "Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus dada às igrejas da Macedônia; como em muita prova de tribulação houve abundância do seu gozo, e como a sua profunda pobreza abundou em riquezas da sua generosidade. Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente. Pedindo-nos com muitos rogos que aceitássemos a graça e a comunicação deste serviço, que se fazia para com os santos. E não somente fizeram como nós esperávamos, mas a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, e depois a nós, pela vontade de Deus." (2 Co 8:1-5).

Repare que eles davam não por serem ricos, mas pela generosidade que tinham mesmo em sua pobreza, pois davam acima de seu poder e voluntariamente, ou seja, ninguém ficava insistindo para que contribuíssem. Que vergonha é hoje vermos pregadores insistindo e constrangendo seus seguidores a contribuírem para eles próprios viverem em riquezas. Mas repare que macedônios "se deram primeiramente ao Senhor", e daí a importância de termos o Senhor como motivo de nosso desejo de ofertar.

Para contextualizar o que Paulo diz, lembre-se de que Filipos ficava na Macedônia e ele está aqui se referindo a esses irmãos aos quais escreveu a "Carta aos Filipenses". Ali Paulo conta de como ele próprio havia sido auxiliado por esses irmãos que, embora sendo pobres, abundavam em graça para com o apóstolo e os santos necessitados. Paulo usa o exemplo dos irmãos pobres da Macedônia para estimular a generosidade dos irmãos ricos de Corinto. Aos filipenses (ou macedônios) ele escreveu:

"E bem sabeis também, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente; porque também uma e outra vez me mandastes o necessário a Tessalônica. Não que procure dádivas, mas procuro o fruto que cresça para a vossa conta. Mas bastante tenho recebido, e tenho abundância. Cheio estou, depois que recebi de Epafrodito o que da vossa parte me foi enviado, como cheiro de suavidade e sacrifício agradável e aprazível a Deus. O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus." (Fp 4:15-19).

Mas de maneira nenhuma o apóstolo fazia isso para constrangê-los, pois ele deixa muito claro que "cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria", lembrando que "Deus é poderoso para fazer abundar em vós toda a graça, a fim de que tendo sempre, em tudo, toda a suficiência, abundeis em toda a boa obra; conforme está escrito: 'Espalhou, deu aos pobres; A sua justiça permanece para sempre'. Ora, aquele que dá a semente ao que semeia, também vos dê pão para comer, e multiplique a vossa sementeira, e aumente os frutos da vossa justiça; para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência" (2 Co 9:7-11).

Para que ninguém se limitasse a pensar que ofertando estaria apenas suprindo as necessidades dos irmãos mais pobres, Paulo deixa claro que a oferta teria resultados muito mais amplos e elevados pois geravam um espírito de gratidão e glória a Deus. O apóstolo termina o capítulo trazendo à lembrança que Deus nos deu o seu "dom inefável", a dádiva mais preciosa de todas, seu próprio Filho, sendo assim Deus o maior dador de todos e o melhor exemplo de generosidade que poderíamos ter.

"Para que em tudo enriqueçais para toda a beneficência, a qual faz que por nós se deem graças a Deus. Porque a administração deste serviço, não só supre as necessidades dos santos, mas também é abundante em muitas graças, que se dão a Deus. Visto como, na prova desta administração, glorificam a Deus pela submissão, que confessais quanto ao evangelho de Cristo, e pela liberalidade de vossos dons para com eles, e para com todos; e pela sua oração por vós, tendo de vós saudades, por causa da excelente graça de Deus que em vós há. Graças a Deus, pois, pelo seu dom inefável." (2 Co 9:11-15).

Nas denominações a maior ênfase é dada ao dízimo emprestado do judaísmo, que tem por objetivo cobrir principalmente os custos da instituição com alugueis, empregados (inclusive o pastor, quando este é remunerado), envio da parcela da franquia para a "igreja sede" (sim, muitas denominações neopentecostais funcionam no sistema de franquia), obras sociais e educacionais, e outras obrigações. Numa denominação católica ou protestante o dízimo seria, por assim dizer, o que cobriria os "custos fixos".

Para custos eventuais são inventadas outras formas de se coletar dinheiro, como quermesses (principalmente nas católicas), eventos esportivos, eventos sociais, empenhos, reforma do "templo", visita de pregadores, shows de bandas, cantores e humoristas, missionários, testemunhadores profissionais e outras despesas que não se encaixem nos "custos fixos". Isso dá margem a sempre estarem incentivando contribuições extraordinárias, e por isso um incrédulo que eu tentava evangelizar estava resistente, pois visitou uma determinada igreja neo pentecostal onde o pastor ficou exatos quarenta e cinco minutos pedindo dinheiro.

Mas, deixando de lado o mundo religioso denominacional e voltando ao nosso foco que é a igreja congregada somente ao nome do Senhor como ensina a Bíblia, o que encontramos na doutrina dos apóstolos a respeito das coletas e da destinação dos recursos coletados? Para quem entende o lugar que o dízimo tinha na antiga ordem de coisas para Israel, não preciso explicar que o dízimo não existe na doutrina dos apóstolos dada à Igreja que, ao contrário do que pensam os seguidores da Teologia do Pacto, não é um Israel 2.0. Então não adianta procurar no Antigo Testamento, ou mesmo nos Evangelhos que ainda era judaísmo, a maneira de agir neste sentido. O que temos de instruções para a igreja ou assembleia são as coletas, e elas trazem algumas características:

"Ora, quanto à coleta que se faz para os santos, fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade, para que não se façam as coletas quando eu chegar. E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém." (1 Co 16:1-3).

Primeiro, a coleta é feita "para os santos", ou seja, ela não tem por objetivo pagar salários de pastores, pregadores, missionários, cantores ou seja la quem for. As necessidades dos santos podem incluir tanto os custos de um lugar para congregarem, como todas as outras necessidades, inclusive as pessoais de algum irmão ou irmã que esteja passando por uma enfermidade ou dificuldade financeira causada por desemprego, por exemplo. Inclua-se aí o auxílio aos que se dedicam à obra do Senhor, mas não como assalariados, mas como aqueles que rogam ao Senhor por recursos e o Senhor atende, por ajuda eventual e espontânea da assembleia ou de crentes individualmente.

Em segundo lugar aprendemos que a instrução para a coleta era a mesma que o apóstolo dava em todos os lugares, daí ele dizer "fazei vós também o mesmo que ordenei às igrejas da Galácia". Não era uma questão de uma assembleia ter seu próprio modo de agir, mas de uma ordem dada a todas.

O terceiro ponto é que as coletas eram feitas "no primeiro dia da semana", ao qual chamamos de Domingo, portanto cabia à assembleia encontrar nesse dia o melhor momento para fazer a coleta. Na maioria das assembleias que conheço a coleta é feita logo após a ceia do Senhor, na própria reunião do partir do pão. Darmos nossa oferta logo após lembrarmos que Deus deu o seu "dom inefável" é estímulo mais do que suficiente para expressarmos nossa gratidão pelo que recebemos.

Quarto, vemos que a responsabilidade era individual: "cada um de vós ponha de parte o que puder ajuntar", indicando a importância do exercício individual. Às vezes um casal pode preferir que apenas o marido coloque a oferta na coleta, mas isso não é uma regra. A esposa, mesmo aquela que não trabalha fora de casa, pode querer ter o exercício e o privilégio de fazer sua parte, e isso deve ser combinado entre marido e mulher.

Meus filhos quando começaram a participar da ceia ofertavam na coleta mesmo quando ainda não trabalhavam para ganhar seu sustento, pois recebiam dos pais dinheiro para suas necessidades. Considero esta uma boa maneira de ensinar aos filhos o desprendimento, pois nesse exercícios irão separar para ofertar para o Senhor tirando daquilo que poderiam gastar com suas próprias necessidades.

A ordem para que "ponha de parte o que puder ajuntar", e em outra versão acrescenta "em casa", nos ensina que não é uma boa ideia abrir a carteira na hora da reunião para contar as notas que pretende ofertar. Isso já deveria ter sido decidido em casa e colocado em lugar separado no bolso, na carteira ou na bolsa.

A continuação diz para que a oferta seja "conforme a sua prosperidade", o que equivale dizer que não faria sentido alguém dar dinheiro emprestado ou ficar devendo na padaria para gastar na oferta. Algumas denominações agora oferecem até a possibilidade de se fazer ofertas com cartão de crédito para só pagar o banco no mês seguinte, o que não significa ofertar segundo a prosperidade, mas segundo um empréstimo, isto é, ofertar com um dinheiro que não é seu na tentativa de ludibriar o Senhor.

Também não seria correto ofertar com cheque ou de uma forma que identifique a pessoa que está ofertando. Aprendemos dos evangelhos que "quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita" (Mt 6:3), e entendo que apesar de ali não falar da Igreja, mas do modo de proceder no reino, o princípio de se ofertar anonimamente se aplica também se aplica na coleta. Seria constrangedor para um irmão pobre ver um mais abastado tirar do bolso um maço de notas enquanto o pobre pode colocar apenas moedas.

No capítulo 6 de Atos e também de 1 Timóteo temos instruções para a escolha de diáconos, que são irmãos que cuidam das necessidades materiais da assembleia. Os anciãos, também chamados bispos ou presbíteros, atuavam como supervisores do rebanho e não eram eleitos pela assembleia, e sim pelos apóstolos ou seus delegados quando ainda estavam na terra. Mas os diáconos são escolhidos pela assembleia para lidarem com necessidades materiais, e os critérios do capítulo 6, tanto em Atos quanto em 1 Timóteo, devem ser considerados nessa escolha.

Depois de feita a coleta são eles que irão contar o dinheiro, registrar em um livro e, numa outra ocasião e em conjunto com irmãos responsáveis que cumprem o papel de anciãos (embora não eleitos como no tempo dos apóstolos), irão analisar a destinação daqueles recursos. Tudo isso é feito sempre no plural, ou seja, nunca um único irmão deve ficar encarregado da contagem e destinação dos recursos. Deve sempre ser ajudado por um ou dois que sirvam de testemunhas, como em todas as decisões na assembleia.

Repare que, apesar de sua autoridade apostólica, não é o apóstolo quem decidia quais irmãos iriam levar os recursos para os irmãos pobres de Jerusalém, e sim aqueles — e repare que aqui é plural — que tivessem sido aprovados pela assembleia: "E, quando tiver chegado, mandarei os que por cartas aprovardes, para levar a vossa dádiva a Jerusalém. E, se valer a pena que eu também vá, irão comigo." (1 Co 16:3-4).

Apesar de aqui falar de uma coleta que estava sendo feita com um objetivo definido, que eram os irmãos pobres de Jerusalém, ainda assim era uma coleta feita no primeiro dia da semana na reunião dos santos. Não era um evento extraordinário feito fora da ordem determinada para a coleta. Não era um pedido extra, não era uma entrega de dinheiro a um irmão apenas, não era um sorteio, rifa ou quermesse para obter recursos. Era a própria e regular coleta feita nas reuniões da igreja. Exceto quando se trata de uma contribuição direta de um irmão a outro que está necessitado, enfermo ou que trabalha na obra do Evangelho, é por meio da coleta que os recursos são obtidos pela assembleia.

Isto nos leva a outra questão importante. Sempre que existirem eventos extraordinários, como uma necessidade grave de um irmão, ou um evento como planos de uma conferência no horizonte, ou qualquer coisa que saia das necessidades regulares, não se deve criar uma coleta à parte. O que se deve fazer é informar a assembleia das necessidades, e deixar que os irmãos tenham seu exercício praticado na coleta.

Se alguém quiser visitar o irmão doente, desempregado ou um que vai viajar na obra, e dar a ele diretamente um valor para suas necessidades, isso é um bom exercício pessoal mas é uma questão particular e não da assembleia. O que insisto é que não se pode obrigar a assembleia, como um todo, a fazer contribuições extraordinárias. O que se faz é informar os irmãos das necessidades e estimular todos à oração, aguardando o Senhor mover corações e prover para as necessidades.

Devemos nos lembrar de que nem sempre temos, individualmente, sabedoria nessas decisões, pois podemos ser movidos por interesses pessoais ou laços afetivos e termos nossa visão turvada demais para enxergar se algo é ou não necessário e urgente. Cabe lembrar que a assembleia não é uma entidade beneficente, isto é, não existe para resolver o problema da pobreza no mundo.

Dentro do mundo religioso as igrejas costumam constituir uma entidade beneficente porque isso atrai ajuda governamental e doações de empresas. Mas a assembleia é para os irmãos congregados, e seus recursos são destes e para estes, não para fazer caridade em geral. Cada crente individualmente pode ter esse exercício em seu coração e ajudar onde quer que encontre uma necessidade, mas sempre lembrando da exortação: "Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé" (Gl 6:10).

Cabe ainda lembrar que a palavra "igreja" significa os que foram tirados para fora, e é esta a posição que temos agora como tirados do mundo e de seus sistemas. Então algumas passagens nos ajudam a entender que jamais a assembleia deve receber a colaboração de incrédulos. Muitas instituições no mundo religioso não têm qualquer pudor neste sentido e acabam se envolvendo com lavagem de dinheiro ou simplesmente ficam reféns de políticos e empresas pelas quais foram ajudadas. O que encontramos na Palavra de Deus? O exemplo de Abrão, no Antigo Testamento, e dos primeiros cristãos que saíram do meio dos pagãos.

"E o rei de Sodoma disse a Abrão: Dá-me a mim as pessoas, e os bens toma para ti. Abrão, porém, disse ao rei de Sodoma: Levantei minha mão ao Senhor, o Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra, jurando que desde um fio até à correia de um sapato, não tomarei coisa alguma de tudo o que é teu; para que não digas: Eu enriqueci a Abrão" (Gn 14:21-23).

"Porque pelo seu Nome saíram, nada tomando dos gentios." (3 Jo 1:7).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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