As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Quem são a "sinagoga de Satanás" de Apocalipse?



https://youtu.be/IaagRT3MJ4A

Você perguntou quem seriam os que em Apocalipse 2:9 e 3:9 se dizem judeus e não são. Seriam eles cristãos judaizantes que não aceitam que o sacrifício de Cristo seja suficiente e ainda querem se justificar pela Lei de Moisés? Vamos ler os versículos: A Esmirna o Senhor diz: "Conheço as tuas obras, e tribulação, e pobreza (mas tu és rico), e a blasfêmia dos que se dizem judeus, e não o são, mas são a sinagoga de Satanás.". A Filadélfia ele diz: Eis que eu farei aos da sinagoga de Satanás, aos que se dizem judeus, e não são, mas mentem: eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo." (Ap 2:9; 3:9).

Ser chamado de sinagoga de Satanás significa que diziam ser povo de Deus mas não eram. Pode ser tomado no sentido literal de judeus mesmo, ou num sentido mais amplo de pessoas que se dizem povo de Deus mas não são, como os que tanto perseguiram os cristãos durante a Inquisição dizendo fazer aquilo em nome de Deus.

De qualquer modo não precisa ser muito observador para perceber que uma grande parcela da cristandade nunca quis deixar de ser judaica em seus rituais e costumes. E isso mesmo com o apelo do Espírito Santo em Hebreus 13 para que os judeus convertidos se libertassem das amarras do judaísmo e saíssem do arraial, mas saíssem a Jesus.

"Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente. Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça, e não com alimentos que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram. Temos um altar, de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo. Porque os corpos dos animais, cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o santuário, são queimados fora do arraial. E por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta. Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério. Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura." (Hb 13:8-14)

Esta passagem é cheia de significado. Para evitar que alguém pudesse dizer que o Senhor mudou ao longo das eras, ele começa deixando claro que é o mesmo ontem, hoje e eternamente. Mas as maneiras de ele lidar com a humanidade, e em especial com o seu povo, mudaram ao longo das eras, e se quiser entender isso será preciso entender o que a Bíblia ensina sobre as diferentes dispensações.

Depois ele menciona as ordenanças da Lei mosaica como "doutrinas várias e estranhas" a esta nova ordem de coisas que estabeleceu com a formação da Igreja. A Lei trazia toda uma sorte de ordenanças sobre alimentos que serviam como figura de coisas futuras (como no episódio do lençol que foi baixado diante de Pedro com animais puros e impuros), mas que nenhum valor prático tinha para os israelitas pois não podia torná-los mais santos por comê-los ou evitá-los.

A antiga ordem sacerdotal é claramente deixada de lado aqui, muito embora a cristandade tenha se aferrado a ela com seus sacerdotes, vestimentas clericais e ordenações religiosas. Então ele termina mostrando claramente onde Cristo agora está, e certamente não é dentro do arraial ou sistema religioso do judaísmo, mas fora dele. E a esperança do cristão já não é a mesma do judeu, de ter uma porção física numa terra prometida, como promete a Teologia do Pacto que não sabe diferenciar Israel de Igreja, mas é uma esperança reservada nos céus.

Você já deve ter conhecido cristãos judaizantes como os que aqui são chamados sinagoga de Satanás, que não pregam o evangelho da graça, mas a guarda da Lei e boas obras como meio de salvação. No final eles serão obrigados a adorar o Senhor como farão todas as criaturas, quando todo joelho se dobrar. Não creio que a passagem esteja falando de salvos, e sim de perdidos e meros professos, que hoje são em grande número no testemunho cristão no mundo.

Repare que Esmirna e Filadélfia, em cujas cartas são mencionados os que se dizem judeus e não são, foram as únicas que não receberam qualquer repreensão. Mas algo comum às duas é a oposição religiosa daqueles que querem se fazer passar por povo de Deus, mas o Senhor os identifica como obra de Satanás. Outra passagem fala dessa tentativa de enganar:

"Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos, transfigurando-se em apóstolos de Cristo. E não é maravilha, porque o próprio Satanás se transfigura em anjo de luz. Não é muito, pois, que os seus ministros se transfigurem em ministros da justiça; o fim dos quais será conforme as suas obras." (2 Co 11:13-15).

Para Esmirna o Senhor dá a certeza de proteção em meio à perseguição diabólica: "Nada temas das coisas que hás de padecer. Eis que o diabo lançará alguns de vós na prisão, para que sejais tentados; e tereis uma tribulação de dez dias. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida." (Ap 2:10).

Aos de Filadélfia o Senhor reafirma o amor que tem por eles, o que um dia será reconhecido até pelos perdidos que serão obrigados a dobrar seus joelhos diante do Senhor: "Eis que eu farei que venham, e adorem prostrados a teus pés, e saibam que eu te amo." (Ap 3:9). Filadélfia poderia seguir adiante desfrutando desse amor até o Senhor trazer todas as coisas à luz. "Portanto, nada julgueis antes de tempo, até que o Senhor venha, o qual também trará à luz as coisas ocultas das trevas, e manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o louvor." (1 Co 4:5).

Um autor comenta: "Considerá-los sinagoga de Satanás é denunciá-los como estando em total contraste com a Igreja de Deus. Vimos na carta a Esmirna (Ap 2:9) que sinagoga significa uma reunião e indica um desejo de unir religiosamente o mundo ímpio tendo objetivos totalmente mundanos. Essa união acontecerá no futuro sob o controle de Satanás no período de sete anos da Tribulação, representando um horrível contraste com a pureza da bênção que a Igreja estará desfrutando com seu Senhor. Mas a Tribulação chegará ao fim, e esses serão obrigados a adorar [o Cordeiro] diante dos pés da verdadeira Igreja de Deus. Esses que propõem boas obras como meio de salvação se sentirão profundamente equivocados quando perceberem que o Senhor tem amado aqueles que dependeram tão somente de sua graça, em uma verdadeira e pessoal afeição por ele." ["Commentary on Bible", L. M. Grant].

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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