As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Devo controlar o que os outros vestem?



https://youtu.be/c6RNc2d5JaI

As redes sociais escancaram nossa vida e nem sempre mostram apenas aquelas fotos de viagens felizes, mas também detalhes de nosso comportamento no dia-a-dia. É importante o cristão vigiar para ver se está desonrando o Senhor com seu comportamento, atitudes e modo de vestir. Mas é também importante fazer um julgamento próprio para ver se não está praticando um "voyerismo", que no seu sentido mais imediato significa observar pessoas desnudas para se excitar.

Num sentido mais amplo eu diria que também serve para os que fazem da observação da vida dos outros uma forma de prazer, não só por apreciar atitudes indecentes, mas por estas servirem de munição para seu arsenal crítico. Nesta categoria estão os que navegam nas redes com uma atitude de alguém que folheia uma revista pornográfica numa atitude crítica, exclamando: "Oh! Que pouca vergonha!", "Nossa! Que horrível!", "Ai, nem dá vontade de olhar...", mas continua olhando.

Já contei uma vez a história da velhinha que chamou a polícia porque da janela de sua cozinha ela via um homem nu se exibindo na janela do prédio ao lado. O policial chegou, olhou, e disse a ela: "Não vejo nenhum homem nu, minha senhora.", ao que ela respondeu: "Daqui não dá para ver, mas experimente subir na geladeira".

Tive um professor no colegial que era uma figura. Mantinha sempre uma atitude fleumática e falava como um gentleman britânico. Mas um dia uma colega da primeira fileira chamou sua atenção: "Professor, o senhor está com a vista da calça aberta". Ela falou alto, pois queria que todos na classe percebessem o que só ela tinha percebido até ali, e assim embaraçar o professor. Ele nem se abalou, apenas respondeu: "Minha filha, quem quer ver estrelas olha para o céu". E continuou a aula sem fechar a vista da calça.

Uma vez um visitante que esteve numa reunião em Limeira, vindo de uma denominação mais legalista, me escreveu depois: "Tudo o que vi ali foi uma irmã com as costas de fora, outra de mini-saia mostrando as pernas, outra que não parava de ir ao banheiro, outra que ficava conferindo o WhatsApp...".

Respondi dizendo que se ele tinha ido em busca de pessoas mais perfeitas, santas e espirituais não era de espantar que ficasse decepcionado, pois tudo o que havia ali era "uma irmã com as costas toda de fora, outra que só vai ao banheiro, outra de pernas para fora, outra que fica conferindo o celular e um que fica o tempo todo olhando para costas e pernas das mulheres, controlando quem entra e quem sai, e também que olha para o celular".

Em alguns casos a compulsão do "voyeur" ganha uma aparência de paladino da justiça por ele fazer isso aparentemente com o intuito de denunciar, mas eu acredito que algum psicólogo poderia explicar se isso não é também um desvio de personalidade, mesmo que o objetivo final tenha alguma aparência de piedade. Além disso sempre existe aquele desejo em nós de encontrar falta nos outros para melhorar nossa autoestima. Se olhássemos para Cristo veríamos que todos, sem exceção, somos falhos em algum aspecto de nossa vida e comportamento.

Não quero com isso anular a importância de cada um vigiar sua própria conduta e modo de vestir para ver se não estamos de algum modo sendo causa de escândalo e tropeço para nossos irmãos. A validade ou não da preocupação daqueles que procuram ser juízes de seus irmãos pode ser analisada segundo esta passagem da carta de Paulo aos Romanos. Nela ele deixa claro a responsabilidade que cada um tem diante do Senhor e não pôr tropeço ou escândalo ao irmão, além do cuidado de não querermos nos sentar na cadeira do Juiz:

"De maneira que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus. Assim que não nos julguemos mais uns aos outros; antes, seja o vosso propósito não pôr tropeço ou escândalo ao irmão." (Rm 14:12-13).

Mas aí fica sempre a questão: O que fazer quando tem alguém se vestindo ou se comportando de maneira a causar escândalo? Bem, se você percebeu isso converse com a pessoa, se ela for um irmão e você também; se você for um varão e a pessoa uma irmã jovem, peça para uma irmã mais velha conversar com ela, porque esta é a ordem das coisas em Tito 2:3-5. Se essa jovem tiver um pai crente, converse com o pai dela, ou se ela for uma irmã casada, converse com o marido dela.

Esta é a ordem das coisas, porque se você conversar com todos os irmãos será como rasgar um travesseiro ao vento: as plumas vão voar para longe, todos vão fofocar, e um dia se essa pessoa se tocar e disser que realmente errou e procurar se corrigir, como você fará para recolher todas as plumas que espalhou?

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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