As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.

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Qual a diferença entre o batismo e o selo do Espírito?



https://youtu.be/m-gqHgLScD4

Em sua carta você fez referência ao assunto do batismo com o Espírito Santo ou do Espírito Santo. Na última carta que lhe enviei, inclui um texto que traduzi (O Espírito Santo) de um livreto escrito por H.E.Hayhoe, um irmão canadense, onde está explicado o assunto. Creio que aquele artigo, bem como tudo o que os irmãos que estiveram aí compartilharam com vocês, já dão a orientação necessária para você poder buscar os versículos citados e pedir ao Senhor luz acerca do assunto.

Não sei ao certo qual aspecto concernente ao batismo com o Espírito Santo que possa ter deixado dúvidas. É importante, ao analisarmos tal assunto, nos desfazermos de todos os preconceitos adquiridos pela influência pentecostal que invade o cristianismo a passos largos, semeando uma fé baseada no que se vê e no que se experimenta, o que é contrário à Palavra de Deus para hoje (At 20.29; Rm 8.24,25; Hb 11.1).

Talvez se você ler novamente o texto escrito pelo irmão Hayhoe será possível identificar quais os pontos que tem gerado dúvidas. Para mim, colocando de uma forma simples, embora generalizada, o batismo com o Espírito Santo ocorreu em Pentecostes. O Senhor havia dito aos Seus discípulos em Atos 1.5 "Vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias", o que consequentemente aconteceu em Pentecostes, conforme o relato em Atos 2, quando todos os santos foram batizados por um Espírito em um só corpo (1 Co 12.13).

Isto nos mostra que ninguém pode ser parte do corpo a menos que seja feito habitação do Espírito Santo, sendo então acrescentado ao único corpo formado por ocasião do batismo do Espírito Santo ocorrido de uma vez para sempre em Pentecostes. Não existe nada mais claro sobre o assunto do que o versículo em 1 Co 12.13. Quando é que fomos batizados em um Espírito?

Isto é diferente de sermos selados com o Espírito Santo, cf. Ef 1.13, que aconteceu "depois que ouvistes a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação: e, tendo nele também crido". Enquanto o batismo com o Espírito ou no Espírito só aconteceu uma vez no Pentecostes, e somos incluídos nele, o selo do Espírito só acontece uma vez, quando alguém crê e é assim "marcado" ou selado. Por outro lado, o "enchei‑vos com o Espírito" é algo que deve estar presente constantemente na vida do crente e, este sim, é um exercício que devemos praticar continuamente. O grande erro é que muitos cristãos usam os termos, e os versículos, indistintamente. Cada coisa tem o seu lugar, irmão.

A confusão é formada pelos erros doutrinários que estão sendo espalhados pela multidão de seitas e denominações que surgem a cada dia. Os mesmos que dão ênfase ao batismo com o Espírito como sendo uma experiência extática que ocorre depois da conversão, são os que semeiam um grande engano no coração e mentes dos pobres irmãos que a eles se sujeitam. Digo isto em vista do grande número de cartas que recebemos de pentecostais expressando o medo de perderem a salvação ou de ainda não possuírem o Espírito Santo, por não terem passado por alguma experiência visível ou que se pode sentir.

Em uma pesquina na qual os participantes deviam responder se pertenciam a alguma religião ou denominação e se tinham certeza da salvação, cerca de 80 a 90% não tinha certeza da salvação ou acreditavam que podem perdê‑la. Muitos ainda responderam que não eram mais pecadores. A sua quase totalidade era de cristãos ligados a denominações pentecostais.

Em um curso bíblico enviado a pessoas de todas as crenças cristãs, verificou-se que os católicos, que revelavam não conhecer bem a Bíblia, iam buscar em suas páginas as respostas para as questões, conforme orientava o próprio curso, chegando assim a respostas corretas e de acordo com os versículos sugeridos. Por outro lado, a grande maioria que era doutrinada por líderes pentecostais respondia de acordo com o que aprendiam em suas denominações, ficando muitas vezes a resposta claramente contrária ao versículo ou versículos sugeridos no texto! É realmente triste vermos o que está acontecendo em razão da semeadura de um evangelho baseado em emoções e experiências pessoais.

Vou procurar agora me ater às suas perguntas, embora suas dúvidas tenham a ver com o que escrevi acima. Sei, pois passei pelo mesmo problema, que é muito fácil sermos influenciados pelo "pacote" pentecostal que busca no nosso estado emocional, e não na Palavra de Deus, o termômetro para sabermos se estamos salvos ou não, se estamos seguros ou não.

Não posso contestar alguém que me diz ter tido visões, falado línguas estranhas, feito previsões proféticas de acontecimentos, ou entrado em êxtases profundos. Não posso contestar a experiência pela qual uma pessoa passou. Mas posso, e devo, buscar na Palavra de Deus a confirmação para saber se aquilo está de acordo ou não. Em resumo, devo julgar as experiências pela Palavra de Deus e não adaptar a Palavra à elas. Veja, por exemplo, o caso mais polêmico no meio pentecostal que são as línguas estranhas. Não me atrevo a dizer que uma pessoa, que afirme falá‑las, não possa fazê‑lo. Mas tenho a Palavra de Deus como minha bússola e devo me orientar por ela.

A Palavra de Deus, escrita pela inspiração do Espírito Santo, dá cinco condições para se falar em línguas. Se forem atendidas menos do que as cinco, não poderei crer que se trata de uma manifestação do Espírito, pois se Ele se manifesta de uma maneira diferente daquela que ordenou, já não poderemos mais confiar na Palavra escrita. Pode‑se verificar se as cinco condições estão sendo atendidas, fazendo as seguintes perguntas:
  • A reunião onde são manifestadas as línguas, é de portas abertas para todos, ou reservada apenas aos crentes ou membros da denominação? "De sorte que as línguas são um sinal, NÃO PARA OS FIÉIS, mas para os infiéis" (I Co. 14:22).
  • São no máximo três pessoas que falam em línguas estranhas ou são muitas? "E se alguém falar em língua estranha, faça‑se isso por dois, ou QUANDO MUITO três" (I Co. 14:27a).
  • Falam um de cada vez ou todos juntos? "...e por sua vez" (I Co. 14:27b).
  • Existe interpretação simultânea de todos os que falam? "...e haja intérprete. Mas se não houver intérprete, esteja calado na igreja" (I Co. 14:27c).
  • As mulheres também falam? "As mulheres estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar" (I Co. 14:34).
Pode‑se acrescentar ainda a pergunta: Existem judeus presentes? pois Deus não enviou os sinais para convencer os gentios (ou gregos) mas sim os judeus, "porque os judeus pedem sinal, e os gregos buscam sabedoria" (I Co. 1:22).
Eu, particularmente, nunca encontrei um grupo de cristãos que cumprisse as cinco condições em tal manifestação.
Como dizia, não devemos partir da experiência para então buscar apoio na Palavra de Deus pois fazendo assim iremos chegar à conclusão que tem afligido você, ou seja, "me sinto miserável e SE me sinto miserável, PORTANTO deve haver algo de errado com minha salvação". Isto acontece quando deixamos de olhar para Cristo e para Sua Palavra e passamos a nos ocupar com nossos sentimentos. Aliás não é exatamente isto o que a maior parte dos cristãos buscam em nossos dias?
Recentemente escutei uma pregação feita por um pastor pentecostal. Girava em torno de termos vida em Cristo. Ele disse que se você for a Cristo, você SE SENTIRÁ BEM, seus problemas acabarão, suas enfermidades serão curadas, sua vida melhorará, etc. Em nenhum momento ele disse que somos pecadores e que Cristo derramou Seu sangue sobre a cruz para nos salvar. O que ele estava fazendo nada mais era do que oferecer ao homem natural e carnal um paliativo para seus muitos males. O mesmo sermão poderia ter sido pregado em uma sessão espírita ou numa reunião da seicho‑no‑iê ou de outra seita semelhante.

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