As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Você acredita no heliocentrismo?



https://youtu.be/usz_7k4faVM

Você pergunta se eu acredito no heliocentrismo, alegando que em Gênesis 1:16-17 Deus criou o Sol em função da Terra, e não o contrário. Então você continua seu raciocínio perguntando e afirmando o seguinte: "Por que o Sol estaria bem longe no universo, em um sistema solar a milhares de quilômetros da Terra? Gênesis 1:16-17 não deixa dúvidas que o Sol, a Lua e as estrelas estão aqui pertinho no céu, e não no infinito e além do universo!".

Pelo que posso ver você foi picado pelo mosquito Aedis Terraplanitis que tem levado muitos a imaginarem o planeta Terra como uma pizza gigante de muitos sabores e borda recheada de gelo, fixa como um disco em vitrola quebrada na qual algumas coisinhas luminosas — os astros — rodariam sobre ela. Não, eu não acredito no heliocentrismo, ou o Sol no centro do Universo, porque este foi apenas mais um referencial criado em oposição ao geocentrismo, que colocava a Terra no centro do Universo.

Hoje nem geocentrismo, nem heliocentrismo, são a realidade num mundo que considera o homem como centro de tudo e deixa Deus de lado. Existem também os que consideram uma Terra plana como centro de seu sistema de fé, e acredito ser este o seu caso. Séculos atrás acreditava-se que a Terra era o centro do Universo e o Sol girava em torno dela. Depois o Sol foi para o centro e a Terra passou a girar ao seu redor. Com a descoberta das galáxias e outros sistemas solares foi a vez de o Sol girar em torno do centro de nossa galáxia, a Via Láctea. Mas tudo mudou quando descobriram que a Via Láctea está numa órbita conjugada com Andrômeda, a galáxia que mora ao lado, como duas crianças brincando de girar segurando nas pontas de uma corda.

Embora essa ciranda de duas galáxias possa criar um ponto virtual em torno do qual esses enormes sistemas revolvem, Via Láctea e Andrômeda estão subordinadas às gigantescas forças gravitacionais de algo ainda maior, o Aglomerado de Virgem. Esse aglomerado, por sua vez... Bem, é melhor eu parar por aqui, pois o que quero mostrar é que sempre tudo gira em torno de algo maior que tudo. Alguns cientistas consideram que isso em torno de quê tudo gira seja o ponto de origem do Universo, a partir do qual ele parece estar se expandido. Mas o cristão sabe que o Centro é outro, não só de sua vida, mas de todo o Universo. O centro é Cristo.

Paulo falava de Cristo como o Centro ao qual Deus fará "fazer convergir nele, na dispensação da plenitude dos tempos, todas as coisas, tanto as do céu, como as da terra", acrescentando que nele "temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça" (Ef 1:7-10). Percebe agora que é Cristo, e não a Terra, o Sol, o seu ou o meu umbigo o Centro do Universo? Os homens têm diferentes opiniões de quem ele seja: Profeta, guru, espírito elevado, extraterrestre, são algumas que já ouvi. Mas apenas uma é verdadeira, aquela que o coloca no Centro de tudo. "Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!" (Rm 11:36).

Voltando agora ao seu argumento, que é a ideia de que os versículos 16 e 17 do primeiro capítulo de Gênesis falam da criação do Sol, da Lua e das estrelas, sinto desapontá-lo. Ao contrário do que muitos cristãos acreditam, os astros não foram criados nesse ponto do relato de Gênesis, mas no versículo 1 do mesmo capítulo, antes que o Universo fosse abalado pela rebelião dos anjos e se transformasse escuro como breu, e a terra um mar sem fim.

Os versículos que citou não falam de Criação mas da designação dos astros como governadores do dia, da noite e das estações para os habitantes da terra, além de servirem de guias. Também foram dados como figuras de autoridades, figuras estas que podem ser encontradas em muitas outras passagens da Palavra de Deus, como aquelas que comparam Cristo ao Sol e os anjos a estrelas. Leia as passagens outra vez, acrescida do versículo 18 que você omitiu que é justamente a descrição da função dos astros. Se ler o verbo fazer do início no sentido de dá uma utilidade a algo já existente, irá entender o sentido da passagem:

"E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pós na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas." (Gn 1:16-18).

Muitos outros autores cristãos entendem assim a passagem, ou seja, como não falando da criação dos astros, mas de sua designação de função, como poderá ver das citações a seguir. William Macdonald explica assim: "Não foi até o quarto dia que o Senhor colocou o Sol, a Lua e as estrelas no céu como portadores de luz e como meio de estabelecer um calendário.".

L. M. Grant escreveu: "Neste quarto dia, Deus falou novamente para introduzir duas grandes luzes para separar o dia da noite. Não nos é dito que o Sol e a Lua tenham sido criados na época, mas de como eles foram colocados em sua relação atual com a Terra. Se questionarmos como isso foi feito, a única resposta que Deus nos dá é que ele falou sua palavra e foi feito. Suas luzes foram dadas 'para sinais e para estações e para dias e anos'. Assim como acontece com a introdução de cada dia que vem a seguir, eles têm um significado mais importante do que o de ser uma bênção literal real. Sua mudança de posição em diferentes épocas do ano também indica a mudança das estações do ano. Então, depois de todas as estações terem passado pelo seu ciclo anual, a posição do Sol e da Lua marca o início de um novo ano.".

Outro autor, F. B. Hole, escreveu o seguinte: "O trabalho do quarto dia apresentou dificuldades para muitos, em parte porque anos atrás, por causa de ideias científicas equivocadas, a luz citada no versículo 3 sem o sol do versículo 16 era considerada uma impossibilidade. Isto aconteceu, em parte, por os homens não notarem cuidadosamente o que os versículos 14 a 18 realmente dizem: Eles não dizem que o Sol e a Lua foram criados, como é o caso no versículo 1; eles foram designados como 'dois grandes luminares' apenas no quarto dia e, além disso, eles ficaram tão ligados à terra, ou a terra a eles, conforme o ponto de vista, que passaram a governar o dia e a noite, dividindo a luz das trevas.".

O que vem a seguir traduzi do livro de A. J. Pollock, "Genesis 1 and 2 Historically and Typically Considered".

Lemos em Gênesis 1:2 que a terra estava sem forma e vazia, isto é, em um estado caótico. A escuridão pairava sobre a triste cena da desolação. A natureza estava torcida e quebrada. Todo sinal de vida desaparecera. Então Deus interveio. Ele não permitiria que a linda Terra que ele criou ficasse destruída por todo o tempo. Então lemos que "o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas" (Gn 1:2). É sempre assim. Nada podemos dizer diante de Deus. Ele é o grande Criador, e agora ele é o único capaz de reconstruir um mundo destruído e morto. E Deus disse: "Haja luz, e houve luz" (Gn 1:3). A sombria escuridão foi dissipada pela Palavra onipotente. Os raios do Sol, certamente criado conforme foi descrito no versículo um do nosso capítulo, foram designados para iluminar a cena. Que o Sol já tinha sido criado nos é provado pelas palavras, "E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro." (Gn 1:5).
(...)
Devemos ter em mente que, a partir do versículo 2 do primeiro capítulo de Gênesis temos a história da reconstrução de um mundo arruinado e caótico, que no princípio havia sido criado em perfeição e beleza. No quarto dia temos o Sol e da Lua sendo colocados em seus lugares designados em relação à Terra. Além do Sol ser a fonte de calor, o amadurecedor das colheitas, o poder de evaporação para que a chuva caísse sobre a terra, nos é dito que seria para governar o dia, e a Lua para governar a noite.

Alguns pensaram que a luz era independente do Sol, que no primeiro dia Deus teria criado a luz e que no quarto dia o Sol. Mas não nos é dito que no quarto dia ele tenha criado o Sol e a Lua, mas que fez deles dois grandes luminares. Acreditamos que o Sol e a Lua tenham sido criados no princípio e estejam incluídos na declaração de que no princípio Deus criou os céus e a terra. Cremos que a prova disso esteja na afirmação de que a tarde e a manhã foram o primeiro dia, provando o movimento quotidiano da Terra, em relação ao Sol, resultando em dia e noite.

Aprendemos que estes dois luminares foram dados para sinais e estações e dias e anos. Eles são os grandes cronometristas de Deus. Todos os dias servem de sinais para a humanidade. Do Criador eles declaram "tanto o seu eterno poder, como a sua divindade" (Rm 1:20). Na maravilhosa e vívida linguagem do Salmo 19, os céus declaram a glória de Deus. Dia após dia faz um pronunciamento. Noite após noite mostra conhecimento. Sua fala é conhecida por toda a humanidade. Nos céus Deus estabeleceu uma tenda para o Sol, que como um noivo saindo de sua câmara, se alegra como um homem forte disposto a correr uma corrida.

Moisés, ao abençoar as tribos de Israel disse: "Bendita do Senhor seja a sua terra, com o mais excelente dos céus, com o orvalho e com o abismo que jaz abaixo. E com os mais excelentes frutos do Sol, e com as mais excelentes produções das luas," (Dt 33:13-14). O Sol e a Lua são para  as temporadas. A primavera inaugura o verão; o outono sucede o verão; o inverno segue o outono, e o inverno dá lugar à primavera outra vez. Eles determinam os anos. A terra viajando em torno do Sol em sua órbita produz o ano. Quão maravilhoso é o cronometrista de Deus. Temos a promessa de que
"Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão." (Gn 8:22).

Em poucas e breves palavras o arranjo das estrelas em sua relação com a Terra é declarado: "E fez as estrelas". Quando Deus fez a promessa a Abraão, disse a ele que sua semente deveria ser "tão numerosa como as estrelas do céu e inumerável como a areia que está na praia do mar" (Hb 11:12).

Os céticos zombaram desta afirmação. Mas à medida que os telescópios aumentaram em alcance e potência, e a extraordinária fotografia estelar foi revelada, viu-se quão numerosas são as estrelas. A Via Láctea contém milhões e milhões, e nem sabemos se meramente tocamos a margem do imenso universo. Sir James Jeans, o grande astrônomo, nos diz que as estrelas são como a areia da praia em sua multidão. Muitas dessas estrelas são, na realidade, sóis muitas vezes maiores que o nosso Sol. Então lemos que Deus "conta o número das estrelas, chama-as a todas pelos seus nomes". (Sl 147:4).

Podemos apenas exclamar que tal conhecimento é maravilhoso demais, é muito elevado, não podemos alcançá-lo. O Dr. Alfred Russell Wallace, o grande cientista e cético, como resultado de suas pesquisas, acreditava que nossa Terra seria o único lugar no vasto universo capaz de sustentar a vida humana. Assim podemos entender como Gênesis 1 é escrito do ponto de vista da Terra. As delícias de Deus são com os filhos dos homens (Pv 8:31). — A. J. Pollock em Genesis 1 and 2 Historically and Typically Considered".

Depois de ouvir dessa imensidão da obra de Deus você não fica envergonhado de pensar que a Terra poderia ser um mero disco com um domo de vidro preso em sua borda, enfeitado por algumas coisinhas brilhantes? Você perguntou: "Por que o Sol estaria bem longe no universo, em um sistema solar a milhares de quilômetros da Terra? Gênesis 1:16-17 não deixa dúvidas que o Sol, a Lua e as estrelas estão aqui pertinho no céu, e não no infinito e além do universo!".

Ok, então vamos por um momento acreditar que os astros do céu estejam pertinho da Terra. Sendo assim, o domo que cobriria a Terra não poderia ser de circunferência maior que essa Terra circular e nem muito alto, mais parecendo aqueles domos de lojas de souvenir que agitamos para ver a neve cair. Como não tenho muito jeito para cálculos, vou deixar para você o trabalho de plotar na superfície limitada desse suposto domo o número de estrelas do Universo observável.

Quantas? Bem, calcula-se que existam ao menos dez bilhões de galáxias com uma média de cem bilhões de estrelas cada, e isso daria um bilhão de trilhão de estrelas! Mas é claro que ninguém contou isso, por ser uma tarefa impossível ao cérebro humano. Trata-se apenas de uma estimativa do todo baseada em uma pequena amostra do Universo observável. Se o homem fosse capaz de contar as estrelas uma a uma e nomeá-las, ele acabaria assumindo uma tarefa que somente o Criador foi capaz de fazer.

Afinal, quando Deus fala de estrelas ele as compara aos grãos de areia no mar, algo que ninguém se atreveria a contar. "Como não se pode contar o exército dos céus, nem medir-se a areia do mar...", diz Jeremias 33:22. Tentar fazer caber a vastidão do Universo num domo de vidro da circunferência de uma Terra achatada não traria qualquer glória a Deus, que "conta o número das estrelas, chamando-as todas pelo seu nome. Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medir." (Sl 147:5).

Portanto, o problema com sua teoria, não está no formato da Terra, mas na limitação do Universo, que rebaixa o Senhor e sua glória ao ponto de fazê-la caber nos limites desse domo imaginário. Felizmente uma das muitas funções dadas por Deus para os astros e estrelas foi a de confirmar que o povo que ele escolhe está seguro para sempre e eternamente. Ao menos foi isso que ele revelou a Jeremias, que escreveu:

"Assim diz o Senhor, que dá o sol para a luz do dia e as leis fixas à lua e às estrelas para a luz da noite, que agita o mar e faz bramir as suas ondas; Senhor dos Exércitos é o seu nome. Se falharem estas leis fixas diante de mim, diz o Senhor, deixará também a descendência de Israel de ser uma nação diante de mim para sempre. Assim diz o Senhor: Se puderem ser medidos os céus lá em cima e sondados os fundamentos da terra cá embaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel, por tudo quanto fizeram, diz o Senhor." (Jr 31:35-37).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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