As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Seria Satanas inimigo de Deus ou nao?



https://youtu.be/gbJ0tI9mDGs

A dúvida é se algum lugar na Bíblia afirma que Satanás seja inimigo de Deus. Seria estranho achar que um ser que se rebelou contra seu Criador e daí em diante passou a ser um opositor constante de Deus e de seu povo seja algo diferente de um inimigo. Seria Deus capaz de dizer que o arqui-inimigo de seu povo em todas as épocas é seu amigo?

Alguns tentam contestar que Satanás seja inimigo de Deus argumentando não existir uma passagem que diga categoricamente "O diabo é inimigo de Deus". Mas muitas vezes a tentativa de negarmos uma verdade por ela estar subentendida na Palavra de Deus, ou ser mencionada em apenas uma passagem, pode levar a erros maiores. Isso acontece, por exemplo, com os adeptos do unitarianismo, as Testemunhas de Jeová, mórmons, espíritas e outras seitas anticristãs, que tentam posar de cristãs enquanto negam a Trindade alegando não existir na Bíblia tal palavra.

Direta ou indiretamente ideias assim podem levar a enganos maiores que venham a macular a Pessoa e obra de Cristo. A tese de Satanás não ser inimigo de Deus leva a concluir que ele seria um amigo ou ao menos um simpatizante da causa de Deus, e quiçá auxiliador na obra da salvação. Se você acha estranha a ideia de Deus fazer do diabo seu sócio na empreitada da expiação dos pecados, é porque não sabe que existem doutrinas que dizem exatamente isso.

É o caso do Adventismo do Sétimo Dia, e sua falsa profetiza Ellen White que, em seus devaneios doutrinários, acabou elevando o diabo ao status de co-participante de nossa salvação. Ao interpretar o primeiro bode da expiação descrita em Levítico 16 como Cristo, e o bode emissário como se fosse Satanás, aquela mulher acabou ensinando — e 1 Timóteo 3 mostra que é vedado à mulher ensinar — que o diabo seria um aliado de Deus e co-autor da obra da salvação com Cristo.

O raciocínio daquela mulher é que a remissão dos pecados teria sido impossível sem uma ajuda satânica que ficasse responsável em consumar 50% da obra que Cristo declarou como consumada na cruz. De acordo com aquela mulher, quem sofreria a pena pelo pecado no final seria o próprio diabo, tendo Jesus sofrido apenas parte dela na cruz. Em seu livro "Patriarcas e Profetas", no capítulo "O Tabernáculo e seus serviços", Ellen White diz:

"Visto que Satanás é o originador do pecado, o instigador direto de todos os pecados que ocasionaram a morte do Filho de Deus, exige a justiça que Satanás sofra a punição final. A obra de Cristo para a redenção dos homens e purificação do Universo da contaminação do pecado, encerrar-se-á pela remoção dos pecados do santuário celestial e deposição dos mesmos sobre Satanás, que cumprirá a pena final.""Patriarcas e Profetas" - Ellen White.

Qualquer conhecedor do Evangelho da graça e da sã doutrina sabe que tal pensamento não passa de doutrina diabólica  — ou na melhor das hipóteses delírio de uma mente perturbada — e nada tem a ver com a verdade. Os bodes em Levíticos 16 são apenas dois aspectos de uma mesma e única obra de expiação, que prefigurada ali seria depois executada por uma mesma Pessoa, Cristo Jesus. A passagem é esta:

"Também tomará ambos os bodes, e os porá perante o Senhor, à porta da tenda da congregação. E Arão lançará sortes sobre os dois bodes; uma pelo Senhor, e a outra pelo bode emissário. Então Arão fará chegar o bode, sobre o qual cair a sorte pelo Senhor, e o oferecerá para expiação do pecado. Mas o bode, sobre que cair a sorte para ser bode emissário, apresentar-se-á vivo perante o Senhor, para fazer expiação com ele, a fim de enviá-lo ao deserto como bode emissário." (Lv 16:7-10).

Bruce Anstey comenta, sobre os dois bodes em seu livro "Definições Doutrinais": "No que diz respeito à casa de Israel, um dos dois bodes que tinham sido tomados para o sacrifício foi levado ao altar e foi morto, e seu sangue foi espargido 'sobre' o propiciatório. Isso fala de propiciação. Em seguida, o bode vivo que tinha os pecados do povo confessados sobre si, foi enviado para o deserto (vs. 21-22). Isso tipifica os pecados dos filhos de Israel sendo confessados (Sl 69:5) e carregados (Is 53:12) por Cristo na cruz, como Substituto deles. Quando o remanescente de Israel vier para receber o benefício dessa obra em um dia futuro, eles vão entender que os seus pecados foram removidos para tão longe quanto o Oriente é do Ocidente (Sl 103:12). William Kelly disse: 'A expiação consiste em duas partes, unidas para nós no novilho, e para Israel nos dois bodes de Levítico 16, que estabeleceram a parte de Jeová na propiciação e a parte do povo na substituição.'".

Voltando à questão de Satanás ser ou não inimigo de Deus, ele é declarado inimigo pelo próprio Senhor Jesus na Parábola de Mateus 13:

"Propôs-lhes outra parábola, dizendo: O reino dos céus é semelhante ao homem [o Senhor] que semeia a boa semente no seu campo; mas, dormindo os homens, veio o seu inimigo [inimigo do Semeador], e semeou joio no meio do trigo, e retirou-se. E, quando a erva cresceu e frutificou, apareceu também o joio. E os servos do pai de família, indo ter com ele, disseram-lhe: Senhor, não semeaste tu, no teu campo, boa semente? Por que tem, então, joio? E ele lhes disse: Um inimigo é quem fez isso. E os servos lhe disseram: Queres pois que vamos arrancá-lo? Ele, porém, lhes disse: Não; para que, ao colher o joio, não arranqueis também o trigo com ele. Deixai crescer ambos juntos até à ceifa; e, por ocasião da ceifa, direi aos ceifeiros: Colhei primeiro o joio, e atai-o em molhos para o queimar; mas, o trigo, ajuntai-o no meu celeiro.". (Mt 13:24-30).

Depois Jesus explica a parábola em particular aos seus discípulos: "O inimigo, que o semeou, é o diabo; e a ceifa é o fim do mundo; e os ceifeiros são os anjos." (Mt 13:39). Estes autores do século 19 também usam a expressão "inimigo de Deus" quando mencionam o diabo:

"Devo tratar as iniciativas da carne em mim como Satanás (Amaleque), inimigo de Deus e meu inimigo." H. C. Anstey.

"O esforço incansável de Satanás é nos trazer maldição só por sermos redimidos, como sempre foi o papel do inimigo de Deus, na história de Seu povo em amaldiçoá-los." J. N. Darby.

"É perfeitamente verdade que o pecado jamais deveria encontrar lugar no universo de Deus. 'Um inimigo fez isso'. Foi o inimigo de Deus quem trouxe isso para o mundo antes sem mácula, e que era o reflexo exterior do poder benéfico de Deus, arruinando-o assim." W. Kelly.

"A explicação de uma parábola, quando dada em conjunto com a última parábola, apresenta o modo e maneira desta separação; daqueles que são filhos de Deus, em oposição àqueles que são amigos do inimigo de Deus, o diabo: 'A amizade do mundo é inimizade contra Deus." J. N. Darby.

"A carne que continua em nós, e o mundo em redor, e Satanás, inimigo de Deus e nosso, fazem vigilância contínua contra nós." G. V. Wigram.

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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