As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Meu professor protestante nao acredita no Diluvio. Pode isso?



https://youtu.be/OF3DkYY1NwM

Você disse que seu professor pertence a uma denominação protestante fundamentalista, mas não acredita que tenha ocorrido um dilúvio universal abrangendo o mundo inteiro. Segundo ele, a inundação só aconteceu na região onde Noé se encontrava. Você disse que ele também não acredita que o Mar Vermelho se abriu, mas diz que os hebreus teriam atravessado em um lugar onde o mar é bem mais raso. Falei de você, mas ele me disse que, embora respeite todas as opiniões, considera os cristãos conhecidos como "irmãos de Plymouth" uma seita formada por pessoas contrárias aos dogmas do protestantismo.

Começando por sua última observação, se ele chama os irmãos que estão congregados somente ao nome do Senhor de seita formada por pessoas contrárias aos dogmas do protestantismo, eu só tenho de concordar com a afirmação dele. Mas ela não é fundamentada na Bíblia, e sim no protestantismo, e obviamente qualquer coisa que não reze segundo a cartilha protestante será considerada uma seita, facção ou divisão externa àquele sistema.

Quanto às outras coisas, ele não está discordando de como algumas pessoas entendem a Bíblia mas está discordando da própria Palavra de Deus. Se deixo de acreditar na Palavra de Deus devo acreditar em minha própria opinião, a qual passa a ser para mim a palavra de um deus, ou seja, eu mesmo.

Quem acredita que o dilúvio só aconteceu na região em que Noé vivia terá dificuldade de explicar como foi que a arca de Noé acabou encalhando "sobre os montes de Ararate" (Gn 8:4). A Bíblia não diz se foi no pico mais alto daquela cadeia de montanhas conhecida como Ararate, e nem sabemos a altura daquelas montanhas na época.

Montanhas crescem, por movimentação das placas tectônicas, ou diminuem, pela erosão de ventos, chuva e gelo, com o passar do tempo. O Himalaia, por exemplo, cresce entre 2,5 e 5 centímetros por ano, enquanto outras cordilheiras diminuem. Mas considerando que o Ararate tenha em média mais de cinco mil metros de altitude, fica difícil acreditar em um dilúvio regional que não tenha sido global.

Para ser uma realidade a teoria de seu professor eu precisaria ter fé suficiente para acreditar que em torno da região do Ararate existiu no passado uma gigantesca parede com mais de cinco mil metros de altura capaz de represar toda a água e concentrá-la só naquele ponto do planeta. Digo isto porque se o nível dos mares chegar a cinco mil metros a maior parte do mundo terrestre desaparecido. Será que seu professor tem alguma evidência disso?

A outra teoria de seu professor, de que "o Mar Vermelho não se abriu, mas o povo atravessou em um lugar mais raso", é mais rasa que a anterior, e fica fácil de entender a razão. Os registros históricos e arqueológicos apontam que os egípcios eram pessoas com estatura bem semelhante à nossa, e não da raça dos liliputianos, habitantes da ilha imaginária do romance "Viagens de Gulliver", do escritor inglês Jonathan Swift, onde os habitantes mediam cerca de quinze centímetros. Só assim poderíamos crer que os soldados egípcios teriam se afogado no lava-pés do Mar Vermelho.

O problema quando alguém escolhe o que crer e o que não crer da Bíblia é que acaba se arvorando juiz da própria Palavra de Deus. Se alguém não crê que o dilúvio foi universal, por que escolheu crer apenas nesse detalhe do relato bíblico? Por que então não rejeitar a história toda, do dilúvio, Noé, a arca, os animais e tudo mais? E se a pessoa não crê que o Deus tenha aberto uma passagem em pleno Mar Vermelho para seu povo passar, por que não eliminar totalmente a história da libertação do povo hebreu do Egito e sua peregrinação pelo deserto?

Sou escritor, e quando escrevo um texto costumo revisar e às vezes cortar algumas partes. Mas esses cortes são calculados para não fazer o resto do texto perder o sentido. Quando você faz esse tipo de censura na Bíblia, passando a tesoura nas passagens que não agradam o ceticismo humano, deve lembrar que lá na frente existem passagens que dependem das que você cortou para poderem fazer algum sentido.

Duvide dos relatos de Gênesis a Deuteronômio, que incluem o Dilúvio e a passagem pelo Mar Vermelho e você terá de duvidar do autor desses relatos, cujo nome é Moisés. Duvide do que Moisés escreveu e você terá de cortar também os evangelhos e tudo o mais no Novo Testamento que fala de Jesus. Isto porque ele próprio disse que crer no testemunho de Moisés é pré-requisito para crer no testemunho do próprio Jesus. Ao falar aos judeus que tentavam encontrar motivo para acusá-lo, Jesus disse:

"Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais. Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele. Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?" (Jo 5:45-47).

Se o seu professor passar literalmente a tesoura em todas as passagens que ele acha que não fazem sentido, terá de podar também as que dependem dessas para existir e assim por diante, até restar apenas uma capa de Bíblia em sua estante. E uma fitinha vermelha, se for edição de luxo.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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