As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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De onde voce tirou a ideia de que lepra seja figura de pecado?



https://youtu.be/rWzh42FHGtk

Você escreveu perguntando de onde eu teria tirado a ideia de que a lepra na Bíblia seja figura de pecado. Seu argumento foi de que os apóstolos não teriam feito referência à lepra como figura de pecado, mas sim ao fermento, como Paulo em 1 Coríntios 5:6-8, claramente falando do homem que estava em pecado moral.

Realmente não me lembro de alguma passagem em que um apóstolo diga que a lepra seja figura de pecado, ao menos diretamente. Mas indiretamente é fácil perceber que é isso mesmo, principalmente quando lemos em Levítico 13:45: "Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo."

Junte a isso a exortação do apóstolo em 2 Coríntios 6:17: "Por isso saí do meio deles, e apartai-vos, diz o Senhor; E não toqueis nada imundo, E eu vos receberei". Segundo a Lei mosaica, imundo era tudo aquilo que estivesse contaminado pelo mal ou pecado. Qualquer contaminante no Antigo Testamento tem seu paralelo na doutrina dos apóstolos como sendo pecado. Ageu fala disso:

"Assim diz o Senhor dos Exércitos: Pergunta agora aos sacerdotes, acerca da lei, dizendo: Se alguém leva carne santa na orla das suas vestes, e com ela tocar no pão, ou no guisado, ou no vinho, ou no azeite, ou em outro qualquer mantimento, porventura ficará isto santificado? E os sacerdotes responderam: Não. E disse Ageu: Se alguém que for contaminado pelo contato com o corpo morto, tocar nalguma destas coisas, ficará ela imunda? E os sacerdotes responderam, dizendo: Ficará imunda." (Ag 2:11-13).

Em Hebreus é feita uma conexão entre a imundície representada pela lepra e seu antítipo o pecado quando é feita referência à cinza produzida do sacrifício da novilha ruiva ou vermelha de Números 19. Perceba que a ideia ali era da purificação da imundície como figura do poder purificador que tem o sacrifício de Cristo.

"Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação, nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção. Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne, quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?" (Hb 9:11-14).

Não faltam passagens na doutrina dos apóstolos para associar qualquer imundícia (da qual a lepra era a figura mais expressiva) aos pecados que praticamos. Me vêm algumas à memória, e se juntar isso com o que leu em Levítico 13:45 talvez faça sentido para você considerar a lepra uma figura do pecado: "Também as vestes do leproso, em quem está a praga, serão rasgadas, e a sua cabeça será descoberta, e cobrirá o lábio superior, e clamará: Imundo, imundo.":

"Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à IMUNDÍCIA, para desonrarem seus corpos entre si" (Rm 1:24).

"Falo como homem, pela fraqueza da vossa carne; pois que, assim como apresentastes os vossos membros para servirem à IMUNDÍCIA, e à maldade para maldade, assim apresentai agora os vossos membros para servirem à justiça para santificação." (Rm 6:19).

"Ora, amados, pois que temos tais promessas, purifiquemo-nos de toda a IMUNDÍCIA da carne e do espírito, aperfeiçoando a santificação no temor de Deus." (2 Co 7:1).

"Que, quando for outra vez, o meu Deus me humilhe para convosco, e chore por muitos daqueles que dantes pecaram, e não se arrependeram da IMUNDÍCIA, e prostituição, e desonestidade que cometeram." (2 Co 12:21).

"Porque a nossa exortação não foi com engano, nem com IMUNDÍCIA, nem com fraudulência." (1 Ts 2:3).

"Porque não nos chamou Deus para a IMUNDÍCIA, mas para a santificação." (1 Ts 4:7).

"Por isso, rejeitando toda a IMUNDÍCIA e superfluidade de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar as vossas almas." (Tg 1:21).

"Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, o batismo, não do despojamento da IMUNDÍCIA da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo." (1 Pe 3:21).

"Mas principalmente aqueles que segundo a carne andam em concupiscências de IMUNDÍCIA, e desprezam as autoridades; atrevidos, obstinados, não receando blasfemar das dignidades." (2 Pe 2:10).

O Morrison Concise Dictionary explica assim:

"A lepra é uma clara figura do pecado e de sua influência maligna, produzindo uma condição impura. Os capítulos 13 e 14 de Levítico tratam da maneira como a lepra devia ser diagnosticada e tratada pelos sacerdotes como sendo aqueles que têm a mente de Deus. A instrução em Levítico 13:12-13, embora aparentemente paradoxal, é significativa: Quando a lepra cobria toda a pele o sacerdote deveria pronunciar o homem como estando limpo: 

'E, se a lepra se espalhar de todo na pele, e a lepra cobrir toda a pele do que tem praga, desde a sua cabeça até aos seus pés, quanto podem ver os olhos do sacerdote, então o sacerdote examinará, e eis que, se a lepra tem coberto toda a sua carne, então declarará o que tem a praga por limpo; todo se tornou branco; limpo está.'.

Ou seja, a lepra, em vez de invadir para dentro, tinha se manifestado exteriormente, o que é típico de um homem verdadeiramente confessando seu pecado, permanecendo então apenas as consequências da impureza. Além da lepra na pessoa, também foram dadas leis sobre a lepra em uma peça de vestuário, que nos fala do pecado que pode estar no ambiente de uma pessoa, ambiente este que deve ser purificado ou destruído. Também havia o caso da lepra na casa (quando tivessem entrado na terra e deixassem de habitar em tendas), representando em figura o pecado manifestado em uma assembléia cristã, pecado este que deve ser removido, ou a assembléia deve ser dissolvida. 'A santidade convém à tua casa, SENHOR, para sempre.' (Sl 93:5)."

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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