As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Serei ímpio se praticar eutanásia?



https://youtu.be/hmSaZaMUb6E

Você escreveu contando que está passando por dificuldades financeiras e que para piorar o seu coelho de estimação adoeceu. O tratamento teria um custo diário caríssimo, acima de suas possibilidades, mas você já foi informado pelo veterinário de que será difícil o animal sobreviver. Sua dúvida é se estaria errando se praticasse a eutanásia no animal e se Deus o veria como um ímpio por sacrificar o animal. Você acrescenta: "Seria eu um ignóbil por não ter tal condição financeira de arcar com esse custo?".

A princípio achei que fosse brincadeira, mas do jeito que as pessoas estão tratando animais de estimação como se fossem filhos percebi que você estava falando sério. Você acha certo gastar dinheiro com um coelho de estimação quando você mesmo e sua família estão passando por necessidades? Temo que você tenha sido contaminado com a ideia de alguns de que animais devem ser tratados como seres humanos. Eu vejo Satanás por detrás disso, pois em nada exalta o animal, mas apenas rebaixa o humano.

Foi assumindo a forma de um animal — a serpente — que o diabo atraiu e enganou Eva, e hoje temo que muitos estejam dando ouvidos a seus animais de estimação e às suas necessidades com Eva deu ouvidos à serpente. Assim acabam tirando comida da boca dos filhos para alimentar seus "pets" ou gastando em veterinários um dinheiro que poderia ser melhor usado para a saúde e qualidade de vida da família ou mesmo para ajudar seres humanos necessitados.

O que muita gente gasta com animais de estimação seria suficiente para alimentar e tratar as doenças de muitas crianças desamparadas, mas as pessoas preferem ter animais a filhos adotivos. Afinal de contas, filhos têm vontade própria, crescem, vão embora, enquanto animais podem ser adestrados segundo os caprichos de seu dono e, a menos que você adote uma tartaruga, costumam ter vida curta.

O antropomorfismo era, a princípio, a atribuição de qualidades e características humanas a objetos, animais, deuses etc. Com filmes da Disney nos acostumamos a ver um rato Mickey falar, um pato Donald vestido de marinheiro e até talheres e candelabros ganharem vida na história da Gata Borralheira. Na vida real colocamos veneno contra ratos, o pato vai para a panela e internamos algum membro da família que teime em conversar com garfos e facas.

Mas o antropomorfismo evoluiu e os animais de estimação agora só faltam falar. Uma pesquisa apontou que nos Estados Unidos 83% dos donos de animais de estimação se denominam papai ou mamãe do animal. Que me perdoem os amantes de animais, mas cachorros devem ser tratados como cachorros que são. Não são filhos, não são crianças, não fazem parte da humanidade que é a coroa da Criação. Ao contrário do homem, criado com espírito, alma e corpo, animais têm apenas alma e corpo, não espírito. Portanto não existirão para sempre e nem haverá animais no céu. Passagens que falam de leões comendo palha com ovelhas estão limitadas ao milênio, os mil anos em que Cristo irá reinar sobre este mundo, mas ainda habitado por pessoas não ressuscitadas.

Eu nunca tinha percebido o ponto em que esse desvio de conduta humana havia chegado até uma leitora ficar indignada comigo por eu dizer que ela não iria encontrar seu cãozinho no céu. Eu disse a ela que se o seu cão tinha direito ao céu, então pulgas e carrapatos também estariam lá. Além de ratos, cobras, escorpiões e baratas. Acredito que minha leitora não se sentiria bem vivendo sem o seu chinelo em um céu cheio de baratas.

Uma irmã em Cristo, que mora ao lado de um cemitério de animais de estimação, contou que não são raras as crises de choro de pessoas que vão visitar os túmulos de seus finados cãezinhos. Por isso um preferido entre os amantes de animais nos Estados Unidos é o livro "Cold Noses at the Pearly Gates" ("Focinhos Gelados nos Portões de Pérolas"), cuja apresentação diz:

"Todos os cães e gatos realmente vão para o céu? Sim, eles vão! A morte do seu amado animal de estimação pode ser uma das perdas mais comoventes que você já sofreu. Mas a recuperação não se resume a se conformar. Você também quer saber onde seu melhor amigo foi. Após uma intensa e inesperada dor que experimentou após a perda de seus próprios companheiros, o amante dos animais e estudioso bíblico Gary Kurz decidiu provar que realmente existem animais de estimação no Paraíso. Depois de dedicar inúmeras horas de pesquisa, ele agora compartilha suas idéias inspiradoras para lhe proporcionar uma compreensão mais rica dos animais e de suas almas.".

Se você acha que não há nada de errado aí sugiro que volte a ler sua Bíblia desde Gênesis e procure saber o que ela diz sobre cães. Não quero que você odeie seu cãozinho, mas que trate bem dele em seu devido lugar. Mas se ler a Bíblia irá descobrir que Deus quer que sejamos misericordiosos para com os animais, entendendo que isso era dirigido principalmente a ovelhas, vacas e jumentos, que eram essenciais à subsistência dos povos.

Mas o que Deus realmente pensa dos cães? "Não deis aos cães as coisas santas", disse Jesus em Mateus 7:6 usando o termo para os inimigos da Verdade. Em Provérbios 26:11 Salomão compara um cão que come seu próprio vômito ao "insensato que reitera a sua estultícia". Em Filipenses 3:2 Paulo usa a expressão "cães" para designar os falsos mestres que atormentavam os cristãos, e se continuar sua leitura das Escrituras verá esse animal sempre tratado como impuro e desprezível.

Se você estiver ciente de que nos últimos dias haveria uma rápida inversão de valores saberá a razão de meu alerta para não tratar seu cãozinho como um bebê. Isaías escreveu: "Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem mal; que fazem das trevas luz, e da luz trevas; e fazem do amargo doce, e do doce amargo! Ai dos que são sábios a seus próprios olhos, e prudentes diante de si mesmos!" (Is 5:20-21).

Em sua carta Timóteo Paulo fala que nos últimos dias os homens seriam "sem afeto natural" (2 Tm 3:3) que é o afeto que Deus naturalmente incutiu no ser humano: o amor, cuidado e proteção de seus filhos. Hoje alguns tratam cães como filhos e filhos como estorvo. Soube de uma que, de viagem de núpcias marcada para a Europa, foi surpreendida por uma gravidez. Não hesitou em matar o filho por um aborto para não sofrer de enjoo na viagem.

Em sua carta aos Romanos Paulo é mais explícito ao descrever essa inversão de valores que foram originalmente instituídos por Deus: "Mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza." (Rm 1:25-27).

Se você fica enojado quando liga a TV e vê homens enganando o povo em nome de Deus para poderem manter seu luxo, deverá saber que nos dias de Isaías isso não era muito diferente em relação aos líderes de Israel. Ele escreveu qual era a opinião de Deus a respeito daqueles falsos pastores do povo, aos quais chama pejorativamente de "cães": "São cães mudos, não podem ladrar; andam adormecidos, estão deitados, e gostam do sono. E estes cães são gulosos, não se podem fartar; e eles são pastores que nada compreendem; todos eles se tornam para o seu caminho, cada um para a sua ganância, cada um por sua parte." (Is 56:10-11).

Que os cães estavam em baixa estima aos olhos de Deus nos tempos em que a Lei foi dada a Israel fica evidente nesta ordenança: "Não trarás o salário da prostituta nem preço de um sodomita à casa do Senhor teu Deus por qualquer voto; porque ambos são igualmente abominação ao Senhor teu Deus." (Dt 23:18). Deus não aceitaria a oferta do salário de uma prostituta ou de um sodomita, que era um homossexual que vendesse seus serviços. A palavra traduzida na versão portuguesa por "sodomita" é, no original hebraico, "keleb", que significa "cão".

Mas numa época de fim de tempos e inversão de valores, quando prostitutas e sodomitas são tratados como artistas, com programas de TV e status na sociedade e na política, não devíamos nos surpreender que os cães ganhassem o status de crianças e filhos. Quando o Senhor usa o termo "cães" referindo-se aos gentios, considerados impuros em Israel, ele também deixa claro um princípio que é o de não privarmos nossos filhos para alimentarmos os cães: "Não é bom pegar no pão dos filhos e deitá-lo aos cachorrinhos." (Mt 15:26).

Acaso isso não é a mesma coisa que você usar dos parcos recursos que tem para alimentar seus filhos para tratar um coelho doente? Quando você pergunta se é errado sacrificar seu coelho — você usou o termo "praticar eutanásia" —, eu pergunto: Você nunca comeu frango? Bisteca? Linguiça de porco? A menos que seja vegetariano, muitos animais já passaram pelo seu garfo, e o coelho é apenas mais um possível no seu cardápio. Só não sugiro que mande seu coelho para a panela porque está doente. Mas se não estivesse, e com sua família passando necessidades como você mesmo disse, o coelho seria uma provisão de Deus e excelente fonte de proteínas.

"E será o vosso temor e o vosso pavor sobre todo animal da terra e sobre toda ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra e todos os peixes do mar na vossa mão são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado, como a erva verde." (Gn 9:2-3).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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