As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Devemos interferir na politica, costumes e sociedade?



https://youtu.be/7x6xM0Ov138

Você pergunta se os cristãos não deveriam interferir mais ativamente para influenciar a política, os costumes e a sociedade. Bem, eu acho que ser cristão já é por si mesmo ser influente neste mundo. Afinal, o próprio Senhor disse: "Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mt 5:13-16).

Alguém mais apressado poderia pegar essa passagem e usá-la como argumento para uma interferência direta do cristão para mudar o mundo e fazê-lo ficar do jeito que gostaria que fosse. Mas isso é não perceber o contexto em que essas palavras foram ditas, pois elas vêm logo após as chamadas "bem aventuranças". Nelas o Senhor chama de bem-aventurados ou felizes "os pobres de espírito... os que choram... os mansos... os que têm fome e sede de justiça... os misericordiosos... os limpos de coração... os pacificadores... os que sofrem perseguição por causa da justiça... quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (Mt 5:3-12).

Antes de ser a descrição de um partido político ou formado por ativistas que saem às ruas para mudar o mundo, estas são as características daqueles que aguardam por um galardão ou recompensa "nos céus" e não na terra. Aqui os que têm esses sentimentos podem esperar por tristezas, sofrimentos, perseguição, injúrias, injustiças e tudo o que sofreram todos os santos de Deus de todas as eras.

É por isso que quando Jesus fala de nós, cristãos, como sendo sal e luz, ele está falando de uma influência que ocorre naturalmente, sem esforço nem armas. O sal não grita para sua salada, ele simplesmente salga. A luz não agita bandeiras, ela simplesmente ilumina. Como isso acontece? Quando a salada entra em contato com o sal e a escuridão é dissipada pela simples presença da luz. Nenhum desses elementos precisa se esforçar para exercer sua influência. Basta serem o que são.

A maioria dos cristãos não entende o que é ser cristão, infelizmente. Nossa única referência deve ser a Bíblia, e principalmente a partir de Atos dos Apóstolos, que é o tempo da Igreja, no qual também hoje vivemos. Então a pergunta deve ser: Existe algum caso de interferência ativa dos primeiros cristãos na política, costumes e sociedade nessa parte das Escrituras? Não. Ao menos na minha edição da Bíblia, não vejo os discípulos de braços dados com incrédulos promovendo manifestações contra o governo do César.

Em Atos vemos os cristãos testemunhando poderosamente da morte e ressurreição de Cristo e convidando pessoas a crerem em Jesus. Eles estavam empenhados em uma missão de resgate de pessoas do mundo, não de melhoria do mundo e nem de interferência em seus costumes. Obviamente o modo de vida deles acabava influenciando as pessoas como o sal e a luz exercem sua influência sem partirem para ação, mas apenas sendo o que são. Por isso lemos em Atos 5:13 que "dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima.".

Muitas vezes nos indignamos com as atrocidades que os homens cometem e queremos fazer algo. Mas é preciso entender que no primeiro século o mal corria solto e os cristãos não resistiam, só revidavam com a prática do bem. De relatos históricos sabemos que os cristãos costumavam recolher os órfãos e velhos enjeitados pela sociedade e cuidar deles. Também salvavam os bebês das presas dos cães, pois era costume entre os romanos jogar fora o bebê se o primeiro filho fosse menina, abandonando a criança ainda viva à beira da estrada para ser comida pelos cães.

Portanto a influência dos cristãos era de misericórdia irradiante e não de protesto ou manifestação ativa, e muito menos de violência. Uma bomba atômica não precisa explodir para exercer seu poder. Basta vazar seu material radioativo e com ele contaminar tudo em redor. Um cristão é mais radioativo que uma bomba atômica.

Quando lemos Atos, as epístolas e também a história do cristianismo, descobrimos que tudo ia muito bem enquanto o cristianismo era considerado um elemento estranho, um câncer na sociedade de sua época. Que havia perseguição, não há como negar, e as primeiras das sete cartas de Apocalipse, em seu caráter profético, demonstram isso.

Mas quando Constantino decidiu institucionalizar o cristianismo e proteger os cristãos das perseguições, as coisas melhoraram de um lado e pioraram de outro. Os cristãos se amalgamaram com o poder secular eles passaram a raciocinar com a carne e a pegar em armas e fazer valer seus direitos na sociedade. De perseguidos passaram a perseguidores. O resto é história de sangue e qualquer um pode pesquisar.

Se você não entender que a Igreja é formada por um povo "chamado para fora" e que nada tem a se intrometer no mundo, vai acabar agindo como um incrédulo qualquer e até se associar com eles em suas ações. Mas se entender o princípio da separação, entenderá também que hoje no mundo existem duas esferas de julgamento aos olhos de Deus: Dentro da casa de Deus, que é a esfera do testemunho cristão, e fora, que é o mundo.

Quando um cristão cai em pecado grave ele deve ser julgado e disciplinado por seus irmãos dentro da esfera da casa de Deus. O que os incrédulos fazem fora dessa esfera não é assunto do cristão (a menos que ele seja um policial, juiz ou autoridade). Os cristãos são exortados a julgar os de dentro e deixar os de fora para Deus julgar. Fique fora deste princípio e você poderá até parecer um paladino da justiça aos olhos do mundo, mas não passará de um tolo aos olhos de Deus.

"Pois, que me importa julgar os que estão de fora? Não julgais vós os que estão de DENTRO? Mas Deus julga os que estão de FORA." 1 Co. 5:12-13

"O que, passando, se põe em questão alheia, é como aquele que pega um cão pelas orelhas." (Pv 26:17).

Mario persona

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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