As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
ATENÇÃO: POR FALTA DE TEMPO SÓ RESPONDEREI PERGUNTAS INÉDITAS. NÃO RESPONDO NO WHATSAPP.
PESQUISE assunto +mario persona NO GOOGLE PARA VER SE JÁ EXISTE RESPOSTA.

Quando é que o espírito e alma se separam do corpo?



https://youtu.be/uWzEj8R5Jlk

À semelhança de Deus, que é um único Deus tripartido formado por Pai, Filho e Espírito Santo, os seres humanos têm espírito, alma e corpo. Essa configuração continua enquanto estiverem vivos, mas um dia o corpo morre e espírito e alma se separam do corpo, que é sepultado aguardando a ressurreição. Na ressurreição ou transformação as três partes voltarão a se juntar e todos os seres humanos permanecerão vivos para sempre, os salvos na companhia de Deus, e os perdidos na solidão e trevas eternas.

Sua dúvida surgiu por ter de testemunhar o desligamento das máquinas que mantinham funcionando o corpo de uma mulher que sofreu um acidente e foi diagnosticada com morte cerebral. Todas as tentativas de reanimá-la foram feitas, inclusive com transfusões de sangue, mas nada mudou. Apesar de o coração continuar a bater e a respiração ser mantida com aparelhos, o cérebro estava inativo. Como alguém pode tomar a decisão de desligar os aparelhos sem achar que está cometendo eutanásia?

Começamos a morrer no dia em que nascemos em um processo de vida e morte de células. Por volta dos trinta anos atingimos o ápice desse processo que mantém um certo equilíbrio de produção e descarte de células, e passamos a trilhar a rota ladeira abaixo. A Palavra de Deus fala dessa descida rumo à morte: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer." (Ec 12:1).

Existe uma idade quando nos damos conta de que nosso corpo já não é o que foi no passado. Essa consciência varia de pessoa para pessoa. Como essa ruína se instala gradualmente, muitos acabam se acostumando a ela e vivem na ilusão de que ainda estão na adolescência como o clássico "Tiozinho" do antigo comercial da Sukita na TV. Mas uma pessoa normal saberá quando chegam os anos em que não existe o mesmo prazer que existia na juventude.

Para entender melhor o que diz a passagem de Eclesiastes 12 é preciso voltar ao conselho dado pelo autor no capítulo 11:

"Doce é a luz, e agradável aos olhos, ver o sol. Ainda que o homem viva muitos anos, regozije-se em todos eles; contudo, deve lembrar-se de que há dias de trevas, porque serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade. Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas." (Ec 11:7-9).

A passagem começa com a saúde dos olhos e com a expectativa de uma longa vida que se descortina diante do que ainda é jovem. Mas ainda que ele se alegre nesse período precisa se lembrar de que nem tudo será festa. "Há dias de trevas, porque serão muitos". Isso mesmo, uma vida cor-de-rosa só de alegrias é uma miragem para loucos, pois a realidade é bem outra. O conselho aqui é que até mesmo os melhores dias não passarão de vaidade, e aqui ele não está sendo pessimista, apenas realista. No final haverá uma prestação de contas da qual ninguém escapa.

Esse acerto de contas não é necessariamente o do "Grande Trono Branco" de Apocalipse 20:11, que costumamos chamar de "juízo final". Nele os que se negaram a receber a graça de Deus para serem salvos ficarão diante do Filho do Homem para serem sentenciados ao lago de fogo, mas não encontramos salvos naquela cena. Os salvos das eras antes de Cristo já terão sido salvos quando creram que Deus iria prover um sacrifício para seus pecados; os salvos da era após a cruz terão sido salvos porque creram que Deus já proveu Jesus, o Salvador. Naquela cena do "Grande Trono Branco" não haverá salvos, só perdidos à espera da sentença da condenação eterna.

Mas a prestação de contas da qual eu falava é a que tem um aspecto mais amplo envolvendo salvos e perdidos, o "Tribunal de Cristo", que tem mais a ver com recompensas ou a falta delas pelo que fizemos em vida. A passagem é 2 Coríntios 5:10: "Porque importa que todos nós compareçamos perante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo.". Repare que aqui fala do que fizemos "por meio do corpo", e um salvo por Cristo já tinha o seu corpo antes mesmo de se converter.

Eu diria que, numa tradução livre, seria algo como dizer que "todos nós devemos ter nossa vida escancarada diante do tribunal de Cristo". Uma coisa é você se consultar com o médico, e no consultório fingir que está tudo bem. Outra é ele enviar você para tirar radiografias, fazer exames de sangue, fezes e urina, ressonância magnética, ultrassom etc. Aí já não tem como esconder o que existe de errado em seu organismo. "Todos os caminhos do homem são puros aos seus olhos, mas o Senhor pesa o espírito." (Pv 16:2).

Os exames no "Tribunal de Cristo" servirão para revelar, não apenas nossos sintomas ou atos exteriores, mas o que interiormente nos levou a praticá-los. Para o perdido não há volta, e suas obras serão todas elas para condenação. Provérbios 21:4 diz que "a lavoura dos ímpios é pecado" e Isaías 64:6 que "todas as nossas justiças são como trapo da imundícia". Ora, como poderiam as justiças dos homens não serem apreciadas por Deus e até sua lavoura, na qual ele trabalha para sustentar sua família? A resposta está em 1 Coríntios 10:31: "Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus.".

O incrédulo nada faz para a glória de Deus. Se pratica alguma obra de justiça, como caridade para com os mais pobres, é com a intenção de barganhar com Deus achando que sua salvação esteja à venda, ou para ganhar prestígio e votos, se for político. Se produz algo em sua lavoura é com a intenção de enriquecer e ser cada vez menos dependente de Deus, sem perceber que é Deus quem dá a chuva para sua lavoura e a vida para suas sementes. Tudo o que o ímpio toca está contaminado com pecado, portanto ele nada pode fazer para a glória de Deus. Serão as obras do ímpio que pesarão em sua condenação, e como todas elas são impuras, por terem sido feitas com mãos sujas de pecado, nada poderá ser aproveitado.

"E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras." (Ap 20:12-13).

Mas para o salvo, que foi salvo por graça ou "favor imerecido" e já teve todos os seus pecados levados por Cristo quando morreu na cruz e perdoados no dia em que creu, o "Tribunal de Cristo" será para ver quais de seus atos merecem recompensa ou galardão. Esse julgamento estará mais para um julgamento de obras de arte para premiação dos artistas, do que de crimes como num tribunal de condenação. Os pecados do salvo não serão trazidos à tona para condenação, uma vez que o Senhor já os lançou no esquecimento, mas precisaremos aprender o impacto que tiveram em nosso serviço para o Senhor depois de salvos.

Continuando no processo de envelhecimento e morte que é mostrado em Eclesiastes 12, no segundo versículo lemos: "Antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro" (Ec 12:2). Neste trecho encontramos a tristeza e depressão que podem vir com a idade e fazer com que se perca o gosto pela vida. A velhice faz com que as emoções se tornem pálidas como se fossem apagados o sol, a lua e as estrelas.

A expressão "...e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro" nos fala de um escurecimento também causado pelas muitas nuvens que experimentamos ao longo da vida e vão deixando cada vez mais bloqueada a visão do céu do ponto de vista humano. Lembre-se de que Eclesiastes não é um livro falando do homem espiritual, mas do homem vivendo na terra, debaixo do sol. Portanto o que diz aqui, e também em Provérbios, se aplica tanto ao crente quanto ao incrédulo.

No terceiro versículo do capítulo 12 lemos do "dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os teus olhos nas janelas". Os guardas da casa são as mãos e os braços, que usamos para nos defendermos, e antes que alguém alegue gostar de capoeira, logo são mencionadas também as pernas, seguindo no mesmo rumo de fraqueza e incapacidade. A deterioração da visão segue seu curso e muitos terminam a vida na cegueira.

Os dentes vêm em seguida, e quem já precisou extrair dentes sabe do sentimento de frustração que isso traz com a perda de um pedacinho do corpo. Embora a ciência moderna tenha criado paliativos, como próteses e implantes, nada substitui a beleza e dureza de um dente natural. O esmalte que reveste os dentes é a parte mais dura e durável do corpo humano, quase cem por cento mineral.

"... e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem" (Ec 12:4). Agora a passagem fala da boca, não só como a entrada dos nutrientes do corpo, os quais já não são mais assimilados como antes, mas também como saída de nossos pensamentos verbalizados em palavras. A debilidade no falar pode ser detectada em todas as pessoas mais velhas, que são incapazes, não só de falar alto, mas também de alcançar as notas agudas características dos pássaros, e que a voz jovem é capaz de produzir.

Antes que a morte chegue pela idade os temores aumentam, e é o que diz o versículo seguinte: "Como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça" (Ec 12:5).

Se você me disser que é idoso, mas não teme "o que é alto" como diz a passagem, tente se lembrar do que sentiu quando chegou ao seu prédio para subir ao seu apartamento no vigésimo andar e descobriu que o elevador estava quebrado. Quando jovem você teria subido alegremente de dois em dois degraus, mas agora não. Agora os cabelos que sobraram ficam brancos como uma amendoeira em flor, e até um inseto é pesado demais. As papilas gustativas perdem sua sensibilidade e você precisa carregar no sal, na pimenta e nos temperos para sentir algum prazer na comida. Onde você lê de "pranteadores rodeando pela praça" pense em seus herdeiros começando a calcular como dividir o espólio.

Então vem o colapso do corpo e a morte, que é a questão principal de sua dúvida, ou em qual momento espírito e alma efetivamente abandonam o corpo de carne: "Antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu." (Ec 12:6-7).

As filosofias orientais consideravam o "cordão" ou "fio de prata" como sendo uma espécie de linha metafísica unindo o espírito ao corpo. Em pinturas antigas via-se o corpo deitado e um fio que subia até se ligar a uma imagem transparente da mesma pessoa representando seu espírito, como se fosse um balão flutuante. Essas filosofias diziam que quando você dorme seu espírito sai passeando por aí enquanto seu corpo fica inerte na cama, e a sensação de cair seria uma volta súbita ao corpo na hora de acordar.

Como até aqui o autor de Eclesiastes vinha falando dos diferentes membros e partes do corpo, o melhor é deixar para lá as interpretações pagãs de vida e morte e dar ouvidos aos antigos comentaristas da Bíblia, que consideravam esse "cordão" ou "fio" como sendo a espinha ou coluna vertebral. Atente para os metais preciosos citados na passagem, que podem dar uma ideia de valor e importância — ouro, prata e barro, para o cântaro.

O "fio de prata" pode se referir à coluna vertebral que abriga a medula e o feixe nervoso que liga o cérebro a todos os órgãos do corpo. O rompimento desse "cordão" é interpretado como morte, já que não existe mais comunicação do cérebro com o resto do corpo, o que também acontece na morte cerebral. Se a passagem falasse que o "fio de prata" apenas se deteriorou poderíamos pensar em perda de memória e outras dificuldades cerebrais que vêm com a idade. Mas o rompimento, ou seja, a interrupção da comunicação do cérebro com o corpo implica em morte.

O cérebro estaria no "copo de ouro", que costuma ser interpretado como o crânio, a parte mais nobre do corpo por abrigar nosso cérebro que é o principal órgão a comandar nossa vida e corpo. Um cérebro inativo já é sinal de que está rompida a comunicação e o "fio de prata", pois cessou o envio de informações para o resto do corpo. Não é à toa que "Cristo é a cabeça da igreja, sendo este mesmo o salvador do corpo" (Ef 5:23). Assim como a Igreja não poderia ser salva sem Cristo, um corpo humano não pode viver sem o cérebro, ainda que possa aparentar estar vivo. Mas não está, pois cessaram os estímulos vindos da cabeça e transportados pela coluna. Um corpo que aparente estar vivo, se não estiver sendo comandado pela cabeça será como a viúva citada em 1 Timóteo 5:6, que vive apenas para a satisfação de sua carne: "A que vive em deleites, vivendo está morta.".

Estive presente na morte de meu pai e minha mãe, e uma pessoa menos avisada poderia pensar que não estavam mortos por causa dos estertores dos músculos, inclusive dos que comandam a respiração que às vezes faziam parecer que a pessoa tentava respirar. Eram apenas espasmos criados por descargas elétricas desordenadas dos músculos, como as que acontecem quando você retira uma peça de carne do boi recém abatido. Quando morei no interior de Goiás costumava comprar a carne ao pé da árvore onde o boi era pendurado para a sangria, esfolamento e cortes. Ao chegar em casa o alcatre tremia sobre a pia e me lembro de uma visita aterrorizada quando viu aquilo.

O "cântaro junto à fonte", que se quebra, pode se referir ao coração, que é o principal recipiente do sangue da vida. O coração pode até bater depois da morte cerebral, se for mantido em condições adequadas e com estímulos elétricos e químicos, mas eventualmente deixará de funcionar. "A roda junto ao poço" deve ser entendida em conjunto com "o cântaro junto à fonte", que é alimentado pelo sistema da "roda" ou roldana que puxa a corda que desce até o poço para trazer água. Portanto "cântaro" e "roda" podem ser vistos como o sistema circulatório.

Antes de existirem os modernos meios de detecção de atividade cerebral, uma pessoa era considerada morta quando seu coração parava de bater. O problema é que, do ponto de vista cerebral, ela ainda podia estar viva, pois as células cerebrais só começam a morrer um ou dois minutos após uma parada cardíaca. Um garoto que se afogou em um lago gelado sobreviveu quando teve seus batimentos cardíacos restaurados quase uma hora depois. Testemunhas de decapitações feitas pela guilhotina dizem que a cabeça ainda deu sinais de vida depois de separada do corpo, como dirigindo os olhos à pessoa na sala que falava ou fazendo movimentos com os lábios como se quisesse dizer alguma coisa.

Outros indícios da morte, além da parada cardíaca e respiratória, são as pupilas fixas, que indicam o fim da atividade cerebral. As pálpebras podem ficar semiabertas, a pele pálida e com aparência de cera, e a boca se abrir com o relaxamento dos músculos da mandíbula. Raramente pode ocorrer vômito ou a bexiga liberar a urina. Uma pessoa em coma ou inconsciente não está morta, e o mesmo vale para alguém em estado vegetativo. Nestes casos existem evidências de atividade neurológica e a pessoa pode até respirar por si mesma, e continua tendo reflexos e respondendo a estímulos visuais ou sonoros. Seu espírito continua presente no corpo, como em um sono profundo, portanto não é morte.

Mas uma vez que tudo demonstre não existir mais vida ou possibilidade de vida no corpo, tentar mantê-lo vivo por meios artificiais seria querer fazer o papel de Deus e ter controle sobre a vida e a morte. Alguns apostam na criogenia e congelam os corpos ou apenas a cabeça de pessoas na esperança de um dia poderem acordá-las da morte. Não me parece muito diferente dos que praticam a eutanásia, que mata um paciente quando ainda não tinha chegado sua hora de morrer. Uns usam de meios químicos e mecânicos para manter um corpo vivo apesar da morte cerebral, outros usam dos mesmos meios para colocar um corpo na morte enquanto ainda está vivo. Todos querendo ser Deus.

Tudo o que eu disse até aqui do ponto de vista médico pode ser contestado, pois não sou médico e minha principal fonte de pesquisa é o Dr. Google. Mas acredito que posso descansar no que a Bíblia ensina, principalmente na questão do rompimento do "fio de prata" ou interrupção dos comandos enviados pelo cérebro para o resto do corpo, o que na prática pode acontecer pela morte cerebral ou decapitação.

No passado o diagnóstico de morte era dado pela cessação dos batimentos cardíacos e do sistema respiratório. Por isso se colocava o dedo no pescoço para sentir a pulsação, ou um espelho no nariz para ver se embaçava pela respiração. Mas considerar uma pessoa com parada cardíaca como estando morta é o mesmo que dizer que qualquer um que tenha seu coração parado para uma cirurgia, e reativado mais de uma hora depois, tenha morrido e ressuscitado. Por isso hoje recorre-se à detecção de sinais cerebrais, pois a tecnologia existente a partir dos anos sessenta permite isso.

A falência do sistema cardiorrespiratório pode ocorrer com a morte cerebral, mas a tecnologia moderna permite que esse sistema seja mantido funcionando de forma artificial, o que já não representa vida e sim preservação do corpo e dos tecidos visando o transplante dos órgãos. No passado as limitações de diagnóstico levaram muitos à sepultura ainda vivos, e algumas exumações de cadáveres demonstraram sinais dessa falha. Eram pessoas que acordaram dentro do caixão e deixaram marcas de unhas na madeira, rasgaram as roupas ou se viraram de bruços antes de morrerem de fato por asfixia. Até caixões foram inventados com sistema de ventilação e uma corda ligada a um sino do lado de fora para o morto tocar o alarme caso se achasse vivo. Daí a expressão "Salvo pelo gongo".

Para evitar falsos diagnósticos de morte e que pessoas fossem sepultadas ainda vivas, eram feitos alguns procedimentos, muitos deles usados até hoje. Luzes fortes nos olhos para ver se as pupilas permanecem fixas, o que denota morte cerebral. A injeção de água gelada nos tímpanos também pode causar movimento dos globos oculares em uma pessoa ainda viva. A estimulação da faringe provocaria vômito ou tosse, e agulhas enfiadas debaixo das unhas causariam mudança da expressão do rosto de um vivo. Em alguns lugares no passado existiam necrotérios em que os mortos eram colocados para aguardar por alguns dias que o processo de putrefação tivesse início antes de serem sepultados.

No caso que você presenciou, e que teve de testemunhar o desligamento dos aparelhos, causando um impacto emocional profundo em você, creio que possa descansar no diagnóstico dos médicos, pois eles são as pessoas habilitadas para detectar a morte, não você. Se foi detectada morte cerebral foi sinal de que o "cordão de prata" tinha se rompido porque o cérebro no "vaso de ouro" tinha deixado de enviar estímulos. A degradação dos outros órgãos viria naturalmente depois de desligados os aparelhos de suporte cardiorrespiratório.

Descanse também no fato de que, como você mesmo disse depois, onze pessoas que aguardavam na fila dos transplantes foram beneficiadas com os órgãos extraídos daquela mulher. Duas passaram a enxergar pela primeira vez, uma jovem que iria morrer se não ganhasse um novo rim teve sua vida garantida, e um rapaz que tinha só mais um mês de vida sem transplante de coração poderá voltar à vida normal.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

Mais acessadas da semana