As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Jesus era casado com Maria Madalena?



https://youtu.be/5R7TZlIkdCk

Antes de minha conversão fui da turma do "me engana que eu gosto". Tudo o que tinha cheiro de novidade, mistério e conspiração, me atraía. Mesmo que fosse absurdo, forjado e inverossímil. Na época lia e acreditava em tudo o que Erich von Däniken escrevia sobre deuses e astronautas, e podia jurar que era verdade a fantasia literária de Charles Berlitz sobre o Triângulo das Bermudas.

Por isso quando aparece algo como o "Código Da Vinci", tenho a sensação de que já assisti ao filme, ainda que só tenha sido escrito o livro. Nada na Bíblia indica que Jesus tenha sido casado. A idéia é antiga, mais baseada em lendas do que na Palavra de Deus. A última lenda ficou mais conhecida por causa do best-seller "O Código da Vince", de Dan Brown. Escrito como romance e ficção, o livro fez tanto sucesso que até seu autor parece estar acreditando que a história é real.

O livro não é nada original. Outros livros foram escritos no passado sugerindo as mesmas coisas e Dan Brown se baseou nesses livros para escrever sua obra de ficção. E não só tenho a impressão de que já vi esse filme, como na realidade há algum tempo assisti um filme na TV com exatamente a mesma trama do filme e me surpreende que seu diretor não tenha vindo a público apontar a obra de Dan Brown como plágio. Gostaria de poder lembrar o nome do filme que vi na TV.

De qualquer modo, as próprias teorias nas quais o autor constrói sua trama no "Código Da Vinci" não encontram base bíblica. Então ele recorre a lendas, que são distorcidas para ficarem de acordo com sua teoria. Ou concentra-se em Leonardo Da Vinci e seu famoso quadro da Santa Ceia para sugerir que João, ao lado de Cristo, não é João, mas Maria Madalena. Aí habilmente desvia a atenção para o astro do qual o livro leva o nome, Da Vinci, e o adota como autoridade inquestionável em questões da história ocorrida um milênio e meio antes.

Não vou entrar aqui na questão bíblica ou espiritual da coisa, no caráter moral de Jesus como Nazireu etc. Seria o mesmo que tentar provar com a Bíblia que este mundo não é Matrix, que a Terra Média do Senhor dos Anéis não está no mapa ou que Mr. Spock não está voando sobre nossas cabeças. Não há razão para contestar biblicamente uma ficção.

Como acontece com qualquer erro, não devemos perder tempo tentando combater a idéia desenvolvida, mas o foco deve ser colocado na pressuposição: ela é baseada em um pintor que viveu uns mil e quinhentos anos depois da Santa Ceia e que, na visão do livro, é aceito como alguém com autoridade para dar um relato de primeira mão, como se tivesse sido uma testemunha ocular.

Seria mais ou menos como se algum pintor de hoje pintasse uma cena do Imperador Justiniano, que viveu há uns 1.500 anos e, daqui a 500 anos, alguém escrevesse um livro afirmando que nosso contemporâneo pintor saberia de algo sobre a vida de Justiniano que nenhum historiador atual podia saber. Talvez no livro a ser escrito daqui a quinhentos anos o futuro autor vá arrumar até explicações teológicas para alguma logomarca de nossos dias ou utilizar senhas como "John Lenon" para abrir algum sarcófago. Uma salada geral. Mais uma vez, é importante lembrar: Leonardo Da Vinci não esteve na Santa Ceia.

Há também no livro um episódio que envolve o túmulo de Newton e uma senha para resolver algum enigma ali. A senha seria "apple" ou "maçã", obviamente referindo-se à maçã que Newton viu cair e que lhe deu a idéia da lei da gravidade. Mas na história não é essa a única razão para a senha ser "maçã".

Sabe o que mais? Adivinhou. A "maçã" que Eva e Adão comeram no Eden. Foi o que eu disse sobre adotar um pressuposto falso: não há qualquer maçã no relato bíblico da queda de Adão e Eva (a palavra "maçã" no sentido de fruta aparece na Bíblia apenas em Provérbios 25:11).

Como pode ver, nem mesmo entrei na questão de tentar provar que a teoria é falsa, mas apenas precisei verificar alguns pressupostos falsos para concluir que o que está em cima do alicerce também não resiste a uma análise mais minuciosa. Há vários livros tratando disso. É claro que misturado na massa há fatos verídicos, mas é como acontece com veneno de rato: 99% é milho e apenas 1% é estricnina. O suficiente para matar o rato.

De qualquer maneira, há de se dar um voto de louvor pela trama que o autor elaborou e por seu estilo bom de prender a atenção do leitor. Porém o livro cria um novo enigma que pode dar manga para um novo romance. Considerando que Dan Brown jura que a pessoa ao lado de Jesus no quadro da Santa Ceia de Da Vinci não é João, mas Maria Madalena, e já que Judas aparece claramente no quadro que então totalizaria apenas onze apóstolos, a pergunta que fica é: Cadê o João?!

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