As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Se Jesus era santo por que precisou ser santificado?



https://youtu.be/Jwlbb-tdIj0

Você leu a passagem de Hebreus 10:29 e deduziu que ali estaria dizendo que o Senhor foi santificado com o sangue da aliança, e sua dúvida é: "Se ele já era Santo por que foi santificado?". Na verdade a passagem não está falando dele, mas de apóstatas: "De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue da aliança com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?" (Hb 10:29).

Não foi Jesus o que foi santificado com o sangue da aliança, e sim a pessoa alcançada pela Palavra de Deus que foi santificada, independente de ter sido salva ou tenha continuado incrédula. Pode parecer estranho dizer isso, mas perdidos também são santificados, e até objetos e animais eram santificados no Antigo Testamento para servirem no Templo. Em nossa era, quando uma pessoa é colocada numa esfera cristã, como é o caso do marido e dos filhos, essa pessoa é santificada, isto é, separada, preservada e protegida de certos males. Veja o que diz a carta aos Coríntios:

"E se alguma mulher tem marido descrente, e ele consente em habitar com ela, não o deixe. Porque o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido; de outra sorte os vossos filhos seriam imundos; mas agora são santos." (1 Co 7:13-14).

Santo significa separado, e existem diferentes estágios na santificação. Quando eu lavo a louça eu primeiro ensaboo todos os pratos, copos e talheres e os coloco de um lado de minha pia. Depois de todos ensaboados eu enxáguo cada um para tirar a sujeira e o sabão e coloco no escorredor. Se precisar por algum motivo sair de casa para resolver alguma urgência, a louça que ainda não foi enxaguada ficará lá com sujeira e sabão.

Assim é aquele que foi alcançado pela Palavra de Deus e não creu. Ele está santificado no sentido de que foi separado em grande parte da sujeira e contaminação do mundo, mas não foi salvo ainda, não foi lavado pelo precioso sangue do Cordeiro. Bruce Anstey, em seu comentário do livro de Hebreus, escreve:

Rejeitar o evangelho certamente pode ser classificado como um pecado, mas não é o pecado em vista aqui. Essa pessoa é muito mais responsável do que o pecador que rejeita o evangelho. Ele adotou o evangelho externamente e professou ter acreditado, e depois jogou tudo fora. No capítulo 6, o escritor deixa claro que não há recuperação desse pecado intencional de apostasia. Onde poderia ser encontrado um sacrifício pelos pecados de um apóstata? Deus deixou de lado os sacrifícios judaicos e o apóstata, por si próprio, deu suas costas ao sacrifício de Cristo! Portanto, “já não resta mais sacrifício pelos pecados” de tal pessoa. Não há lugar para onde ele possa ir e nenhum sacrifício para o qual ele possa se voltar. Ele está condenado.

J. N. Darby disse: “Seu sacrifício [o de Cristo] oferecido uma vez foi único. Se alguém que, após ter professado conhecer o seu valor, o abandonasse, não haveria outro sacrifício para o qual pudesse recorrer, nem jamais poderia ser repetido. Não restou mais sacrifício pelos pecados” (Synopsis of the Books of the Bible, em Hebreus 10). Tudo o que resta para um apóstata é “uma certa expectação horrível de juízo” (v. 27). Tal pessoa se torna um “adversário” da verdade e, consequentemente, será devorado pelo irado juízo de Deus.

Os versículos 28 a 31 de Hebreus 10 mostram a seriedade da apostasia, o escritor compara esse pecado intencional com os pecados cometidos “à mão levantada [atrevidamente – ARA]” na velha administração e mostra que é algo muito “pior”. Sob a Lei, a pessoa que presunçosamente desconsiderasse uma simples injunção era executada “pela palavra de duas ou três testemunhas”. Um caso em questão foi a infração do homem que reuniu gravetos no dia de sábado (Nm 15:30-36). Ele foi apedrejado até a morte, porque fez isso presunçosamente! Não era um pecado de ignorância pelo qual uma oferta pelo pecado poderia ser aplicada e a pessoa poderia ser governamentalmente perdoada (Lv 4:2; Nm 15:27-29; Hb 9:7).

O escritor então diz: “De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano [comum – JND] o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo [insultar – JND] ao Espírito da graça?” (v. 29) Se não havia remédio para um pecado intencional sob a Lei, quanto mais no caso de um apóstata que peca “atrevidamente” (intencionalmente) contra a graça de Deus!

Para enfatizar isso, o escritor menciona três coisas terríveis neste versículo que um apóstata faz quando renuncia à fé Cristã e retorna ao judaísmo. Primeiramente, ele pisa “o Filho de Deus!” Assim, não rejeita moderadamente a Cristo — ele decididamente O rejeita da maneira mais depreciativa. Tal maneira de rejeição é uma afronta à grandeza de Sua Pessoa. Em segundo lugar, considera “profano o sangue da aliança com que foi santificado”. Ao tomar o terreno Cristão, um crente que meramente professa é exteriormente santificado no que os estudiosos da Bíblia chamam de “santificação relativa”. (Veja Rm 11:16; 1 Co 7:14 e 2 Tm 2:21).

Ser separado desta maneira não significa que uma pessoa é salva, mas que está em uma posição favorecida por meio de sua identificação com a companhia Cristã. O “sangue do novo concerto” foi derramado na cruz (Mt 26:28). A obra de Cristo estabeleceu o fundamento para a elaboração do novo concerto com Israel num dia vindouro. Nesse meio tempo, Seu sangue santifica todos os que fazem uma profissão de fé n’Ele, desse modo exterior. Renunciar à profissão que se fez é tratar “o sangue” de Cristo como “coisa profana”. Isto é uma desconsideração chocante daquilo que é extremamente precioso aos olhos de Deus e aos olhos de todos os que foram redimidos por ele! (1 Pe 1:18) Em terceiro lugar, o apóstata insultou “o Espírito da graça” – a Pessoa divina que veio de Deus para transmitir muitas verdades maravilhosas para nós e para nos conceder muitas bênçãos também maravilhosas.

É desnecessário dizer que ser culpado dessas coisas é muito mais sério do que ser culpado de recolher gravetos no dia de sábado! Se um julgamento severo foi executado contra um infrator sob a Lei por uma ofensa tão simples, certamente será imposto contra uma pessoa que faz essas coisas terríveis. Assim, o julgamento será proporcional à gravidade do pecado.

Extraído de "A Epístola aos Hebreus - O Novo e Vivo Caminho de Aproximação a Deus em Adoração no Cristianismo" por Bruce Anstey

O link a seguir poderá ajudá-lo.
"O que vem antes, justificação ou santificação?"

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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