As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O retrocesso de Pedro é diferente da apostasia de Judas?



https://youtu.be/hpkEgg-gtjg

Você discordou quando eu disse que o arrependimento de Judas foi falso e afirmou que jamais diria o mesmo pois, na sua opinião, a Palavra de Deus não diz isso. Você ainda diz que, se o arrependimento de Judas foi falso, "Mateus é mentiroso ou Deus é fraco por deixar o homem alterar sua Palavra, pois Mateus 27:3-4 diz que Judas, arrependido e consciente, devolveu o dinheiro". Em defesa de Judas você ainda alega que Mateus 10 diz que ele "curou enfermos, limpou leprosos, ressuscitou mortos, expulsou demônios" e questiona: "Teria ele feito tudo isso em falsidade? Por que teria sido escolhido para fazer essas coisas? Por que Cristo o chamou de amigo em Mateus 26:47-56?".

Apesar de todos os seus argumentos e desejo sincero de encontrar Judas no céu, terá de se acostumar com a ideia de que eles não se arrependeu e existem muitas evidências disso. O que ele teve foi remorso, não arrependimento genuíno operado por Deus numa alma. Um arrependimento verdadeiro produz bons frutos, como ensina a pregação de João Batista em Mateus 3:8, "Produzi, pois, frutos dignos de arrependimento". O apóstolo Paulo também nos ensina onde procurar evidências de um verdadeiro arrependimento:

"Agora folgo, não porque fostes contristados, mas porque fostes contristados para arrependimento; pois fostes contristados segundo Deus; de maneira que por nós não padecestes dano em coisa alguma. Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte. Porque, quanto cuidado não produziu isto mesmo em vós que, segundo Deus, fostes contristados! que apologia, que indignação, que temor, que saudades, que zelo, que vingança! Em tudo mostrastes estar puros neste negócio." (2 Co 7:9-11)..

Ora, qual foram os "frutos dignos de arrependimento" de Judas? Devolver o dinheiro pode ter parecido nobre de sua parte, mas os próprios sacerdotes, hipócritas como eram, não quiseram colocá-lo no tesouro do Templo porque era dinheiro sujo. O fruto seguinte foi tirar a própria vida, e isso nada tem de fruto digno de arrependimento.

"Então Judas, o que o traíra, vendo que fora condenado, trouxe, arrependido, as trinta moedas de prata aos príncipes dos sacerdotes e aos anciãos, dizendo: Pequei, traindo o sangue inocente. Eles, porém, disseram: Que nos importa? Isso é contigo.  E ele, atirando para o templo as moedas de prata, retirou-se e foi-se enforcar. E os príncipes dos sacerdotes, tomando as moedas de prata, disseram: Não é lícito colocá-las no cofre das ofertas, porque são preço de sangue. E, tendo deliberado em conselho, compraram com elas o campo de um oleiro, para sepultura dos estrangeiros. Por isso foi chamado aquele campo, até ao dia de hoje, Campo de Sangue." (Mt 27:3-8).

Como eu disse a você em minha outra mensagem, o arrependimento de Judas foi do mesmo tipo do remorso do bandido que é entrevistado na viatura policial. O repórter pergunta, "Você está arrependido do que fez?", ao que o marginal responde, "Ô, doutor, tô arrependido sim!". Não está, ele só está decepcionado porque foi preso. Se não tivesse sido preso estaria arrependido. Não. Lembre-se também de que Judas estava destinado à perdição. Repare que quando os apóstolos se reuniram para decidir quem seria seu substituto, é dito sobre Judas que ele foi para "seu próprio lugar".

"E, orando, disseram: Tu, Senhor, conhecedor dos corações de todos, mostra qual destes dois tens escolhido, para que tome parte neste ministério e apostolado, de que Judas se desviou, para ir para o seu próprio lugar." (At 1:24-25).

O próprio Senhor, em sua oração final, deixou claro que Judas tinha se perdido. "Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse." (Jo 17:12). A mesma expressão "filho da perdição" é usada por Paulo para o anticristo. "Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." (2 Ts 2:3-4).

Bruce Anstey comenta: "O arrependimento deve ser visto no pecador que vem a Cristo para a salvação e também no crente que falhou e que é restaurado ao Senhor (At 20:21; Ap 2:5 etc.). A versão Almeida Corrigida diz que Judas “se arrependeu”, mas deveria dizer que ele estava “tocado com remorso” (JND). Ele não estava arrependido. O verdadeiro arrependimento tem seus frutos – sinais reveladores que uma pessoa manifestará. João Batista afirmou isso aos fariseus não arrependidos que vieram até ele. Ele disse: “Produzi pois frutos dignos de arrependimento” (Mt 3:8)." — "Definições Doutrinais", por Bruce Anstey.

John Nelson Darby também comenta: "Judas sentiu remorso e se enforcou, não arrependimento. A tristeza divina produz arrependimento do qual ninguém se arrepende. Arrependimento é o julgamento que formamos, sob o efeito do testemunho de Deus de tudo em nós mesmos a que esse testemunho se aplica." — J. N. Darby

De um texto de E. C. Hadley, traduzi este trecho:

"Em certo sentido, Judas foi santificado (separado), assim como todos os que professam Cristo compartilham dessa santificação geral. Ela abrange todos os que estão externamente separados do cristianismo, a única "religião" que fornece um Salvador. Quando não há verdadeira mudança de coração, essa separação externa a Deus é abandonada. Esta é a santificação mencionada em Hebreus 10:29. Pecar “voluntariamente” (Hb 10:26) é deliberadamente renunciar a Cristo e se tornar Seu adversário, o que efetivamente pisa o Filho de Deus sob os pés (Hb 10:29). Foi isso que Judas fez quando vendeu seu Mestre nas mãos daqueles que odiavam Jesus e tentavam destruí-lo." — E. C. Hadley.

Um texto bem completo é o de Walter Scott, que aponta também a diferença entre a negação e arrependimento de Pedro, e a traição e remorso de Judas. Ele chama esta porção de um texto mais extenso de "Retrocesso e apostasia, ou Pedro e Judas". Assim escreve o autor:

Você deve saber distinguir cuidadosamente entre o retrocesso de crentes reais, como Pedro e Ló, e a queda completa de crentes aparentes, como Judas e Simão, o Mago (Atos 8). Pedro, cheio de confiança própria, mas com verdadeiro amor ai seu Mestre, jurou que enfrentaria prisão e morte por seu amado Senhor, e ainda assim, à voz de uma criada, negou a seu Mestre com juramentos e xingamentos! Pedro pecou, mas sua fé não falhou (Lucas 22:31-34, 54-62). É assim com cada um de nós. Mesmo no momento mais sombrio da mais violenta tentação aqueles que têm a fé mais fraca sempre se apegam a Cristo, o Filho do Deus vivo (1 Pedro 1:4-7), embora os lábios possam cruelmente negar que o conhecem! "Pedro seguia-o de longe" (Lc 22:54). "O meu povo se esqueceu de mim por dias sem conta... todavia, não me esquecerei de ti" (Jr 2:32; Is 49:15).

Infelizmente o crente pode mergulhar nas terríveis profundezas do mal e, por um momento, destruir sua presente utilidade e felicidade, como fez Ló em Sodoma (mas veja 2 Pedro 2:7-8) e Jonas (Jonas 1:2-5; Jonas 2: 9) e o fornicador de 1 Coríntios 5 (mas veja 2 Coríntios 2: 6-8). Mas há uma coisa que ele não pode fazer. Ele não pode, como Judas, absolutamente desistir de Cristo.

Quantos crentes fracos, mas verdadeiros, se preocupam desnecessariamente com o medo de se perderem, citando o pecado de Judas e seu terrível fim. Mas os raciocínios sobre as quedas de Judas, Satanás, os anjos e Adão ignoram a diferença causada pela "redenção eterna" no crente que está em Cristo Jesus, que para ele obteve "eterna redenção" (Hb 9:12), o que significa que"não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma" (Hb 10:39). Portanto, "quem os condenará? É Cristo Jesus quem morreu ou, antes, quem ressuscitou, o qual está à direita de Deus e também intercede por nós." (Rm 8:34).

Muitos crentes seguiram os passos de Pedro, o retrocedente, mas nenhum verdadeiro filho de Deus jamais seguiu, e nem poderá seguir, o caminho de Judas, o apóstata. Voltar atrás não é renunciar ao cristianismo, mas fracassar na santa separação do caminho que Deus espera de seus filhos. Pedro foi um que retrocedeu, por quem o Senhor orava e por quem olhava (Lucas 22:32, 61). Aquele olhar tocante de amor triste e ferido partiu o coração do pobre Pedro em seu retrocesso. "E, saindo Pedro para fora, chorou amargamente." (Lc 22:62).

Existe provisão na intercessão de Cristo para com o Pai visando a restauração dos desviados (1 João 2:1). É dos apóstatas que o escritor sagrado diz... "Porque é impossível que os que... recaíram, sejam outra vez renovados para arrependimento" (Hb 6:4-6). "Por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção" (Hb 9:12).

Judas era apóstata e, portanto, a palavra que ele ouvira e recebera não tinha "raiz" nele (Lucas 8:13). Ele era um mero professante, não um homem salvo, nem vivificado pelo Espírito Santo (João 13:10-11). Um apóstata é aquele que professa crer e recebe todos os privilégios externos do cristianismo, mas sem que tenha ocorrido uma obra divina em sua alma, e mais tarde renuncia a Cristo. Assim, Judas, um apóstata, vendeu seu Mestre, mas Pedro, um desviado, negou temporariamente seu Mestre.

Um apóstata "provou" o dom celestial e o rejeitou, não tendo fé nem vida. Um verdadeiro crente é aquele que "provou", mas mais que isso, ele "come a carne e bebe o sangue do Filho do homem" (João 6:34, 53-54, 58). Alguém pode "provar" e perecer (Hebreus 6), mas "comer" é "viver para sempre"..

Judas pecou voluntariamente ao rejeitar o único Salvador e, assim, tornou claro que sofreria o terrível juízo registrado em Hebreus 10:26-29, um juízo que não pode cair nem sobre o crente mais fraco. Ele havia compartilhado daquela santificação externa que inclui todos os que se separam externamente do judaísmo e do paganismo para abraçar o cristianismo, o único sistema de salvação de almas que revela um Salvador. Essa santificação externa também é vista em 1 Coríntios 7:14 em que "o marido descrente é santificado pela mulher; e a mulher descrente é santificada pelo marido". Mas "pecar voluntariamente" é deliberadamente, com o coração e a mente, renunciar completamente a Cristo e ao cristianismo. Algo que nenhum filho que Deus poderia fazer ou faria. "Saíram de nós, mas não eram de nós; porque, se fossem de nós, ficariam conosco; mas isto é para que se manifestasse que não são todos de nós." (1 Jo 2:19).

Se um cristão professo que não foi resgatado renuncia deliberadamente a Cristo e o troca por Maomé; troca a Bíblia pelo Alcorão ou o Cristianismo pelo Ateísmo, ele adota um sistema sem Salvador, sem sacrifício e sem céu. Portanto, não há nada diante dele a não ser uma certa expectação horrível de juízo, e ardor de fogo, que há de devorar os adversários" (Hb 10:27). As advertências solenes contidas nos capítulos 6 e 10 de Hebreus se referem à mera profissão cristã, ao desistir do cristianismo para voltar ao judaísmo, e não assumem que as pessoas a quem se referem tivessem sido verdadeiros filhos de Deus. Veja o contraste em Hebreus 6:9 e Hebreus 10:39: "Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores, e coisas que acompanham a salvação... Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que crêem para a conservação da alma.".

Amado de Deus, herdeiro da glória, descanse sua alma em confiança inabalável na Palavra imperecível de Deus. Deus se comprometeu em palavras e juramentos a garantir sua bênção e ancorou sua alma em Cristo. Seu navio pode ser arremessado em mares tempestuosos, mas não tema, você enfrentará todas as tempestades com sucesso. A âncora não pode ser arrastada, nem a corrente divina que liga o navio e a âncora pode se romper. Tudo, tudo é tão sólido e duradouro quanto o trono do Eterno! Você não poderá estar mais seguro na glória do que já está agora. Você está tão completamente fora do juízo neste mundo quanto Cristo está à direita de Deus: "Porque, qual ele é, somos nós também neste mundo...  sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele; porque assim como é o veremos" (1 Jo 4:17, 3:2). — Extraído de "Eternal Security", de Walter Scott - 1838-1933)

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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