As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que ninguém irá querer saber da Arca da Aliança?



https://youtu.be/Y8PtCH9_wzM

Você perguntou o significado de Jeremias 3:16: "Naqueles dias, diz o Senhor, nunca mais se dirá: A arca da aliança do Senhor, nem lhes virá ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão; nem se fará outra.". Antes de responder é bom explicar o que era a Arca da Aliança, pois a maioria só conhece aquela do filme "Indiana Jones".

A Arca, também chamada de Arca do Testemunho ou Arca de Deus ou de Jeová, era uma caixa de madeira de acácia revestida por dentro e por fora com uma lâmina de ouro. Ela media um metro e dez centímetros de comprimento e sua altura e largura eram de setenta centímetros aproximadamente. Digo aproximadamente porque as medidas estão em côvados, que, por ser o comprimento de um antebraço da ponta do dedo médio até o cotovelo, podia variar.

A maravilha é que não apenas suas medidas eram baseadas em uma unidade humana, mas até o material usado — a madeira — também indicava humanidade. Assim como foi com Adão, uma árvore nasce a partir da terra, e no processo de cura do cego por Jesus, a primeira visão que ele teve foi de silhuetas. Disse ele: "Vejo os homens; pois os vejo como árvores que andam." (Mc 8:24).

A Arca era um móvel que foi fabricado quando os hebreus peregrinavam pelo deserto a caminho da terra prometida e seu papel era representar Cristo no meio de seu povo em sua peregrinação neste mundo. Daí a madeira da humanidade e o ouro da justiça divina no homem. Mas outras coisas nos fazem olhar para Cristo. Ela tinha uma tampa chamada de "propiciatório" que representava o trono de Jeová, o lugar de sua habitação na terra.

Dentro da Arca foram colocadas as duas tábuas de pedra com a Lei, que era a justiça que Deus exigia do homem. Foi colocado também um pote contendo o maná e a vara de Aarão que floresceu. Sobre essa tampa ou propiciatório havia dois querubins feitos de ouro que tinham seus olhos fitos no propiciatório. Carregada nos ombros por sacerdotes por meio de varais, ela indicava o caminho que o povo devia seguir. Quando a Arca andava eles andavam, quando parava eles paravam.

Que maravilhosa figura nos dá da dependência que o crente deve ter de Jesus em seus caminhos! Quando os israelitas chegaram ao seu destino e precisaram atravessar o Rio Jordão para entrarem na terra prometida, a ordem se inverteu. Os sacerdotes pararam dentro do rio com a arca nos ombros e o povo atravessou o leito do rio enquanto o Senhor barrava as águas rio acima. Isso tipifica nossa associação com a morte e ressurreição de Cristo.

"E quando os que levavam a arca, chegaram ao Jordão, e os seus pés se molharam na beira das águas (porque o Jordão transbordava sobre todas as suas ribanceiras, todos os dias da ceifa), pararam-se as águas, que vinham de cima; levantaram-se num montão, mui longe da cidade de Adão, que está ao lado de Zaretã; e as que desciam ao mar das campinas, que é o Mar Salgado, foram de todo separadas; então passou o povo em frente de Jericó. Porém os sacerdotes, que levavam a arca da aliança do Senhor, pararam firmes, em seco, no meio do Jordão, e todo o Israel passou a seco, até que todo o povo acabou de passar o Jordão." (Js 3:15-17).

Tendo o Tabernáculo sido armado, agora já na terra prometida, ela não ficou sempre ali. A Arca acompanhou o povo também dentro da terra da promessa, e você pode encontrar isso lendo 1 Samuel. Quando ameaçados pelos inimigos os israelitas confiaram mais no objeto Arca, como se fosse um amuleto para dar sorte na batalha, do que no Senhor, e acabaram vencidos pelos filisteus e a Arca foi levada pelo inimigo que acreditava ter ela poderes especiais.

Mas a Arca só trouxe dor de cabeça aos filisteus, começando pelo seu ídolo Dagon, em cujo templo ela foi colocada. Por duas vezes o ídolo caiu diante dela, e na segunda vez se quebrou. Acabaram levando para outros lugares, mas como a Arca só trazia problemas, enfermidades e mortes, os filisteus decidiram devolvê-la aos israelitas seguindo instruções de seus sacerdotes e adivinhos. Estes ordenaram que fossem colocados dentro da Arca hemorroidas e ratos feitos de ouro e ela fosse transportada num carro de boi.

Os homens que olharam dentro da Arca morreram, e mais tarde, já em posse dos israelitas, e sendo carregada do modo dos filisteus, o Senhor matou o homem que tocou nela pensando que iria cair do carro de bois. Os israelitas jamais deveriam ter carregado a Arca seguindo instruções de adivinhos pagãos.

Tudo isso é muito instrutivo para sabermos que não nos compete "olhar dentro" de Cristo, porque sua Pessoa divina, mesmo em sua humanidade, é inescrutável. Em Lucas 10:22 Jesus diz: "Tudo por meu Pai me foi entregue; e ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar."

No versículo anterior ele tinha orado: "Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que escondeste estas coisas aos sábios e inteligentes, e as revelaste às criancinhas; assim é, ó Pai, porque assim te aprouve." (Lc 10:21). A chave para se conhecer a Deus está no verbo “revelar”.

É impossível ao homem compreender as coisas eternas pela razão, pois nossa mente natural foi criada para viver no espaço-tempo material. Deus se faz conhecer apenas por revelação. E como se obtém tal revelação? Pela fé, crendo que Deus enviou o seu Filho ao mundo para morrer numa cruz e receber ali o juízo pelo pecado.

Quando você tira uma foto com uma câmera de filme, você sabe que a foto está ali, mas não consegue vê-la até que ela seja revelada. Ao crer em Jesus você sabe que ele morreu por você e seus pecados foram pagos na cruz, ainda que nada disso lhe seja visível. Mas Deus revela esse filme em seu coração e você pode dizer sem hesitar: “Jesus morreu por mim, ele levou sobre si os meus pecados na cruz e agora eu conheço o Pai”.

Quando ele diz “tudo por meu Pai me foi entregue” está se referindo a tudo o que foi criado. Jesus é Deus e Criador de todas as coisas, e o Evangelho de João diz que “todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.” (Jo 1:3). Aqueles que negam sua divindade e acham que Jesus foi criado não saberão explicar como o Criador poderia ter criado a si mesmo.

Mas aqui na passagem em Lucas ele fala no sentido da autoridade que lhe foi conferida pelo Pai em sua condição de Homem e herdeiro universal. Hebreus 2:10 fala destes dois aspectos, que Jesus é aquele “para quem são todas as coisas, e mediante quem tudo existe” (Hb 2:10).

Repare que Jesus diz "ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar", tanto em Lucas 10:22 como em Mateus 11:27, o conhecimento do Pai não é no sentido de se dissecar a divindade. Eu conheci meu pai humano durante todo o tempo de sua vida e nunca vi suas entranhas. É o mesmo que Jesus promete àqueles a quem revela o Pai, um relacionamento de pai e filho.

Mas se você pode conhecer o Pai pela fé e através da revelação de Jesus, por que o Pai não pode fazer o mesmo, isto é, revelar o Filho para nós o conhecermos como tal? Porque a humanidade do Filho sempre será um mistério e a encarnação jamais será compreendida pela mente humana, nem aqui, nem na eternidade. Sobre a expressão “Ninguém conhece quem é o Filho senão o Pai, nem quem é o Pai senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar." (Lc 10:22), William Macdonald escreveu:

"Existe um mistério incompreensível sobre a Pessoa de Cristo. A união da divindade e da humanidade em uma Pessoa levanta problemas que confundem a mente humana. Por exemplo, há o problema da morte. Deus não pode morrer. No entanto, Jesus é Deus e Jesus morreu. E, no entanto, sua natureza divina e humana são inseparáveis. Portanto, embora possamos conhecê-lo, amá-lo e confiar nele, há um sentido em que somente o Pai pode entendê-lo verdadeiramente. O Pai também é inescrutável. Por fim, somente Deus é grande o suficiente para entender Deus. O homem não pode conhecê-lo por sua própria força ou intelecto. Mas o Senhor Jesus pode e revela o Pai àqueles a quem Ele escolhe. Quem conhece o Filho também conhece o Pai." — W. Macdonald.

Antes que me pergunte, a resposta é sim, tudo isso aquela pequena Arca representava e muito mais. Quando ela era transportada, o véu que havia no Tabernáculo (e depois no Templo) era colocado sobre a arca. Esse era o véu que vedava ao homem o acesso ao trono de Deus representado pelo propiciatório sobre a Arca, e é o mesmo véu que foi rasgado, de cima abaixo, de Deus para o homem, quando Jesus morreu. Apenas os sacerdotes podiam ver a Arca além do véu. Hoje todo aquele que crê em Cristo é sacerdote com amplo e irrestrito acesso a Deus.

O véu do Tabernáculo, que cobria a arca em trânsito, era feito "de azul, e púrpura, e carmesim, e de linho fino torcido" (Êx 26:31). Estas cores e materiais tipificavam respectivamente o azul de seu caráter celestial, a púrpura do manto dos reis revelando sua dignidade real, o escarlate para sua formosura e também o linho fino, que nos fala de sua perfeição moral.

Sobre esse maravilhoso véu era colocada "uma coberta de peles de texugos, e sobre ela estenderão um pano, todo azul" (Nm 4:6), mais uma vez indicando seu caráter celestial. Em lugar de "texugos" algumas versões trazem "animais marinhos", "golfinhos", "focas", "cabras", ou simplesmente uma "peles finas", mais no sentido de espessura do que de qualidade. Aquelas peles feias e rugosas representavam a ideia que os homens fariam de Jesus quando estivesse aqui: "Não tinha beleza nem formosura e, olhando nós para ele, não havia boa aparência nele, para que o desejássemos." (Is 53:2). Todavia sobre tudo havia ainda o pano azul, para indicar que Jesus é o "segundo Homem, o Senhor do céu" (1 Co 15:47).

Depois de ter dado toda essa volta, chegamos ao cerne de sua questão, que é o significado de Jeremias 3:16. Mesmo assim, pegar um versículo isolado da Bíblia nunca nos dará o entendimento adequado. Então vamos ver o contexto, principalmente do versículo 15 ao 18:

"E sucederá que, quando vos multiplicardes e frutificardes na terra, naqueles dias, diz o Senhor, nunca mais se dirá: A arca da aliança do Senhor, nem lhes virá ao coração; nem dela se lembrarão, nem a visitarão; nem se fará outra. Naquele tempo chamarão a Jerusalém o trono do Senhor, e todas as nações se ajuntarão a ela, em nome do Senhor, em Jerusalém; e nunca mais andarão segundo o propósito do seu coração maligno. Naqueles dias andará a casa de Judá com a casa de Israel; e virão juntas da terra do norte, para a terra que dei em herança a vossos pais. Mas eu dizia: Como te porei entre os filhos, e te darei a terra desejável, a excelente herança dos exércitos das nações? Mas eu disse: Tu me chamarás meu pai, e de mim não te desviarás." (Jr 3:15-18).

Isso não é para a Igreja, é para Israel e as nações vivendo na terra no reno de mil anos de Cristo. Apesar de muitos cristãos católicos e protestantes não entenderem isso, Deus tem dois povos: Israel e Igreja. Cada um tem suas promessas distintas e se não entender isso não entenderá a Bíblia como um todo. Muitos cristãos conhecem a salvação eterna pela fé em Jesus, mas nunca entenderam as dispensações e, embora estejam salvos, não podem desfrutar de um entendimento claro da Palavra de Deus sabendo dividir corretamente as coisas.

Como já disse, o trecho todo está falando do milênio, quando Cristo estiver reinando sobre a terra tendo ao seu lado sua esposa, a Igreja. Esta estará morando no céu e terá sido arrebatada sete anos antes de ser inaugurado o reino de mil anos na terra, onde viverão os que escaparam da grande tribulação, judeus e gentios. A arca da aliança, que no deserto tinha sido uma figura de Cristo, não será mais necessária porque o próprio Senhor estará reinando sobre eles. Mas é sempre bom lembrar que Cristo é Rei para Israel e as nações, mas para a Igreja ele é o Noivo agora e será o Esposo eternamente.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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