As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Que reconciliacao Cristo teria feito nos ceus?



https://youtu.be/qYpSlz2i88k

Sua dúvida é sobre que reconciliação teria sido essa feita por Jesus nos céus. Que sua obra teve um efeito tremendo na terra, reconciliando a Deus os pecadores que antes eram inimigos, como entender que nos céus poderia haver também a necessidade de reconciliação? A passagem é esta "Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, e que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus." (Cl 1:19-20).

Você já viu quando um prédio é implodido o que acontece? Várias explosões vão pipocando em diferentes lugares em diferentes momentos porque é tudo calculado para o edifício ir desmontando de forma ordenada. Mas para que tudo aconteça é preciso que o engenheiro aperte apenas um botão e o sistema é desencadeado com explosões precisas em questão de tempo e lugar. Assim é a obra de Cristo.

Na cruz o "botão" foi acionado, quando ele cumpriu sua obra para passar uma borracha na Criação original com todas as horríveis consequências do pecado que a marcaram. Porém é bom lembrar que se ele tivesse apenas morrido sua obra não teria sido completa. Ele precisou morrer, ressuscitar, ascender ao céu e ser glorificado assentando-se à destra da Majestade nas alturas, onde aguarda pelos diferentes eventos que foram colocados em movimento com sua morte.

"Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus, daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés. Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados." (Hb 10:12-14).

Quando vamos para 1 Coríntios capítulo 15 encontramos uma lista de eventos ainda a serem desencadeados a partir daquele "botão" inicialmente acionado com a morte e ressurreição de Cristo. Repare na frase ":

"Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo as primícias, depois os que são de Cristo, na sua vinda. Depois virá o fim, quando tiver entregado o reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo o império, e toda a potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte. Porque todas as coisas sujeitou debaixo de seus pés. Mas, quando diz que todas as coisas lhe estão sujeitas, claro está que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas.E, quando todas as coisas lhe estiverem sujeitas, então também o mesmo Filho se sujeitará àquele que todas as coisas lhe sujeitou, para que Deus seja tudo em todos." (1 Co 15:22-28).

Agora se abrirmos em Hebreus 2:8-9 encontramos que "todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés. Ora, visto que lhe sujeitou todas as coisas, nada deixou que lhe não esteja sujeito. Mas, agora, ainda não vemos que todas as coisas lhe estejam sujeitas; vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos."

Mas se todas as coisas lhe foram sujeitas e ainda não lhe estão sujeitas, como podemos ver Jesus coroado de honra e glória? Pela fé, "porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos." (Rm 8:24-25).

Para entender a passagem de Colossenses 1:19-20, motivo de sua pergunta, é preciso ler mais do contexto. Voltando ao exemplo do engenheiro de demolição, é preciso que ele conheça muito bem o prédio que irá demolir e ele fará tudo de uma posição exterior ao objeto da demolição. Ou seja, o engenheiro não será demolido junto com o prédio, a menos que o painel com o botão tenha sido colocado bem em seu centro.

O Filho de Deus é Deus e Criador de todas as coisas, o que o coloca numa posição originalmente externa à Criação e assim imune à sua corrupção e ruína. Obviamente sabemos que na cruz ele foi feito pecado por nós — no marco zero da detonação —, sendo assim atingido pelos efeitos malignos da ruína, mas aqui estou falando dele como Criador. Os versículos 15 ao 17 de Colossenses 1 deixam clara essa posição de quem tudo criou e tem poder sobre tudo o que foi criado:

"O qual [Jesus] é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele." (Cl 1:15-17).

Voltando um pouco mais no capítulo, os versículos 12 ao 14 deixam clara a posição em que o crente foi colocado graças à obra de Cristo: Somos agora idôneos aos olhos de Deus para participar da herança do próprio Filho e demais santos, fomos libertados do poder das trevas, sob o qual caminham ainda todos os inconversos, e já estamos posicionados no "reino do Filho do seu amor". Nossa condição é como a de um exilado político que recebe a notícia de que o governo tirano que o exilou foi deposto e ele agora já é considerado bem vindo ao seu país. Ele está circunstancialmente no exílio — sua condição —, mas posicionalmente já é visto como morador de seu país. Falta apenas viajar de volta. Veja a passagem:

"Dando graças ao Pai que nos fez idôneos para participar da herança dos santos na luz; o qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados." (Cl 1:12-14).

Você já parou para pensar nessa sua bendita posição em que foi colocado por Deus graças à obra de Cristo? O Pai fez de você uma pessoa idônea aos olhos dele, alguém que não tem mais nenhum pecado pendente para ser purificado; alguém com sua parte "da herança dos santos na luz" já assegurada no que poderíamos chamar de "formal de partilha" de Cristo. Ao mesmo tempo, você já foi transportado "para o reino do Filho do seu amor" em quem tem "a redenção pelo seu sangue", que é "a remissão — ou retirada — de pecados".

Infelizmente muitos cristãos não estão conscientes do que já é deles reservado em Cristo, e por isso vivem no pavor de perderem a salvação que Deus garantiu já estar assegurada e ser inabalável. Então a passagem continua mostrando que Cristo foi posto como cabeça da Igreja e princípio e primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Ou seja, no frigir dos ovos Satanás não terá nada de se gloriar, pois a casa do Pai estará cheia, sendo então o número de salvos infinitamente maior que o número dos perdidos. Veja a passagem:

"E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse." (Cl 1:17-19).

Abro um parêntese aqui para dizer que muitos têm dificuldade para entender como é que o número de salvos poderia ser maior que o de perdidos, e logo lhes vêm à mente passagens como a da porta e do caminho, largo e estreito. Mas aqui estamos falando, não da experiência terrena dos salvos ou perdidos, mas da abrangência da obra de Cristo que derramou seu sangue para salvar. E essa obra inclui os bilhões de seres humanos que foram abortados em todas as épocas, as crianças mortas antes da idade da razão, os deficientes mentais incapazes de crer etc. Deus não será injusto no tratamento para com esses incapacitados de entender e exercer uma fé real no Filho de Deus e em sua obra.

Dentre os capacitados a crer, todos os que morreram antes da cruz terão sido salvos por crerem na misericórdia de Deus e que ele daria um jeito de cobrir o pecado do homem como fez com Adão e Eva no Jardim do Éden, ou seja, por meio de um inocente morto no lugar do culpado. Os que vieram depois podem crer num Cordeiro já imolado na cruz. Poderíamos dizer que antes da cruz as pessoas eram salvas pela fé com o pagamento ainda a ser efetuado, e depois de Cristo as pessoas foram salvas graças a um pagamento já efetuado.

Resta agora entender que coisas nos céus são essas que precisariam ser reconciliadas por essa obra cuja explosão abalou todo o universo. Isso tem a ver com toda a plenitude que necessariamente deverá habitar em Cristo, não deixando nada de fora. A primeira reconciliação que aparece na passagem é a de "todas as coisas" (Cl 1:20), já que "todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1:17). ou seja, sendo Cristo o mantenedor do Universo, nada existe que não esteja sob seu controle e poder, pois ele sustenta "todas as coisas pela palavra do seu poder" (Hb 1:3).

Tendo mencionada a reconciliação das coisas, nos versículo 21 e 22 ele vai falar da reconciliação de pessoas: "A vós também, que noutro tempo éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más, agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, para perante ele vos apresentar santos, e irrepreensíveis, e inculpáveis.". A reconciliação de todas as coisas — na terra, nos céus, em todo o universo — é um evento ainda futuro, mas para os salvos pela fé em Cristo a reconciliação de pessoas é já passada.

Quando o pecado entrou na Criação o homem se tornou inimigo de Deus e arrastou atrás de si toda uma cadeia de eventos que só trouxeram desgraça à Criação. Deus nunca ficou inimigo do homem, mas este ficou inimigo de Deus. "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida." (Rm 5:10).

As consequências do pecado atingiram até os animais, pois "a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora. E não só ela, mas nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nós mesmos, esperando a adoção, a saber, a redenção do nosso corpo.". É por isso que "a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus." (Rm 8:19-23).

A "manifestação dos filhos de Deus" é quando tudo o que diz respeito a nós estiver passado a limpo e estivermos com nossos corpos ressuscitados ou transformados à semelhança do corpo de Cristo. A maldição que em Gênesis 3:17 foi lançada contra a terra, que passou a produzir ervas daninhas e espinhos, também precisa ser revertida, e se você erguer os olhos verá todo um firmamento que também foi afetado pelo pecado, se não do homem, então dos anjos em eras imemoráveis.

Talvez seja este o significado de Jó 25:5: "As estrelas não são puras aos seus olhos", ou por "estrelas" aí poderíamos considerar linguagem figurada falando de anjos. Mas não há qualquer indicação de uma reconciliação de anjos caídos, para os quais o lago de fogo foi originalmente preparado. Ali serão lançados também seres humanos impenitentes, ainda que não tenha sido lugar preparado para eles: "Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos." (Mt 25:41).

Se formos agora para Hebreus 9 descobrimos que as figuras das coisas que estão no céu, que eram as coisas que na adoração judaica representavam coisas celestiais, precisavam ser purificadas com sangue de animais, enquanto as coisas celestiais precisavam ser purificadas "com sacrifícios melhores". Por isso...

"Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer por nós perante a face de Deus; nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, como o sumo sacerdote cada ano entra no santuário com sangue alheio; de outra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora na consumação dos séculos uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo." (Hb 9:24-26).

Aqui eu caminho sobre ovos, porque se trata de uma esfera elevadíssima sobre a qual preciso ter o cuidado de não dizer o que não deve ser dito. Por isso vou emprestar o comentário de um irmão que viveu no século 19 e era muito mais versado do que eu, William Kelly:

"Quando Deus deu a Israel, sob a Lei, um tabernáculo de testemunho, isso foi uma necessidade para que Deus não tivesse comprometida a sua santidade e também para que a necessidade do sacrifício estivesse presente em tudo. O israelita não só estava proibido de se aproximar de Deus sem uma oferta queimada, mesmo que não precisasse de uma oferta pelo pecado, mas as cópias ou figuras terrenas dos originais celestiais, que Moisés havia visto quando esteve no monte e imitou na construção do santuário e tudo o que havia nele, exigiam purificação. Mas o sangue de vítimas terrenas não passava de uma formalidade. Este não podia purgar a consciência, mas tão somente a carne. Sua purificação era passageira e de caráter exterior. Era, portanto, no mínimo provisional, e não poderia satisfazer nem a Deus, nem a consciência que havia sido despertada para enxergar os pecados sob a luz de Deus. Portanto o véu permanecia, o que significava que o homem não poderia se aproximar de Deus. Mas a morte de Cristo rasgou o véu, o que significa que o crente está livre e desimpedido para se aproximar ousadamente, pois agora não são seus pecados que Deus vê diante de si, mas o sangue de Cristo." (William Kelly).

Mas até aqui o assunto foi da eficácia do sangue de Cristo aos olhos de Deus nos céus, e não especificamente da reconciliação de todas as coisas nos céus. Sabemos com certeza de que o trono de Deus nunca foi contaminado pelo pecado, seja dos anjos, seja dos homens. Mas quando falamos em céus a expressão é mais ampla do que apenas o lugar onde Deus habita, e para onde Cristo "subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas" (Ef 4:10), ou seja, "aquele que tem, ele só, a imortalidade, e habita na luz inacessível; a quem nenhum dos homens viu nem pode ver" (1 Tm 6:16).

Todavia temos o primeiro céu, a atmosfera onde as aves voam, os raios aparecem, e de onde a chuva cai. (Gn 7:23, Dt 11:11, Dn 4:21, Lc 17:24). Este é o céu que vai passar ou acabar. (2 Pd 3:10, 12). O segundo céu seria o firmamento, onde estão o sol, a lua e as estrelas (Gn 1:14, 15, 17). O terceiro céu, também chamado por Paulo de Paraíso, é a esfera onde estão os anjos, inclusive os anjos caídos em pecado. Mas a Bíblia fala ainda dos "céus dos céus" (Dt 10.14; 1 Rs 7.27) e que haverá "novos céus" (2 Pd 3.13).

Mas, para simplificar o entendimento, acredito que, além do aspecto que a obra de Cristo teve de satisfazer a Deus no céu, entendo que reconciliar as coisas que estão nos céus incluiria colocar em ordem também todas essas esferas celestiais — exceto o lugar da habitação de Deus, que é inacessível por homens e pela contaminação. Então as coisas que estão nos céus e foram afetadas pelo pecado, tanto de homens como de anjos — pássaros, elementos atmosféricos, planetas — ficarão finalmente purificadas de todo mal e sob o controle de Cristo.

Nesse processo os anjos que pecaram serão expulsos das esferas celestiais e Deus dará início então ao estado eterno, do qual a Bíblia quase não fala porque nós não entenderíamos de maneira nenhuma. Serão novos céus e nova terra, criados com algo que não conhecemos e diferente da matéria dessa criação, já que o tempo terá deixado de existir. E é aqui que a Palavra de Deus se encontra com Einstein e Agostinho que já previam um tempo sem tempo num espaço sem espaço ou matéria:

"Supondo que toda matéria desaparecesse do mundo, então, antes da relatividade, acreditava-se que espaço e tempo continuariam a existir em um mundo vazio. Mas, de acordo com a Teoria da Relatividade, se matéria e movimento desaparecessem, já não haveria mais espaço ou tempo" - Albert Einstein

Agostinho escreveu: "Não há dúvida de que o mundo não foi criado no tempo, mas com o tempo", e acerca de Deus, ele diz: "Teus anos permanecem ao mesmo tempo... Teus anos são um dia, e Teu dia não é como nossa sequência de dias, mas é hoje".

http://www.respondi.com.br/2011/04/cristo-devolvera-o-reino-ao-pai.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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