As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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E se nao vejo razao para deixar minha denominação?



https://youtu.be/p-YrURKiUdU

Você escreveu dizendo que a partir do dia em que começou a ver meus vídeos passou a ter uma visão crítica de sua denominação e está ficando cada vez mais confuso. Segundo você, quando olha para sua denominação vê muitos erros, mas também muitos acertos e não pensa existir razão para se separar dos irmãos que estão ali, os quais você ama e pelos quais você foi sempre bem recebido, o que, para você, só pode indicar que ali existe o amor de Deus.

Se você me diz que no lugar onde congrega os irmãos são sinceros e praticam o amor de Deus eu não tenho como contestar. Assim deveriam ser todos os cristãos. E quando diz que, apesar de defeitos, existem muitas coisas boas em sua denominação eu também não teria condições de dizer que não. Mas a questão não é se estão congregados "como" a Bíblia diz, mas também "onde" o Senhor pediu que estivéssemos congregados.

A primeira impressão que alguém tem quando entra em contato com a sã doutrina, que começa com o estar congregado ao nome do Senhor somente, é a de que precisará se livrar dos erros e assim estará tudo bem. Mas a verdade é mais singular do que plural. É preciso se livrar DO ERRO. O cerne da questão não é o "como" congregar mas o "onde" estar congregado, o fundamento ou terreno de reunião.

Em minha cidade existe uma casa grande, boa e espaçosa, que levou meses para ser construída. Assim que terminou o acabamento alguém entrou em contato com o dono da casa e disse que ele precisaria pagar pelo terreno onde construiu a casa. O que aconteceu foi que o dono da casa construiu tudo ao lado do terreno que era seu e, terminada a construção, o verdadeiro dono do terreno se apresentou exigindo uma reparação e troca de escrituras, que iria custar um bom dinheiro. Se ele viu a casa começar a ser construída e não foi logo avisar o construtor, certamente existiu uma dose de má fé no negócio e deixou a obra seguir adiante de olho no lucro.

Veja bem: a casa era perfeita, cara, bem construída e tudo mais. Ninguém poderia colocar defeito na casa, afinal foram usados materiais da melhor qualidade na construção e no acabamento. Tudo era de muito bom gosto e ninguém veria problema algum em morar ali, salvo pelo fato de estar construída no terreno errado.

Assim são as denominações religiosas. Elas podem ter bons materiais humanos em sua construção, podem ter muitas doutrinas bastante corretas, podem até ter suas doutrinas fundamentadas em grande parte dos ensinos de irmãos do século 19, que foi quando Deus trouxe à tona verdades que ficaram sob o entulho de séculos de romanismo e protestantismo. A própria reforma protestante já tinha feito algo semelhante séculos antes, quando os reformadores resgataram a doutrina da justificação pela fé, igualmente soterrada sob várias camadas de superstições e idolatrias católicas.

Um dos autores mais conhecidos por popularizar muitas das verdades que Deus trouxe à luz através de irmãos do século 19 foi Cyrus Ingerson Scofield (1843-1921). Ele foi um ministro da Igreja Congregacional e mais tarde da Igreja Presbiteriana e ficou conhecido por sua "Bíblia Anotada por Scofield", publicada em 1909, que traz notas de rodapé expondo algumas doutrinas que aprendeu dos escritos de Darby, Kelly, Mackintosh e outros.

Mas Scofield construiu sua casa no terreno errado e com doutrinas emprestadas, pois ele mesmo tomou o cuidado de não comprometer sua posição de Reverendo evitando mostrar e viver o que os irmãos do século 19 haviam ensinado sobre o erro do clericalismo e do denominacionalismo. Scofield era um clérigo em sua denominação.

Hoje muitos tentam rechaçar o que leram de Scofield sobre pré-milenarismo e dispensacionalismo sem entenderem que estão se baseando em doutrinas que alguém emprestou e ensinou sem se dar ao trabalho de viver a totalidade delas. Tentar basear-se em Scofield é almoçar em mesa de restaurante com uma perna mais curta que as outras três. É irritante você colocar os cotovelos na mesa e ela ceder por não estar devidamente apoiada.

Muitos hoje ficam confusos, pois apreciam muitas das verdades que eu e outros irmãos professamos, mas relutam em sair da "casa" denominacional em que passaram a maior parte da vida por encontrarem um paralelo no que é ensinado ali. Sim, a denominação onde você congrega pode até ensinar 99% da sã doutrina e mesmo assim faltar o 1% que é essencial para que todo o resto não venha a mancar como a mesa do restaurante, ou para que não corra o risco de demolido. Esse 1% é o fundamento, o terreno de reunião, o único centro de reunião de cristãos que está autorizado pela Palavra de Deus, que é o Nome e a Pessoa de Jesus.

Existe no mundo hoje milhares de "casas" na cristandade que foram construídas em terreno e alicerce errados, apesar dos alertas de Jesus nos Evangelhos para que os seus fossem todos um a fim de que o mundo cresse. O mundo certamente não irá crer, se depender de um testemunho de unidade que não pode enxergar em milhões de facções cristãs. Jesus disse:

"Também vos digo que, se dois de vós concordarem na terra acerca de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles." (Mt 18:19-20).

"Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim; para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste. E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um. Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim." (Jo 17:20-23).

Depois de formada a Igreja esses alertas continuaram vindos da boca dos apóstolos, em especial o apóstolo Paulo a quem o mistério da igreja havia sido revelado, mistério este oculto até dos profetas do Antigo Testamento.

"Rogo-vos, porém, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que digais todos uma mesma coisa, e que não haja entre vós dissensões; antes sejais unidos em um mesmo pensamento e em um mesmo parecer. Porque a respeito de vós, irmãos meus, me foi comunicado pelos da família de Cloé que há contendas entre vós. Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo. Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?" (1 Co 1:10-13).

"E eu, irmãos, não vos pude falar como a espirituais, mas como a carnais, como a meninos em Cristo. Com leite vos criei, e não com carne, porque ainda não podíeis, nem tampouco ainda agora podeis, porque ainda sois carnais; pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois porventura carnais, e não andais segundo os homens? Porque, dizendo um: Eu sou de Paulo; e outro: Eu de Apolo; porventura não sois carnais? Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o que o Senhor deu a cada um?" (1 Co 3:1-5).

"Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo... Porque nós, sendo muitos, somos um só pão e um só corpo, porque todos participamos do mesmo pão... Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação" (Rm 12:5; 1 Co 10:17; Ef 4:4).

Em vista disso eu pergunto: Você consegue enxergar "um só corpo" quando vê as milhares de seitas em que se transformou a cristandade? Não estou questionando a salvação dos que estão espalhados nessas agremiações criadas por homens, mas sim a validade do testemunho de pessoas que dizem estar congregadas ao nome de Jesus, mas que funcionam como clubes dos quais você deve se tornar sócio. Quando Cristo vier buscar a Igreja que é dele, você acha que ele levará também essas igrejas, organizações e seus templos, ou apenas os salvos dentre eles? Quando Cristo olha para sua Igreja ele vê a totalidade dos salvos, não os grupos que homens criaram e denominaram a seu bel prazer.

Nos Evangelhos já encontramos divisões entre os próprios judeus, um restante do povo que eram basicamente descendentes das tribos de Judá e Benjamin. As outras dez tribos acabaram dispersas entre as nações e são hoje difíceis de serem identificadas por terem perdido sua identidade. Sabe como isso começou? Com a revolta de Jeroboão que edificou para si altares fora de Jerusalém, o centro divino de adoração, e convidou o povo a sacrificar e a adorar nesses altares. Embora por um tempo Deus tenha suprido com sua Palavra os sectários que seguiram a Jeroboão, dando a eles dois dos maiores profetas de Israel — Elias e Eliseu — que atuavam fora do centro divino de adoração que era Jerusalém, com o tempo aquelas tribos foram abandonadas à própria sorte e se amalgamaram com as nações adotando suas línguas, costumes e religiões.

Nos tempos de Jesus os judeus, descendentes de Judá e Benjamin, embora conservassem o terreno divino de reunião e adoração que era o Templo de Jerusalém, estavam divididos em no mínimo quatro seitas: fariseus, saduceus, herodianos e essênios. Quando questionado pelos fariseus, que se sentiam ofendidos com as repreensões que Jesus dava nos clérigos, sua resposta deixa muito claro o que o Senhor pensa das coisas que os homens inventam como se fossem vindas de Deus:

"Então, acercando-se dele os seus discípulos, disseram-lhe: Sabes que os fariseus, ouvindo essas palavras, se escandalizaram? Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada." (Mt 15:12-13).

Voltando ao caso da casa construída no terreno errado, felizmente o dono da construção e o dono do terreno chegaram a um acordo que deve ter custado ao dono da casa muito mais do que o custo do terreno. Mas ele não precisou demolir a casa, que construiu com tanto esmero, o que o dono do terreno poderia ter exigido.

Por isso chamo sua atenção para olhar, não para as paredes, portas e janelas, ou seja, os irmãos e as doutrinas com as quais você está associado. Olhe para o terreno. É ele o terreno do "um só corpo"? Como pode ser se outro nome foi acrescentado ao nome de Jesus para identificar os que congregam ali? As pessoas congregadas e identificadas por outro nome além do nome de Jesus podem testemunhar que são um corpo com todos os salvos por Cristo na face da terra? Iria Deus,que abomina todo tipo de facção, aprovar o acréscimo de um nome ao testemunho dos seus filhos na terra, além do Nome que está acima de todo nome? Iria ele aprovar a regra da maioria das religiões que exige que você se faça membro daquela organização para participar?

Então pense nisso. Não é o "como" congregar ou as pessoas com as quais está congregado. A questão é o "onde", o terreno sobre o qual você tem construído seu testemunho. Se reparar no contexto em que Jesus apresentou a conhecida parábola da "casa na rocha" verá que ela vem depois de o Senhor chamar a atenção para os falsos profetas, que fariam tudo parecendo como se suas práticas fossem autorizadas pelo Senhor. Mas não eram, por mais parecidas que fossem, mesmo que eles profetizassem em nome de Jesus, expulsassem demônios em nome de Jesus e fizessem maravilhas em nome de Jesus.

"Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores... Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade. Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras, e as pratica, assemelha-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compara-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda." (Mt 7:15; 21-27).

Lucas, em seu evangelho, repete de forma reduzida a mesma parábola, chamando a atenção para não irmos além daquilo que está escrito na Palavra do Senhor, o que obviamente é o que fazem as denominações ao acrescentarem outro nome para identificar seus membros e adicionarem também usos e costumes sem base bíblica ou fundamentados na Lei mosaica, que foi dada para o homem na carne, não para o cristão guiado pelo Espírito:

"Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que vos mando? Todo aquele que vem a mim, e ouve as minhas palavras, e as pratica, eu vos mostrarei a quem é semelhante. É semelhante a um homem que, edificando uma casa, cavou, abriu profunda vala e lançou o alicerce sobre a rocha." (Lc 6:46-48).

Termino repetindo estes versículos para que você pergunte a si mesmo se o sistema ao qual pertence e no qual procura adorar a Deus foi algo plantado ou construído, não só segundo aquilo que o Senhor ordenou, mas no terreno do "um só corpo" que ele estabeleceu. Tudo o que for plantado ou construído num terreno inventado pelos homens não permanecerá:

"Ele, porém, respondendo, disse: Toda a planta, que meu Pai celestial não plantou, será arrancada." (Mt 15:13).

"Ora, o que planta e o que rega são um; e cada um receberá o seu galardão, segundo o seu próprio trabalho. Porque de Deus somos cooperadores; lavoura de Deus, edifício de Deus sois vós. Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como prudente construtor; e outro edifica sobre ele. Porém cada um veja como edifica. Porque ninguém pode lançar outro fundamento, além do que foi posto, o qual é Jesus Cristo. Contudo, se o que alguém edifica sobre o fundamento é ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, manifesta se tornará a obra de cada um; pois o Dia a demonstrará, porque está sendo revelada pelo fogo; e qual seja a obra de cada um o próprio fogo o provará. Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo, todavia, como que através do fogo. Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?" (1 Co 3:8-16).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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