As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Esse menino é seu filho?



https://youtu.be/Q5QjGuzusSA

Já nos acostumamos com pessoas perguntando sobre o Pedro, o filho que adotamos quando éramos jovens pais criando dois filhos biológicos pequenos. Um passeio pelo shopping com duas crianças caucasianas com cabelo e brancura nórdicas e um negrinho no carrinho despertava olhares de interrogação, e não raro perguntas, se parássemos para conversar com alguém. Sim, nós tínhamos adotado uma criança negra e deficiente física e mental.


Na foto o Pedro tinha acabado de ser acrescentado à família. Tinha 4 anos, um mês mais novo que Lucas Persona. Ali começava o desafio. Acho que aquilo em volta do pescoço era uma fralda, porque nós a tínhamos sempre à mão porque ele vomitava o tempo todo por causa do zoológico de vermes que tinha no organismo. Também tinha pavor de ficar na posição sentado, porque seus 4 primeiros anos de vida foram passados deitado de costas numa cama com a perna amarrada com um cordão para não se virar e cair.

Ele tem várias deficiências, então foi difícil descobrir como ajudá-lo. Por sofrer de paralisia cerebral isso afetou várias funções, e ele também trouxe autismo no pacote. Vindo ao mundo com catarata congênita além de microftalmia (globos oculares menores que o normal), os quatro primeiros anos de vida na escuridão afetaram para sempre sua visão. Providenciamos uma cirurgia de catarata logo que chegou, mas não adiantou.

Nos primeiros dias o cheiro era insuportável, mesmo com banhos frequentes (o que devia deixar os vizinhos apreensivos com os berros pensando que o estávamos torturando). Provavelmente o mal cheiro vinha da falta de hidratação e sobrecarga dos rins, ficando para o suor grande parte do processo de eliminação de toxinas. Na primeira visita à pediatra, a médica ficou chocada quando o viu sem roupa sobre a maca. Pensa naquelas crianças morrendo de fome na África e você terá uma ideia.

Tendo sido alimentado durante quatro anos com copos de água misturada com farinha de mandioca e açúcar, ele perdeu o instinto da sucção e não desenvolveu a mastigação. Nos primeiros dias, meses ou até anos ele ainda não sabia fazer o que hoje faz: comer alimentos sólidos, mastigar, usar as mãos, engatinhar, permanecer sentado sem apoio e em pé segurando numa barra.

Hoje ele faz tudo isso além de ir engatinhando ao banheiro, segurar numa barra na parede ao lado do vaso, tirar a calça e a calça-fralda, e se sentar. Também come e mastiga, segurando a colher e apenas precisamos de vez em quando girar o prato fundo porque ele não enxerga onde a comida está. Foi quase por acidente que aprendeu a mastigar.

Por ter sido alimentado apenas com líquido, a sensibilidade de sua boca era tamanha que um grão de arroz ou feijão era suficiente para estimular o vômito, que é a reação que temos quando colocamos o dedo na garganta. Depois de ter um sucrilho enfiado em sua boca, e sua mandíbula fechada à força para morder o sucrilho, o som "crok" chamou sua atenção e ele não vomitou. Outro sucrilho, outra fechada da mandíbula e foi assim que passou a achar divertido mastigar.

Ele hoje é capaz de reconhecer seu bichinho de pelúcia predileto pelo tato e o segura sempre pela mesma perna. Também distingue vozes conhecidas e entende brincadeiras (ao menos ele ri das minhas). Agora meu próximo projeto é ensiná-lo a tocar Chopin no piano, falar mandarim, entender física quântica e aprender cálculo diferencial e integral... (brincadeira).

Em 2003 minha filha, que cursava enfermagem por influência de seu irmão deficiente, ganhou um concurso literário com seu livro "Uma luta pela vida", no qual conta sua experiência de irmã de um deficiente que foi sua "boneca" de brincar na infância. Quando perguntaram a ela o que era ter adotado um irmão deficiente ela respondeu: "Eu nunca adotei, meus pais que adotaram. Para mim ele era simplesmente meu irmão".

Trinta e três anos já se passaram desde então e o Senhor foi "poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera". (Ef 3:20). Pedro é um folheto vivo para evangelizar, porque sem falar nada sempre traz à tona o assunto da adoção e aí eu completo com o evangelho. Afinal, todos nascemos deficientes por causa do pecado que invadiu a Criação e precisamos de salvação, e por aí vai a conversa.

Quando alguém nos diz que iremos para o céu por termos adotado um deficiente aproveito para evangelizar, mostrando que antes disso já tínhamos sido adotados por Deus. E lá vem mais um assunto para usar na evangelização, sempre frisando que a salvação não é pela caridade ou boas obras que fazemos, mas única e tão somente pela fé na obra que Deus fez entregando seu Filho para morrer por pecadores.

Aliás, uma das respostas que tivemos de Deus sobre a adoção, que já tínhamos decidido sem contar nada para ninguém, mas só orando em casa com as crianças, foi quando um irmão, que é filho adotivo, sem nada saber trouxe uma palavra na reunião, quando congregados ao nome do Senhor, e falou do tema adoção e de como fomos encontrados perdidos e deficientes, e de pecadores transformados em filhos do Pai.

Uma vez em um evento conheci uma mulher muito rica, casada e sem filhos, que questionou nossa sanidade em adotar uma criança deficiente. "Como vocês farão quando envelhecerem?!", perguntou ela. Expliquei que qualquer um pode ter um filho deficiente se Deus assim permitir, porque nem todos os deficientes nascem assim. Alguns ficam nessa condição por doença ou acidente.

Deixei claro que TODOS nós, inclusive ela, exceto os que morrem prematuramente, terminam a vida aqui como deficientes, usando fraldas, precisando de pernas alheias para serem conduzidos numa cadeira de rodas, dos olhos de outros para enxergarem, de ouvidos eletrônicos ou de cuidadores para escutarem e até de outras bocas para falarem por nós se um acidente vascular cerebral ou outro problema nos deixar mudos.

A velhice causa isso, e não importa se a pessoa adotou um deficiente ou não. Ela acabará deficiente adotada por alguém da família ou algum asilo ou instituição. Daí a importância do que diz a Palavra de Deus, de crer no Salvador e ter assegurada sua salvação antes que nem isso consiga fazer, depois de uma vida inteira de rejeição ao Evangelho e um "tilt" qualquer no cérebro que apague de vez a capacidade de crer. Cabe aqui a confissão e reconhecimento de um dos mais sábios, poderosos e ricos reis que o mundo já conheceu, Salomão, rei de Israel, que no final de sua vida entendeu que tudo era vaidade.

"Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento; antes que se escureçam o sol, e a luz, e a lua, e as estrelas, e tornem a vir as nuvens depois da chuva; no dia em que tremerem os guardas da casa, e se encurvarem os homens fortes, e cessarem os moedores, por já serem poucos, e se escurecerem os que olham pelas janelas; e as portas da rua se fecharem por causa do baixo ruído da moedura, e se levantar à voz das aves, e todas as filhas da música se abaterem. Como também quando temerem o que é alto, e houver espantos no caminho, e florescer a amendoeira, e o gafanhoto for um peso, e perecer o apetite; porque o homem se vai à sua casa eterna, e os pranteadores andarão rodeando pela praça; antes que se rompa o cordão de prata, e se quebre o copo de ouro, e se despedace o cântaro junto à fonte, e se quebre a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade." (Ec 12:1-8).

Percebeu agora que Pedro é mesmo um folheto vivo? Acabei de usá-lo para evangelizar aqui e espero que Deus faça você entender que é tão necessitado quanto ele, que precisará receber a graça e favor de Deus, e não de suas próprias justiças, para ser salvo. Este "folheto vivo", que é o Pedro, costuma confundir alguns religiosos, como espíritas e outros, que creem que serão justificados por fazerem caridade. O nó na cabeça deles fica assim: "Como é que esse casal adota uma criança deficiente e diz que isso não é caridade suficiente para salvar, pois o carma só pode ser eliminado pela fé em Jesus?!".

Pedro foi adotado no modo "adoção plena", o que equivale dizer que sua certidão de nascimento foi refeita e nos livros do cartório feita a anotação que ninguém poderá trazer à tona o seu passado. Ele recebeu novo nome, novos pais e novos avós, tudo documentado na certidão, e tem iguais direitos de herdeiro iguais aos de nossos dois outros filhos biológicos. Agora diga se isso também não dá um ótimo tema para evangelizar?

"Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo...Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo... Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade... E, se nós somos filhos, somos logo herdeiros também, herdeiros de Deus, e co-herdeiros de Cristo." (2 Co 5:17-18; Ef 1:3-5; Rm 8:17).

Mas as comparações param aí, pois mesmo pais adotivos são humanos e sujeitos a todo tipo de falha, inclusive na de voltar atrás nas responsabilidades para com seus filhos, sejam adotivos ou não. Por isso vemos crianças adotivas serem devolvidas ou mesmo filhos biológicos abandonados pelos pais. Mas o salvo pela fé em Cristo possui agora um Pai que não volta atrás. "porque os dons e a vocação de Deus são sem arrependimento... Disse Jesus: "As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um." (2 Co 5:17-18, Jo 10:27-30).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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