As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que o amor de Cristo causa constrangimento?



https://youtu.be/yuTq9YgVTgA

Existem duas principais dificuldades que percebo quando respondo dúvidas sobre a Bíblia. A primeira é culpa da péssima qualidade de ensino (ou deveria dizer de aprendizado?) no Brasil, onde a maioria nunca leu um livro na vida e não sabe interpretar textos.

Aí vem aquele perguntar se Adão tinha duas esposas porque leu que Deus criou a mulher no capítulo 1 de Gênesis e outra vez criou a mulher no capítulo 2. Não entende a técnica de redação em que um personagem é introduzido na história e depois é detalhada essa introdução. É claro que vídeos de teorias conspiratórias alarmistas ajuda em muito colocar mais lenha na fogueira da ignorância.

Se essa pessoa ler nos evangelhos Jesus dizer que Deus criou o homem "macho e fêmea" (Mt 19:4; Mc 10:6) pode acabar somando aos que viu criados em Gênesis. Ou se ler 1 Reis e 2 Reis e depois ler 1 Crônicas e 2 Crônicas pode acabar achando que Israel teve dois reis Davi, dois reis Salomão etc. Não perceberá que são dois relatos dos mesmos eventos, em Reis como tudo aconteceu na terra, e em Crônicas a visão do ponto de vista de Deus.

Outro perguntou por que o Espírito Santo quer nos constranger, por ter um vocabulário reduzido e não conhecer os sinônimos do verbo, que nem sempre têm conotação negativa. A passagem que gerou a dúvida é esta: "Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram." (2 Co 5:14). Outra versão diz: "O amor de Cristo é que nos impulsiona, quando consideramos que um só morreu por todos, e conseqüentemente todos morreram."

O verbo no grego é "sunecho" e, segundo o dicionário Strong, tem uma ampla gama de significados, como "manter a integridade de um objeto", "comprimir", "fechar os céus para que não chova", "forçar um navio a passar por um canal estreito", "ser mantido ocupado com uma só coisa" etc. Quando você aperta o tubo de creme dental está constrangendo o dentifrício a sair por apenas um lugar, a reagir de uma só maneira. É dessa maneira que o amor de Cristo nos constrange, nos direcionando em um só sentido.

O costume nos meus tempos de criança era que se alguém nos enviava de presente algum prato de doce ou salgado, não podíamos devolver o prato vazio. Minha mãe era constrangida a retribuir a gentileza, cozinhando algo e enviando ao devolver prato como sinal de agradecimento. Esse costume ou "constrangimento" se perdeu com o advento dos pratos descartáveis.

Quer mais um exemplo? Assim como na saída de um estádio todos os torcedores são constrangidos a seguir uma mesma direção, o amor de Cristo nos constrange a vivermos como mortos para nossa própria vontade para vivermos para ele em amor aos outros.

A outra grande dificuldade que encontro para as pessoas entenderem o que a Bíblia diz é o que em inglês tem o nome de "mindset" ou "mentalidade" em português. Gosto mais de "mindset" porque um jovem informatizado logo pensa em configuração, tipo "setup", que é uma boa explicação para o termo. Quem foi condicionado a vida toda em uma religião irá raciocinar segundo a mentalidade que ficou gravada em sua mente e acabará analisando as coisas sempre dentro daquela caixinha com as paredes que os dogmas de sua religião colocaram.

É por isso que quando alguém me pergunta se o versículo tal significa que podemos perder a salvação, e eu explico que não por tal e tal razão, minha aposta é que a pessoa voltará com uma segunda pergunta sobre um segundo versículo perguntando se aquele quer dizer que perdemos a salvação. E assim ela continuará passeando pela Bíblia tentando achar um versículo que confirme a má doutrina a que foi condicionado por sua religião, que é a de que um crente genuíno poderia perder a salvação.

Nicodemos, um fariseu da seita mais rigorosa da religião judaica, era um que foi ter com Jesus levando um mindset ou mentalidade terrena e por isso era incapaz de entender o que Jesus falava. Por isso é tão estranha a conversa, pois depois de elogiar Jesus sem nada perguntar, o Senhor dá uma resposta a Nicodemos que parece totalmente desconectada do diálogo: "Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (Jo 3:3).

A menos que Nicodemos nascesse de novo e tivesse seu velho disco mental limpo e formatado, ele não seria capaz de, primeiro "ver o reino de Deus" (vers. 3) e depois "entrar no reino de Deus" (vers. 5). No seu estado natural, ainda que encharcado de religiosidade recebida do judaísmo, Nicodemos não poderia entender bulhufas do que Jesus queria lhe dizer.

Em 1 Coríntios 2:14 o apóstolo Paulo explica a impossibilidade que é para o homem natural entender as coisas do Espírito de Deus: "Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.". Não se iluda tentando tratar um religioso como alguém nascido de novo e convertido, pois nem sempre é o caso.

Não raro algum religioso chega a mim com um mindset da religião e parabeniza, "Gostei do vídeo, Pastor Mario". Como é que eu vou explicar a alguém que acha que somente um clérigo formato em teologia pode conhecer e explicar a Bíblia? Será que nunca leu que Jesus escolheu pescadores para fazer isso? E depois de formada a Igreja, o apóstolo Paulo deixou claro o tipo de pessoa que o Senhor escolheu para capacitar a adorar o Deus verdadeiro e ensinar e aprender de sua Palavra:

"Porque, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados. Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confundir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo, e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são; para que nenhuma carne se glorie perante ele." (1 Co 1:26-29).

É por ter religião humana gravada em seu HD mental que um religioso, quando me viu em um vídeo usando um púlpito para pregar o evangelho (como muitas vezes uso púlpitos em palestras de negócios em eventos empresariais), logo reagiu: "Ahá! Você disse que não tem igreja e está pregando num templo!". Na cabeça dele púlpito é sinônimo de instituição religiosa, e um espaço cheio de cadeiras com um púlpito à frente é um templo. Se fizesse uma faculdade ou assistisse a palestras talvez mudasse de ideia.

Mas existem outros, que no afã de se livrarem de tudo o que a religião colocou em seu HD mental passam a negar verdades fundamentais do cristianismo, e aí não mais batizam pessoas e nem celebram a ceia, porque na cabeça deles isso é coisa das denominações.

Alguém assim se interessou em visitar uma reunião, e expliquei onde e como. Expliquei também que apenas os que estão em comunhão à mesa do Senhor participam do pão e do vinho, pois precisam ser antes conhecidos dos irmãos. Falei da "coleta que se faz para os santos... no primeiro dia da semana" (1 Co 16:1-2) para ajudar irmãos enfermos, desempregados ou viajando na obra do evangelho, e que esta coleta é restrita aos que estão em comunhão e que visitantes não podem ofertar.

Acho que ele não leu a última parte, onde eu disse que visitantes não podem ofertar, que é baseada em 3 João 1:5-7, que diz: "Procedes fielmente em tudo o que fazes para com os irmãos, e para com os estranhos... porque pelo seu Nome saíram, nada tomando dos gentios.". Ele me escreveu de volta dizendo que não queria mais visitar as reuniões e que eu nem voltasse a fazer contato, pois viu em meu e-mail a palavra "coleta", que para ele tornava a reunião a mesma coisa que faziam nas igrejas dos pastores que insistem em pedir dinheiro.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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