As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Devo filtrar aquilo que pratico, leio, escuto ou assisto?



https://youtu.be/-Ze8ad605FU

Sim, é importante o cristão filtrar tudo o que chega até ele, e não somente isto: somos responsáveis por aquilo que sugerimos direta ou indiretamente para que outras pessoa façam. Sempre me preocupo quando menciono algum livro, filme ou canção, porque a percepção que cada pessoa depende dos filtros que ela já instalou em sua capacidade de discernir. Alguém que coma camarão todos os dias pode matar um amigo alérgico a frutos do mar se insistir para que coma a mesma coisa. Seu organismo não está preparado para filtrar as toxinas que no outro não causam mal.

Considere, por exemplo, um filme com cenas de violência. Quando criança o máximo de violência que eu via na TV era uma luta do Zorro com algum bandido, e nunca ninguém morria e nem o chapéu caía da cabeça. Pode-se dizer que à medida em que a programação da TV foi ficando mais violenta, e eu fui crescendo, acabei meio vacinado contra aquilo por força do costume. Mas um dia me dei conta de como nem todos estão assim.

Na casa de minha filha, enquanto ela e o marido saíam, decidi colocar um vídeo de Walt Disney para meus netos, que não têm hábito de assistir coisas violentas na TV. Aquele desenho animado, que para mim era totalmente inocente e inócuo, para eles foi como ver um filme de terror. Ficaram o tempo todo de olhos arregalados e nos momentos de maior suspense tapavam o rosto com as mãos.

E veja que estou falando de um desenho animado de Walt Disney, que é a animação de uma raposinha que trabalha como policial caçando bandidos. Mas a dinâmica das animações modernas e o enredo que mostra modalidades de crimes que não existiam na minha infância, faz com que o Zorro que eu via na TV de antigamente parecesse um tonto.

Hoje qualquer cena — inclua-se aí os desenhos para crianças — vai ter violência ou suspense e terror que não fazem parte do dia-a-dia de uma criança não habituada a esse tipo de coisa. Isso quando não começa a espirrar sangue na lente da câmera e acaba mostrando o vilão todo destroçado. Seriados como "Walking Dead", com seus zumbis sem cura, e também videogames com o mesmo grau de violência, deixam a impressão de que está OK matar seres humanos, desde que sejam feios, mutantes e famintos. Que tipo de estrago isso pode criar na mente ainda virgem de uma criança?

Moral da história: Ainda que para você algum filme, videogame ou novela seja água com açúcar, por você já ter ficado habituado e vacinado contra suas cenas de violência, para seus filhos aquilo pode ser destrutivo. O mesmo vale para a relação entre cristãos mais instruídos e experientes na Palavra e os mais novatos.

Paulo trata disso quando fala dos alimentos e costumes judaicos, que alguns ainda traziam. "Não destruas por causa da comida a obra de Deus. É verdade que tudo é limpo, mas mal vai para o homem que come com escândalo." (Rm 14:20). Uma tradução da mesma passagem na versão de J. N. Darby seria assim: "Quanto à carne, não destrua a obra de Deus. Todas as coisas certamente são puras, mas mal vai para o homem que come enquanto tropeça ao fazê-lo".

Agora experimente trocar comida por qualquer coisa e o verbo comer por praticar, vestir, assistir ou ouvir no versículo acima e na passagem abaixo. Você irá sentir o peso da responsabilidade que cada um de nós tem naquilo que estimulamos nossos filhos ou nossos irmãos a participarem, sem saber se eles têm filtros adequados para lidarem com isso. Vou introduzir na passagem a seguir alguns elementos para fazer dela uma paráfrase que sirva para diferentes coisas e situações.

"Vede que essa liberdade não seja de alguma maneira escândalo para os fracos. Porque, se alguém te vir a ti, que tens ciência, sentado à mesa no templo dos ídolos [ou coloque aqui qualquer ambiente que possa ser motivo de escândalo], não será a consciência do que é fraco induzida a comer das coisas sacrificadas aos ídolos? [ou praticar aquilo que vê você praticando]. E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu. Ora, pecando assim contra os irmãos, e ferindo a sua fraca consciência, pecais contra Cristo. Por isso, se a comida [ou roupa, ou esporte, ou música, ou videogame, ou filme etc.] escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne [ou farei qualquer uma dessas coisas], para que meu irmão não se escandalize." (1 Co 8:9-13)

Sempre que penso neste assunto eu me lembro de uma piada que ouvi logo no início de minha conversão:

O pastor de uma igreja evangélica saiu em campo para evangelizar no interior do país levando dois jovens neófitos. A noite estava bem fria e eles foram surpreendidos por uma forte chuva. Pararam seus cavalos à frente de um boteco à beira da estrada e entraram para se aquecerem. 

O pastor chegou no balcão e pediu: "Três copos de pinga bem cheios, por gentileza". Os dois neófitos arregalaram os olhos de espanto diante daquele comportamento. Afinal, o pastor sempre pregava sobre os malefícios dos vícios!

Então o pastor pediu licença e foi ao banheiro, enquanto o dono do boteco enchia dois copos de pinga até à borda. Como o pastor demorava e o frio aumentava. os dois neófitos tremendo dentro de suas roupas encharcadas se entreolharam, como se dissessem, "Se o pastor diz que pode então pode.". E beberam a pinga de uma virada só.

O pastor saiu do banheiro e os jovens, já aquecidos e muito alegres com aquele estímulo etílico, estavam quase comentando que a pinga era da boa, quando o pastor pediu uma caixa de fósforos. Então riscou um palito e encostou na pinga do copo que na mesma hora se acendeu criando uma mini-fogueira, sobre a qual o pastor passou a esfregar as mãos para se aquecer.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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