As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que voce tem contra a cultura?



https://youtu.be/aHkrXITsjkw

Em algum lugar você me ouviu dizer que na eternidade todos nos entenderemos, ou como costumamos dizer, falaremos uma mesma língua. Então você se indignou usando das expressões: "No céu todos falarão a mesma língua?! Acabará a magnífica e impressionante variedade cultural e linguística da terra?! O que a bíblia diz disso?!".

Vamos colocar sua pergunta de outra maneira, porque você poderia também ter reagido de outra maneira que seria a mesma coisa, se dissesse: "Acabará a magnífica e impressionante variedade de espinhos, cardos e ervas daninhas da terra?!" Assim como as dificuldades existentes hoje para se conseguir alimento foram um juízo que Deus lançou sobre a humanidade por causa do pecado em Gênesis 3, o mesmo vale para os diferentes idiomas. Estes foram um juízo de Deus contra os homens que quiseram fazer um nome para si mesmos neste mundo.

Pessoalmente não tenho nada contra a cultura, e até minha formação em artes e arquitetura e urbanismo começou com Caim e traz arraigada boa parte daquilo que foi iniciado por seus descendentes:

"E coabitou Caim com sua mulher; ela concebeu e deu à luz a Enoque. Caim edificou uma cidade e lhe chamou Enoque, o nome de seu filho", e aqui nasceu a arquitetura. "Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, a outra se chamava Zilá. Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e possuem gado", e aqui tem início a agropecuária. "O nome de seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e flauta", ou seja, o embrião de toda manifestação artística. "Zilá, por sua vez, deu à luz a Tubalcaim, artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro; a irmã de Tubalcaim foi Naamá.". (Gn 4:17-22).

É graças a Tubalcaim, que criou a tecnologia, que posso digitar estas palavras em um computador. E se você achava que a profissão mais antiga do mundo era a prostituição, a verdade é que arquitetura é a profissão mais antiga do mundo, iniciada pelo arquiteto e urbanista Caim, construtor da primeira cidade.

Da diversidade de idiomas, imposta por Deus em Gênesis 11 com o consequente fracionamento da humanidade em diferentes nações, surgiria a diversidade de povos e disso a diversidade cultural, tudo advindo de um juízo contra a desobediência e rebeldia do ser humano. Me desculpe, mas você achar que juízo de Deus é coisa boa é o mesmo que gostar de tratar o canal sem anestesia. Costumamos louvar a diversidade linguística e cultural sem nos darmos conta do horror que existe por detrás dessa divisão que atingiu a humanidade como um juízo vindo de Deus.

As diferentes línguas nós podemos até admirá-las, pois mesmo sendo resultado de um juízo, foi Deus quem as deu e sua perfeição impressiona qualquer linguista. Estudiosos de línguas antigas afirmam que os idiomas, quanto mais antigos forem, maior será sua complexidade, o que vai na contra-mão da teoria de que os seres humanos tenham evoluído sua comunicação a partir de grunhidos que teriam evoluído para idiomas estruturados. Aliás, o contrário é verdadeiro. As línguas tendem a se simplificar com o tempo, e por isso perdemos tanto na leitura do Novo Testamento em Português quando comparado à leitura do texto grego. Grego, hebraico, aramaico e outras línguas que chamamos de "mortas" são muito mais perfeitas e complexas que as suas derivações modernas.

Quando louvamos a diversidade cultural, com suas miríades de manifestações artísticas e culturais, nos esquecemos de alguns detalhes importantes. Coisas consideradas como maravilhas da civilização, como a Grande Muralha da China e o mausoléu Taj Mahal trazem histórias horrendas. Este último, que por si só já é um evocativo da morte por ser um túmulo gigante, além de ter custado as mãos e os olhos do arquiteto e seus construtores, arrancados por ordem do monarca para garantir que não construíssem nada igual. A muralha da China é um cemitério de mais de um milhão de trabalhadores que morreram em sua construção que no final não serviria para proteger o país. Um imperador, para libertar uma concubina que tinha sido sequestrada por uma facção inimiga, pediu ajuda a inimigos externos e abriu os portões da muralha para seu exército entrar e salvar a concubina. Adivinhe o que o exército inimigo fez, uma vez do lado de dentro da muralha?

Eu poderia falar horas dos bastidores tenebrosos da diversidade cultural, mas basta você ver que muito do que hoje atrai turistas no mundo inteiro são edifícios, objetos e imagens criadas para a prática da idolatria e adoração de demônios. Ou você acha que aqueles monges no Tibete oram ao Pai de nosso Senhor Jesus Cristo?

Mas voltando à sua dúvida, veja onde a Bíblia fala desses dois juízos, da diversidade de ervas daninhas que infernizariam a agricultura, e da diversidade de idiomas, que piora ainda mais a capacidade de os homens se entenderem.

"E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás." (Gn 3:17-19).

"E era toda a terra de uma mesma língua e de uma mesma fala. E aconteceu que, partindo eles do oriente, acharam um vale na terra de Sinar; e habitaram ali. E disseram uns aos outros: Eia, façamos tijolos e queimemo-los bem. E foi-lhes o tijolo por pedra, e o betume por cal. E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra. Então desceu o Senhor para ver a cidade e a torre que os filhos dos homens edificavam; e o Senhor  disse: Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer. Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro. Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade. Por isso se chamou o seu nome Babel, porquanto ali confundiu o Senhor a língua de toda a terra, e dali os espalhou o Senhor sobre a face de toda a terra." (Gn 11:1-9).

Ainda que as empresas de defensivos agrícolas e os cursos de idiomas lucrem com tudo isso, e a maior parte das profissões, da agronomia à medicina, existem para contornar os problemas surgidos com o pecado, a verdade de que Deus permitiu essas coisas como juízos ou castigos não muda. Por causa desses juízos sofremos para ter o que comer e estamos destruindo o planeta com o excesso de venenos, e também temos toda essa dificuldade de viajar para um país estrangeiro e quando chegamos ali não fazermos ideia do que está sendo falado. Achar isso bom só pode ser dentro daquela concepção dos intelectuais de mesa de botequim. Digo isto lembrando a frase de Joãozinho Trinta, o carnavalesco, que costumava dizer: "Quem gosta de miséria é intelectual. Pobre gosta de luxo".

Em Gêneses 11:4, os seres humanos buscaram esse reconhecimento, essa fama a nível mundial: "Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra.". Eles queriam fazer um nome si, e não uma torre para literalmente viajar ao espaço, ou teriam construído numa montanha, não numa planície. Eles queriam reconhecimento. Então Deus foi e estragou a brincadeira deles, e a torre ficou conhecida como Babel, que significa confusão. Aquele trabalho todo, tijolinho por tijolinho, só para fazerem um nome e buscarem a fama e vanglória que é inerente ao homem pecador.

Essa "variedade cultural e linguística", como você chamou, teve o efeito contrário buscado pelos homens de então, que queriam criar um monumento à sua unidade tirando Deus da equação. No futuro Deus irá reverter totalmente isso e desfazer a confusão em que se tornou a humanidade, mergulhada hoje em confusão e discórdia. A graça viria depois fazer o caminho inverso, quando em Atos 2 pessoas de diferentes idiomas e culturas puderam se entender no dia em que a Igreja foi formada. Hoje, apesar das barreiras linguísticas, onde quer que eu encontre irmãos em Cristo em qualquer parte do mundo não demora para nos entendermos como membros de uma mesma família.

A sequência composta de uma ordem de Deus que é desobedecida e resulta em juízo envolvendo línguas e causando dispersão forma um padrão que pode ser identificado em diferentes partes das Escrituras. Vou dar quatro exemplos disso em Gênesis, Deuteronômio, Jeremias e Isaías.

Em Gênesis 9:1, 7 Deus ordenou que os homens se multiplicassem e enchessem a terra. "E abençoou Deus a Noé e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos e enchei a terra. Mas vós frutificai e multiplicai-vos; povoai abundantemente a terra, e multiplicai-vos nela.". Porém no capítulo 11 eles desobedeceram e se concentraram num só lugar. "E disseram: Eia, edifiquemos nós uma cidade e uma torre cujo cume toque nos céus, e façamo-nos um nome, para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra." (Gn 11:4). O resultado foi um juízo envolvendo línguas e dispersão. Disse Deus: "Eia, desçamos e confundamos ali a sua língua, para que não entenda um a língua do outro... Assim o Senhor os espalhou dali sobre a face de toda a terra; e cessaram de edificar a cidade." (Gn 11:7-8).

Em Deuteronômio 28 o Senhor exige obediência dos israelitas em guardarem seus mandamentos. "E será que, se ouvires a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra." (Dt 28:1). Porém eles desobedeceriam, como já era previsto: "Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão." (Dt 28:15). Em seu desterro ficariam sujeitos ao juízo das diferentes línguas: O Senhor levantará contra ti uma nação de longe, da extremidade da terra, que voa como a águia, nação cuja língua não entenderás" (Dt 28:49). Finalmente, como consequência, viria a dispersão: "E o Senhor vos espalhará entre todos os povos, desde uma extremidade da terra até à outra; e ali servireis a outros deuses que não conheceste, nem tu nem teus pais; ao pau e à pedra. E nem ainda entre estas nações descansarás, nem a planta de teu pé terá repouso; porquanto o Senhor ali te dará coração agitado, e desfalecimento de olhos, e desmaio da alma." (Dt 28:64-65).

Em Jeremias 5 temos outra sequência deste mesmo padrão, começando com Deus exigindo obediência e exclusividade na adoração, pois assim Deus fará no futuro. "Vive o Senhor na verdade, no juízo e na justiça; e nele se bendirão as nações, e nele se gloriarão." (Jr 4:1). Mas eles desobedeceram e foram atrás dos deuses pagãos: "Eu, porém, disse: Deveras estes são pobres; são loucos, pois não sabem o caminho do Senhor, nem o juízo do seu Deus." (Jr 5:3). A consequência? Isso mesmo, línguas e confusão: "Eis que trarei sobre vós uma nação de longe, ó casa de Israel, diz o Senhor; é uma nação robusta, é uma nação antiquíssima, uma nação cuja língua ignorarás, e não entenderás o que ela falar." (Jr 5:14). Como das outras vezes, e seguindo o mesmo padrão, eles seriam dispersos em terras estrangeiras: "E sucederá que, quando disserdes: Por que nos fez o Senhor nosso Deus todas estas coisas? Então lhes dirás: Como vós me deixastes, e servistes a deuses estranhos na vossa terra, assim servireis a estrangeiros, em terra que não é vossa." (Jr 5:18).

Agora é o profeta Isaías quem irá apontar o mesmo padrão de mandamento, desobediência, línguas e dispersão. Em Isaías 28:12 o Senhor diz, "Este é o descanso, dai descanso ao cansado; e este é o refrigério", mas na continuação do versículo eles desobedecem: "Porém não quiseram ouvir.". Vêm as línguas como sinal de juízo pela desobediência: "Assim por lábios gaguejantes, e por outra língua, falará a este povo." (Is 28:11). Finalmente chega a dispersão: "Assim, pois, a palavra do Senhor lhes será mandamento sobre mandamento, mandamento sobre mandamento, regra sobre regra, regra sobre regra, um pouco aqui, um pouco ali; para que vão, e caiam para trás, e se quebrantem e se enlacem, e sejam presos." (Is 28:13).

Em seus "Estudos sobre o Pentateuco" C. H. Mackintosh comenta o modo como Deus resolverá toda essa questão envolvendo o padrão Mandamento - Desobediência - Línguas - Dispersão:

"Se meu leitor se voltar para Apocalipse 7, encontrará no final do mesmo "TODAS as nações e tribos, e pessoas e línguas" em volta do Cordeiro; e, com uma voz, atribuindo todo o louvor a ele. Assim, as três escrituras podem ler na conexão mais interessante e proveitosa. Em Gênesis 11 Deus dá várias línguas como uma expressão do Seu juízo; em Atos 2 Ele dá várias línguas como uma expressão da graça; e em Apocalipse 7 vemos todas aquelas línguas reunidas em volta do Cordeiro, em glória. Quão melhor é, portanto, encontrar nosso lugar na associação de Deus do que no homem! O primeiro termina em glória, o último em confusão; o primeiro é levado adiante pela energia do Espírito Santo, o último pela energia profana do homem caído; o primeiro tem por objeto a exaltação de Cristo, o segundo tem por objeto a exaltação do homem, de um modo ou de outro." "Estudos sobre o Pentateuco" - C. H. Mackintosh.

Uma vez vi um homem todo valente querer improvisar para trocar uma lâmpada. Apesar dos apelos de todos para que usasse uma escada, ele se achou capaz e subiu na beirada de um caixote que virou. Enquanto ele caía, a beirada cortante do caixote foi arrancando a pele de sua canela como se fosse um aparelho de barbear, deixando-a em carne viva. Todos ficamos aterrorizados com aquilo, querendo ajudar, dizendo para procurar ajuda etc., mas ele continuou fingindo que não era nada de mais, enquanto o sangue escorria para dentro de seu tênis. Assim é hoje a apreciação rasgada dos seres humanos pela variedade linguística e cultural, que se originaram de juízo de Deus. Indiferentes ao que Deus diz em sua Palavra, nos orgulhamos de nossa diversidade, mesmo com todo o sangue que essa variedade discordante fez escorrer pela canela da humanidade.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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