As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como você ousa falar do que não entende?



https://youtu.be/9lnakErviXg

Você escreveu dizendo que eu não poderia ministrar sobre sofrimento e depressão porque não conheço do assunto. Segundo você, que presumo não me conhecer pessoalmente e deve estar me julgando apenas pelas fotos alegres nas redes sociais, minha vida seria fácil demais e minha família muito estável para eu ter autoridade de falar de sofrimento.

Você pergunta: "O que você sabe sobre sofrimento para falar dele? Como falar, orientar, acalentar uma pessoa que perdeu o filho se não conhecer uma perda assim?". Também disse que eu não poderia falar de depressão, talvez por achar que eu esteja um degrau abaixo nesse departamento, poi diz: "Digo isto porque estudo sobre o assunto e vivo isso eu mesma?".

Você se lembra do que Jesus ensinou? "Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça." (Jo 7:24). Contextualizando para os tempos modernos ficaria assim: "Não julgueis pelas fotos das redes sociais, mas julgai segundo a reta justiça". Portanto não tire conclusões de pequenos fragmentos do filme de uma vida, principalmente se a pessoa excluir as cenas mais fortes. Ou você acredita que biografias e filmes do tipo "Baseado em fatos reais" mostram mesmo a realidade de alguém?

Sinto dizer que a canoa de sua tese — de que só pode ajudar alguém quem já passou pela mesma experiência — faz água por muitos furos. Quer ver? Tente transferir isso para a medicina. Será que um médico só poderia tratar o paciente se ele próprio já tivesse experimentado aquela doença? Ora, quem iria tratar um doente terminal? Um médico que estivesse morrendo? Deveria o Conselho de Medicina exigir atestado de doença para considerá-lo apto para exercer a profissão? Fico tentando imaginar como um oftalmologista cego faria uma cirurgia de catarata em um paciente...

Não, o médico trata de seus pacientes com base no conhecimento que adquiriu de outros, e ele pode ser muito eficaz em seu trabalho mesmo que nunca tenha tido um resfriado. Assim é o que ministra a Palavra de Deus: não se baseia em sua experiência, mas no conhecimento de Deus e sua Palavra.

Em seu excelente livro "Deus sabe que sofremos" o autor Philip Yancey conta a história do Dr. Paul Brand, que trabalhou durante anos com leprosos na Índia. Certa vez ao visitar um grupo de leprosos eles pediram que lhes falasse algumas palavras. O médico logo observou que muitos nem tinham mãos, mas apenas tocos, ou então muitos dedos faltando. E se sentavam sobre elas para escondê-las de vergonha. Então ele começou a dizer:

"Sou um cirurgião médico, especialista em mãos, e por esse motivo, toda vez que me encontro com alguém, olho instintivamente para as suas mãos. O quiromante diz que pode prever o futuro pelas mãos. Eu posso contar o passado. Por exemplo, posso dizer qual o trabalho de uma pessoa pela posição dos calos e pela condição das unhas. Posso até dizer algo sobre o caráter da pessoa; realmente, gosto muito de mãos. Como eu gostaria de ter tido a oportunidade de encontrar-me com Cristo e estudar as suas mãos! Mas, sabendo como ele era, posso quase imaginá-las, posso quase senti-las."

Então ele passou a descrever como achava que eram as mãos de Jesus, desde menino trabalhando como carpinteiro e os tipos de desgaste e ferimentos que deve ter experimentado. Então continuou a falar daquelas mãos que curavam os enfermos, abraçavam as crianças, tocava os leprosos, algo que segundo a Lei era proibido um judeu fazer. Continuou:

"As suas mãos foram crucificadas, e sofro só de imaginar um prego atravessando minha mão, pois sei que ali existe um conjunto enorme de tendões nervos, vasos sanguíneos e músculos. É impossível um cravo atravessar o centro da mão sem incapacitá-la. Ao deixar que fizessem aquilo ele se identificou com todos os seres humanos deformados e aleijados existentes no mundo. Ele não foi apenas capaz de suportar a pobreza com os pobres, o cansaço com os cansados, mas também teve suas mãos dilaceradas como a dos aleijados".

O efeito daquelas palavras sobre os leprosos causou um impacto tremendo. Nunca tinham pensado em Jesus com mãos dilaceradas como as deles. Então ele concluiu:

"Depois ele estaria com suas mãos ressurretas, mas mesmo assim o que fez ao mostrá-las aos discípulos? Fez questão que Tomé colocasse o dedo na ferida deixada pelo prego. Por que ele quis continuar com os ferimentos de sua humanidade? Talvez por querer levar em si uma lembrança do sofrimento daqueles que sofrem neste mundo. Ele quiser ser para sempre um dos nossos."

Quando o Dr. Paul Brand terminou viu que os leprosos estavam todos com as mãos levantadas. Eram tocos e palmas sem dedos, mãos em forma de garra, mas nenhum deles se preocupava mais em escondê-las. A partir daquele dia aquelas mãos passaram a ser para eles um sinal de dignidade e orgulho, pois descobriram que Jesus tinha as mesmas mãos.

O Dr. Paul Brand não era leproso, não tinha mãos deformadas, não fazia ideia do que seria viver daquele jeito, portanto, segundo a sua tese, ele não estaria apto a trazer qualquer consolo àqueles mutilados. Certamente ele não sabia o que era sofrer de lepra, por isso pediu que olhassem para Cristo, o único que é empático para com todos os que sofrem, pois ele também sofreu em vida e na morte experimentou o que é ser julgado e castigado por todos os tipos imagináveis de pecados existentes na humanidade.

É por isso também que eu convido as pessoas a olharem para Cristo, não para a minha pessoa. Se o evangelho só pudesse ser pregado por quem passou por todas as dificuldades da vida humana então não existiria um evangelista neste planeta. Nem médicos.

A mensagem do evangelho não é "Seja como eu, viva como eu vivo, faça como eu faço". Isso fazem os gurus de seitas espiritualistas. O Evangelho também não é, como alguns pensam, uma imitação de Cristo, do tipo "Seja como Jesus, viva como Jesus, faça como ele fez e você será salvo" . Ora, se tu tentar ser salvo imitando Jesus terei de começar pelo fato de ele ter sido um Homem perfeito e sem pecado. Pronto, eu e todos os seres humanos já empacaríamos aí.

A pregação do evangelho é "Olhe para Cristo!", como os antigos israelitas deviam olhar para a serpente de bronze feita por Moisés e pregada no alto de uma vara. "E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado; para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3:14-16). 

Mas se você estiver falando, não de quando prego o evangelho para incrédulos, mas de quando ministro palavras de "edificação, exortação e consolação" para crentes, devo dizer que o mesmo princípio se aplica. Nenhum de nós é fonte que possa saciar a sede de paz e tranquilidade para os que sofrem. Por isso mesmo eu também não procuro mostrar a mim ou minhas experiências como referência, como você parece dizer que estaria apta a fazer por ter sofrido bastante. Procuro apontar para aquilo que o Senhor é, para o que ele fez, faz e fará comigo e com todos os que recorrem a ele. Isso aprendi do que o apóstolo Paulo escreveu:

"Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e o Deus de toda a consolação; que nos consola em toda a nossa tribulação, para que também possamos consolar os que estiverem em alguma tribulação, com a consolação com que nós mesmos somos consolados por Deus. Porque, como as aflições de Cristo são abundantes em nós, assim também é abundante a nossa consolação por meio de Cristo." (2 Co 1:3-5).

Paulo não queria que sua tribulação fosse a fonte de consolação dos irmãos. A sua tribulação era apenas o gatilho que servia para disparar a torrente de consolação vinda de Deus, o "Pai das misericórdias, o Deus de toda consolação". Ninguém podia esperar que Paulo conhecesse os sofrimentos e provas de cada um que ele quisesse edificar, admoestar e consolar.

Ora, ele nem mesmo sabia o que era ter sido criado numa família idólatra, como eram os de Corinto. Será que ele teria de começar adorando ídolos antes de exortá-los a fugirem da idolatria? Repare que suas palavras indicam que devia ser esta uma das fontes das tentações, problemas e sofrimentos dos santos em Corinto:

"Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. Portanto, meus amados, fugi da idolatria." (1 Co 10:13-14).

Talvez você não tenha reparado nisso quando disse que eu não teria autoridade para falar de depressão, pois somente alguém como você que estuda o problema e convive com ele estaria melhor habilitada. Parece que não concordou muito com o que eu disse, que depressão é causada pela tentativa de se preencher o vácuo da falta de comunhão com Deus com qualquer outra coisa que chamei de ídolo.

Repare que Paulo, mesmo não conhecendo todos os meandros da vida regressa e pagã que aqueles coríntios tinham vivido, apresentava a eles o Deus de toda consolação. Este sim entendia e podia consolar cada um com a mesma consolação que Paulo era consolado em diferentes circunstâncias e ocasiões. As experiências podiam ser variadas, mas a fonte do consolo era sempre a mesma. Simples assim.

Portanto sugiro que pare de olhar para este que fala e comece a prestar atenção no Senhor de quem eu falo e a quem eu insisto que as pessoas recorram em suas tribulações. Compare tudo com a Bíblia, não com a minha vida, para saber se a mensagem é ou não de Deus. Um dos pontos que Paulo elogiou nos tessalonicenses foi o fato de não terem recebido o que ele dizia como palavra de Paulo, mas de Deus.

Respeitando os devidos limites do versículo, já que Paulo falava inspirado pelo Espírito Santo revelando de primeira mão a Palavra de Deus, hoje ninguém tem autoridade ou poder para isso, mas quando trazemos aquilo que já está na Bíblia seria prudente aceitar, não como palavra vinda de homens, mas de Deus sempre que estiver em conformidade com as Escrituras. Paulo escreveu:

"Por isso também damos, sem cessar, graças a Deus, pois, havendo recebido de nós a palavra da pregação de Deus, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo é, na verdade), como palavra de Deus, a qual também opera em vós, os que crestes." (1 Ts 2:13).

O instrumento que Deus usa para levar sua mensagem não tem qualquer importância. No passado o Senhor usou até uma jumenta para falar com Balaão, e não me importo nem um pouco se você me considerar a jumenta que Deus pode usar para dizer algo às pessoas.

Volto a insistir que aquele que prega não fala de si e de suas experiências, mas tem seu foco em Deus que tudo sabe. Uma vez um homem estava pregando o evangelho e alguém na audiência o interrompeu: "Onde estava esse seu Deus quando meu filho morria?", ao que o pregador respondeu: "No mesmo lugar em que estava enquanto via Seu próprio Filho morrer ".

Enquanto você joga sobre mim toda sua indignação, saiba que já recebi várias mensagens de agradecimento por essas mesmas coisas que você me escutou dizer e criticou. São expressões de gratidão de pessoas que foram ajudadas pelo ministério da Palavra porque a receberam, não como vinda de mim, mas do próprio Deus, que meramente usou esta jumenta aqui para falar a elas.

Hoje mesmo recebi uma mensagem que, ao contrário da sua, muito me animou a continuar levando a Palavra. Vinha de alguém que ouviu uma de minhas mensagens sobre sofrimento, e só transcrevo aqui, não para me gloriar e também por não ser algo que eu disse de mim mesmo, mas para mostrar que você pode estar perdendo algo no julgamento que fez de meu ministério:

"Você é uma ferramenta valiosa de Jesus, obrigado por ajudar a restaurar nossas feridas com seu trabalho. Sinto algo muito especial quando assisto seus vídeos, vim de caminhos espirituais tortos como você no passado, e às vezes ainda caio. Mas Deus me direciona ao seu trabalho e logo sou puxado pelos dedos de novo. Deus o abençoe sempre.".

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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