As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que cristãos sao perseguidos?



https://youtu.be/7u0fD1cDKjU

Você perguntou qual a razão de cristãos serem vítimas de zombaria e perseguição hoje, como foram também ao longo da história. Existem duas razões, mas a maioria dos salvos por Cristo tem experimentado só a primeira, que é a perseguição feita por religiosos contrários ao cristianismo, ou por regimes comunistas interessados em propagar o ateísmo. Nessa categoria podemos considerar a perseguição no dia-a-dia por qualquer ímpio inimigo de Deus que se sente incomodado por pessoas que querem viver sua fé em Cristo e abandonam suas velhas práticas. O versículo a seguir fala disso:

"Porque é bastante que no tempo passado da vida fizéssemos a vontade dos gentios, andando em dissoluções, concupiscências, borrachices, glutonarias, bebedices e abomináveis idolatrias; E acham estranho não correrdes com eles no mesmo desenfreamento de dissolução, blasfemando de vós." (1 Pe. 4:3-4).

Mas quando você analisa com atenção a história do cristianismo entende que a perseguição começou, não só pelos pagãos romanos, mas principalmente pelos religiosos judeus. Estes já perseguiam o Senhor e até o levaram à morte, passando depois a perseguir seus seguidores.

A perseguição vinda dos pagãos diminuiu quando o Império Romano oficializou a religião cristã, e aí os cristãos passaram de perseguidos a perseguidores. Os que não aceitavam o cristianismo eram considerados inferiores ou forçados a se batizarem. Essa perseguição atingia populações pagãs ou muçulmanas, além de judeus, mas também grupos minoritários que se rebelavam contra o status quo de Roma.

A Inquisição católica foi o ponto alto desse processo, seguida depois da Inquisição protestante. Sim, tão logo os protestantes subiram ao poder nos países antes católicos, porém contrários ao domínio papal, eles também passaram de perseguidos a perseguidores e constituíram seus próprios exércitos e tribunais inquisitórios.

Quando vamos à carta aos Hebreus vemos que o Espírito Santo exorta os judeus convertidos a Cristo a deixarem para trás as práticas do judaísmo, que eram meras sombras e figura das coisas celestiais e da realidade que agora era introduzida por Cristo. Se a carta aos Hebreus fosse meramente isso – uma admoestação aos primeiros judeus convertidos a Cristo – ela seria de pouca valia para nossos dias, mas ela está ali por uma razão.

Acredito que o Espírito Santo sabia que os cristãos acabariam  emprestando muitos elementos do judaísmo para transformá-los numa adoração cristã sem fundamento na doutrina dos apóstolos, em especial na de Paulo, a quem foram revelados os mistérios da Igreja e da vinda do Senhor para os seus. O Espírito Santo sabia também que os cristãos acabariam agindo como os judeus do princípio, perseguindo e entregando cristãos à morte. O sistema religioso do judaísmo é chamado em Hebreus de "arraial" e hoje existe um arraial cristão, a religião institucionalizada que traz um histórico de lutas e conquistas por poder político neste mundo.

Entendo que as sete cartas às igrejas de Apocalipse representem diferentes períodos históricos do testemunho cristão. Se na primeira carta, a Éfeso, o Senhor é aquele "que anda no meio dos sete castiçais de ouro" (Ap 2:1), na última, Laodiceia, rica e abastada, ele aparece, não no meio, mas do lado de fora. Ele não poderia estar no meio em cumplicidade com o domínio financeiro e político alcançado pelos que se dizem cristãos.

Então vemos que na última carta de Apocalipse o Senhor está à porta e bate buscando por comunhão com quem ouve sua voz, ou seja, dá ouvidos à sua Palavra. E na epístola aos Hebreus o Espírito Santo convida os cristãos a saírem do arraial para se encontrarem com Cristo do lado de fora e suportarem sua vergonha.

"Eis que estou à porta, e bato; se alguém ouvir a minha voz, e abrir a porta, entrarei em sua casa, e com ele cearei, e ele comigo... E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério." (Ap 3:20; Hb. 13:12-13).

O convite feito aos que percebem essas coisas é para saírem do arraial e saírem a Cristo levando seu vitupério, vergonha ou rejeição. Rejeição de quem? Não de ateus, ímpios, pagãos, mas dos que ficam no arraial, os que professam ser cristãos. Eu já tinha começado a escrever esta resposta quando recebi um artigo que falava praticamente do mesmo assunto, por isso decidi apresentá-lo a seguir. O título é "Não tenham medo, pequeno rebanho", escrito por John Kulp.

Não tenham medo, pequeno rebanho

Fraqueza e pequenez não são qualidades valorizadas pelo homem natural, e os cristãos ficam relutantes em aceitar serem percebidos como insignificantes no mundo que os rodeia. O Senhor, em sua bondade, ensinou ao apóstolo Paulo o valor de considerar-se fraco pela instrumentalidade de um "espinho na carne", para que ele não se tornasse orgulhoso e exaltado em seus pensamentos a respeito de seus privilégios e conquistas.

Enquanto meditava recentemente nessa passagem das escrituras em 2 Coríntios 12, me ocorreu que, apesar de o escopo da passagem ser realmente individual, podemos muito bem ser consolados e encorajados aplicando esses princípios coletivamente (ao menos em parte) a um pequeno testemunho de crentes reunidos ao nome do Senhor Jesus Cristo. Paulo sentia prazer nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por Cristo, “porque quando estou fraco”, disse ele, “então sou forte” (2 Co 12:10).

Como um tal paradoxo poderia ser verdadeiro? Por Paulo descobrir que a graça de Deus lhe era suficiente em sua reconhecida fraqueza, para que "o poder de Cristo" pudesse habitar nele. Acaso não seria assim também coletivamente, quando pequenas reuniões de crentes compartilham desse mesmo exercício como indivíduos e se sentem satisfeitos em assumir um lugar de fraqueza e insignificância neste mundo, e tudo para a honra de Cristo? Então todo o crédito por qualquer bênção trazida por meio desses é creditada a Cristo. Não tenho dúvidas de que isso estaria em conformidade com "a mente de Cristo" (1 Co 2:16).

Isso não quer dizer que a fraqueza nas assembléias cristãs nunca seja culpa do mundanismo e do abandono do "primeiro amor" (Ap 2:4). Infelizmente devemos reconhecer que com frequência é este o caso. Mas foi o próprio Senhor Jesus quem encorajou alguns dos seus e, por extensão, os “dois ou três” ou mais que mais tarde seriam reunidos ao seu nome, quando lhes disse: "Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino." (Lc 12:32). Essa tendência natural de temer pode existir pela expectativa das perseguições vindouras, mas no contexto da palavra do Senhor para eles aqui, ele parece referir-se ao medo de não terem um lugar neste mundo, de serem pobres e desprezados como um pequeno grupo de seus seguidores.

Para a assembléia em Filadélfia o Senhor Jesus oferece este encorajamento: "Eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome." (Ap 3:8). Essa certeza é notável na medida em que Jesus os convida serem encorajados pelo bendito fato de que ele agirá por eles e pela própria glória que pertence a ele, abrindo as portas que eles foram incapazes de abrir, e em virtude de a pequenez do poder deles estar associada à devoção que eles têm por sua Palavra e seu Nome.

Em evidente contraste Paulo faz uso de ironia para desafiar os pensamentos elevados que os da igreja em Corinto tinham de si mesmos, ao escrever: "Nós somos loucos por amor de Cristo, e vós sábios em Cristo; nós fracos, e vós fortes; vós ilustres, e nós vis." (1 Co 4:10). O fato de poucos versos depois ele falar deles como estando "ensoberbecidos" (1 Co 5:2) também indica que a assembléia em Corinto havia desde cedo dispensado o espírito de dependência no Senhor, espírito este que vem justamente por se considerar fraco e sem importância no mundo.

Durante toda a era da igreja, começando não muito tempo depois de ela ter sido estabelecida em poder no início desta dispensação, foram os santos pobres, desprezados e fracos que tiveram a aprovação do Senhor por causa de sua dependência dele. Temos a certeza disso primeiro pela pessoa e testemunho de Paulo, pois no final de seu caminho de serviço ele foi abandonado por todos ou desprezado pela maioria na profissão cristã. (2 Co 10:10; 12:15; 2 Tm 1:15; 4:10-17). O registro inspirado também nos diz que a igreja em Esmirna, no capítulo 2 de Apocalipse, era pobre (ainda que rica espiritualmente), e a fraqueza e devoção de Filadélfia são mencionadas no capítulo 3 do mesmo livro.

A história da igreja testemunha os mesmos princípios de riqueza na pobreza e poder através da fraqueza. Afinal, o cabeça da igreja "foi crucificado por fraqueza, vive, contudo, pelo poder de Deus. Porque nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus em vós." (2 Co 13:4). Os Paulicianos dos sétimo e oitavo séculos foram severamente perseguidos e dizimados por procurarem seguir o espírito e a doutrina de Paulo. Os Valdenses do final da Idade Média apresentaram um brilhante testemunho de Cristo, em contraste com um cenário de grandes trevas espirituais na massa da profissão cristã.

Os primeiros Anabatistas do século 16, embora severamente perseguidos (e até certo ponto equivocados), desafiaram o status quo do casamento igreja-estado que perdurava por mais de mil anos, um erro que o movimento Protestante, muito maior que o dos Anabatistas, nunca entendeu de fato e nem renunciou até os dias de hoje.

O movimento do século 19 conhecido como Irmãos de Plymouth, de muito maior alcance, mas em grande parte impopular, beneficiou-se de uma época relativamente tolerante e também da erudição e fé de muitos que vieram antes, de modo que, na opinião de um erudito evangélico, teve um impacto significativo no cristianismo evangélico apesar de bastante desproporcional em número. A verdade dispensacional, a expectativa pela iminente vinda do Senhor, e um retorno aos primeiros princípios do corpo de Cristo e da casa de Deus, são o resultado de portas que foram abertas pelo Senhor para esses irmãos.

Não se trata de algo virtuoso serem poucos, desprezados e fracos, mas mesmo assim os santos podem ser encorajados por saberem que o Senhor Jesus registra isso e recompensa, não apenas cada um, mas também as reuniões ou companhias de santos que buscam, em dependência dele, levar um claro testemunho para o seu Nome.

Sabendo disso, onde você estaria inclinado a investir em sua profissão cristã? Em algum sistema religioso que conta com mais de um bilhão de pessoas que reivindicam ser uma sucessão dos apóstolos e tem usado seu poder na política e nas consciências para reinar sobre a terra, enquanto o Senhor Jesus foi-se daqui a fim de receber para si mesmo um reino? (Lc 19:12). Ou estaria você inclinado a se associar a uma denominação evangélica que reivindica possuir audiências de milhões a cada domingo e que usa de seu poder para influenciar eleições como as americanas? Ou quiçá com a maior e mais vibrante igreja de sua cidade, por encontrar ali o poder sendo manifestado na música, na programação e no pastor?

"Quem despreza o dia das coisas pequenas?" (Zc 4:10) foi a palavra dita por Jeová sobre o pequeno contingente de apenas algumas dezenas de milhares de judeus que ele trouxe de volta de seu cativeiro para construir o segundo templo, uma mera sombra daquele construído por Salomão e que havia sido habitado pela glória de Deus. (Zc 4:8-10; Ed 3:8-13; 2 Cr 7:1-3). Portanto, tenhamos o cuidado de não desprezar a pequenez ou aparente fraqueza no testemunho coletivo de alguns que o Espírito de Deus trouxe de volta aos princípios bíblicos, os quais ele levantou para dar testemunho desse maravilhoso nome do Senhor Jesus Cristo.

[traduzido de "Fear not little flock" - John Kulp]

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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