As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Podemos reunir em família antes de congregarmos com os irmãos?



https://youtu.be/FqSNawKajwI

Você mora numa localidade onde não existe uma assembleia congregada ao nome do Senhor e escreveu querendo saber se, enquanto aguarda seu lugar a mesa do Senhor na assembleia da cidade vizinha, poderia com sua esposa usar a minha casa para alguma reunião informal ou pregação do evangelho.

Vocês já deveriam estar fazendo isso há muito tempo, porque a leitura da Palavra, a oração e a comunhão com o Senhor não dependem de estarem ou não congregados. Mas é importante entender que isso não é uma reunião da assembleia, que tem outro caráter. Além disso reunir sabendo que existem outros reunidos somente ao nome do Senhor e não buscar comunhão com eles seria um ato de independência, e no corpo de Cristo não existe lugar para independência. Estamos todos conectados.

Já escrevi bastante sobre a diferença que existe entre uma reunião de assembleia e um encontro casual entre cristãos, em casa, no laser, na escola ou no trabalho, para lerem a Palavra, conversarem das coisas de Deus, orarem juntos e cantarem hinos de louvor. Isso tudo é muito saudável mas não tem o caráter que tem a igreja estar reunida como previsto em Mateus 18:20, usufruindo da autoridade do Senhor que é delegada à assembleia para "ligar" e "desligar". "Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.".

Quando meus filhos eram pequenos e também depois, quando adolescentes, tínhamos uma leitura diária da Palavra em família, cantando hinos e orando. No início era de manhã antes do café, depois mudamos para a noite por causa dos horários de escola e trabalho. Quando aparecia visita a gente não cancelava não, só explicava para a visita que aquele era nosso costume e com isso sempre surgiam oportunidades de falar do evangelho. Inclusive meu filho, quando tinha uns cinco ou seis anos, já era alfabetizado e colecionava versículos um um livrinho grampeado que ele fez com papel recortado e chamava de "Biblinha". Às vezes ele dizia a alguma visita ou parente que ia pregar e ficava muito sério enquanto lia os versículos.

Então pense numa reunião assim em família ou com irmãos e amigos como tendo o mesmo caráter de uma "Escola Dominical", onde as crianças falam versículos, as irmãs fazem perguntas, os jovens cantam ao som de algum instrumento e até café e refrescos são servidos. Não é algo solene e oficial como quando a assembleia está reunida pelo Espírito Santo e o Senhor se coloca no meio, quando então falam dois ou três varões, as irmãs permanecem caladas, não são utilizados instrumentos musicais e nem tem alguém à frente dirigindo. Numa reunião caseira, numa "Escola Dominical" ou num encontro para evangelizar amigos e vizinhos geralmente existe um irmão que toma a frente, como é o pai de família em casa.

No começo de nossa conversão morávamos em Goiás, e em Alto Paraíso de Goiás saímos do sítio em que morávamos e fomos morar a cidadezinha com nossa primeira filha recém nascida. Foi um momento quando começaram a chegar à cidade levas de jovens envolvidos exatamente com tudo aquilo em que estivéramos envolvidos — filosofias orientais, esoterismo, alimentação vegetariana, meditação, Nova Era, etc.

Eles planejavam iniciar uma comunidade numa fazenda local e alguns até me conheciam do tempo de macrobiótica e de quando eu desenhava as ilustrações para uma revista ecológica underground chamada "Arte e Pensamento Ecológico". Minha casa acabou acabou se tornando um ponto de encontro, onde muitos, de todo o Brasil, encontraram pousada, uma cama e refeição, antes de seguirem para a fazenda-comunidade, onde pretendiam viver para aguardar uma suposta "Nova Era" de paz e amor, ou voltarem para Brasília.

Na casa da cidade todos os dias tínhamos hóspedes barbudos e cabeludos, adeptos da vida alternativa e de doutrinas espiritualistas escutando o evangelho. Alguns amigos dos antigos meios ecológicos por onde meu nome circulava antes de minha conversão sabiam que eu estava em Alto Paraíso, mas não que havia me tornado "crente" e, assim, me indicavam como sendo um contato para os que lá se dirigiam para formar uma comunidade agrícola e esperar pela Nova Era, que para mim já tinha ficado velha.

Muitos dos que não sabiam que eu tinha me convertido, tinham uma surpresa quando iam me visitar: eu já não comungava das mesmas ideias de mudar o mundo fugindo para o mato. De qualquer modo, procurei ser um auxílio a todos os que me procuravam, colocando minha casa à disposição deles.

Viramos uma espécie de "albergue" dos recém chegados e não era rara a noite em que tínhamos meia dúzia de "cabeludos" espalhados em colchões pelo chão da casa. A porta era deixada constantemente destrancada, pois o único ônibus que vinha de Brasília chegava à 1 da madrugada e sempre tinha algum mochileiro desconhecido dormindo na sala quando eu acordava de manhã. Eles se comunicavam e espalhavam a dica de onde encontrar pousada quando chegassem pela primeira vez a Alto Paraíso.

Na hora do café, antes de servir eu explicava que era nosso costume fazer uma leitura da Bíblia, um capítulo do Antigo e um do Novo Testamento, além de cantarmos dois hinos. Só depois era servido o café. Obviamente muitos torciam o nariz, mas ninguém reclamava em vista da pousada e alimento gratuitos que haviam recebido. Não tive problemas significativos com toda essa gente desconhecida frequentando minha casa. O pessoal me respeitava e alguns chegaram a morar em casa vários dias, por conta de uma grave infecção com carrapatos que pegaram na fazenda.

Foram dezenas de jovens que passaram por lá no ano e meio que moramos na cidade e aquela leitura no café da manhã levou muitos a escutarem o evangelho. Sei de pelo menos dois que se converteram diretamente a partir daquelas leituras e outros que foram evangelizados por aqueles jovens e acabaram se convertendo nos anos que se seguiram.






por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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