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O que acha da música gospel?

Quanto à música, o assunto já se torna um pouco mais difícil, pois há tantas vozes hoje que acabamos confusos. Na minha opinião pessoal, uma música de amor, com uma letra limpa, é menos prejudicial do que os rocks evangélicos que são tocados por aí.

O movimento chamado "gospel" que se ouve em algumas rádios é algo vergonhoso e lamentável, e tenta rebaixar as coisas de Deus às modas deste mundo. Porém sempre devemos ter em mente que a música, na Bíblia, pode estar associada tanto ao que é bom como ao que é ruim. Satanás, por exemplo, deve ser um músico exímio:

"Já foi derrubada na sepultura a tua soberba com o som das tuas violas; os vermes debaixo de ti se estenderão, e os bichos te cobrirão". Isaías 14:11

"Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados". Ezequiel 28:13

E há também a exortação de Eclesiastes 7:5:

"Melhor é ouvir a repreensão do sábio, do que ouvir alguém a canção do tolo".

A música divide se em três partes: Letra, Melodia e Ritmo. Nós, igualmente, somos seres tripartidos: Espírito, Alma e Corpo. Deste modo, a música pode atingir nos no todo ou em parte; mais uma parte e menos outra. A letra é para o espírito (que é o cerne de nosso ser, aquilo que tem comunhão com Deus); a melodia é para a alma (que é onde estão nossos sentimentos); e o ritmo é para o corpo (que automaticamente entra no compasso da música que ouvimos).

Cabe a você discernir o que deseja alimentar: espírito, alma ou corpo. Um samba ou rock tem muito para o corpo, mas nada para o espírito. Um hino biblicamente fundamentado nos dá alimento para o espírito, moverá as emoções em nossa alma e, se sobrar algo para o corpo, será apenas no sentido de levar nossos pés a andarem nos caminhos do Senhor.

Mas, de qualquer maneira, não devemos nos esquecer que a música, tal como a conhecemos, é uma manifestação cultural que provavelmente foi inventada pelos descendentes de Caim:

Gênesis 4:16 E saiu Caim de diante da face do SENHOR, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden.
17 E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque;
18 E a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael e Metusael gerou a Lameque.
19 E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá.
20 E Ada deu à luz a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado.
21 E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão.
22 E Zilá também deu à luz a Tubalcaim, mestre de toda a obra de cobre e ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Noema.

Da família de Caim recebemos as cidades (arquitetura), agronegócios, cultura e tecnologia (gado, harpa e obra de cobre e ferro). Todas essas coisas nos cercam desde então, nós as utilizamos para o bem e para o mal. Entendo que essas coisas são como o dinheiro, que não é errado usar mas que é errado amar.

Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores. 1 Timóteo 6:10

Outro detalhe interessante é que a maioria dos hinos tradicionais que cantamos são letras cristãs colocadas sobre melodias que um dia foram música secular. Um caso é o Battle Hymn da guerra civil americana, que era um hino militar e ganhou uma letra cristã que em alguns hinários vem como "Vencendo vem Jesus". Há também hinos nacionais, como o da Inglaterra, que ganham letra cristã nos cultos, ou porções de música clássica, que era música secular em seu tempo, com o mesmo objetivo. Li em algum lugar que a melodia de "Amazing grace" também era uma melodia secular que ganhou uma letra cristã.

Portanto, como em todas as coisas, o importante é ter discernimento. Assim como uma música secular pode causar dano à fé de alguém, por incluir palavras torpes e estimular a sensualidade pelo ritmo, uma música "gospel" pode fazer o mesmo, porém de forma muito mais sutil. Hoje os cantores evangélicos são aclamados como ídolos, têm fãs, e produzem música do mesmo modo que faz qualquer cantor secular. Muitos cantores e artistas incrédulos em fim de carreira chegam a "se converter" para conquistar esse filão evangélico.