As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Para Jesus ser o Messias precisaria comer manteiga e mel?



https://youtu.be/I1Cd5qh0ytc

Você escreveu dizendo que um judeu argumentou com você que Jesus não poderia ser o Messias porque ele não comeu manteiga e mel como dizia em Isaías 7:15: "Manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem.". Entendo que a linguagem ali é figurada. Figuras de linguagem são tão precisas quanto um retrato, ou seja, posso dizer que seu retrato seja você, mas na realidade você não é de papel ou de pontos na tela de um smartphone.

Muitas dúvidas que recebo sobre o texto bíblico tem a ver com dificuldade de interpretação de textos ou um aprendizado básico pouco eficiente, além de falta de hábito de ler livros e ficção. Mas também pode ser um indício de autismo, pois autistas têm dificuldade com nuances de linguagem, compreensão de anedotas e indiretas. Entendem tudo preto ou branco, sem nuances. Em um site chamado "Estou Autista" encontrei esta explicação:

"Os autistas possuem pensamento concreto ou seja, dificuldade com ideias abstratas. Reagem de forma literal às palavras dos outros e por isso possuem dificuldade para entender sarcasmo, humor, metáforas, figuras de linguagem, duplo sentido, etc."

Se esse judeu não tem essa dificuldade, então o argumento dele é pura maldade e desejo de torcer a Palavra de Deus e tudo o que se refere ao Senhor Jesus. Não poderia ser diferente vindo de um que pertence ao povo que entregou o Senhor à morte. Alguns se arrependeram do que fizeram, como Paulo e os judeus convertidos a Cristo que encontramos em Atos, mas o povo como um todo permanece até hoje em inimizade contra Deus. 

Qualquer judeu odeia que um "gói", que é o termo pejorativo e discriminatório que judeus usam para um gentio ou judeu, em especial quando este tenta lhe ensinar a Bíblia. Quando isso ocorre vem à tona o sentimento que Moisés profetizou que viria, e depois Paulo repetiu em sua carta aos Romanos: "Eu vos porei em ciúmes com aqueles que não são povo, com gente insensata vos provocarei à ira." (Rm 10:19; dt 32:21).

Ao vir ao mundo o Filho de Deus não deixou de ser Deus, e a afirmação de alguém de que ele não poderia ser o Messias por não ter comido literalmente manteiga e mel é absurda. Quem disse que não comeu? A Bíblia não diz uma porção de coisa que Jesus fez desde seu nascimento até sua morte, como brincar de correr ou comer salada. Querer limitar o Senhor em sua Humanidade é como alegar que ele não poderia ser Deus porque não nasceu falando ainda bebê, e Deus sempre soube falar.

Considere esta outra passagem que é também em linguagem figurada e semelhante à que esse judeu citou: "E não hei de eu ter compaixão da grande cidade de Nínive em que estão mais de cento e vinte mil homens que não sabem discernir entre a sua mão direita e a sua mão esquerda, e também muitos animais?" (Jn 4:11). Esta é uma figura de linguagem semelhante, a menos que você ache que os ninivitas fossem tão estúpidos ao ponto de não saberem discernir as próprias mãos. Ou dar seta corretamente, caso existissem automóveis em sua época.

Argumentar em cima de uma passagem como essa — "manteiga e mel comerá, quando ele souber rejeitar o mal e escolher o bem" — é como argumentar que Ezequiel, em seu capítulo 28, não estaria falando de Satanás porque o diabo nunca foi rei de Tiro. Essa mescla que os profetas costumavam fazer ao colocar elementos futuros ou passados misturados com personagens e eventos presentes você encontra em muitas profecias, como nas de Ezequiel e também nesta de Isaías. O autor F. B. Hole comenta a passagem de uma forma muito mais ampla do que apenas se concentrar na figura de linguagem da "manteiga e mel". Veja seu comentário a seguir:

— Com Isaías 7:1-25 passamos para alguns detalhes históricos do reinado de Acaz, que estão registrados em 2 Reis 15:1-38 e 16:1-20. Ele provocou muito mal e era agora ameaçado por uma aliança contra ele vinda de Peca, o usurpador no trono das dez tribos, e Rezim, da Síria. Se eles tivessem matado ou removido Acaz, eles teriam quebrado a linha de descendência, pela qual, de acordo com a carne, Cristo veio, como indicado em Mateus 1:9. Isso era algo que Deus não iria permitir, então Isaías foi instruído a levar seu filho mais novo, Shear-Jasub, que significa: "O remanescente retornará", e interceptar Acaz, dizendo-lhe que seu plano não deveria ser bem sucedido, e que dentro de sessenta e cinco anos o reino do norte deveria ser destruído.

Convidado a pedir um sinal que confirmasse essa profecia — "Pede para ti ao Senhor teu Deus um sinal; pede-o, ou em baixo nas profundezas, ou em cima nas alturas." (Is 7:11), Mas, Acaz declinou, não porque tivesse fé implícita na palavra do Senhor, mas porque influenciado por seus ídolos era indiferente. No entanto, o grande sinal foi dado — Emanuel, nascido de uma virgem — que era de fato válido, tanto "em baixo nas profundezas" quanto "em cima nas alturas". Observe a ordem dessas duas expressões e, em seguida, leia Efésios 4:9, onde é enfatizado que a descida vem antes da subida em alta: "Ora, isto — ele subiu — que é, senão que também antes tinha descido às partes mais baixas da terra?".

Depois que essa profecia se cumpriu na vinda de Cristo, os judeus fizeram grandes esforços para evitar dar à palavra hebraica a força de "virgem", tratando-a como significando apenas uma jovem; e até hoje os incrédulos seguem seu caminho. A versão da Septuaginta, feita pelos judeus muito antes do surgimento do preconceito, traduzia a palavra pela palavra grega que, sem dúvida, significa virgem. Este fato efetivamente destrói o esforço para destruir a profecia.

O verso de Isaías 7:15 é reconhecidamente obscuro, mas acreditamos que significa que Aquele que viria, embora sendo "DEUS conosco", nasceria, como nasceu, da virgem, e cresceria fisicamente e mentalmente de acordo com as leis que governam a vida humana. Isto nós vemos ser o caso em Lucas 2:40-52, que termina dizendo que "crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens.".

O versículo em Isaías 7:16 parece aludir a Shear-jashub, que estava com Isaías, pois a palavra traduzida como "criança" não é a mesma assim traduzida no capítulo Isaías 9:6, mas uma que significa "rapaz" ou "jovem". A previsão desse versículo veio a se concretizar através do poder e da rapidez dos reis assírios, como os versos finais deste capítulo afirmam. As desolações que se seguiriam são então descritas.

Em tudo isso há apenas uma esperança para Israel, ou mesmo para qualquer um de nós, e é o próprio Deus entrando em cena por meio do nascimento virginal. Assim foi cumprida a mais antiga profecia de todas, que "a semente da mulher" deveria ser Ele, que feriria a cabeça da serpente, o originador de todo o pecado e tristeza.

O nascimento virginal de Cristo não é apenas um mero detalhe, uma questão secundária insignificante no plano Divino. É fundamental e essencial. Por isso, as consequências do pecado e da morte, inerentes à raça de Adão, foram rompidas. Cristo não era, como "o primeiro homem, da terra, terreno", mas "o segundo homem, o Senhor, é do céu." (1 Co 15:47). Nele, ressuscitado dos mortos, uma nova raça humana teve início. — Frank Binford Hole (1874-1964) em "Commentary on the New Testament and selected books of the Old Testament".

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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