As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O que fazer agora que entendi onde e como congregar?



https://youtu.be/Tn8T3K3eX0A

A dúvida de como proceder depois de ter entendido onde e com congregar é uma que surge depois que as pessoas entendem onde NÃO congregar, ou seja, em sistemas denominacionais ou não criados por homens e que dividem os crentes por diferentes títulos. Muitos depois de entenderem isso acabam se envolvendo com grupos não-denominacionais que podem ser até piores em termos de doutrina. Isso é como fugir da panela para cair no fogo.

A admoestação de Paulo a Timóteo, capítulo 2 e versículos de 15 ao 22, tem algumas etapas envolvidas neste processo:

Versículo 15. "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade."

O versículo 15 dá a base para tudo, que é o conhecimento da Palavra de Deus e saber como dividi-la corretamente, entendendo o que é para Israel, o povo terreno de Deus, e o que é para a Igreja, o povo celestial. Esse conhecimento é o que costumamos chamar de dispensacionalismo, ou o estudo de como Deus tratou de diferentes maneiras com os seres humanos em diferentes eras. Conhecer bem as Escrituras nos dá a segurança de sabermos responder a cada um que pedir a razão de nossa fé.

Versículo 16. "Mas evita os falatórios profanos, porque produzirão maior impiedade."

Alguns abandonam o erro, as más doutrinas e os falsos profetas da cristandade, e viram especialistas em malignidade. Criam sites, canais e vídeos especializados em heresias e só sabem falar disso em suas conversas. No original significa evitar "discussão vazia", que nada agrega e nem edifica. Alguém definiu o ato de sair de um sistema religioso corrompido e viver falando das más doutrinas e maus pregadores daquele sistema como um que extrai um tumor cancerígeno e manda fazer um pingente para andar sempre com aquele tumor pendurado no pescoço.

Versículos 17, 18. "E a palavra desses roerá como gangrena; entre os quais são Himeneu e Fileto, os quais se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição era já feita, e perverteram a fé de alguns.".

Este é o efeito da má doutrina sobre seus ouvintes, seja ela saída da boca do falso profeta, seja retransmitida por pessoas ingênuas que o fazem com espírito de crítica. O melhor é que, quando você precisar alertar alguém sobre algum erro doutrinário, dê uma versão bem sucinta do erro, como faz o apóstolo aqui, e passe logo ao ensino da verdade.

Já imaginou se existisse Youtube no tempo de Paulo e ao invés de ele apenas pincelar qual era o erro de Himeneu e Fileto colocasse links para todos os vídeos em que aqueles hereges destilam sua doutrina venenosa? No final sairíamos mais especialistas na má doutrina do que na verdade para a qual o apóstolo quer chamar nossa atenção.

Versículo 19. "Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são seus, e qualquer que profere o nome de Cristo aparte-se da iniquidade.".

Este versículo 19 é importantíssimo por mostrar que o assunto que ele está tratando não é de salvação eterna, mas de erro doutrinário e separação do mal ou iniquidade. Não cabe ao crente julgar quem está salvo ou não, porque o fundamento ou alicerce de Deus é que somente o Senhor conhece os que são seus. Você encontrará muitos cristãos genuínos vivendo no engano da má doutrina, mas isso não compromete sua salvação. Nenhum verdadeiro salvo jamais irá perder a salvação, e isto é algo que você deveria trazer escrito na testa para nunca mais se esquecer.

Versículo 20. "Ora, numa grande casa não somente há vasos de ouro e de prata, mas também de pau e de barro; uns para honra, outros, porém, para desonra."

Agora o apóstolo está falando do aspecto exterior da Igreja, chamado aqui de "grande casa". Na primeira carta a Timóteo o apóstolo a chamou de "casa de Deus" (1 Tm 3:15), mas aqui ele a contempla com algo que foi corrompido pela ação do homem, uma grande casa onde existe de tudo dentro dela.

Em seu aspecto puro e genuíno, a Igreja é o Corpo de Cristo do qual são membros todos os salvos por ele, que foram escolhidos antes da fundação do mundo e que em algum momento no tempo ouviram "a Palavra da Verdade, o Evangelho da salvação e, tendo nele também crido, foram selados com o Espírito Santo... que é o penhor da herança, para redenção da possessão adquirida". (Ef 1:13-14).

Se você creu em Jesus é porque foi adquirido por Deus. Se você acredita que algo ou alguém poderia arrancar você das mãos do Pai é porque ainda não entendeu a magnitude da obra de Cristo e precisa conhecer melhor o quanto custou sua salvação. Ela não foi conquistada por suas míseras obras, obediência ou perseverança, mas pelo sangue precioso derramado na cruz.

Se a Igreja, em sua essência, é pura e santa, porque é Cristo quem a faz assim sem a intervenção humana, e não existe qualquer falso membro de Cristo nesse Corpo, já a "casa de Deus" ou "grande casa", como acabou se tornando, é o aspecto exterior dessa casa, e nele existem lado a lado o joio e trigo, o falso e o verdadeiro.

Você foi feito membro do corpo de Cristo por ele próprio quando creu nele, mas entrou na "casa de Deus" ao ser batizado. Por isso encontramos pessoas, como Simão, o mago, de Atos 8, que disse ter crido na mensagem de Filipe, foi batizado, mas estava de olho só no dinheiro. Um falso crente como milhões semelhantes espalhados pelo mundo.

Versículo 21. "De sorte que, se alguém se purificar destas coisas, será vaso para honra, santificado e idôneo para uso do Senhor, e preparado para toda a boa obra.".

Agora o apóstolo está falando da santificação ou separação prática de "vasos" ou pessoas. No versículo 19 ele falou de apartar-se da iniquidade e da má doutrina como um todo, mas você não conseguirá se manter apartado se continuar dando ouvidos aos vasos que carregam em si a má doutrina.

Muitos deles podem ser genuínos filhos de Deus e usados em diferentes obras pelo Senhor, mas se você quiser ser usado "para toda a boa obra" deverá permanecer longe dos vasos que transportam a má doutrina. Não estou dizendo para você perder a amizade e virar o rosto para sua mãe ou seu cônjuge, que mesmo crendo em Jesus continuam associados a algum sistema com má doutrina. Apenas evite ficar perto quando esse vaso abrir sua tampa e passar a derramar de dentro de si aquilo que é contrário à sã doutrina.

Todos esses vasos, independente de onde estejam congregados, podem ser usados pelo Senhor em diferentes maneiras e contextos. Mas repare que o apóstolo está falando de um vaso "preparado para toda a boa obra", ou seja, não apenas para as obras que os outros vasos poderiam executar.

Isso seria como você ter em casa duas vasilhas, uma de plástico e outra de aço inoxidável. A primeira não pode ser usada para toda obra, mas apenas para algumas, pois o plástico pega o cheiro e o gosto do que for armazenado nele, e também não pode ser levado ao fogo. A de aço inoxidável serve para "toda boa obra".

Versículo 22 "Foge também das paixões da mocidade; e segue a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor.".

Se você já se separou da iniquidade e dos sistemas que a promovem, ainda que com a roupagem da religião; se procura manter-se impermeável ao que os vasos de pau e barro querem derramar em você, agora é a vez de entender que em você, em sua carne, também existe mal.

Não estou falando necessariamente de desejos impuros, mas principalmente do ímpeto e da energia da carne, que embora boa em alguns aspectos, pode ser péssima quando aplicada nas coisas espirituais. Já viu alguém "cabeça dura", teimoso, que quer fazer as coisas na energia da carne e mais derruba do que constrói? É disso que o versículo fala em sua primeira parte.

Mas ele fala de algo que alguns parecem não conhecer ainda, que é o segundo passo depois de ter extraído tudo aquilo que impedia você de adorar a Deus em espírito e Verdade, livre dos impulsos da carnalidade religiosa, separado daquilo que os vasos religiosos tentam derramar sobre você e longe dos sistemas criados por homens. Falo de seguir "a justiça, a fé, o amor, e a paz com os que, com um coração puro, invocam o Senhor".

Este é o próximo passo, seguir ou congregar com aqueles que já tiveram esse exercício. Não que sejam melhores que você ou qualquer cristão, mas apenas se desvencilharam das coisas que lhes impediam de estarem preparados para toda boa obra. E para melhor entender isso vou incluir aqui um artigo escrito por Paul Froese, com o título "O que fazer agora que entendi onde e como congregar?".


 O que fazer agora que entendi onde e como congregar?- Paul Froese

Você se separou do sistema religioso criado pelos homens por desejar estar congregado somente ao nome do Senhor. É importante que o objetivo não é “congregar conosco”, mas com o Senhor e onde ele colocou o seu nome, ou seja, sua autoridade. “Dos outros, porém, ninguém ousava ajuntar-se a eles; mas o povo tinha-os em grande estima. E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.” (At 5:13-14).

Em outras palavras, o objetivo não é você ajuntar-se a nós, mas é o Senhor quem faz a obra de ajuntar, e é a ele que ele próprio ajunta. “Porque quem não é contra nós, é por nós... Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha.” (Mc 9:40; Mt 12:30). Repare que existe nestes versículos uma clara distinção entre os termos “nós” e “comigo”.

Se fizermos da expressão "nós" o nosso referencial — sendo esse "nós" os irmãos congregados ao nome do Senhor —, então juntar-se a esses (os"nós") não passa de sectarismo, e qualquer um que venha a se unir a essa comunhão com um motivo assim logo ficará desapontado ao descobrir que "nós" não somos diferentes de quaisquer outros cristãos sobre a face da Terra.

Eventualmente nossa moral será repreensível, poderemos às vezes ter má doutrina, más práticas, más atitudes, mau testemunho... Mas o ponto é, se o Senhor está no meio, então existe um recurso e autoridade para corrigir essas coisas que eventualmente estejam erradas, e para isso é usada a disciplina sempre que necessário.

Se, todavia, nos reunimos a "ELE", no sentido de quando Jesus diz "comigo", então ELE nunca irá nos desapontar. Nunca devemos perder este foco e referencial. Além disso, se estou congregado a Cristo, e você está congregado a Cristo, então estaremos congregados juntos. Mas jamais devo, como primeiro motivo, me congregar com você, ou você comigo, mas devemos ambos estar congregados ao Senhor Jesus Cristo, e assim descobriremos que ali eu e você estaremos também em comunhão um com o outro.

Mas sua dúvida é o que fazer agora. Não existe um formulário ou um questionário para ser respondido para se cadastrar entre irmãos congregados ao Nome do Senhor. Isto porque também não existe um governo central fora do céu onde o Senhor está assentado como a Cabeça de seu corpo.

“Porque nós, sendo muitos, somos... um só corpo” (1 Co 10:17). “Todos os membros, sendo muitos, são um só corpo” (1 Co 12:12). “Assim nós, que somos muitos, somos um só corpo em Cristo, mas individualmente somos membros uns dos outros” (Rm 12:5). Você já é membro do corpo de Cristo, se é que já creu verdadeiramente nele para a salvação de sua alma.

Porém existe uma diferença entre pertencer ao corpo de Cristo e praticar essa verdade. O sinal prático dessa unidade é o partimento do pão — literalmente o participar da ceia do Senhor. “O pão que partimos não é porventura a comunhão do corpo de Cristo?” (1 Co 10:16). Existe uma diferença entre o corpo de Cristo e a comunhão do corpo de Cristo.

Mas não cabe a nós começarmos partindo o pão por nós mesmos, pois se a Palavra em Efésios 4:4 diz que “há um só corpo”, o que vem imediatamente antes, no versículo 3, é que devemos procurar “guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Ef 4:3). Temos de reconhecer que já existe a comunhão do corpo na Terra, e nosso dever é guardar ou manter a união na prática.

Quando nos dias do Livro de Atos o evangelho se espalhava pelo mundo, vemos que sempre foi mantida a comunhão entre as assembleias por meio das visitas dos irmãos. “Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João.” (At 8:14). “E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor. E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração” (At 11:21-23).

A igreja tinha começado em Jerusalém, mas agora começava em outras cidades também. Para manter a unidade na prática os irmãos de Jerusalém chegavam a esses lugares e reconheciam o que o Senhor estava fazendo. Eles não iam a fim de estabelecer nessas cidades “a Igreja de Jerusalém”, mas simplesmente para demonstrar a comunhão do “um só corpo” que existia em ambas as localidades.

Se a ceia do Senhor — o partir do pão — serve para mostrar na prática a verdade do “um só corpo” por meio da comunhão, então para que a mesa do Senhor seja estabelecida num lugar é preciso que alguns que já participam desse “mesa” cheguem à nova localidade e partam o pão lá com os membros do corpo de Cristo ali que têm o desejo de manter a unidade do Espírito e a comunhão do corpo de Cristo.

Antes de fazerem isso é preciso que fique bem claro que é o Senhor quem está fazendo a obra naquele novo lugar, pois a “mesa” é dele, não nossa. É ele quem estabelece a “mesa”, mas também nós, que já participamos dessa comunhão, devemos ativamente manter essa comunhão e unidade onde ficar evidente que o Senhor está levantando um testemunho ao seu nome. Darby escreveu que “a fé tem um duplo caráter — a energia que vence e a paciência que espera em Deus e confia nele”. Precisamos destas duas coisas também nesta questão: energia e paciência.

Devemos também saber que, embora todos os membros do corpo de Cristo têm o seu lugar à mesa do Senhor, nem todos podem estar ali por causa do pecado que traz desonra pública ao nome do Senhor, a saber pecado moral, doutrinal ou eclesiástico. Sim, pode ser que eles sejam membros do corpo de Cristo, verdadeiros filhos de Deus, mas na assembleia existe uma disciplina, pois o Senhor está ali e é nosso dever manter a santidade do testemunho congregado ao seu nome (1 Coríntios 5). É por isso que as Palavra diz: “A ninguém imponhas precipitadamente as mãos” (1 Tm 5:22).

A razão é que não sabemos se alguém está andando de modo errado até termos tido tempo para conhecer melhor a pessoa. Além do triste assunto do pecado, não existe outro motivo para manter um membro do corpo de Cristo fora da comunhão do mesmo corpo de Cristo. Não existe diferença entre os membros neste aspecto. Sim, pode existir “diversidade de dons” espirituais entre os membros do corpo (1 Coríntios 12:4), e há também diferentes níveis de crescimento e entendimento na vida cristã (1 João 2:12-13), mas mesmo assim estas coisas não pesam na dignidade do crente em Cristo para que venha a tomar seu lugar à mesa do Senhor. — Paul Froese

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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