As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O pao da ceia do Senhor deve ser sem fermento?



https://youtu.be/-icEA4sijOY

Você escreveu dizendo que um irmão se recusou a participar da ceia do Senhor porque não aceita participar se o pão tiver fermento. Ele deve ter aprendido isso do meio religioso de onde saiu ou de algum vídeo de teorias conspiratórias. Apesar de Jesus ter muito provavelmente utilizado pão asmo quando instituiu a ceia com seus discípulos, não podemos perder de vista que aquela ceia foi celebrada dentro de um contexto judaico, e em meio à celebração da Páscoa.

 A ceia que hoje celebramos não é exatamente aquela, pois ali Jesus ainda estava vivo, mas a que o Senhor revelou a Paulo e este explicou em sua Carta aos Coríntios. As instruções são bem simples e poderiam ser colocadas em prática por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo, considerando que "pão" é um alimento quase universal. Mesmo em culturas onde o trigo não fosse ainda comum, existiam alimentos que poderiam ser tomados como sendo pão feito de outros grãos. É comum a Bíblia especificar o tipo de pão, como quando fala de "pães de cevada" (Jo 6:9) ou "pães asmos" (Gn 19:3), "pão branco" (Gn 40:16), mas aqui o apóstolo fala simplesmente "pão".

"Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes este cálice anunciais a morte do Senhor, até que venha." (1 Co 11:23-26).

A assembleia em Corinto era uma formada principalmente por gregos vindos do paganismo, onde pães sem fermento não tinham qualquer significado e nem eram utilizados regularmente como nas cerimônias judaicas. Mas existe um argumento mais simples para demonstrar que não faz sentido exigir que o pão seja sem fermento, mesmo porque o vinho da ceia é fermentado e nem poderia deixar de ser, ou não seria vinho.

Se os irmãos em uma determinada localidade decidirem usar pão sem fermento na ceia, que usem, mas não como forma de doutrina que os impeça de participar da ceia em comunhão com irmãos congregados em outra localidade que utilizem pão comum. E nem os de outro lugar iriam deixar de participar ali por ser pão asmo.

Uma vez eu e um irmão norte americano partimos o pão com um casal em outro país, e o irmão ali tinha alguns costumes diferentes em relação ao pão. Ele achava que não podia nem ter fermento e nem ser assado. Então partimos o pão que ele fez no sol, algo que em nada lembrava um pão, mas não reclamei, pois sabia que quando ele visitava alguma assembleia em outro lugar aceitava comer o pão que era colocado na ceia.

A assembleia de irmãos congregados ao nome do Senhor tem autoridade delegada por ele para decidir como e com quê preparar a ceia, desde que não fuja dos princípios simples da Palavra. O mesmo pode-se dizer de pão sem glúten, ou sem lactose, que alguma assembleia possa decidir adotar por alguém ali ser alérgico.

Até mesmo o vinho uma assembleia pode preferir usar um tipo sem álcool (hoje comum no mercado) se algum irmão não puder sequer tocar em bebida alcoólica. Participei de uma conferência nos Estados Unidos onde os irmãos alugaram um ginásio de esportes de uma escola para as reuniões. Como a legislação lá não permite introduzir álcool nas escolas, a ceia foi feita com pão e suco de uva.

A pergunta que deve ser feita é a seguinte: É um pão? Se for um pão, e não mais de um, independente dos ingredientes utilizados no seu preparo, isso atende à ordenança: "O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?" (1 Co 10:16). "Porque eu recebi do Senhor o que também vos ensinei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão... Porque todas as vezes que comerdes este pão... Portanto, qualquer que comer este pão... Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice." (1 Co 11:23-28). "Pão, pão, pão". Você viu alguma vez ele mencionar o tipo de pão? Não, então que seja simplesmente pão inteiro, independente do tamanho, e não uma fatia ou uma bolacha ou biscoito.

Alguns usam a passagem a seguir como justificativa para o uso de pão sem fermento:

"Não é boa a vossa jactância. Não sabeis que um pouco de fermento faz levedar toda a massa? Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." 1 Co 5:6-8

O fermento é um tipo ou figura do pecado, porém a passagem não está se referindo ao tipo de pão utilizado na Ceia, mas à condição das pessoas, que devem estar sem o fermento da maldade e da malícia, mas celebrando com os "asmos" da sinceridade e da verdade. Fica fácil entender que o apóstolo não está se referindo ao tipo de pão. Tente ir à padaria e pedir ao padeiro um pão sem "maldade", sem "malícia" e recheado de "sinceridade" e "verdade". Ele não irá entender, pois esses são atributos de seres humanos, não de pães.

O pão utilizado na Ceia é uma figura do corpo de Cristo e creio que um pão, fermentado ou não, cumpre o seu papel perfeitamente. Os detalhes importantes são que seja pão e que seja um. Não é a qualidade ou característica dos símbolos utilizados na Ceia que importa, mas o seu significado. Se o que está sobre a mesa é reconhecido pelos presentes como pão e vinho, está resolvido o problema. Todos poderão olhar para os símbolos e lembrar do Senhor, e vendo o vinho separado do pão, verão morte, assim como o sangue de Jesus foi separado de seu corpo quando seu lado foi furado pela lança do soldado.

Não devemos fazer algo que possa causar divisão entre os irmãos, principalmente quando é algo que não tem qualquer fundamento bíblico. "Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer." (1 Co 1:10).

Um único pão representa a unidade e integridade do corpo de Cristo, pois este é também um dos simbolismos da ceia: "Porventura o cálice de bênção, que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Cristo? O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo? Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão." (1 Co 10:16-17). Enquanto o pão, ainda inteiro, representa a unidade do corpo de Cristo, ao parti-lo estamos expressando sua morte.

Também vemos que o cálice era de vinho, e neste caso não há qualquer referência a ser um único cálice, pois vinho é líquido e sozinho não forma unidade. Ainda que se utilize mais de um cálice, a comunhão no tomar do cálice, isto é, compartilhá-lo com mais irmãos, é o que importa naquele momento.

Seria compreensível se em condições peculiares os irmãos decidissem substituir o pão comum de trigo por outro feito com outros ingredientes. Se os irmãos estão numa selva ou em um país em guerra, é possível improvisar um pão usando diferentes ingredientes, como fécula de mandioca ou batata. O mesmo pode ser dito do vinho, em cuja falta possa ser utilizado um "vinho" feito de algum suco de fruta ou artificial. O Senhor iria compreender serem medidas emergenciais. Mas se existem os elementos disponíveis, como é o caso em nosso país, mudar para ser diferente seria um erro, e insistir que outros adotassem a mudança poderia causar uma divisão.

Em seu livro "1 Coríntios - A manutenção da ordem na assembleia local" Bruce Anstey comenta:

"Alguns questionaram se o pão deve ser feito com ou sem fermento para o partimento do pão. Na época em que o Senhor instituiu a festa da lembrança, certamente era o pão sem fermento que usavam, porque os Judeus não deviam ter nada fermentado em suas casas na Páscoa (Êx 13:7). O Senhor certamente teria mantido a ceia da Páscoa de acordo com as Escrituras. Mas, lembremo-nos de que quando Ele instituiu a Ceia do Senhor, ainda era em um ambiente Judaico. Isso foi para os discípulos Judeus que esperavam o estabelecimento do reino na Terra (Mt 26:26-30). Não tinha seu significado Cristão naquela época. O ministério de Paulo, neste capítulo 11 de 1 Coríntios, coloca-a em seu apropriado lugar Cristão e dá a ela seu significado Cristão. No Grego, a palavra “pão” (artos) (v. 17) implica pão crescido com fermento – levedura. Pão sem fermento (azumos) nunca é traduzido como um “pão” (artos) no Novo Testamento. Uma vez que Paulo fala do pão usado na Ceia como um “pão” (artos) é bastante aceitável usar pão fermentado no partimento do pão." - Bruce Anstey

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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