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Devo falar de sexo a meus filhos?



https://youtu.be/gD3NxDPbhj8

Você conta que ficou chocado com uma pregação ao vivo pela Internet com o pastor dizendo que os pais deveriam dar educação sexual a seus filhos. Você argumenta que isso só iria aguçar a curiosidade e iniciar as crianças precocemente na vida sexual, sendo algo até perigoso, e disse estar revoltado com isso e termina assim: “Será que o Sr. é mais um dos que concordam com educação sexual para crianças? Para mim isso é o fim da picada”.

Não sei o que esse pastor falou e nem de que maneira ele abordou o assunto, mas pelo jeito vou ser mais um dos que você consideram ensinar algo que é “o fim da picada”. Você, como pai, tem autoridade para educar seus filhos como bem entender, mas como buscou minha opinião devo dizer que você está errado. Sua omissão em ensinar a seus filhos coisas básicas relacionadas ao sexo e aos preceitos morais que devem caminhar junto pode ter consequências ruins no futuro, principalmente porque eles estarão expostos ao “Método de Ensino Sexual do Dr. Mundo”, cujas aulas no meu tempo eram dadas no banheiro da escola, mas atualmente estão em toda parte: TV, Internet, redes sociais, games, escola, brincadeiras de criança etc.

Se você não quer falar de sexo com seus filhos então é melhor proibi-los de ler a Bíblia, pois tem muita coisa lá explicitamente relacionada ao sexo. É o caso do Livro de Cantares, uma ode de amor entre o Senhor e seu povo que esbanja sensualidade, como deve ser o relacionamento sexual entre marido e mulher. “Beije-me ele com os beijos da sua boca… A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace… Favos de mel manam dos teus lábios, minha esposa! Mel e leite estão debaixo da tua língua… Já despi a minha roupa; como as tornarei a vestir? … Os contornos de tuas coxas são como jóias, trabalhadas por mãos de artista. O teu umbigo como uma taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre como montão de trigo, cercado de lírios. Os teus dois seios como dois filhos gêmeos de gazela… os teus seios são semelhantes aos cachos de uvas…”. É claro que o texto todo é alegórico, mas usa de elementos bem explícitos do relacionamento de amor entre um homem e uma mulher, que inclui as carícias e o ato sexual.

No Antigo Testamento o Senhor foi muito claro acerca das práticas sexuais e suas perversões. Fica estranho não querer explicar essas coisas ao seu filho principalmente quando temos tantas instruções no Livro de Provérbios que começam com “Filho meu…”. Ali o Senhor revela sua vontade acerca da pureza do jovem e da fidelidade no matrimônio, além de sua versão à prostituição, infidelidade e adultério. Acaso não deveria você também ter com seu filho uma conversa começando com “Filho meu…” para falar destes assuntos?

“Bebe água da tua fonte, e das correntes do teu poço. Derramar-se-iam as tuas fontes por fora, e pelas ruas os ribeiros de águas? Sejam para ti só, e não para os estranhos contigo. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente. E porque, filho meu, te deixarias atrair por outra mulher, e te abraçarias ao peito de uma estranha?... Porque o mandamento é lâmpada, e a lei é luz; e as repreensões da correção são o caminho da vida, para te guardarem da mulher vil, e das lisonjas da estranha. Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas aos seus olhos. Porque por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. Porventura tomará alguém fogo no seu seio, sem que suas vestes se queimem? Ou andará alguém sobre brasas, sem que se queimem os seus pés? Assim ficará o que entrar à mulher do seu próximo; não será inocente todo aquele que a tocar. Não se injuria o ladrão, quando furta para saciar-se, tendo fome; e se for achado pagará o tanto sete vezes; terá de dar todos os bens da sua casa. Assim, o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma.” (Pv 5:15-20; 6:23-32).

Neste ponto de sua leitura em família eu quase posso ver seu filho perguntando: “Papai, por que não posso abraçar o peito de uma estranha? O que faz uma prostituta? E uma adúltera? O que significa entrar à mulher do próximo?”. Você também terá dificuldade para explicar aos seus filhos qual foi o principal pecado que levou o Senhor a destruir Sodoma e Gomorra, e principalmente o que os homens de Sodoma queriam fazer com os anjos hospedados por Ló, se não explicar a eles o que é homossexualismo e como esta prática é vista aos olhos de Deus.

“E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos. Então saiu Ló a eles à porta, e fechou a porta atrás de si, e disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal; eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens” (Gn 19:5-8).

Você acha que bastará dizer que os homens de Sodoma queriam "conhecer" os anjos em forma humana só para cumprimentá-los dizer “Muito prazer em conhecê-los”? E quando Ló, em seu desespero, ofereceu suas filhas “que ainda não conheceram homens” para que eles fizessem “delas como bom for aos vossos olhos”, o que dirá? Que as jovens nunca tinham visto um ser humano do sexo masculino? E que a oferta de Ló seria para os homens de Sodoma se divertirem com suas filhas jogando voleibol, xadrez e pega-pega?

Como é uma história bem conhecida da Bíblia, seria melhor explicar estas coisas a seus filhos em conexão com Levítico 18, onde o Senhor ordena: “Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é.” (Lv 18:22-23). Se não explicar direito seus filhos ficarão sem entender a razão de Deus proibir duas pessoas do mesmo sexo dormirem na mesma cama, pois em muitas famílias de poucos recursos o dinheiro não dá para comprar uma cama para cada criança e elas são colocadas para dormir juntas. Quando ler que Deus proíbe que seres humanos durmam com animais, seu filho irá achar que nunca deverá pegar no sono numa cocheira e também ficará se entender como José e Maria puderam colocar o menino Jesus para dormir numa cocheira com animais.

Mas o importante é não apenas explicar o que são estes atos, mas principalmente a razão de eles serem considerados abomináveis aos olhos de Deus e também dos castigos previstos para aqueles que os praticam. Na continuação da passagem de Levítico isto é mostrado no versículo 29: “Porém, qualquer que fizer alguma destas abominações, sim, aqueles que as fizerem serão extirpados do seu povo. Portanto guardareis o meu mandamento, não fazendo nenhuma das práticas abomináveis que se fizeram antes de vós, e não vos contamineis com elas. Eu sou o Senhor vosso Deus.” (Lv 18:29-30).

Antes que alguém pense que as consequências eram apenas para o povo de Israel, do qual seriam extirpados os que praticassem tais coisas, na doutrina dos apóstolos isso é também deixado muito claro como sendo práticas que não condizem com um filho de Deus. Elas podem trazer consequências graves, não de perda de salvação para quem já é salvo e as pratica, mas de perda de comunhão com o Pai, problemas no casamento, no mau exemplo dado aos filhos e, em caso extremo, de perda da própria vida do corpo, se o Senhor achar que esse filho não serve mais de testemunho na terra. Ao falar das práticas nocivas daqueles que não queriam ser guiados por seu Criador, Paulo escreveu:

“Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro… Os quais, conhecendo a justiça de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.” (Rm 1:26-27, 32). Se você não sabia onde encaixar a pornografia, que é a contemplação e ocupação com esses atos sem participar diretamente deles, que tal neste último versículo?

Para um salvo por Cristo, dizer que recebem “em si mesmos a recompensa”, não diz respeito a uma suposta perda de salvação, pois é impossível a um verdadeiro salvo perder sua salvação, mas sim de uma disciplina em seu próprio corpo, que pode incluir enfermidade e morte. No capítulo 5 de 1 Coríntios um homem que estava dormindo com a própria madrasta foi sentenciado, por Paulo em conjunto com aquela assembleia, à morte do corpo, com a ressalva de que o espírito seria salvo no dia do Senhor. Paulo escreve: “Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, juntos vós e o meu espírito, pelo poder de nosso Senhor Jesus Cristo, seja entregue a Satanás para destruição da carne, para que o espírito seja salvo no dia do Senhor Jesus.” (1 Co 5:1-5).

Se para um crente o castigo disciplinar vem do próprio Senhor pelo que a Bíblia chama de “pecado para morte”, evidentemente falando de morte física e não espiritual, no Antigo Testamento cabia ao próprio povo de Israel aplicar a pena de morte aos culpados destes pecados sexuais, como é aplicada a pena de morte por determinados crimes em alguns países. Veja o que dizia a Lei dada ao povo de Israel:

“Também o homem que adulterar com a mulher de outro... certamente morrerá o adúltero e a adúltera... E o homem que se deitar com a mulher de seu pai... ambos certamente morrerão... Semelhantemente, quando um homem se deitar com a sua nora, ambos certamente morrerão... Quando também um homem se deitar com outro homem, como com mulher, ambos fizeram abominação; certamente morrerão... E, quando um homem tomar uma mulher e a sua mãe, maldade é; a ele e a elas queimarão com fogo... Quando também um homem se deitar com um animal, certamente morrerá; e matareis o animal... Também a mulher que se chegar a algum animal, para ajuntar-se com ele, aquela mulher matarás bem assim como o animal...” (Lv 20:10).

Repare que a Palavra de Deus cobre toda sorte de pecados de cunho sexual em muitas de suas variantes. Portanto, o que você iria responder se, na hora da leitura seu filho perguntasse: “Papai, o que é adulterar? O que é deitar com a mulher do pai? O que é deitar com outro homem? O que é deitar com um animal? Não posso mais deitar no chão ao lado do Totó?”.

Eu me lembro de quando meus filhos eram pequenos e morávamos em outro planeta, um onde não havia Internet, a TV era censurada e quem se opunha à promiscuidade não era preso por discriminação sexual. Acredito que eles tinham por volta dos oito anos quando comprei um livrinho ilustrado para crianças com figurinhas mostrando o acasalamento dos insetos e animais, e sente-me com eles para explicar o que era um relacionamento sexual dentro dos parâmetros determinados por Deus, isto é, no casamento. Não sei o quanto eles já sabiam, mas antigamente era bem menos do que as crianças de hoje ficam sabendo pelos piores professores da mídia.

Se você acha que por não falar de sexo seus filhos não terão a curiosidade aguçada é por não entender que curiosidade é um dispositivo que já vem na criança, seja ele estimulado ou não pelos pais. De qualquer modo é muito mais seguro você ser o primeiro a despertar a curiosidade de seus filhos, do que esperar que outros cheguem antes de você, porque o que vão colocar na mente de sua criança não será exatamente uma educação sexual em conformidade com a Palavra de Deus. Um pai cristão me contou que, quando chamou seu filho para uma conversa sobre órgãos sexuais, sexo no casamento, procriação etc., o garoto respondeu simplesmente: “Não precisa, a minha amiguinha já mostrou tudo e explicou como funciona”.

Vou transcrever aqui a conclusão do artigo que você me enviou e não concordou, do site “GotQuestions”, porque achei bem ponderada:

“Muitos pais acham o tema da sexualidade estranho e embaraçoso, mas não precisa ser. Os pais devem começar quando os filhos são muito jovens, falando com naturalidade aos pré-escolares sobre seus corpos e como homens e mulheres são feitos de forma diferente. Essas conversas se transformam naturalmente em áreas mais complexas à medida que a criança amadurece. É importante que uma criança saiba que pode falar com a mãe ou o pai sobre qualquer coisa que a confunda.

Informações sexuais bombardeiam-nos de todas as direções, então essas conversas entre pais e filhos devem começar muito cedo. Antes que os pais permitam que um sistema escolar instrua em sexualidade ou moralidade, eles devem ter certeza de que seus filhos já aprenderam a verdade. É então crucial manter-se a par do que as crianças estão aprendendo e como estão aplicando seus conhecimentos. Manter um diálogo aberto e constante com os filhos é a chave para se manter no comando do que estão aprendendo. Quando os pais são proativos na instrução de seus filhos, essas crianças têm uma base para reconhecer e rejeitar erros que o mundo promove como verdade.”.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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