As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
ATENÇÃO: POR FALTA DE TEMPO SÓ RESPONDEREI PERGUNTAS INÉDITAS. NÃO RESPONDO NO WHATSAPP.
PESQUISE assunto +mario persona NO GOOGLE PARA VER SE JÁ EXISTE RESPOSTA.

O que acha de recursos visuais para criancas na escola dominical?



https://youtu.be/8ndV1nVQCYw

Você quer saber o que eu acho de recursos visuais usados para crianças na escola dominical, como vídeos, tetro de fantoches, peças teatrais etc., e se isso poderia ajudá-las a entender melhor a mensagem do evangelho.

Já fiz teatrinho de marionetes para crianças e depois me arrependi, porque ficou muito divertido falar do juízo de Deus de forma engraçadinha, quando é um assunto muito sério. Além disso percebi que o interesse maior ficou no visual dos bonecos e não na mensagem, que é o que deve predominar em toda apresentação do evangelho. Então cabe a quem usar de recursos assim fazê-lo com sabedoria.

Não vejo problemas em usar certos recursos visuais, como objetos tangíveis para chamar e prender a atenção das crianças. A atenção delas é bastante volátil, mas sua curiosidade faz com que mantenham os olhos fixos em um objeto qualquer esperando saber a razão de ele estar sendo mostrado ali.

É possível, por exemplo, usar um galho de árvore para falar do lenho lançado na água para fazer o machado flutuar em 2 Reis 6. Pode-se também mostrar uma tangerina para falar do fruto do Espírito de Gálatas 5, que é um, mas com muitas características. Uma ovelhinha de pelúcia serve para falar do Salmo 23 e de muitas outras passagens envolvendo ovelhas. Uma panela com um pouco de farinha serve para contar a história da viúva de Sarepta em 1 Reis 17.

Uma pequena moringa de barro, cheia de bijuterias, cria um grande efeito ao ser quebrada na frente das crianças para revelar o "tesouro em vasos de barro" de 2 Coríntios 4:7. Sementes variadas servem para ilustrar histórias que falam de sementes, um pezinho de feijão cultivado no algodão mostra como a semente precisa morrer para criar muitas outras sementes. Uma vez ministrei uma pregação para crianças enrolado num tecido velho, sujo e podre, que perdia pedaços à medida que rasgava, para falar do filho pródigo.

Tenho sempre uma história na manga para contar a crianças de algum lugar onde esteja visitando. Por exemplo, se tiver uma Bíblia de capa preta, beira dourada e fita marcadora vermelha, aponto para a beira dourada e começo a deixá-las curiosas para saber como é o céu onde há tesouros escondidos em Cristo. Então mostro a capa preta e falo de nossa condição de pecadores sujos e perdidos, incapazes de entrar no céu (aponto para a beira dourada) enquanto a Palavra de Deus está "fechada" para nós. Como chegar lá?

É aí que aponto para a fita vermelha e pergunto se as crianças sabem o que é que tem cor vermelha. Alguma criança acaba falando de sangue, e pego o gancho para falar do poder purificador do sangue de Cristo derramado na cruz. Então pego a fita vermelha do marcador e abro a Bíblia com grande pompa, para mostrar que é o sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado e nos dá acesso ao céu (a beira dourada) porque esse sangue nos deixa brancos como a neve (as páginas internas). Obviamente sempre abro numa página onde existe um versículo significativo para encerrar a mensagem.

E se não tenho uma Bíblia assim disponível? Bem, aí uso algo que costumo levar em todo lugar: minha mão. Uso de meu punho fechado para perguntar se não se parece com uma grande rocha, como um monte rochoso, induzindo as crianças a dizerem que sim. Então vou levantando três dedos um a um e pergunto se eles sabem o que aconteceu em um monte rochoso chamado Calvário onde foram fincadas três cruzes.

As crianças imediatamente fazem a associação de meu punho com a crucificação, e pode ter certeza de que elas estão visualizando a cena muito bem. Então vou perguntando quem estava nesta cruz (aponto para o dedo do meio), e quem estava nas outras duas. Falo do malfeitor que se converteu e de como foi imediatamente aceito pelo Senhor Jesus (dois dedos se entrelaçam nesta hora num abraço).

Então mostro meu polegar e como ele é gordo comparado aos outros dedos, e falo que que assim é o pecador cheio de pecados. Aí mostro o dedo mindinho para falar de como passamos a ser como um bebê quando nascemos de novo. Para finalizar pergunto a elas se sabem o que significa o polegar para cima e elas sabem que é positivo, algo bom. E o polegar para baixo? Negativo, ruim. Céu e inferno.

Percebe que podemos usar de coisas muito simples para atrair a atenção das crianças? Crianças têm uma excelente imaginação. Dê a uma criança uma caixa de sapato vazia e um barbante e em minutos ela estará puxando um caminhãozinho. Até para falar aos seus discípulos o Senhor Jesus tomou de um menino e colocou no meio deles dizendo que deviam ser como crianças para entrar no reino dos céus. Em outra ocasião ele usa uma moeda. A própria ceia do Senhor foi instituída com duas coisas tangíveis, pão e vinho, para representar sua morte. O tabernáculo no deserto, com todos os seus utensílios, eram representações tangíveis de coisas celestiais.

Em comunicação e marketing existe um conceito chamado AIDA, que são as iniciais de Atenção, Interesse, Desejo e Ação. Uma boa mensagem do evangelho, seja para crianças ou adultos, deve começar chamando a Atenção (começando com uma história qualquer, um objeto, uma notícia), depois criar Interesse, levar ao Desejo e finalmente convidar os ouvintes a uma Ação, que neste caso é a de crer em Jesus. Veja que o auxílio visual deve apenas chamar a Atenção. O Interesse, o Desejo e a Ação devem ser criados pela narrativa, e tenha sempre em mente que Evangelho sem sangue não é Evangelho.

Algumas pessoas usam desenhos animados de histórias bíblicas para entreter as crianças, mas na minha opinião é um erro, pois eles são feitos muitas vezes por incrédulos visando lucro e trazem muitas distorções. Você conhece a parábola do filho pródigo, e deve saber também que quem sai correndo ao encontro do filho é o pai, que lhe dá um abraço apertado. Num desenho animado da mesma parábola quem saía da casa correndo para encontrar o filho era um cãozinho, que pulava em seus braços e lambia seu rosto. Pode ser muito bonitinho para um desenho animado, mas destrói a parte mais bela do ensinamento da parábola.

Juntando tudo, ainda acredito que nada pode substituir uma história bem contada, mesmo sem recursos audiovisuais muito elaborados. O Senhor e seus discípulos contaram histórias que estão aí até hoje, e elas não apelavam para os sentidos da carne, mas principalmente para a consciência. Hoje o Espírito Santo está no mundo tocando as consciências, O poder está na PALAVRA de Deus, aplicada pelo Espírito Santo, e não nos recursos que possamos usar.

"Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado." (Jo 16:7-11).

Mas não pense que exemplos e objetos podem ser usados apenas na evangelização de crianças. Conheci um idoso que costumava frequentar as reuniões de estudo bíblico numa cidade vizinha. Embora não participasse ativamente das reuniões, gostava de ouvir a Palavra de Deus, cantava os hinos junto com os irmãos e dava o seu "Amém" quando alguém terminava de orar. Mas parecia faltar algo, parecia faltar uma compreensão real da obra que Cristo consumou na cruz. Faltava dar um passo de fé, reconhecendo-se pecador e crendo Cristo, o Salvador.

Uma vez ele veio para uma conferência bíblica em minha cidade, trazido por seu filho. Na escola dominical que ministrei às crianças, não reparei nele, mas o Espírito Santo sim. Para ilustrar o que falava, levei um pequeno vaso com uma flor. O texto era 1 Pedro 1:24: “Toda a carne é como a erva, e toda a glória do homem como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor; mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.”.

Tendo nas mãos aquela plantinha, falei da fragilidade de nossa vida neste mundo. Bastaria aquele vaso ficar sem água ou ser exposto ao sol quente e aquela bela flor logo se transformaria em palha seca pronta para ser queimada. E, em nosso caso, a morte e a condenação eterna eram coisas inevitáveis se não aceitássemos a solução que Deus providenciou: Cristo morrendo para pagar nossos pecados.

Deixei claro para as crianças que bastava crer em Cristo para receber a salvação gratuita, e que isso precisava ser feito o quanto antes. Nunca sabemos quando nossa vida irá murchar e secar como a flor. Tendo dito isto, mostrei a elas outra plantinha semelhante, porém completamente seca. Era uma figura marcante do pecador sem Cristo.

Quando terminei de falar, cantamos mais alguns hinos, fiz uma oração e saí do salão. Já no corredor, fui surpreendido por uma mão que pousou em meu ombro e alguém me chamou pelo nome. Voltei-me para ver aquele senhor que tantas vezes eu tinha encontrado nas reuniões. Agora, porém, seus olhos estavam úmidos e seu semblante irradiava alegria. As duas únicas palavras que me falou naquele momento com voz embargada continuam frescas em minha memória:

– Agora entendi! – disse ele.

Eu sabia que muitas outras coisas estavam incluídas naquelas poucas palavras. Elas podiam muito bem significar “Agora cri”, “Agora aceitei a Cristo como meu Salvador”, “Agora sei que sou um pecador salvo”, “Agora reconheço que ele levou sobre a cruz os meus pecados”, “Agora sou feliz!” ou “Agora tenho paz”. Qualquer uma dessas expressões tinha um só significado: Deus operando no coração de uma alma aos pés do Salvador. Eu estava diante de um homem velho que acabava de sair de uma pregação para crianças com uma vida nova e radiante. Seu corpo, já gasto pelos anos, era de um velho, mas seu olhar denunciava o que ele agora realmente era: uma criança em Cristo.

Ainda pude encontrar aquele senhor outras vezes, até o dia em que seu filho me telefonou para avisar que ele acabara de partir para o céu. Na noite anterior havia fechado seus olhos para dormir e foi abri-los outra vez, não mais neste mundo, mas na presença do seu Salvador. Então, ao invés de dizer, “Agora entendi”, ele podia dizer “Agora vi!”.

“Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim Se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne, verei a Deus. Vê-Lo-ei, por mim mesmo, e os meus olhos, e não outros o contemplarão.” Jó 19.25-27

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

Mais acessadas da semana