As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Por que o Salmo 91 nao funciona?



https://youtu.be/J-ENwucMyrI

Você perguntou se, com base no Salmo 91, poderia se apegar ao fato de que realmente Deus guarda e protege de todo mal e da violência "àquele que habita habita no esconderijo do Altíssimo", ou seja aquele que anda na sua presença. Todavia sua dúvida ocorre por você não achar que isso realmente aconteça na prática.

Quando Paulo escreveu a Timóteo aconselhando-o a manejar bem a Palavra da Verdade, o sentido era de saber cortar ou dividir com precisão cada parte para ser aplicada dentro de cada contexto. A expressão tem o mesmo sentido de se fazer uma incisão com um bisturi para separar os diferentes órgãos do corpo. Então, a menos que você entenda as diferentes divisões da Bíblia e para quem, onde, por que e quando foram ditas, irá ficar confuso.

Por exemplo, temos todo o Antigo Testamento e também os evangelhos voltados aos judeus, enquanto a partir de Atos temos uma nova realidade que é a Igreja, os salvos da presente dispensação. Se você não conhece ou não acredita nas diferentes dispensações ou maneiras de Deus agir ao longo das eras, então nem siga lendo porque nada fará sentido para você.

As promessas no Antigo Testamento eram para um povo terreno, Israel, e os gentios associados a esse povo. As promessas de Deus para a Igreja são as que encontramos nas epístolas, e são espirituais e celestiais, ainda que em nossa vida aqui na terra possamos passar por dificuldades. Então quando você lê o Salmo 91, que promete proteção e sustento em todas as circunstâncias, entenda que isso é uma promessa ainda a ser cumprida para um remanescente judeu que irá se converter e, juntamente com outras tribos de Israel e gentios, habitar no reino milenial de Cristo na terra.

Aqueles que não percebem essas coisas têm dificuldade de explicar como foi que todos os apóstolos, exceto João, morreram de forma violenta nas mãos dos adversários da fé cristã. Será que não habitavam "no esconderijo do Altíssimo" e nem descansavam "à sombra do Onipotente"? Por que teriam sido presa do "laço do passarinheiro e da peste perniciosa"? Afinal, de tudo isso o Salmo 91 prometia livrar.

Como teria ficado, para os apóstolos e outros cristãos do primeiro século que foram martirizados, a promessa que dizia "caiam mil ao teu lado, e dez mil à tua direita; tu não serás atingido"? Homens, mulheres e crianças desde o início da Igreja foram traspassados por lanças e espadas, crucificados, queimados vivos, degolados, enforcados. Afinal, o Salmo 91 prometia que "nenhum mal te sucederá, praga nenhuma chegará à tua tenda, porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos. Eles te sustentarão nas suas mãos, para não tropeçares nalguma pedra". Para aqueles santos que eram estraçalhados nas arenas romanas parece não ter funcionado a promessa "pisarás o leão e a áspide, calcarás aos pés o leãozinho e a serpente", porque acabaram mortos estraçalhados de qualquer maneira.

Percebe como tais promessas não podem ser evocadas por alguém da presente dispensação, a não ser na forma de princípios de proteção, porém não literalmente? Sim, eu tenho certeza de que é verdade também para mim o que Deus diz: "Porque a mim se apegou com amor, eu o livrarei; pô-lo-ei a salvo porque conhece o meu nome. Ele me invocará, e eu lhe responderei; na sua angústia eu estarei com ele, livrá-lo-ei e o glorificarei. Saciá-lo-ei com longevidade e lhe mostrarei a minha salvação", porque estas são promessas que de algum modo me serão cumpridas no céu.

Mas talvez você conteste, dizendo que também os israelitas sempre sofreram muitos suplícios e estas promessas não valeram para eles. Tem razão, porque para eles Deus havia colocado em Deuteronômio 28 que haveria tanto bênçãos, para a obediência, como maldições, para a desobediência. Então a aplicação primeira e mais direta deste Salmo não coube aos judeus que conhecemos até hoje, mas ao único Homem obediente até à perfeição, o Senhor Jesus. O Salmo é messiânico como muitos outros. Jesus é aquele que habita no esconderijo do Altíssimo como nenhum outro.

Aqui no mundo ele foi guardado e servido por anjos, e não foi atacado pelas feras do deserto quando ficou ali quarenta dias e noites em jejum. Mas se ele um dia chegou ao ponto de clamar a Deus por tê-lo abandonado, aquilo foi só momentâneo. Sabemos que ele morreu, mas também que ressuscitou e está hoje glorificado nos céus provando serem verdadeiras todas as promessas do Salmo 91 a respeito dele.

Se este Salmo 91 tem sido de consolo e auxílio para muitos que ao longo dos séculos tem sofrido por diferentes razões e perseguições é porque encontraram descanso, não em promessas vazias, mas em promessas cumpridas acerca de Cristo e que se cumprirão também em sua totalidade a respeito de cada salvo de cada dispensação. Portanto nunca tire conclusões de uma história até chegar à última página. Não ouse duvidar da Palavra de Deus em nenhuma circunstância, porque existem coisas que eu e você só entenderemos depois da última página, quando entrarmos na eternidade.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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