As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Esse vídeo desmascara o arrebatamento?



https://youtu.be/VNeq0A4is5o

Você enviou um vídeo no qual o autor faz três perguntas que, segundo ele, quem crê no arrebatamento não conseguiria responder. O objetivo dele é o de contestar a veracidade do arrebatamento da Igreja antes que venha o "princípio das dores" e a "grande tribulação". A dificuldade dele e de muitos que professam a Teologia do Pacto está em não compreenderem que Deus manteve mistérios ou segredos ocultos até dos profetas do Antigo Testamento e mesmo dos discípulos no período dos evangelhos, para revelá-los mais tarde ao apóstolo Paulo. O arrebatamento foi um deles.

Em 1 Coríntios 15 ele soluciona um problema que deveria ocorrer a todos: O que acontecerá com os vivos quando Cristo vier para ressuscitar os que morreram salvos? Eles teriam de ser mortos antes de receberem seus corpos incorruptíveis por meio da ressurreição? A questão ficou sem resposta até Paulo receber a revelação do mistério e explicar o que acontecerá tanto aos mortos quanto aos vivos:

"E agora digo isto, irmãos: que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção. Eis aqui vos digo um mistério: Na verdade, nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados; num momento, num abrir e fechar de olhos, ante a última trombeta; porque a trombeta soará, e os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque convém que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade, e que isto que é mortal se revista da imortalidade." (1 Co 15:50-53).

"Não quero, porém, irmãos, que sejais ignorantes acerca dos que já dormem, para que não vos entristeçais, como os demais, que não têm esperança. Porque, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também aos que em Jesus dormem, Deus os tornará a trazer com ele. Dizemo-vos, pois, isto, pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." (1Ts 4:13-17).

Comecei a ver o vídeo e logo percebi o autor partindo de uma suposição errada, quando diz: "Suponhamos que Jesus venha sete anos antes da Grande Tribulação para arrebatar a igreja". Ele está equivocado. O Senhor vem aproximadamente três anos e meio antes da Grande Tribulação, mas este tempo não é exato, pois a Bíblia não especifica quanto tempo se passará desde o arrebatamento até a aliança que os judeus farão com ao morte e com o inferno.

Bruce Anstey, em seu livro “Acontecimentos Proféticos”, começa explicando assim em seu capítulo com o título “A Septuagésima Semana de Daniel”:

“A grande multidão de judeus (os ‘muitos’ de Dn 9:27) fará uma aliança com o Império Romano revivido para buscar o que pensarão ser uma proteção das nações árabes vizinhas e da crescente pressão política no Oriente Médio. Confiarão no poder militar de Roma (a Besta) ao invés de confiarem no Senhor. Dn 9:27, Is 28:14-19, Is 8:9, 1 Ts 5:3, Sl 20:7. O remanescente fiel de judeus será aconselhado (provavelmente por meio da voz dos profetas entre eles) a não participar da aliança, mas a santificar o Senhor dos Exércitos em seus corações e confiar somente nEle. Is 8:11-13, Sl 20:7. A assinatura desse ‘concerto com a morte’ e ‘aliança com o inferno’, entre os judeus e a Besta Romana, dará início à semana profética, das 70 Semanas de Daniel, então ainda por se cumprir. Essa semana equivale a um período de sete anos.

Deve ser notado que esse período de sete anos da profecia não se inicia com o chamamento da Igreja, conhecido como arrebatamento, mas com a aliança firmada. Haverá um curto período de tempo entre o arrebatamento da Igreja e o estabelecimento da aliança, talvez um período de dias ou semanas. Está claro que o Império Romano não pode fazer uma aliança com os judeus antes de existir. Isso requer que o Império seja antes restabelecido. Dn 9:27; Is 28:14-19.” (“Acontecimentos Proféticos” - Bruce Anstey).

A primeira pergunta que o autor do vídeo coloca é: Como o anticristo poderia ser anticristãos se quando ele vier não existirem mais cristãos no mundo por a igreja ter sido arrebatada. Ele não percebe que antes de Cristo vir ao mundo também não havia ninguém identificado diretamente com Cristo e nem mesmo cristãos, assim identificados como o foram da primeira vez em Atos 11.

Mas antes de existir Igreja, formada em Atos 2, e cristãos, chamados assim em Atos 11, havia sim adoradores no mundo que foram perseguidos em diferentes momentos da história. E mesmo depois que o Senhor Jesus veio, e também depois que o Espírito Santo formou a Igreja em Atos 2, havia adoradores na terra, pessoas que eram nascidas de novo e só conheciam a adoração praticada no Judaísmo, embora não tivessem o Espírito Santo habitando permanentemente em si, que é a característica dos salvos da presente dispensação.

O eunuco era um deles, pois "tinha ido a Jerusalém para adoração, regressava e, assentado no seu carro, lia o profeta Isaías." (At 8:27-28). "Cornélio, centurião da coorte chamada italiana" era outro, "piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo, e de contínuo orava a Deus." (At 10:1-2). Os discípulos de João Batista, que Paulo encontrou no capítulo 19 de Atos, eram assim também.

"Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo, tendo passado por todas as regiões superiores, chegou a Éfeso; e achando ali alguns discípulos, disse-lhes: Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes? E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo. Perguntou-lhes, então: Em que sois batizados então? E eles disseram: No batismo de João. Mas Paulo disse: Certamente João batizou com o batismo do arrependimento, dizendo ao povo que cresse no que após ele havia de vir, isto é, em Jesus Cristo. E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas, e profetizavam. E estes eram, ao todo, uns doze homens." (At 19:1-7).

Se ler atentamente estas passagens verá que essas pessoas pertenciam a uma classe distinta dos iníquos descritos por Paulo em Romanos 3:11, que diz "não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus". Esses podiam não entender perfeitamente as Escrituras em que tinham sido instruídos, mas buscavam a Deus por serem nascidos de novo, pois tinham vida dentro de si, embora ainda não fossem parte do corpo de Cristo e nem eram habitados pelo Espírito Santo.

Os dois primeiros como gentios convertidos ao judaísmo, e os outros doze judeus que seguiam a João Batista por estarem arrependidos do abandono generalizado da verdade por Israel como nação. Com a pregação do evangelho claro e cristalino, esses, que já eram nascidos de novo pela ação da água da Palavra e do Espírito (João 3), como eram todos os santos do Antigo Testamento, escutariam que Cristo morreu e ressuscitou e seriam selados com o Espírito Santo, e aí passariam a fazer parte da Igreja, o corpo de Cristo.

É claro que depois do arrebatamento da Igreja não haverá mais Igreja na terra, mas Deus levantará adoradores verdadeiros que serão perseguidos pelo anticristo por estarem associados a Cristo. Esses são chamados por Jesus de "meus pequeninos irmãos" em Lucas 25, onde também os incrédulos são chamados de bodes e os gentios que protegerão os "pequeninos irmãos" judeus do Senhor são chamados de ovelhas. É a eles que são dirigidos profeticamente os alertas feitos pelo Senhor em Mateus 24, onde o contexto é claramente o da Judeia e dos judeus, inclusive com a menção ao sábado. Como o autor do vídeo não entende as dispensações não conseguirá entender isso dentro das limitações que a Teologia do Pacto impôs em sua mente.

Recapitulando, a Igreja é levada da terra, ocorre um tempo até os judeus fazerem um pacto com a morte (podem ser dias ou meses quando já terá início a "apostasia" de 2 Tessalonicenses 2:3) e terá início o "princípio das dores": "Porque se levantará nação contra nação, e reino, contra reino. Haverá terremotos em vários lugares e também fomes. Estas coisas são o princípio das dores." (Mc 13:8).

Depois disso se manifestará "o homem do pecado, o filho da perdição, o qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus." (2 Ts 2:4). Com isso tem início a "grande tribulação", mas durante todo esse período do princípio das dores e da grande tribulação a Igreja estará no céu, para onde foi recolhida por ocasião do arrebatamento.

"Quando, pois, virdes o abominável da desolação de que falou o profeta Daniel, no lugar santo ( quem lê entenda ), então, os que estiverem na Judeia fujam para os montes; quem estiver sobre o eirado não desça a tirar de casa alguma coisa; e quem estiver no campo não volte atrás para buscar a sua capa. Ai das que estiverem grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Orai para que a vossa fuga não se dê no inverno, nem no sábado; porque nesse tempo haverá grande tribulação, como desde o princípio do mundo até agora não tem havido e nem haverá jamais. Não tivessem aqueles dias sido abreviados, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos, tais dias serão abreviados." (Mt 24:15-22).

A segunda pergunta que o autor do vídeo fez eu realmente não entendi com clareza, pois talvez ele a tenha feito dentro de uma mentalidade de alguém que pensa com as limitações impostas pela Teologia do Pacto. Me pareceu que ele diz que, se esperamos o arrebatamento, e isso é algo que fazemos pela fé, se o arrebatamento acontecer já não será mais preciso fé para crer nesse evento por ele já ter acontecido. Se é que entendi o que ele quis dizer, aparentemente ele alega que os cristãos que ficarem aqui não poderão mais exercer esse tipo de fé em algo que já aconteceu para poderem ser salvos.

Mas a questão é que aqueles que ouviram o evangelho, não se converteram verdadeiramente, e ficaram aqui, não vão se converter nunca mais, pois Deus os obrigará a crer na mentira do diabo. É a isso que Paulo chama de "operação do erro" ou "poderoso engano" ou "poder sedutor", conforme diferentes versões, para crerem na mentira. Perderam a chance de crer na verdade quando ouviram o evangelho da graça e o rejeitaram antes do arrebatamento. Para esses o arrebatamento porá um fim em suas chances, como a morte coloca um ponto final nas chances de salvação de qualquer pessoa viva. É disso que fala 2 Tessalonicenses 2:

"E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; a esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram a verdade, antes tiveram prazer na iniquidade." (2 Ts 2:8-12).

Essa é a classe de pessoas que teve conhecimento do evangelho da graça de Deus antes do arrebatamento, não creu, e agora vai ficar embasbacada com os sinais e prodígios de mentira praticados pelo emissário de Satanás. Hoje existem muitos assim, mesmo entre cristãos professos, correndo atrás de milagres e milagreiros. É como se Deus permitisse ao inimigo já ir juntando em feixes aquele joio que depois será queimado. "Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar" (Mt 13:30). Repare que é Deus quem enviará sobre eles uma "operação do erro", para que creiam na mentira. Eles já "não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniquidade" quando tiveram oportunidade.

A terceira pergunta que o autor do vídeo faz é clássica: Se o Espírito Santo for tirado da terra no arrebatamento, quem irá convencer as pessoas do pecado para que se convertam? Ora, o Espírito Santo nunca deixou de atuar na terra desde a Criação, como também o Pai e o Filho que trabalham até agora na conversão de pessoas. Jesus é o Jeová que vemos continuamente no Antigo Testamento agindo no meio do povo de Israel e entre as nações gentias. Quando Jesus partiu formalmente da terra, ele ainda continuou a agir aqui, e foi por meio dessa ação que converteu Saulo no caminho de Damasco.

O Espírito Santo, que esteve com o Pai e o Filho no momento da Criação do homem, quando o texto usa do plural "façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança" (Gn 1:26), continuará agindo aqui como sempre agiu em todas as épocas. Só não habitará na terra, como habita hoje na Igreja e em cada crente individualmente, como também Jesus não habitou aqui antes de sua encarnação ou depois de sua ascensão. Simples assim.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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