As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Maria é esposa do Espírito Santo e mãe de Deus?



https://youtu.be/7PA_ctUmSlw

Você escreveu: "Alguém quis argumentar comigo que Isabel sabia que Jesus no ventre de Maria era o Senhor Deus e que por isso Maria era mãe de Deus. Segundo essa pessoa católica, Maria seria 'filha de Deus Pai, mãe de Deus Filho e esposa do Espírito Santo, pois quem a cobriu no momento da concepção foi o Espírito Santo'. Então você me perguntou se isso teria fundamento.

Certamente Maria era filha de Deus Pai, pois nasceu de novo, e mãe de Jesus, o Filho de Deus em sua humanidade, mas isso não faz dela esposa do Espírito Santo por ter concebido dele. A questão é: Desde quando Jesus é Filho de Deus? Será que é desde que o Espírito Santo concebeu aquele ente santo no ventre de Maria? Dizer isso seria negar o Filho Eterno e que o Pai enviou o Filho ao mundo, quando o Pai já era Pai e o Filho já era Filho, ou seja, na eternidade.

Em João 16:28 Jesus diz: "Saí do Pai e vim ao mundo; outra vez, deixo o mundo e vou para o Pai". Para que Jesus saísse do Pai era necessário que o Pai já fosse Pai na eternidade e que o Filho já estivesse com o Pai eternamente. Em outra passagem ele fala do amor que o Pai tinha por ele como Filho antes da fundação do mundo, ou seja, na eternidade. “Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste, para que vejam a minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo.” (Jo 17:24 ARA).

Portanto Jesus já era Deus Filho nos tempos eternos, antes mesmo de Maria existir. Portanto ela não deu à luz a Deus — pense no absurdo de alguém dizer que foi um ser humano que gerou Deus! —, mas foi mãe da manifestação do Filho de Deus em carne quando este veio ao mundo. Maria foi a mãe do ser humano Jesus, o Filho de Deus não iniciou sua existência no ventre de uma mulher; isso aconteceu apenas com o Homem Jesus. Deus sempre existiu, e dizer que Maria é mãe de Deus é fazer de uma mulher mortal uma divindade superior ao próprio Deus, o que é inconcebível. Fazer do Espírito Santo esposo de Maria é tornar José adúltero por se casar com uma mulher cujo suposto marido, o Espírito Santo, ainda estava vivo.

A passagem à qual essa pessoa se referiu é esta: "E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá, e entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel. E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo. E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre. E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor? Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre. Bem-aventurada a que creu, pois hão de cumprir-se as coisas que da parte do Senhor lhe foram ditas." (Lc 1:39-45).

O fato de Isabel, que sentiu o bebê João Batista pular em seu ventre, ter chamado o menino no ventre de Maria de "meu Senhor" não tem nada a ver com a absurda teoria de considerar Maria mãe de Deus. Isabel não disse "mãe de meu Deus", como tenta ensinar a doutrina católica mariana, da qual NENHUM apóstolo jamais falou em suas cartas.

Se você nunca reparou, a última menção de Maria nas páginas do Novo Testamento é no primeiro capítulo de Atos. E antes que você fale de Apocalipse 12, a mulher ali é figurativa de Israel, de quem veio o Salvador do mundo. Foi isso que Jesus disse à mulher samaritana: "Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus." (Jo 4:22). Mas voltando à nossa passagem, o que Isabel disse foi "mãe de meu Senhor".

Ao ser "cheia do Espírito Santo" Isabel passou a falar coisas que ela não poderia saber naturalmente, coisas que apenas o Espírito de Deus poderia ter revelado a ela. E uma delas foi que Maria ocupava um lugar singular na criação e redenção do homem. Era ela "a mulher", e não meramente "uma mulher", à qual o Senhor se referiu em Gênesis 3:15 como sendo aquela cuja semente ou descendente esmagaria a cabeça da serpente. Era também "a virgem", e não meramente "uma virgem", que iria conceber sem a participação do homem como foi profetizado em Isaías 7:14.

Não se pode perder de vista que estamos diante de uma cena judaica e de Deus tratando com judeus. O conceito de salvação que um judeu tinha era de salvação nacional do povo de Israel para viver para sempre na terra da promessa. A revelação ainda não tinha chegado ao ponto em que chegou com Cristo e mais ainda com o ministério do Espírito dado aos apóstolos e profetas da Igreja.

Portanto a expressão "meu Senhor" falada por Isabel tem mais de uma conotação, e ali, com o discernimento dado pelo Espírito Santo, ela sabia que no ventre de Maria estava o Messias prometido e futuro Rei de Israel, que seria Salvador e Senhor de todo o povo. Aos judeus o Espírito Santo revelava que o Messias tinha chegado, e era por isto também que Ana e Simeão aguardavam no Templo. Veja a passagem em Lucas:

"Havia em Jerusalém um homem cujo nome era Simeão; e este homem era justo e temente a Deus, esperando a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. E fora-lhe revelado, pelo Espírito Santo, que ele não morreria antes de ter visto o Cristo do Senhor. E pelo Espírito foi ao templo e, quando os pais trouxeram o menino Jesus, para com ele procederem segundo o uso da lei, ele, então, o tomou em seus braços, e louvou a Deus, e disse: Agora, Senhor, despedes em paz o teu servo, Segundo a tua palavra; pois já os meus olhos viram a tua salvação, a qual tu preparaste perante a face de todos os povos; luz para iluminar as nações, E para glória de teu povo Israel. E José, e sua mãe, se maravilharam das coisas que dele se diziam. E Simeão os abençoou, e disse a Maria, sua mãe: Eis que este é posto para queda e elevação de muitos em Israel, e para sinal que é contraditado (e uma espada traspassará também a tua própria alma); para que se manifestem os pensamentos de muitos corações. E estava ali a profetisa Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Esta era já avançada em idade, e tinha vivido com o marido sete anos, desde a sua virgindade; e era viúva, de quase oitenta e quatro anos, e não se afastava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações, de noite e de dia. E sobrevindo na mesma hora, ela dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção em Jerusalém." (Lc 2:25-38).

Veja que, bem de acordo com a revelação que os judeus tinham até ali, Simeão esperava pela "salvação... perante a face de todos os povos". Isto se referia ao Messias e Rei de Israel que todos esperavam para salvar o povo judeu do jugo dos povos opressores, que naquele momento da história era o romano, e não exatamente ao Salvador dos pecadores, embora Jesus iria também cumprir este papel. Repare que a própria Ana, alegre por ter visto a criança ainda em seu tempo de vida, "dava graças a Deus, e falava dele a todos os que esperavam a redenção [ou libertação] em Jerusalém"..

Todo judeu esperava ser salvo como nação para habitar na terra sob o governo de seu Rei e Messias que os profetas haviam dito que viria. É dessa redenção ou libertação nacional que Ana fala, e não da redenção como a conhecemos hoje que temos a revelação completa que mostra Cristo, o nosso Redentor, que morreu em nosso lugar para livrar, não apenas Jerusalém da opressão dos povos no futuro, mas a cada um de nós da escravidão de Satanás e do juízo que nossos pecados demandavam.

Mas não podemos deixar de assinalar que o Espírito revelava a Isabel, e depois a Maria, muito mais do que apenas o contexto judaico da história e do que aquelas mulheres poderiam compreender. No diálogo vemos a revelação de Jesus como "Senhor", "Deus meu Salvador", "o Poderoso" e "Santo". Hoje temos o privilégio de enxergar a cena toda porque a revelação foi completada para a Igreja. Pedro mostra em sua carta como os profetas ainda ignoravam muitas coisas:

"Da qual salvação inquiriram e trataram diligentemente os profetas que profetizaram da graça que vos foi dada, indagando que tempo ou que ocasião de tempo o Espírito de Cristo, que estava neles, indicava, anteriormente testificando os sofrimentos que a Cristo haviam de vir, e a glória que se lhes havia de seguir. Aos quais foi revelado que, não para si mesmos, mas para nós, eles ministravam estas coisas que agora vos foram anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram o evangelho; para as quais coisas os anjos desejam bem atentar." (1 Pe 1:10-12).

Ninguém dizia até então que Jesus era o Filho de Deus porque os judeus consideravam isso como blasfêmia, como consideram até hoje. Até mesmo os muçulmanos, que emprestaram grande parte de suas crenças do Antigo Testamento dos hebreus, jamais ousariam dizer que são "filhos de Alá". A revelação de Jesus como Filho de Deus só foi trazida quando ele veio ao mundo, apesar de ela estar nas entrelinhas de passagens do Antigo Testamento como aquela que o próprio Senhor Jesus usa para dar um nó na cabeça dos escribas:

"E, falando Jesus, dizia, ensinando no templo: Como dizem os escribas que o Cristo é filho de Davi? O próprio Davi disse pelo Espírito Santo: O Senhor disse ao meu Senhor: Assenta-te à minha direita Até que eu ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés. Pois, se Davi mesmo lhe chama Senhor, como é logo seu filho? E a grande multidão o ouvia de boa vontade." (Mc 12:35-37).

Mesmo assim este diálogo não revela na totalidade o Filho de Deus como Pessoa da Trindade, mas dá apenas sua posição hierárquica e eterna comparada ao rei Davi, que era meramente humano. Mais tarde Jesus confirmaria as palavras do sacerdote, que usou do argumento para condená-lo por blasfêmia:

"E, levantando-se o sumo sacerdote, disse-lhe: Não respondes coisa alguma ao que estes depõem contra ti? Jesus, porém, guardava silêncio. E, insistindo o sumo sacerdote, disse-lhe: Conjuro-te pelo Deus vivo que nos digas se tu és o Cristo, o Filho de Deus. Disse-lhe Jesus: Tu o disseste; digo-vos, porém, que vereis em breve o Filho do homem assentado à direita do Poder, e vindo sobre as nuvens do céu. Então o sumo sacerdote rasgou as suas vestes, dizendo: Blasfemou; para que precisamos ainda de testemunhas? Eis que bem ouvistes agora a sua blasfêmia. Que vos parece? E eles, respondendo, disseram: É réu de morte." (Mt 26:62-66).

Depois de ressuscitado, Jesus revela com todas as letras que os seus eram filhos de Deus Pai, quando diz a Maria Madalena: "Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus. Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto." (Jo 20:16-18).

É principalmente no evangelho de João que encontramos o Filho de Deus, aquele que era eternamente Deus e veio ao mundo em carne como o único Homem perfeito. Também é nesse evangelho que descobrimos logo no primeiro capítulo que os seres humanos não são todos filhos de Deus, "mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (Jo 1:12-14).

Mesmo assim até os discípulos não entendiam isso, e a primeira vez em que vemos o Cristo ser pregado como sendo Filho de Deus é no ministério de Paulo em Atos 9:20: "E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus". O versículo de Atos 8:37 não existe nos melhores manuscritos, e nem poderia existir, pois a declaração feita pelo Eunuco está completamente fora da realidade de seu tempo e conhecimento. Ele não poderia saber que "Jesus Cristo é o Filho de Deus" porque isso só seria revelado a Paulo no capítulo seguinte.

Em suas epístolas mais tarde o mesmo João ensinaria mais sobre isso, inclusive alertando para nos afastarmos dos anticristos, que são aqueles que negam a divindade de Cristo, o Filho eterno de Deus vindo (e não apenas nascido) em carne:

"Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo...  E, sem dúvida alguma, grande é o mistério da piedade: Deus se manifestou em carne, foi justificado no Espírito, visto dos anjos, pregado aos gentios, crido no mundo, recebido acima na glória." (1 Jo 4:2-3; 1 Tm 3:16).

Voltando à sua dúvida inicial, não caia na conversa dos que criaram uma estratégia de sincretismo para atrair pagãos para as fileiras da cristandade. Sua principal técnica foi fabricar uma "deusa" que fosse páreo para as deusas gregas e romanas, e isso aconteceu num concílio no ano 431. Foi nesse ano que a instituição do clero bancada um século antes pelo imperador Constantino, deu à luz à mãe de Deus. Maria era elevada assim ao status de divindade, ainda que isso não seja admitido pela igreja católica, e todas as lendas que se seguiram foram decorrentes dessa decisão.

Embora a "Nossa Senhora" criada pelo catolicismo seja uma mescla de atributos de deusas egípcias, gregas e romanas, o mais provável seja que a deusa Cibele tenha servido de inspiração para fabricar essa versão de Maria. Afinal, conta a lenda que Cibele era considerada a "mãe de todos os deuses", e seu filho morreu e depois ressuscitou.

É triste que hoje tantas pessoas são enganadas por essas lendas, mas isso nada mais é do que insatisfação. Quando alguém não conhece realmente a Cristo e a sublimidade de sua Pessoa acabará recorrendo a algo ou alguém para substituí-lo. Certamente Deus não se agrada de coisas assim.

Quando no monte Jesus foi transfigurado diante de Pedro, Tiago e João, os discípulos ficaram impressionados por estarem ali também Moisés e Elias, dois grandes profetas de Israel, e quiseram logo fazer três tendas, uma para Jesus e as outras para os profetas. Mas Deus fez com que Moisés e Elias desaparecessem para eles saberem que ninguém poderia ser colocado no mesmo nível de seu Filho Jesus.

"Seis dias depois, tomou Jesus consigo a Pedro, e a Tiago, e a João, seu irmão, e os conduziu em particular a um alto monte, e transfigurou-se diante deles; e o seu rosto resplandeceu como o sol, e as suas vestes se tornaram brancas como a luz.  E eis que lhes apareceram Moisés e Elias, falando com ele. E Pedro, tomando a palavra, disse a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se queres, façamos aqui três tabernáculos, um para ti, um para Moisés, e um para Elias. E, estando ele ainda a falar, eis que uma nuvem luminosa os cobriu. E da nuvem saiu uma voz que dizia: Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o. E os discípulos, ouvindo isto, caíram sobre os seus rostos, e tiveram grande medo. E, aproximando-se Jesus, tocou-lhes, e disse: Levantai-vos, e não tenhais medo. E, erguendo eles os olhos, ninguém viram senão unicamente a Jesus." (Mt 17:1-8).

E você? Será que está vendo "unicamente a Jesus" ou existem outros, como Maria, em seu campo de visão? Saiba que Deus, que disse "Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo, escutai-o" não quer que você divida a glória de Jesus com ninguém mais.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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