As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Como é o jejum que a Bíblia ensina?



https://youtu.be/JRCW-Otupng

Um dos versículos mais claros acerca do jejum está na pergunta que o Senhor faz aos judeus: "Quando jejuastes e pranteastes no quinto e no sétimo mês, durante estes setenta anos, jejuastes vós para mim, mesmo para mim?" (Zc 7.5).

Creio que o jejum para o Senhor não é aquele em que deixamos de comer, ou fazer qualquer coisa, para termos mais comunhão com Ele, mas exatamente o contrário. Creio que é ter tanta comunhão com Ele que tudo o mais passa para o segundo plano, inclusive o comer. Lendo Isaías 58 você verá que o jejum verdadeiro é o despojar‑se de si mesmo.

Em todo caso, o jejum verdadeiro é algo tão íntimo que se uma pessoa contasse a você como ela faz o jejum, já não seria um jejum sincero pois o próprio Senhor disse: "Porém tu, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto. Para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em oculto; e teu Pai, que vê em oculto, te recompensará" (Mt 6.17,18). Portanto, desconfie da sinceridade daqueles que proclamam aos quatro ventos que estão jejuando.

Deus não instituiu um jejum na Lei dada aos israelitas. O primeiro jejum que aparece na Bíblia é o de Moisés, quando subiu ao monte para receber as tábuas da Lei, ficando quarenta dias e quarenta noites sem comer.

Êxo 34:28  E esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites; não comeu pão, nem bebeu água, e escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.

O jejum de Moisés, e também de Elias em 1 Rs 19:8, significava uma separação da vida normal da carne para estar com o Senhor e dedicar-se exclusivamente a Ele.

1Rs 19:8  Levantou-se, pois, e comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus. 

O primeiro jejum coletivo foi em Juízes 20:26 e foi decorrente da humilhação vinda do fracasso e da derrota.

Jzs 20:26  Então todos os filhos de Israel, e todo o povo, subiram, e vieram a Betel e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram aquele dia até à tarde;

A ímpia Jezabel também decregou um jejum em nome de seu marido Acabe, nas cartas enviadas ao povo, para dar um ar de religiosidade ao homicídio que estava prestes a cometer, mostrando que o jejum também pode estar conectado a atos de impiedade.

1Rs 21:9-10 E escreveu nas cartas, dizendo: Apregoai um jejum, e ponde Nabote diante do povo. E ponde defronte dele dois filhos de Belial, que testemunhem contra ele, dizendo: Blasfemaste contra Deus e contra o rei; e trazei-o fora, e apedrejai-o para que morra. 

O primeiro jejum condicional, ou seja, do tipo em que se faz algo para se buscar o favor de Deus, foi em 2 Crônicas 20:3 quando Jeosafá proclamou um jejum em todo o Judá por causa da iminência de um ataque das forças inimigas.

2Cr 20:3  Então Jeosafá temeu, e pôs-se a buscar o SENHOR, e apregoou jejum em todo o Judá.

Ao que tudo indica, apesar de não ter sido instituído na Lei, era um costume entre o povo de Israel e o próprio Senhor fala do jejum em uma passagem:

Mar_9:29  E disse-lhes: Esta casta não pode sair com coisa alguma, a não ser com oração e jejum. 

William MacDonald comenta:

"Jejuar é privar-se da gratificação de qualquer apetite físico. Pode ser voluntário, como em Mt 6:16-17, ou involuntário (At 27:33; 2 Co 11:27). No NT está associado à tristeza (Mt 9:14-15) e oração (Lc 2:37; At 14:23). Nestas passagens (Mt 6:16-18) o jejum é acompanhado de oração num reconhecimento da sinceridade em se discernir a vontade de Deus.


O jejum não tem qualquer mérito no que diz respeito à salvação, e nem dá a um cristão uma posição especial diante de Deus. Um fariseu certa vez gabou-se de jejuar duas vezes por semana, porém aquilo não lhe deu a justificação que buscava (Lc 18:12, 14). Mas quando um cristão jejua secretamente como um exercício espiritual, Deus vê e recompensa. Apesar de não ser ordenado no NT, o jejum é encorajado pela promessa de uma recompensa. Ele pode ajudar na vida de oração de alguém por afastar da pessoa a sonolência e o entorpecimento. Ele é valioso em épocas de crise quando se deseja discernir a vontade de Deus. E tem seu valor em promover a auto-disciplina. Jejuar é uma questão entre o indivíduo e Deus e deveria ser feito apenas com o desejo de agradar a Deus. Ele perde o seu valor quando é uma obrigação vinda de fora ou feito com o objetivo de se exibir." (W. MacDonald)


Veja também: http://www.3minutos.net/2016/08/685-jejum.html




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