As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Voce so' tem coragem de pregar para a camera? Por que nao prega na rua?

Quando você perguntou, "Por que você não vai pregar nas ruas? Só tem coragem de falar atrás das câmeras?", senti um tom de desafio crítico em suas palavras, além de uma ideia equivocada de onde vem o poder para pregar. Não é preciso coragem para pregar, e quem prega na rua não é mais corajoso do que aquele que fica de joelhos orando em seu quarto pela salvação de alguém. Tudo de que precisamos é do poder e direção do Espírito Santo de Deus, não de alguma coragem carnal.

Sim, existem riscos em se pregar na rua, mas também existem riscos para alguém que prega na Internet. No meu caso, por ser um palestrante empresarial e conhecido no meio de negócios, vir a público falar do evangelho coloca em mim uma marca nem sempre apreciada por empresários e empresas. Já tive trabalhos cancelados quando algum gerente avesso ao evangelho descobriu meus vídeos na Internet. Ou quando outro, apenas temeroso de que eu iria usar da palestra para falar do evangelho, achou melhor não arriscar. Mas em minhas palestras profissionais nas empresas falo apenas de comunicação, vendas, inovação etc., nunca de minha fé, pois não fui contratado para isso e o tempo que tenho ali está sendo pago pelo cliente.

Talvez você precise aprender um pouco da maneira como o Senhor usa diferentes pessoas de diferentes maneiras em diferentes lugares para fazer sua obra. Quando os discípulos, tão corajosos quanto Pedro que cortou a orelha de uma autoridade, viram o seu Senhor crucificado, desapareceram de cena e acompanharam tudo à distância. Naquele momento os mais improváveis, dois nobres judeus, José de Arimateia e Nicodemos, foram os que colocaram suas carreiras em risco ao sepultarem o corpo de Jesus. Aquilo era um testemunho corajoso, pois ia contra todo o sistema que havia crucificado o Senhor.

Quando o Senhor disse "pregai-o sobre os telhados" (Mt 10:27) estava deixando claro que o que ele queria era que sua mensagem alcançasse o máximo de pessoas, independente do meio utilizado. Já preguei nas ruas, e também já distribuí milhares de folhetos. Hoje prefiro deixar isso para os mais jovens enquanto me dedico ao que sei fazer, que é alcançar pessoas com as novas tecnologias. Mesmo porque depois do estrago que alguns cristãos fizeram com suas gritarias públicas nem sempre as pessoas aceitam facilmente alguém pregando ao ar livre.

Em algumas cidades já existem leis contra a panfletagem, o que atrapalha a evangelização por meio de folhetos em lugares públicos. Com os escândalos e gritarias promovidas por algumas religiões com alto falantes nas praças e nas portas de suas igrejas, e eu não me surpreenderia se surgissem mais leis proibindo a manifestação religiosa em público.

Essas igrejas que obrigam seus membros a pregarem em praça pública teriam dificuldade em países muçulmanos, onde é terminantemente proibida a evangelização. Em alguns mais "liberais", como o Egito, você só pode evangelizar se o outro também for cristão, e reuniões só podem ser feitas em locais construídos para isso no passado, como templos católicos ou protestantes, mas não em novos endereços.

Por isso sei de irmãos que, para congregarem na casa de alguém, precisam combinar chegar e sair um a um para não despertar suspeitas de vizinhos. Ou então alugam uma sala em um templo católico ou protestante, ou então um barco para se reunirem no meio do Rio Nilo, ou são obrigados a viajar para uma espécie de Zona Franca de turismo que existe do outro lado do mar vermelho, onde existem resorts para estrangeiros com leis mais brandas. Mas isso no Egito, que é mais liberal, porque na Arábia Saudita e outros lugares você pode ser preso só por dar um folheto ou abordar alguém na rua para falar de Cristo.

Quando prego diante de uma câmera consigo atingir milhares de pessoas com aquela mensagem, algo que dificilmente conseguiria numa rua ou praça. Os primeiros pregadores pregavam nas ruas e sua mensagem tinha um certo alcance. Passaram a usar megafones e alcançaram mais pessoas. Saíram a distribuir folhetos evangelísticos e mais pessoas foram alcançadas. É assim que funciona, mas não estou dizendo que números importam, porque Deus pode querer que você fale a apenas uma pessoa, como foi quando Paulo falou a Lídia e a primeira igreja da Europa acabou sendo congregada em sua casa. Veja o relato no livro de Atos:

"E, navegando de Trôade, fomos correndo em caminho direito para a Samotrácia e, no dia seguinte, para Neápolis; e dali para Filipos, que é a primeira cidade desta parte da Macedônia, e é uma colônia; e estivemos alguns dias nesta cidade. E no dia de sábado saímos fora das portas, para a beira do rio, onde se costumava fazer oração; e, assentando-nos, falamos às mulheres que ali se ajuntaram. E uma certa mulher, chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que servia a Deus, nos ouvia, e o Senhor lhe abriu o coração para que estivesse atenta ao que Paulo dizia. E, depois que foi batizada, ela e a sua casa, nos rogou, dizendo: Se haveis julgado que eu seja fiel ao Senhor, entrai em minha casa, e ficai ali. E nos constrangeu a isso." (At 16:11-15).

Agora você sabe quem estava entre os que receberam a carta do apóstolo Paulo aos Filipenses. Lídia era uma das pessoas congregadas naquela cidade, junto com o carcereiro convertido e talvez também aquela jovem liberta de demônios. Foi uma mulher a primeira convertida naquela cidade da Europa, e as feministas modernas, que vivem dizendo que a Bíblia é machista, talvez nunca tenham atentado para este fato e da importância que teve essa mulher.

Lídia tinha tudo de uma mulher moderna, administrando um negócio lucrativo e com servos, que hoje chamamos de empregados. Quando a Bíblia diz que "sua casa" foi batizada juntamente com ela isto significa todos os que estavam sob sua responsabilidade, incluindo filhos e servos. Lídia era uma empreendedora e negociante de púrpura, originária de Tiatira, cidade no interior da atual Turquia, mas com residência e negócios em Filipos, uma cidade litorânea da Grécia, com grande movimento comercial e considerada porta de entrada para a Europa.

Púrpura, o produto que Lídia negociava (não sabemos se ela também tingia tecidos) era um pigmento extraído de moluscos e usado para tingir tecidos. Se você conhece alguma mulher empreendedora de hoje no ramo da moda e confecções, então você conhece uma Lídia dos tempos atuais. Se ela for convertida a Cristo e abrir sua casa para receber os irmãos, maior então será a semelhança.

Espero que você, como jovem, tenha discernimento para ser usado onde o Senhor quer que você esteja, seja como Paulo e Silas, que foram pregar a mulheres à beira de um rio, seja como Filipe, que foi pregar numa "rua" que estava deserta guiado pelo Espírito Santo. Foi naquela estrada deserta que o Senhor levou o eunuco à conversão e com isso causou uma multiplicação da mensagem de Filipe como talvez ele não tivesse conseguido se tivesse pregado numa praça diante de uma multidão. Aquele eunuco foi o primeiro a levar o evangelho para a África, e isso começando do palácio da rainha. Muitos se converteram através da pregação de Filipe uma única vez a uma única pessoa.

Deixe-se colocar no lugar em que Deus quer que você esteja, e não deprecie a obra de Deus feita por outros que Deus colocou em lugares e situações diferentes da sua, ou daquela que o "pastor" ou sistema religioso que você segue determina para você. No céu vamos conhecer pessoas que nunca saíram às ruas para pregar, mas com suas orações encorajaram os que saíram e intercederam diante de Deus para que muitos fossem salvos.

Aprenda a lição que o apóstolo Paulo ensinou em suas cartas e deixe de julgar o trabalho de outros na seara que pertence ao Senhor, achando que você seja mais importante por estar fazendo a obra do evangelho de uma maneira diferente de outros.:

"Por isso, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento. Ora, o que planta e o que rega são um; mas cada um receberá o seu galardão segundo o seu trabalho." (1 Co 3:7-8).

"Porque também o corpo não é um só membro, mas muitos. Se o pé disser: Porque não sou mão, não sou do corpo; não será por isso do corpo?  E se a orelha disser: Porque não sou olho não sou do corpo; não será por isso do corpo? Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato? Mas agora Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis. E, se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, pois, há muitos membros, mas um corpo. E o olho não pode dizer à mão: Não tenho necessidade de ti; nem ainda a cabeça aos pés: Não tenho necessidade de vós. Antes, os membros do corpo que parecem ser os mais fracos são necessários; e os que reputamos serem menos honrosos no corpo, a esses honramos muito mais; e aos que em nós são menos decorosos damos muito mais honra. Porque os que em nós são mais nobres não têm necessidade disso, mas Deus assim formou o corpo, dando muito mais honra ao que tinha falta dela; para que não haja divisão no corpo, mas antes tenham os membros igual cuidado uns dos outros. De maneira que, se um membro padece, todos os membros padecem com ele; e, se um membro é honrado, todos os membros se regozijam com ele.  Ora, vós sois o corpo de Cristo, e seus membros em particular." (1 Co 12:14-27).

Algumas organizações religiosas obrigam seus membros a pregarem na rua e isso cria situações constrangedoras, já que nem todos têm o mesmo dom. Uma vez vi numa praça um pobre homem que sofria de problemas de fala — era extremamente fanhoso — com uma Bíblia aberta gritando coisas impossíveis de alguém entender. Numa outra ocasião encontrei um gago fazendo a mesma coisa. As pessoas se divertiam e zombavam. Eles poderiam ser mais eficazes orando ou evangelizando de outras maneiras, pois o ensino das Escrituras para falarmos de modo inteligível é muito claro:

"Da mesma sorte, se as coisas inanimadas, que fazem som, seja flauta, seja cítara, não formarem sons distintos, como se conhecerá o que se toca com a flauta ou com a cítara? Porque, se a trombeta der sonido incerto, quem se preparará para a batalha? Assim também vós, se com a língua não pronunciardes palavras bem inteligíveis, como se entenderá o que se diz? porque estareis como que falando ao ar." (1 Co 14:7-9).

Enquanto os discípulos de Jesus se ocupavam em anunciar a mensagem nas ruas e praças, quatro homens levaram um enfermo a Jesus através de um telhado. Lembre-se de que não foi a fé do enfermo que o curou, mas a fé dos que o desceram do telhado, uma maneira nada ortodoxa de se levar alguém a Cristo. Por isso costumo dizer que o Senhor irá honrar a fé dos que oram pela salvação de alguém ou que de uma maneira ou outra apresentem aquela pessoa a Jesus. Mesmo que sejam pessoas que nunca abriram a boca em público ou estiveram diante de câmeras ou atingiram milhões pela Internet.

"E, vendo ele a fé deles, disse-lhe: Homem, os teus pecados te são perdoados." (Lc 5:20).

https://www.youtube.com/watch?v=UXO4XARf7mI

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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