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Um cristão pode usar terapias alternativas?



https://youtu.be/gtCkFah_QEU

Sempre existe uma linha tênue entre o que é medicina e seus diferentes tratamentos, e o que é filosofia oriental e todas as lendas que falam de sua influência na saúde de alguém. Eu mesmo fui metido com esoterismo e outros ismos orientais antes de minha conversão a Cristo, e adquiri até um certo asco por incenso, por me fazer lembrar dos velhos tempo em que estive mergulhado no engano dando ouvidos a falsos mestres de fala mansa cheirando a patchouli. Então sou até suspeito de falar desses assuntos sem ficar com um pé atrás. Sabe aquele ditado de que cachorro mordido de cobra tem medo de linguiça? Pois é, no meu caso a linguiça era de carne de soja.

Pensa num macrobiótico chato que queria convencer o mundo todo de que a salvação da humanidade estaria em comer arroz com gersal — que é gergelim esmagado com sal —, chupar cereja umeboshi —, a cereja curtida no sal de doer o lóbulo da orelha —, beber shoyu no gargalo e comer tudo refogado com missô — a massa de soja salgada fermentada que os mestres macrobióticos ensinavam ser capaz de até neutralizar a radioatividade de uma explosão atômica. Sim, até nisso eu acreditava e nunca me sentia um idiota quando saía do banheiro com a boca preta de escovar os dentes com dentie —, as cinzas de berinjela torrada e, é claro, salgada. Sim, nem acredito que eu acreditava ser aquela a dieta para a salvação da humanidade, que não morreria mais de doença nenhuma, excesso de hipertensão ou colapso dos rins.

Não foi a macrobiótica que me atraiu, mas caí na sua rede quando procurei por uma alimentação mais saudável por viver comendo comidas de bares baratos quando estudante universitário. Sabe aquele filé à parmigiana requentado de dois dias, cheio de molho de tomate, ou aquelas omeletes com presunto sabe lá de onde, e hambúrgueres de carne de não sei o quê? Pois é, eu vivia com dores de estômago e mal estar, até encontrar um restaurante macrobiótico e ser iniciado na "grande vida", como traduzem seus gurus. Virei fanático, e daí a me interessar pelas bizarrices do universo alternativo foi um passo. Já contei que passei a dormir debaixo de uma pirâmide de arame em escala com as medidas a Grande Pirâmide de Gizé? Acho que só parei porque estava ficando com cara de múmia.

Lembro-me do conselho dado por um mestre num curso que fiz no Vaticano da macrobiótica no Brasil, um restaurante no bairro da Liberdade em São Paulo para onde eu ia de ônibus partindo de Santos só para elevar meu grau de fanatismo. Um dos participantes havia sido atropelado e precisou ser internado e receber transfusão de sangue. Um aluno perguntou como fazer numa situação assim, considerando que o sangue de um não macrobiótico é impuro, portanto veneno para os puros. O mestre respondeu, com aquele cicio de voz que só os mestres sabem fazer, que o pobre rapaz devia ter comido alguma coisa não macrobiótica, porque se estivesse seguindo religiosamente a dieta não teria sido atropelado. Ele estaria em perfeito equilíbrio Ying-Yang com o Universo e nenhum mal o teria atingido.

Assim como aconteceu comigo, um adepto de filosofias alternativas pode cair num estado de crendice que não é diference das antigas benzedeiras, apesar de usar terminologia moderna e oriental. Lembro-me de um grupo de caçadores de discos voadores e de uma reunião da qual participei na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso de Goiás. Um homem, que não estava nem aí para aquelas loucuras, mas só acompanhou o grupo porque estava financiando as manias da esposa, ouvia a conversa com a expressão de quem gosta de futebol, mas está assistindo "Arquivo X". Em um determinado momento alguém do grupo declarou "... e Alto Paraíso está localizado no mesmo paralelo de Machu-Pichu!", ao que todos exclamaram: "Oooooohhhh...", como se aquela informação fosse abalar os pilares do conhecimento humano. O cético financiador da excursão não aguentou e retrucou: "E daí?".

Desde então eu aprendi a ficar com um pé atrás com toda essa onda de tratamentos alternativos, muitos deles derivados das bizarrices de meus dias de macrobiótico. Sei que podem até trazer benefícios ao corpo, mas só ao corpo, nada a ver com energias cósmicas ou o mundo espiritual. Às vezes podem ser doloridos também, como aconteceu com um colega de faculdade que sofria de enxaqueca e levei para ser tratado pela japonesa dona de um restaurante macrobiótico em Santos. Ela tinha acabado de voltar de um curso de acupuntura, do-in, e shiatsu e trouxe até um aparelhinho para fazer acupuntura elétrica.

Depois de tentar o do-in e o rapaz não sentir nada, aplicou alguns eletrochoques em pontos de acupuntura, e nada. Decidiu partir para o método tradicional e espetou na pele da vítima algumas agulhas, ao que meu colega respondeu que a dor de cabeça continuava igual. Então ela inovou, e ligou a maquininha de choque prendendo os terminais nas agulhas que estavam fincadas na derme do infeliz. O pulo que ele deu lançou agulhas em redor como um ataque de porco-espinho.

Não pense que ela desistiu. Quis tentar o shiatsu, que aplica calor nos pontos do do-in usando um charutinho de folhas secas de artemísia em brasa. O ponto, segundo ela, ficava a um palmo abaixo do umbigo, onde começam os pelos pubianos. Para não queimar pele e pelos, é colocada uma película de alho de proteção contra a brasa do charutinho de artemísia. Mas a mão da mulher escorregou e a próxima cena era meu amigo gritando e dando tapas na mão dela, enquanto a sala se enchia do cheiro de cabelo queimado. Nossa amizade ficou abalada depois daquele incidente.

Terapias alternativas atuam no âmbito do corpo físico e particularidades do organismo, portanto não espere que irá encontrar alguma solução metafísica que traga boa sorte no amor ou prosperidade financeira. Esses tratamentos nada têm a ver com desenvolvimento espiritual, atingimento de planos elevados espirituais e outras bobagens ensinada pelos esotéricos. Não são muito diferentes de você usar uma pomada ou tomar uma aspirina, que há dois mil anos era totalmente natural, fabricada com folhas da árvore conhecida como "Salgueiro Chorão".

Eu não duvido do poder de tratamentos alternativos como aromaterapia. Se já viu um bêbado saltar nos dois pés ao colocarem um vidrinho de amoníaco em suas narinas irá perceber que aromas têm sim aplicações perfeitamente "pés no chão" (literalmente, no caso do bêbado), mas nada espirituais. Tendo eu sendo vítima de uma alimentação alternativa que pregava o equilíbrio do corpo, sinto-me na obrigação de alertar para o perigo de coisas assim se transformarem na ante-sala de filosofias esotéricas.

Eu mesmo quase cheguei ao equilíbrio permanente — na horizontal e a sete palmos do chão —, quando tive um princípio de pneumonia e precisei de antibióticos nada naturais. Foi nessa época que a cantora Tuca morreu de fome aos 33 anos por causa da dieta radical que adotou para si sob a instrução de um "mestre". Uma amiga de Santos que costumava viajar comigo a São Paulo para o curso de macrobiótica, contou que ficou dois meses fazendo acupuntura porque sua menstruação parou sem motivo aparente por um longo tempo. Ao invés de recorrer a um médico confiou no acupunturista que ficou ganhando em cima das sessões e só abriu o jogo quando ela reclamou: "Poxa, com tantas sessões e ainda não resolveu minha menstruação?!". Ele respondeu: "E nem vai resolver enquanto você não tratar essa sua anemia profunda.".

Como aconteceu comigo, alguém que decida usar ou trabalhar com terapias alternativas pode facilmente ficar com uma asa caída para o esoterismo. Já reparou como nos restaurantes, clínicas e literatura essas coisas se misturam? Não vai ser difícil quem oferece tratamentos com aromaterapia acabar acreditando que alguns aromas sejam capazes de penetrar no espírito de seus pacientes. Isso nada mais é do que acreditar nas superstições que acompanham práticas como o Feng-Shui, que alega usar forças energéticas para harmonizar os indivíduos com objetos e o ambiente ao seu redor.

Pensar que objetos ou seu posicionamento tenham influência na vida de alguém é o equivalente oriental a superstições como colocar um vaso de Comigo-Ninguém-Pode ou Espada de São Jorge na entrada da casa para proteção. Depois que você conhece o Deus que criou essas plantas deixa de confiar nelas.

Deixe-me dar umas informações científicas para mostrar que mudar sua mesa de lugar para alterar a influência cósmica sobre ela vai ser perda de tempo. Se quiser mudar sua mesa de lugar, mude, mas fique avisada de que a terra gira em torno de si mesma a mil e setecentos quilômetros por hora, e em torno do sol a a cento e sete mil quilômetros por hora, e o sol se movimenta no espaço levando os planetas consigo a um milhão de quilômetros por hora, e a Via Láctea também... etc. etc..

O que quero dizer é que nada está no mesmo lugar, universalmente falando, mas tudo está o tempo todo viajando a velocidades astronômicas. Então não vai fazer nenhuma diferença sua mesa sair de onde está, considerando a dinâmica das energias envolvidas no universo. Bem, talvez seja isso que explique a razão de nunca encontrarmos a chave do carro. Você tem certeza de que deixou ali... e agora não está mais!

Outro dia alguém postou a sugestão de se colocar um vaso de uma planta chamada Zamioculca próximo da entrada social para atrair proteção e prosperidade. Segundo a postagem, ela é "uma planta com as folhas que parecem de cera e que resiste facilmente a lugares com pouca iluminação e sua rega deve ocorrer no máximo duas vezes por semana. Quando uma das sua folhas ficar amarela é porque ela te protegeu de alguma energia não positiva, por isto você deve retirá-la eliminando assim esta energia.".

Entendeu agora do que estou falando? Ora, toda folha fica amarela e precisa ser retirada, portanto folhas amarelas não são evidência de que sejam um mata-borrão de energias negativas. Em meus tempos de bicho-grilo eu acreditava que para eliminar lagartas de um canteiro de couve bastava ir tirando todas elas manualmente das folhas, colocando-as depois num liquidificador com água, bater bem e pulverizar o canteiro. As lagartas desapareceriam! (Claro, eu teria matado todas).

Pois é, os antigos adoradores de raios e trovões, e que queimavam seus filhos a supostos deuses, logo serão deixados no chinelo pelo homem moderno, tão culto e científico como é. Esta semana vi uma frase engraçada sobre terapia com cristais. Dizia assim: "Um cristal de bom tamanho tem o poder de afastar pessoas desagradáveis. Basta que você tenha boa pontaria". Veja bem, não estou negando que terapias alternativas funcionem, só estou alertando para o fato de que elas devem ser usadas buscando soluções para o corpo físico, não para a alma ou espírito.

Mas e a Bíblia, o que diz de tudo isso? 

"Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência, que proíbem o casamento e exigem abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos, com ações de graças, pelos fiéis e por quantos conhecem plenamente a verdade; pois tudo que Deus criou é bom, e, recebido com ações de graças, nada é recusável, porque, pela palavra de Deus e pela oração, é santificado Expondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Cristo Jesus, alimentado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido. Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas caducas. Exercita-te, pessoalmente, na piedade." (1 Tm 4:1-7).

Percebe que a Palavra previa que nos últimos tempos os homens se deixariam levar por espíritos e demônios enganadores com técnicas de controle do corpo para se obter elevação espiritual? O misticismo estava invadindo a Igreja no princípio, e por isso Paulo alertou os cristãos colossenses.

"Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados... Ninguém se faça árbitro contra vós outros, pretextando humildade e culto dos anjos, baseando-se em visões, enfatuado, sem motivo algum, na sua mente carnal... Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem. Tais coisas, com efeito, têm aparência de sabedoria, como culto de si mesmo, e de falsa humildade, e de rigor ascético; todavia, não têm valor algum contra a sensualidade." (Cl 2:16-23).

Este alerta serve também para nossos dias quando tantas pessoas vão a países como a Índia buscar o que chamam de sabedoria milenar e espiritualidade para resolver seus problemas. Basta ver a superstição que impera onde os demônios proíbem que se coma vacas e promovem uma vida monástica de abstenção de muitas coisas para ver a que ponto chegaram. Cadáveres boiando no mesmo Rio Ganges sagrado, onde as pessoas se banham buscando a purificação. Ignorância e superstição sempre andam de mãos dadas no espiritualismo, mas é claro que um filme com o Brad Pitt entre os monges do Tibet ou qualquer coisa com o "Selo Dalai Lama de Qualidade" é convincente hoje até entre cristãos.

Portanto fique atento se achar que alguma terapia alternativa estará levando você por esse caminho da espiritualidade. As terapias alternativas devem realmente funcionar para o corpo, mas cuidado para não ser controlado e ludibriado como eu fui por três anos por filosofias com macrobióticas, vegetarianas, veganas, etc. Fuja de qualquer uma proíba a alimentação com alimentos que Deus criou para comermos, e que queira colocar coisas e objetos como causadores de algum benefício espiritual. Eu felizmente fui libertado disso quando cri em Jesus Cristo como meu Salvador e Senhor.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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