As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
ATENÇÃO: POR FALTA DE TEMPO SÓ RESPONDEREI PERGUNTAS INÉDITAS. NÃO RESPONDO NO WHATSAPP.
PESQUISE assunto +mario persona NO GOOGLE PARA VER SE JÁ EXISTE RESPOSTA.

Se maus espiritos nos fazem cair por que os bons nao fazem o contrario?



https://youtu.be/Xl08_GLR1-8

Você escreveu fazendo a seguinte pergunta: "Se espíritos malignos podem influenciar até mesmo os crentes para praticarem o mal, por que os espíritos benignos não podem influenciá-los a praticar o bem?". Primeiro é preciso entender que espíritos malignos não são espíritos de pessoas boas que morreram, mas são uma classe de seres espirituais.

No meu entender eles são distintos dos anjos e talvez (eu disse talvez) tenham sido seres que, junto com parte dos anjos, seguiram o diabo em sua rebelião em eras fora de nosso espectro da história. Sim, antes da Criação que descreve o Jardim do Éden o Universo já existia condensado no primeiro versículo de Gênesis. O caos que veio no versículo 2, antes da criação atual, foi devido à rebelião dos anjos.

Algumas características dos espíritos malignos é que eles não têm corpo, mas precisam possuir homens ou animais para ter um veículo físico. Já os anjos podem assumir a forma humana, o que os faz diferentes dos espíritos malignos também chamados de demônios. Exceto por Satanás, que entrou em Judas, não encontro na Bíblia relatos de anjos possuindo homens. Mas de demônios ou espíritos malignos fazendo isso temos vários exemplos.

Então, se por um lado sabemos que existem espíritos malignos, a Bíblia não fala nada de existirem espíritos benignos, o que pode significar que TODA essa classe de seres que conhecemos como demônios ou espíritos malignos caiu junto com os anjos na rebelião satânica.

Já os anjos, estes são chamados de "espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação." (Hb 1:14). Deus os utiliza como mensageiros, e eles podem sim, não diria influenciar, mas servir de proteção e auxílio para os seres vivos, como vemos vários exemplos nas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos.

Este trecho que vou ler a seguir é do livro "Earth's Earliest Ages" de G. H. Pember, que viveu no século 19 e era um estudioso do assunto:

A definição clássica do termo “demônio”

Qual é então o significado do termo "demônio"? Platão diz que a palavra deriva de Sanuwv, um adjetivo formado por Saw , que significa “conhecedor” ou “inteligente”. A maioria dos estudiosos modernos se refere a ele como Saiw, aquele que divide ou o divisor ou distribuidor do destino. Incluímos a opinião de Platão, cuja definição aponta para um conhecimento superior que se acreditava ser possuído por espíritos desencarnados.

Seu uso clássico é o seguinte. Por Homero ele é aplicado aos deuses, mas devemos lembrar que, para Homero deuses são meramente homens com poderes sobrenaturais. Foi só mais tarde que o termo seria utilizado para uma classe intermediária e inferior de divindades.. "A divindade", diz Platão, "não se relaciona com o homem; mas todas as relações e conversas entre deuses e homens são realizadas pela mediação de demônios ". Platão explica ainda que "o demônio é um intérprete e portador, entre homens e deuses e dos deuses para os homens, das orações e sacrifícios de um, e das injunções e recompensas pelos sacrifícios do outro".

Se perguntarmos de onde vieram esses demônios, nos será dito que eles são os espíritos dos homens de uma idade áurea atuando como divindades tutelares —heróis canonizados, bem similares tanto em suas origens como funções aos santos do romanismo. Na curiosa descrição que Hesíodo faz das eras da espécie humana encontramos o seguinte:

“Antes de qualquer coisa, os imortais, que possuem as mansões do Olimpo, formavam uma raça dourada de homens bem articulados no falar. Esses viveram no tempo de Cronos, quando este governava nos céus. Como deuses eles viviam com seus corações sem preocupações, separados e totalmente livres das lutas e labutas. Nem a miserável velhice os ameaça, mas são sempre fortes nas mãos e nos pés, regozijam-se em prazeres festivos longe do alcance de todos os males. E morreram como se fossem vencidos pelo sono. A eles pertenciam todas as bênçãos. Espontaneamente o solo frutífero produziria colheitas grandes e abundantes, e assim ocuparam suas terras cultivadas em paz e tranquilidade com muitos bens, sendo ricos em rebanhos e queridos para os deuses benditos. Mas depois que aquela terra sepultou essa geração, eles, de fato, pelos conselhos do poderoso Zeus, tornaram-se demônios bondosos, assombrando a terra, sendo guardiões de homens mortais. Esses, penso eu, que viviam envoltos em névoa e indo de um lado para outro na terra, observam tanto as decisões da justiça quanto as obras más, e são dispensadores de riquezas. Tal é prerrogativa a real prerrogativa deles."

Ora, se nos lembrarmos que, de acordo com o ensino bíblico, os deuses pagãos eram realmente anjos maus e demônios que inspiravam oráculos e recebiam adoração, compreenderemos facilmente que a idade de ouro de que antigos bardos cantavam tão animadamente não era uma reminiscência do Paraíso, mas dos tempos daquele mundo anterior, quando o poder de Satanás ainda estava intacto. Uma mudança na dinastia celestial, a expulsão de Cronos ou Saturno, é sempre mencionada como tendo dado um fim a essa era de alegria sem igual. Tampouco precisamos nos surpreender com a boa influência atribuída por Hesíodo aos demônios. Pois em um poema pagão só podemos esperar aprender o que o Príncipe deste mundo pode escolher dizer, e não devemos nos surpreender de ele elogiar seus próprios agentes.

Tais, então, são os demônios dos escritores clássicos. Nem parece haver qualquer razão para mudar o significado do termo no Novo Testamento. Acaso não poderiam esses demônios ser os espíritos daqueles que pisaram esta terra na carne, antes da ruína descrita no segundo versículo de Gênesis? Daqueles que, na época daquela grande destruição, foram desencarnados por Deus, e ainda permaneceram sob o poder de seu líder, com cujo pecado concordaram, para finalmente compartilhar de seu destino? Certamente, um dos fatos registrados parece confirmar tal teoria, pois lemos que os demônios estão continuamente se apoderando dos corpos dos homens e se esforçando para usá-los como seus. Acaso essa propensão não poderia indicar uma inquietação errante, resultante de um sentimento de incompletude? Um desejo de escapar da condição intolerável de estarem despidos, para o que não foram criados, sentimento este tão intenso que, se não pudessem satisfazer seus desejos de nenhuma outra forma, se sujeitariam até a entrar em corpos imundos de porcos? (Mt 8:31).

Não encontramos tal propensão da parte de Satanás e seus anjos. Eles, sem dúvida, ainda mantêm seus corpos etéreos — pois, de outro modo, como poderiam eles levar adiante seus conflitos com os anjos de Deus? — e assim considerarem, com elevado desdém, os tabernáculos grosseiros e incômodos dos homens. Eles podem, de fato, entrar em estruturas humanas; não, contudo, por serem inclinados a isso, mas somente quando tal curso fosse absolutamente necessário para o avanço de alguma grande conspiração do mal.

Assim, no Novo Testamento, os assuntos espirituais de Satanás são claramente divididos em duas classes, e não seria difícil provar uma distinção similar no Velho. Tais anjos, como os príncipes da Pérsia e da Grécia, pertenceriam naturalmente, à primeira classe, enquanto os espíritos familiares, e provavelmente também os Shedim, Seirim, Lilith, Tsim e Iim, seriam idênticos aos demônios.

Mas aqui surge naturalmente uma questão. Se uma raça pré-adâmica realmente existiu na terra na carne, por que não encontramos algumas indicações dela entre os restos fósseis? Certamente, nenhum osso humano foi ainda detectado em rochas primitivas; embora se algum for descoberto no futuro não precisamos achar nisso qualquer contradição com as Escrituras.

Todavia, a ausência nos estratos que abrigam fósseis de qualquer vestígio de uma raça pré-adâmica não é um obstáculo real para a visão que adotamos. Pois ignoramos completamente as condições de vida naquele mundo primitivo, que pode não ter sido, e na verdade provavelmente não o era, como o nosso. Pois Adão foi criado depois e, aparentemente, como veremos a seguir, isso ocorreu por uma falha anterior.

Por isso, pode ser que a morte não tenha tocado naqueles homens primitivos até sua destruição final, e que o estado decadente e moribundo dos reinos animal e vegetal fosse um aviso constante para eles, antes que seus olhos vissem a ira que finalmente os alcançaria, a não ser que se arrependessem.

Pode ser que seus corpos tenham sido transformados em elementos primordiais, deixando o espírito nu, em vez de o espírito partir e abandonar o corpo para seus corpos então decaírem, como acontece conosco. Pode ser que eles tenham sido feridos com alguma praga consumidora do Senhor que mudou sua beleza em massas irreconhecíveis de corrupção (Zc 12:12), ou tenham sido reduzidos, em um momento, a cinzas sobre a terra (Ez 28:18; Ml 4:3). Pode ser que a terra abrisse a boca e os engolisse, com tudo o que lhes pertencia, de modo que descessem vivos para o abismo (Nm 16:30). Pode ser ainda que todos eles tenham perecido no que é agora para nós as profundezas, e que seus restos estejam cobertos pelo entulho no fundo do oceano.

Evidentemente, a nossa terra habitável já foi o fundo do mar, e pode ser o deles agora. De fato, podemos encontrar sugestões que talvez acrescentem alguma pequena confirmação à última conjectura, e tendem a ligar esses espíritos desencarnados com a localidade que pode ter sido a cena de seus pecados na carne e do castigo justo pelo qual eles foram finalmente vencidos.

Existe ao menos uma prisão mencionada nas Escrituras que está nas profundezas do mar ou conectada a elas, e na qual podemos com probabilidade inferir que muitos demônios já estão confinados. Enquanto isso, os cativos novos são de tempos em tempos colocados sob a mesma restrição sempre que um ultraje mais audacioso e incomum desperte a justa indignação de Deus, e faz com que ele coloque um fim súbito e cabal à carreira travessa de seus perpetradores.

Certamente o conhecimento de tal fato parece ter aterrorizado a legião de espíritos que o Senhor tirou do Gadareno pois, se não fosse por isso, como interpretar seu agonizante pedido para que o Senhor não os enviasse para o abismo? No relato em Mateus suas palavras diferem, e eles temem ser atormentados antes da hora. Mas a última expressão provavelmente transmita a mesma ideia da primeira, e assim nos leve a entender que numa determinada época, a qual eles conhecem muito bem, os demônios que continuam em liberdade, serão lançados na mesma prisão.

Traduzido de "Earth's Earliest Ages", de George H. Pember https://ia800302.us.archive.org/10/items/earthsearliestag00pemb/earthsearliestag00pemb.pdf

https://www.respondi.com.br/2010/09/satanas-pode-influenciar-um-crente.html

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

Mais acessadas da semana