As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Teria Abraao mentido?



https://youtu.be/yAZHpILTc7I

Você diz que não concorda que Abraão tenha mentido quando desceu ao Egito, e nem que ele tenha ido para lá de vontade própria. Para tentar provar sua teoria você enviou um longo texto, saindo em defesa de Abraão e dizendo que se ele não fosse um homem íntegro não teria sido abençoado por Deus. Será que você acha que Deus abençoa e salva pessoas justas e boas? Se for assim sugiro voltar aos rudimentos do evangelho da graça, pois a verdade é que Deus "justifica o ímpio", não o bom. Este fundamento da doutrina cristã você encontra no capítulo 4 de Romanos.

Para entender o modo errado de Abraão agir é preciso entender que todo ser humano é falho, inclusive eu, você, Abraão e Elias, que "era homem sujeito às mesmas paixões que nós" (Tg 5:17). Paulo também andou na contra-mão da instrução do Espírito Santo quando foi a Jerusalém e ainda tentou agradar os judeus. Deu tudo errado e ele acabou preso e sofrendo muitas coisas que não precisaria sofrer se tivesse atendido ao que o Espírito Santo disse por intermédio do profeta Ágabo. A história toda está em Atos 21 a partir do versículo 10.

Existe, tanto nos meios católicos como protestantes, a falsa ideia de que alguém seja inerentemente bom. Nunca me esqueço da pregação de um obreiro batista que contou uma longa história (que só podia ser uma fábula inventada) para justificar a salvação do malfeitor na cruz, aquele que se costuma chamar de "bom ladrão". Segundo ele, teria sido o tal "bom ladrão" que protegeu José, Maria e o menino Jesus em sua fuga para o Egito. Por isso, evidentemente, sua salvação seria mais que merecida!

Que Abraão mentiu, ou ao menos não disse toda a verdade, ou levou sua esposa a mentir, está no fato de ele já ter combinado de antemão um estratagema com ela. Ninguém faria isso de boa consciência. Se ele edificou um altar e adorou antes de descer ao Egito, enquanto estava lá nós não o vemos adorando. Ele iria voltar a adorar só depois de ter saído do Egito. Veja esta passagem que fala de sua viagem de volta:

"E fez as suas jornadas do sul até Betel, até ao lugar onde a princípio estivera a sua tenda, entre Betel e Ai; até ao lugar do altar que outrora ali tinha feito; e Abrão invocou ali o nome do Senhor." (Gn 13:3).

Descer ao Egito foi falta de fé, pois o Senhor prometeu lhe sustentar. A fome na terra não devia ter sido motivo para ele recorrer ao Egito. Algo semelhante fez Elimeleque no primeiro capítulo do livro de Rute, indo para Moabe, terra do povo que Deus havia amaldiçoado. Lá ele encontrou a morte, não apenas sua  mas também dos dois filhos, obrigando sua esposa a voltar sozinha com uma nora (Rute). Elas voltaram na miséria.

Moral da história: não vamos conseguir nada deixando de confiar no Senhor e construindo estratagemas, como o que Abraão construiu para evitar que tomassem sua mulher numa terra para a qual Deus não tinha ordenado que fosse. Se Deus foi gracioso com Abraão, ao ponto de ele voltar rico de seu caminho errado, o mesmo não aconteceu com Elimeleque, que só agravou a miséria de sua família. Norman Berry comenta sobre o caso de Abraão:

"Lembre-se sempre de que as pessoas na Bíblia que são tipos (figuras) do Senhor e de outras coisas importantes, eram apenas seres humanos que às vezes falhavam. Aqui lemos da segunda falha de Abraão (Gn 12:10-20). A primeira foi quando ele parou em Harã, em Gênesis 11:31, ao invés de seguir todo o caminho até a terra de Canaã. Desta vez ele vai ainda mais longe, e o encontramos agora rumando para Egito (Gn 12:19), instruindo sua esposa a dizer uma mentira. Nós crentes somos assim, às vezes 'empacamos' e às vezes vamos longe demais! O Egito é uma figura do mundo com todos os seus atrativos e sua cultura. Como crentes, estamos constantemente sendo tentados a voltar ao mundo. Abraão perdeu tempo ali, e sofreu, em certos aspectos, as consequências para o resto de sua vida por sua falha. Deus foi misericordioso para com ele e permitiu que enriquecesse. Que isto possa servir de aviso para nós." — Norman Berry em "Chapter-A-Day".

Do livro de Rute Norman Berry comenta:

Um homem — um Israelita — encontra-se diante de uma decisão a ser tomada... ficar em Israel onde começou uma grave fome... ou ir a algum outro lugar (Rt 1:1). Ele poderia ter aprendido de Deuteronômio 8:7-20 que Deus estava dizendo a seu povo que havia desobediência. Se tivesse permanecido, e obedecido a Deus, isso seria uma prova de confiança nele. Ele desobedece e vai para Moabe, um lugar ímpio, certamente. Ele escolheu o pior. Ele provavelmente pensou... 'Devo cuidar de minha vida, minha esposa, meus dois filhos'.

Que desastre cai sobre essa família (Rt 1:2-5). O pai morre primeiro. Se a esposa, Noemi, tivesse discernimento da ação de Deus ao levar seu marido, ela teria voltado a Israel imediatamente. Mas não, ela ficou onde estava. Depois disso, seus dois filhos se casam com moças Moabitas, o que era totalmente proibido (leia Neemias 13:1). Ela não os impede. Um filho morre. Ela continua esquecida da Palavra de Deus. Outro filho morre. Finalmente ela é tocada. Ela dá ouvidos. Após dez anos, resta apenas uma pessoa de uma família que tinha quatro membros. Gálatas 6:7 diz: 'Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará.'. — Norman Berry em "Chapter-A-Day".

Mackintosh, em sua coleção de comentários sobre o Pentateuco, mostra como não só Abraão mentiu a respeito de sua esposa, mas seu filho Isaque fez o mesmo, seguindo o péssimo exemplo de seu pai:

Sabemos que "desde Gerar a Jerusalém era caminho de três dias". Gerar era, portanto, comparada com o Egito, uma posição avançada; ainda assim, estava ao alcance de influências perigosas. Abraão encontrou lá dificuldades, e do mesmo modo Isaque, como vemos neste capítulo, e, também, da mesma forma. Abraão negou a sua mulher, e o mesmo faz Isaque. Isto é muito grave. Ver o pai e o filho caírem no mesmo pecado, no mesmo lugar, mostra-nos, claramente, que a influência desse lugar não era boa.

Não tivesse Isaque ido a Abimeleque, rei de Gerar, e não teria tido necessidade de negar sua mulher; mas a verdade é que o mais leve descuido quanto à verdadeira norma de comportamento aumenta a fraqueza espiritual. Foi quando Pedro se aquecia à fogueira do sumo-sacerdote que negou o seu Mestre. E evidente que Isaque não se sentia feliz em Gerar. E verdade que o Senhor diz-lhe: "Peregrina nesta terra"; mas quantas vezes o Senhor dá instruções ao Seu povo moralmente convenientes para as condições em que Ele sabe que eles se encontram, e que são calculadas também para os despertar a um verdadeiro sentido das condições?
— C. H. Mackintosh, "Notas sobre o Pentateuco - Gênesis".

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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