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O cristão pode ser isentão?



https://youtu.be/H6YuAwgMC4U

Você enviou uma crítica ao meu posicionamento de não interferência na política dizendo que o cristão não pode e não deve ser um isentão. Este é um neologismo pejorativo usado contra os que não querem se envolver, uma versão moderna de "ficar em cima do muro". Segundo você, e citando os Evangelhos, "o cristão precisa ser sal da terra, e se ele for insípido, de que ele servirá? Precisa ser luz, e a luz foi feita para iluminar e não para ficar escondida. Para isso precisamos estar engajados para podermos servir de instrumento para Cristo.".

Até aí tudo bem, mas eu pergunto: "Como o sal salga?". Ele não pula do saleiro e entra em um combate com sua salada, gritando palavras de ordem para o tomate ou marchando de braços dados com o pepino. O sal não precisa agir para salgar, ele só precisa ser. Ele salga pela sua simples presença no alimento. Ele não ataca o alimento, ele não discute com o alimento, ele não briga com o alimento e nem promove passeatas em seu prato. O fato de ele estar ali é suficiente para salgar.

E a luz? É a mesma coisa. Ela não age, ela é, simples assim. Quando acendemos a luz num ambiente as trevas fogem dela. O fato de o cristão estar no mundo é suficiente para conturbar tudo, para desengrenar as engrenagens do mundo, para incomodar os incrédulos. Veja o próprio Senhor e seus discípulos. Teriam eles se intrometido no governo deste mundo para mudar as coisas? Você consegue imaginar Paulo, Pedro e outros encabeçando uma passeata ou gritando palavras de ordem de cima de um carro de som?

Não, eles apenas pregavam o evangelho buscando resgatar as pessoas para fora deste mundo, e não mudar o mundo. Quantos já haviam tentado e quantos continuam tentando? Pergunto a você: Funcionou? O mundo hoje está muito melhor do que há dois mil anos? A mesma política, vamos chamar assim, de não interferência no mundo foi a que os discípulos aprenderam de Jesus. Ele tinha vindo para apresentar seu reino, e se os judeus o aceitassem esse reino teria sido estabelecido no mundo. Repare na passagem a seguir o advérbio de tempo "agora" mencionado por Jesus.

"Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim? Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste? Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas AGORA o meu reino não é daqui. Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz." (Jo 18:33-37).

Ora, se João Batista, o último profeta de Israel, e o próprio Jesus e seus discípulos tinham anunciado a chegada do Reino — "É chegado a vós o reino de Deus." (Lc 10:9) —, o que teria causado essa mudança para dizer "agora o meu reino não é daqui"? Do ponto de vista de origem e fonte e poder é evidente que nunca foi, mas esta palavra "agora" revela que não poderiam esperar que o reino fosse estabelecido considerando que seu Rei havia sido rejeitado.

Então você pode chamar a Jesus e seus discípulos de "isentões" se assim quiser, por não terem movido uma palha para mudar o status quo do mundo, mas a simples presença deles aqui foi luz e sal, e até hoje sentimos seu sabor e somos iluminados por essa verdade. O grande erro da cristandade foi achar que estavam aqui para mudar o mundo e isso levou os cristãos a se instalarem confortavelmente no mesmo mundo onde está o trono de Satanás, seu príncipe.

"E ao anjo da igreja que está em Pérgamo escreve: Isto diz aquele que tem a espada aguda de dois fios: Conheço as tuas obras, e onde habitas, que é onde está o trono de Satanás; e reténs o meu nome, e não negaste a minha fé, ainda nos dias de Antipas, minha fiel testemunha, o qual foi morto entre vós, onde Satanás habita." (Ap 2:12-13).

Ao buscarem conquistar uma posição no mundo os crentes precisaram ficar de braços dados com os incrédulos, e é isso que você vê hoje ao redor: cristãos querendo impor seus governos, seus costumes, suas ideias achando que o mundo é seu. Não é, e nem o cristão é do mundo. Esse engano abrange toda a cristandade adepta da Teologia do Pacto, que nega que Israel ainda venha a ter suas promessas concretizadas no futuro para reinar na terra, e usurpa para si essas promessas, não sabendo distinguir Igreja de Israel. Em suas instruções finais aos discípulos, já tendo sido rejeitado pelos judeus, Jesus revelou:

"Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fósseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia." (Jo 15:18-19).

Geralmente os que acusam cristãos que evitam se envolver, chamando-os de isentões, são pessoas sempre prontas a protestar e adotar uma ação afirmativa que geralmente veste a fantasia de quem está interessado no bem estar do próximo, no fim das desigualdades e na busca por uma sociedade mais justa. Será? Numa entrevista com uma mulher moradora de uma comunidade ela se queixou mais ou menos assim: "As feministas estão sempre prontas a fazer protestos, manifestações, passeatas, mas quando uma mãe pobre tem um filho doente no hospital nenhuma feminista vai lá ficar com a criança. São senhoras católicas e evangélicas que costumam fazer esse trabalho".

Pois é, isso é o que significa ser luz e sal em contraste com querer iluminar e salgar à força. Porque se você quiser mesmo ser o que é como cristão, ao invés de ficar com bla-bla-bla tem muitas necessidades esperando por você, como esta que acabei de mencionar, ou crianças órfãs precisando de pais, ou pobres precisando de comida, ou aleijados precisando de próteses... A lista de possibilidades é imensa.

A questão é que a maioria dos não-isentões são daqueles que escrevem cartas aos jornais dizendo "Precisamos cuidar dos órfãos... precisamos alimentar a população... precisamos melhorar a saúde...". Ora, quando a pessoa usa a primeira pessoa do plural — "nós precisamos" — ela claramente quer diluir sua responsabilidade e jogá-la no colo de alguém, apenas esperando que o governo ou a sociedade como um todo faça isso. Mas assumir a tarefa, nem pensar.

Quer um exemplo do que é ser luz e sal? Você já chegou numa rodinha onde estavam contando piadas sujas e pararam de contar assim que você chegou? Pois é. Foi a sua presença. Você não disse nada, não bateu nos contadores de piada, não gritou com eles, não entrou com uma ação na justiça contra contarem piadas sobre sua fé ou algo assim. Você simplesmente chegou como o sal chega na comida e a luz no ambiente. Salgou e iluminou. Jesus não disse: "Vós PRECISAIS ser o sal da terra... vós PRECISAIS ser a luz do mundo...". Ele disse "Vós sois...".

"Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens. Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte; nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus." (Mt 5:13-16).

Aqui caberia perguntar: Quando é que o sal é insípido e quando é que a luz fica escondida? Quanto mais você diluir o sódio menor o poder que ele terá de salgar. Aprendi com minha mãe que se uma comida ficar salgada demais basta jogar umas batatas cruas na panela para cozinhar por algum tempo que elas irão absorver o sal. E a luz, quando é bloqueada? Quando qualquer objeto não transparente é colocada em frente a ela.

Sempre que você se torna aliado de incrédulos na promoção do que acredita ser uma melhoria do mundo é bem provável que estará convidando batatas para sua panela e pessoas nada transparentes para bloquear sua luz. Você conseguiria imaginar o Senhor ou algum de seus discípulos fazendo associação com incrédulos para buscar melhorar o mundo? Eu também não.

"Não vos prendais a um jugo desigual com os infiéis; porque, que sociedade tem a justiça com a injustiça? E que comunhão tem a luz com as trevas? E que concórdia há entre Cristo e Belial? Ou que parte tem o fiel com o infiel? E que consenso tem o templo de Deus com os ídolos? Porque vós sois o templo do Deus vivente, como Deus disse: Neles habitarei, e entre eles andarei; e eu serei o seu Deus e eles serão o meu povo. Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei; e eu serei para vós Pai, E vós sereis para mim filhos e filhas, Diz o Senhor Todo-Poderoso." (2 Co 6:14-18).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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Esclarecimentos: O conteúdo deste blog traz respostas a perguntas de correspondentes, portanto as afirmações feitas aqui podem não se aplicar a outras pessoas e situações. Algumas respostas foram construídas a partir da reunião das dúvidas de mais de um correspondente. O objetivo é apenas mostrar o que a Bíblia diz a respeito das questões levantadas, e não sugerir qualquer ingerência de cristãos na política e na sociedade, no sentido de exigir que as pessoas sigam os preceitos bíblicos. O autor é favorável à livre expressão e, ainda que seu entendimento da Bíblia possa conflitar com a opinião de alguns, defende o respeito às pessoas de diferentes crenças e estilos de vida. Aqui são discutidas ideias e julgadas doutrinas, não pessoas. A opção "Comentários" foi desligada, não por causa das opiniões contrárias, mas de opiniões que pareciam favoráveis mas que tinham o objetivo ofender pessoas ou fazer propaganda de alguma igreja ou religião, induzindo os leitores ao erro.

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