As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Se a igreja nao existia nos evangelhos por que Jesus fala dela?



https://youtu.be/EAkhyvGO76Q

Você escreveu dizendo que entende que a Igreja só foi formada em Atos 2 e que Israel e Igreja são povos distintos. Também entende que a revelação do que é a Igreja foi primeiramente revelada a Paulo. Então você coloca sua dúvida: "Se a Igreja era um mistério ainda nos dias dos evangelhos, como podemos argumentar que o Senhor estava falando da Igreja e não de alguma reunião de judeus nos capítulos 16 e 18 de Mateus?".

Eu entendo que o que está no capítulo 18 de Mateus é uma complementação do que Jesus disse no capítulo 16, onde ele prometeu que ainda iria edificar a Igreja e daria a Pedro chaves do Reino dos Céus e autoridade para ligar e desligar. Neste caso essas chaves Pedro usaria para introduzir na casa de Deus judeus, gentios e samaritanos.

"Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus." (Mt 16:18-19).

Então o Senhor repete os mesmos princípios de ligar e desligar no capítulo 18, voltando a mencionar a Igreja. A autoridade que no capítulo 16 foi mencionada em relação a Pedro é agora em relação à Igreja, representada onde estiverem dois ou três congregados ao nome e reconhecendo a autoridade do Senhor:

"E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles." (Mt 18:17-20).

Wolston comenta:

Em Mateus 16, onde o Senhor fala pela primeira vez da assembléia, Ele diz que iria edificar a assembléia. O aspecto ali é o de toda a assembléia, em sua divina plenitude e durabilidade, como construída sobre Ele próprio, o Filho de Deus vivo. Isto atende ao que está em Efésios 2:22 e 1 Pedro 2:4-5. É neste edifício que Pedro seria uma pedra, e a ele haviam sido entregues pessoalmente as chaves do reino, com o poder especial de ligar e desligar - uma autoridade que Pedro não poderia delegar, e não delegou, a quem quer que fosse; e, até onde vão as palavras do Senhor, não era para Pedro ter nenhum sucessor. A ideia de um sucessor resultou no papado, onde o homem usurpa o lugar de Deus. O apóstolo Paulo não teve uma tal posição, e, quando escreve aos Coríntios, diz: "A quem perdoardes alguma coisa também eu" (2 Co 2:10). A assembléia não devia perdoar por ter Paulo perdoado o homem, mas, se a assembléia perdoasse, Paulo também perdoava, agindo assim junto com eles.

Mateus 18 é dirigido aos discípulos de um modo geral, e o aspecto da assembléia é o daqueles reunidos ao nome de Cristo. Não se trata de uma afirmação a respeito da assembléia como um todo sobre a Terra, mas acerca daqueles que estão localmente, porém verdadeiramente, reunidos ao Seu nome. A quantidade de pessoas ou poderes apostólicos nada tem a ver com isso. Aqueles verdadeiramente reunidos ao Seu nome, mesmo que somente dois ou três, teriam a Ele próprio em seu meio. Sua autoridade estaria neles e com eles em virtude de Sua presença. O que fizessem em Seu nome na Terra seria ratificado no céu.


E mais, Ele estaria em seu meio em conformidade com todos os privilégios que Ele tem diante do Pai e, ainda que só dois assim reunidos ao Seu nome, no espírito de unidade e concordes, pedissem alguma coisa em Seu nome, isso seria feito para eles por Seu "Pai, que está nos céus" (Mt 18:19). Sua presença com aqueles assim reunidos seria tão eficaz para a intercessão como para a autoridade. Suas decisões, bem como suas orações, teriam a sanção, e encontrariam eco, no céu, em razão de terem a Jesus em seu meio.


É certo que a Igreja ainda não tinha sido revelada nos evangelhos, e tudo o que o Senhor disse aos discípulos não teria como fazer sentido a eles que não estavam congregados como Igreja, mas eram judeus adorando a Deus no Templo de Jerusalém. E quando eles estavam reunidos para leitura das Escrituras do Antigo Testamento e oração essa reunião aparece identificada em várias partes dos Evangelhos como "sinagoga". Então esta passagem do capítulo 18 só pode ser futura em relação àquele momento, assim como era a passagem do capítulo 16. — Comentário de C. Wolston.

Apesar de a revelação do que é a Igreja só ter sido dada a Paulo algum tempo mais tarde, nós já encontramos a palavra grega eclésia referindo-se à Igreja no modo como os primeiros cristãos congregavam em Atos, antes mesmo de aqueles cristãos saberem o que era a Igreja. Paulo só iria se converter no capítulo 9 de Atos. Veja estas passagens de antes de sua conversão:

"Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (At 2:47).

"E houve um grande temor em toda a igreja, e em todos os que ouviram estas coisas." (At 5:11).

"E também Saulo consentiu na morte dele. E fez-se naquele dia uma grande perseguição contra a igreja que estava em Jerusalém; e todos foram dispersos pelas terras da Judéia e de Samaria, exceto os apóstolos." (At 8:1).

"E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão." (At 8:3).

Vale lembrar que a palavra "igreja" vem do grego "eclésia" que significa simplesmente um ajuntamento de pessoas, em contraste com "sinagoga" que tanto valia para o edifício público como para as pessoas ali reunidas. Mas "eclésia" aparece algumas vezes usada em ajuntamentos que nada têm a ver com a Igreja, e o contexto é que define. Por exemplo, em Atos 5:11 diz que "Moisés (foi) quem esteve na congregação [eclésia] no deserto", o que é claramente uma referência a um ajuntamento de judeus, e não da Igreja, que reúne ex-judeus e gentios.

Também em Atos 19:32 quando o contexto mostra que a palavra grega foi usada para se referir a uma turba de pagãos: "Uns, pois, gritavam de uma forma; outros, de outra, porque a assembleia [eclésia] caíra em grande confusão. E, na sua maior parte nem sabiam por que motivo estavam reunidos". Outra vez em Atos 19:39, 41 "eclésia" é usada no sentido que usamos "assembleia" para qualquer reunião, independente de seu propósito, como é o caso da "Assembleia Legislativa". A passagem é esta:

"Mas, se Demétrio e os artífices que estão com ele têm alguma coisa contra alguém, há audiências e há procônsules; que se acusem uns aos outros; e, se alguma outra coisa demandais, averiguar-se-á em legítima assembléia [eclésia]. Na verdade até corremos perigo de que, por hoje, sejamos acusados de sedição, não havendo causa alguma com que possamos justificar este concurso. , tendo dito isto, despediu a assembléia [eclésia]."

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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