As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Como provar que Igreja e Israel nao sao um mesmo povo?

Você escreveu dizendo que, se a palavra "igreja" ou "eklesia" que aparece em Mateus 16 e também no capítulo 18, é a mesma no original usada para a congregação de Israel, o que nos garante que Jesus não estava falando dessa congregação do judaísmo quando se referiu a estar congregado ao seu nome em Mateus 18:20?

Para exercitar os neurônios vou fazer uma pequena troca no texto dos evangelhos substituindo "igreja" por "congregação de Israel". Vamos ver o resultado:

"Indo Jesus para os lados de Cesareia de Filipe, perguntou a seus discípulos: Quem diz o povo ser o Filho do Homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas. Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou? Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha [congregação de Israel], e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos céus; o que ligares na terra terá sido ligado nos céus; e o que desligares na terra terá sido desligado nos céus. Então, advertiu os discípulos de que a ninguém dissessem ser ele o Cristo." (Mt 16:13-20).

"Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à [congregação de Israel]; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles." (Mt 18:15-20).

A primeira dificuldade que encontro com a teoria de que a "igreja" ou "eklesia" citada nessas duas passagens fosse a congregação de Israel é que o termo, por si só, não identifica a que a palavra está se referindo. É preciso recorrermos ao contexto, já que o termo serve para qualquer coletivo ou agrupamento de pessoas. A palavra "eklesia" no grego significa, de acordo com o dicionário Strong, entre outras coisas:

  • reunião de cidadãos chamados para fora de seus lares para algum lugar público, assembléia
  • assembléia do povo reunida em lugar público com o fim de deliberar
  • assembléia dos israelitas
  • qualquer ajuntamento ou multidão de homens reunidos por acaso, tumultuosamente

Em Atos 7:38 temos o termo claramente referindo-se a Israel: "Este é o que esteve entre a congregação (eklesia) no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai, e com nossos pais, o qual recebeu as palavras de vida para no-las dar.".

Já em Atos 19:32 o termo é usado para o ajuntamento de pagãos que queriam agredir cristãos:
"Uns, pois, clamavam de uma maneira, outros de outra, porque o ajuntamento (eklesia) era confuso; e os mais deles não sabiam por que causa se tinham ajuntado.".

Se formos a Brasília encontraremos a Assembleia Legislativa, e se valesse a ideia de que deve ficar a nosso critério dizer se "igreja" em Mateus 16 e 18 pode tanto ser a assembleia de judeus, como de cristãos, então não estaria errado um deputado dizer que trabalha na "Igreja Legislativa". Então precisamos pesquisar melhor o contexto bíblico para ver a que a igreja, ou eklesia ou congregação, Mateus está se referindo.

Felizmente temos o capítulo 16 para nos ajudar, porque se ele não existisse realmente ficaria difícil desassociar a congregação de Israel da congregação de cristãos. E a chave para entender tudo está no pronome possessivo e tempo verbal do verbo "edificar" usados ali:

"Pois também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (eklesia), e as portas do inferno não prevalecerão contra ela." (Mt 16:18).

A congregação de Israel existia desde os tempos de Moisés, portanto o Senhor não poderia estar se referindo a ela como um evento ainda futuro de algo que não existia naquele momento. O pronome "minha igreja" também é peculiar, em especial por Jesus no capítulo 18 dizer que a igreja, à qual os discípulos deviam apelar no caso do julgamento e perdão, seria aquela formada por dois ou três congregados em nome — ou para o nome — de Jesus. Ele poderia até dizer algo como: Quem está congregado ao meu nome é minha igreja... "porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.".

Juntando tudo, a igreja ou congregação à qual Jesus se referia em Mateus 16 ainda era futura, e não passada como Israel. Ela ainda seria construída sobre o fundamento da declaração de Pedro: "Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo." (Mt 16:16), e a Rocha ou Pedra seria o próprio Jesus, como Pedro informa em sua carta:

"E, chegando-vos para ele, pedra viva, reprovada, na verdade, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa, vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo. Por isso também na Escritura se contém: Eis que ponho em Sião a pedra principal da esquina, eleita e preciosa; E quem nela crer não será confundido. E assim para vós, os que credes, é preciosa, mas, para os rebeldes, A pedra que os edificadores reprovaram, Essa foi a principal da esquina, e uma pedra de tropeço e rocha de escândalo." (1 Pe 2:4-8).

Portanto ele falava de algo completamente novo, e não de uma tomada de poder no judaísmo estabelecido e nem estava ali para instigar em seus discípulos uma subversão à ordem estabelecida em sua época. Jesus não foi um rebelde contra o sistema de adoração do judaísmo. Mesmo que denunciasse toda a falsidade e corrupção dos homens que Deus havia colocado sobre esse sistema, ele os respeitava como autoridades instituídas por Deus.

"Então, falou Jesus às multidões e aos seus discípulos: Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e os fariseus. Fazei e guardai, pois, tudo quanto eles vos disserem, porém não os imiteis nas suas obras; porque dizem e não fazem." (Mt 23:1-3).

Quando alguém era curado Jesus mandava a pessoa ir ao Templo se apresentar aos sacerdotes para cumprir com as responsabilidades de oferecer os devidos sacrifícios.

"Jesus disse ao leproso que acabara de curar: "Olha, não digas nada a ninguém; mas vai, mostra-te ao sacerdote e oferece pela tua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho ao povo." (Mc 1:44).

Portanto seria estranho enxergar o Senhor como um subversivo querendo tirar os sacerdotes do poder e tomar o Templo de Jerusalém. Não vejo dificuldade alguma em associar o que ele diz em Mateus 18:20 com a mesma igreja inexistente então e revelada no capítulo 16, aquela da qual ele disse: "Edificarei".

A Igreja seria fundada em Atos 2, mas só revelada mais tarde, inicialmente a Paulo, pois a igreja tinha a ver com um Cristo morto e ressuscitado, e não com Jesus vivo. Isto porque ela seria a habitação do Espírito Santo, algo que não poderia ter acontecido antes de sua morte, ressurreição e ascensão ao céu. Os versículos a seguir comprovam isso.

"E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado." (Jo 7:39).

"Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra." (At 1:8).

"E, cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles.  E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu." (At 2:1-5).

Se você perguntar se a Pedro foi revelado por Jesus que ele edificaria a Igreja, então a resposta é sim, Pedro foi o primeiro a receber a revelação do que Jesus iria edificar. Mas se você perguntar se Pedro entendeu o que seria essa mesma Igreja da qual Jesus lhe falou, a resposta é não. Vemos que, mesmo depois da formação da Igreja no dia de Pentecostes, ele e os outros discípulos continuariam agindo como se aquilo tivesse sido um mero avivamento do judaísmo. A revelação completa da natureza e propósito da Igreja só seria dada pela primeira vez a Paulo, não a Pedro, e depois aos outros apóstolos. Se duvida, veja estas declarações do apóstolo Paulo:

"Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério que desde tempos eternos esteve oculto, mas que se manifestou agora, e se notificou pelas Escrituras dos profetas, segundo o mandamento do Deus eterno, a todas as nações para obediência da fé; ao único Deus, sábio, seja dada glória por Jesus Cristo para todo o sempre. Amém." (Rm 16:25-27).

"Como me foi este mistério manifestado pela revelação, como antes um pouco vos escrevi; por isso, quando ledes, podeis perceber a minha compreensão do mistério de Cristo, o qual noutros séculos não foi manifestado aos filhos dos homens, como agora tem sido revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas; a saber, que os gentios são co-herdeiros, e de um mesmo corpo, e participantes da promessa em Cristo pelo evangelho; do qual fui feito ministro, pelo dom da graça de Deus, que me foi dado segundo a operação do seu poder. A mim, o mínimo de todos os santos, me foi dada esta graça de anunciar entre os gentios, por meio do evangelho, as riquezas incompreensíveis de Cristo, e demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus Cristo; para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus, segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus nosso Senhor" (Ef 3:3-11).

por Mario Persona


Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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