As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O cristao deve buscar enriquecimento?



https://youtu.be/nrVgpQ8sz90

Você escreveu dizendo que o pastor da igreja que frequenta disse que devemos viver o reino na terra, o que incluiria buscar prosperidade e enriquecer. Segundo ele a Bíblia diz que Jesus era rico, portanto no reino na terra deveríamos ser ricos e prósperos. A passagem que o tal pastor deturpou — pois nem cabe dizer que citou — foi esta: "Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis." (2 Co 8:9).

Fica muito claro que ele deturpou a passagem de forma malandra, pois não é isso que ela diz. O que diz aí é que Jesus, sendo rico na glória dos céus de onde veio, deixou tudo para morrer aqui e nos enriquecer com a salvação e nos nos proporcionar infinitas bênçãos espirituais nos lugares celestiais. Paulo escreve: "Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo" (Ef 1:3).

O roteiro dessa descida de Jesus do céu está na carta aos Filipenses: "Cristo Jesus,  que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra,  e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai." (Fp 2:5-11).

Qualquer leitor honesto das Escrituras logo veria que em sua vida aqui Jesus foi pobre, não tinha onde recostar a cabeça e os únicos pertences que deixou foram suas roupas. Seus pais também eram pobres, ao contrário do que disse o "pastor" da "igreja" de outro que me escreveu, que afirmava ser Jesus de família real e descendente do Rei Davi, portanto um milionário. O tal "pastor" não percebeu — ou não queria perceber —  que a oferta que José e Maria fizeram na purificação de Maria após o nascimento de Jesus foi uma oferta designada às famílias pobres. Assim determinava a Lei:

"E, quando forem cumpridos os dias da sua purificação por filho ou por filha, trará um cordeiro de um ano por holocausto, e um pombinho ou uma rola para expiação do pecado, diante da porta da tenda da congregação, ao sacerdote. O qual o oferecerá perante o Senhor, e por ela fará propiciação; e será limpa do fluxo do seu sangue; esta é a lei da que der à luz menino ou menina. Mas, se em sua mão não houver recursos para um cordeiro, então tomará duas rolas, ou dois pombinhos, um para o holocausto e outro para a propiciação do pecado; assim o sacerdote por ela fará expiação, e será limpa." (Lv 12:6-8).

"E, quando os oito dias foram cumpridos, para circuncidar o menino, foi-lhe dado o nome de Jesus, que pelo anjo lhe fora posto antes de ser concebido. E, cumprindo-se os dias da purificação dela, segundo a lei de Moisés, o levaram a Jerusalém, para o apresentarem ao Senhor (segundo o que está escrito na lei do Senhor: Todo o macho primogênito será consagrado ao Senhor); e para darem a oferta segundo o disposto na lei do Senhor: Um par de rolas ou dois pombinhos." (Lc Lc 2:21-24).

Os discípulos de Jesus e os primeiros cristãos também viviam com dificuldade, às vezes até passando fome, e precisavam se ajudar mutuamente, como você vê com frequência em Atos e nas cartas dos apóstolos. Nenhum apóstolo morreu rico e de morte natural, exceto João que morreu na prisão. Eles foram torturados e mortos de forma violenta, e em meio a muitas necessidades. Paulo dá testemunho das dificuldades que passava e, ao contrário das campanhas de revolta incitadas pelos lobos de terno e gravata de algumas igrejas, ele não ficava revoltado por causa disso:

"Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. Sei estar abatido, e sei também ter abundância; em toda a maneira, e em todas as coisas estou instruído, tanto a ter fartura, como a ter fome; tanto a ter abundância, como a padecer necessidade. Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece." (Fp 4:11-13).

Não perca seu tempo com esses pregadores de prosperidade. Fique longe deles e principalmente não deixe que cheguem perto de sua carteira, talão de cheques e cartões de crédito. São meliantes estelionatários que passam horas buscando na Bíblia passagens para tirar do contexto e transformar seus seguidores em um lucrativo negócio. Se eles não existissem os alertas dados por Jesus e seus apóstolos estariam errados, mas a existência deles é o cumprimento da Palavra de Deus.

Deles Pedro escreveu: "E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (2 Pe 2:3).

O próprio Senhor Jesus alertou contra esse tipo de gente da pior espécie: "Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade." (Mt 7:21-23).

Esta última passagem é muito usada pelos lobos da prosperidade como forma de controlar pelo medo os seus seguidores, dizendo a eles que não basta crer em Cristo para serem salvos, mas devem perseverar fielmente nos dízimos e ofertas. Uma das características dos falsos pregadores é que eles nunca dão a certeza da salvação a seus seguidores por medo de perder o rebanho. Mas o contexto da passagem no evangelho começou falando deles, e não do povo em geral: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores." (Mt 7:15).

Quando alguém me consulta sobre os descalabros praticados pelos pregadores de curas, milagres e prosperidade eu quero pensar que seja alguém sinceramente interessado em saber a verdade. Mas, conhecendo a natureza humana e também a história de Simão, o mago de Atos 8:9-24, não posso descartar a possibilidade de existirem pessoas que perguntam com outra intenção.

Falo daqueles que querem checar se não seria muito errado eles próprios buscarem aprender essas práticas. No fundo o que querem mesmo é exercer nas pessoas o mesmo poder que exercem os pregadores que veem na TV, para imitá-los. Querem mesmerizar suas plateias com supostos sinais, maravilhas, atos de exorcismo e até técnicas de hipnotismo e manipulação de mentes. Pessoas assim costumam me fazer perguntas do tipo "Como ser um grande pregador?", "Como ser um apóstolo?" e coisas assim. Não estão pensando na glória de Deus, mas na boa vida que levam as estrelas do mundo gospel.

Caso você não saiba quem foi Simão, o mago, e o que ele pretendia, vou ler a passagem que fala de sua tentativa de obter poder para benefício próprio.

"Estava ali um certo homem, chamado Simão, que anteriormente exercera naquela cidade a arte mágica, e tinha iludido o povo de Samaria, dizendo que era uma grande personagem; ao qual todos atendiam, desde o menor até ao maior, dizendo: Este é a grande virtude de Deus. E atendiam-no, porque já desde muito tempo os havia iludido com artes mágicas... E creu até o próprio Simão; e, sendo batizado, ficou de contínuo com Filipe; e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito... E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro, dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo. Mas disse-lhe Pedro: O teu dinheiro seja contigo para perdição, pois cuidaste que o dom de Deus se alcança por dinheiro. Tu não tens parte nem sorte nesta palavra, porque o teu coração não é reto diante de Deus. Arrepende-te, pois, dessa tua iniquidade, e ora a Deus, para que porventura te seja perdoado o pensamento do teu coração; pois vejo que estás em fel de amargura, e em laço de iniquidade. Respondendo, porém, Simão, disse: Orai vós por mim ao Senhor, para que nada do que dissestes venha sobre mim." (At 8:9-24).

Fica muito evidente que Simão era um falso converso, pois creu apenas intelectualmente na mensagem de Filipe. Porém não demorou para vir à tona que seu interesse era ganhar dinheiro com o poder de Deus. Quando Pedro diz para ele orar a Deus pedindo perdão, ele deixa claro não ter nada a ver com Deus, porque pede que Pedro ore por ele.

A história não diz que fim levou Simão, mas considerando que no livro de Atos encontramos "alguns dos exorcistas judeus ambulantes tentavam invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos" (At 19:13), não é muito pensar que Simão tenha feito o mesmo. Juntando o nome de Jesus ao seu talento para truques e mágicas, e com sua falta de escrúpulos para enganar o povo, Simão pode ter sido o "santo padroeiro" dos pregadores de curas, sinais e prosperidade que hoje vemos em púlpitos e programas de TV.

Uma vez recebi uma mensagem de uma irmã em Cristo que frequentava uma dessas igrejas milagreiras contando que ficou escandalizada com o que viu ali. O pastor tinha passado pelo meio das pessoas passando "azeite ungido" na testa delas e depois disse que se alguém sentisse a testa queimar devia ir à frente porque isso era sinal que o Espírito Santo estava tocando aquela pessoa, e ele iria orar por ela.

Após o culto ela foi ao escritório do pastor e antes de entrar escutou ele e outros ali rindo de como o truque do azeite com pimenta tinha funcionado.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)


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