As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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O pastor pode me amaldicoar por ter deixado a denominacao?



https://youtu.be/P15ofAJzRGQ

Você escreveu dizendo estar sofrendo perseguição por ter abandonado a denominação onde estava. Alguns acham que isso equivale a ter deixado de crer em Jesus, outros lançam maldições sobre você, dizendo que sofrerá estando fora da "igreja", e o pastor chegou a dizer que a mão de Deus irá pesar sobre você. Como podem pessoas assim serem verdadeiros crentes? Estariam elas enganadas? Isso pode trazer mesmo algum problema para sua vida? Deveria você orar pedindo a Deus por proteção?

É normal isso acontecer principalmente com os que deixam alguma igreja pentecostal. Quanto a serem ou não crentes reais os que dizem essas coisas, deixe isso para Deus resolver. "O Senhor conhece os que são seus." (2 Tm 2:19). Uns podem ser crentes sinceros que estão sinceramente enganados, mas que deveriam voltar para o be-a-bá da fé cristã para saber que nunca um cristão deve amaldiçoar alguém, quem quer que seja. Outros podem ser apenas professos que se filiaram a uma igreja achando que isso poderá salvá-los. Esses que são tão orgulhosos de sua denominação, e que ignoram como andar com o mesmo sentimento de Cristo Jesus, estão cometendo pecado ao desejarem o mal a você.

"E nenhum de vós pense mal no seu coração contra o seu próximo, nem ameis o juramento falso; porque todas estas são coisas que eu odeio, diz o Senhor... Quando cair o teu inimigo, não te alegres, nem se regozije o teu coração quando ele tropeçar... Pois do que há em abundância no coração, disso fala a boca. O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado. " (Zc 8:17; Pv 24:17; Mt 12:34-37).

Esse terrorismo psicológico é muito comum em igrejas pentecostais e é uma das técnicas utilizadas para prender seus membros pelo medo. São uns pobres escravos de seus pastores e sistemas, além de muitos deles serem bem supersticiosos. Algumas dessas igrejas lembram bastante o catolicismo e as superstições populares, do tipo sapato com a sola para cima dá azar, passar debaixo de escada também, ter um gato preto cruzando na sua frente idem. Já ouviu falar de ferraduras, que as pessoas penduram na porta para ter sorte, sem perceber que o cavalo teve o azar de perdê-la. E chaveiros com pé de coelho são vendidos até hoje porque ninguém parou para pensar que o coelho, que tinha quatro daqueles, foi sacrificado mesmo assim.

Mas algumas superstições surgiram como forma de manipular e controlar as pessoas. Sabe de onde vem a ideia de que não se pode comer banana à noite? Tem até uma rima: "De manhã é ouro, de tarde é prata e à noite mata". Na verdade esta é a versão brasileira, porque em sua origem portuguesa a fruta era a laranja e o objetivo era evitar que empregados (e no caso do Brasil os escravos) entrassem na plantação à noite para roubar e comer a fruta.

Em muitas dessas igrejas pentecostais as superstições só mudam de nome e de objetos, passando a usar coisas como "água do Rio Jordão", "azeite do Monte das Oliveiras" e até pétalas de rosa que chamam de "Rosa de Saron". Existe um comércio que cresce cada vez mais com a venda de badulaques chamados de evangélicos e usados nessas igrejas.

A mesma técnica de amaldiçoar os que abandonam uma denominação pentecostal é usada por muitos pastores. Ouvi dizer de um pastor que usava esta: "Vocês sabem que quando eu prego eu falo inspirado pelo Espírito Santo. Se vocês me abandonarem estarão abandonando o ministério do Espírito, estarão pecando contra o Espírito, e quem peca contra o Espírito não tem perdão!!!". Se falar isso tocando uma música de fundo bem fúnebre e com aquela gargalhada macabra dos filmes de terror deve ficar perfeito.

Tudo isso tem também muito de paganismo, pois foi assim que os pagãos da ilha de Malta interpretaram o acidente que aconteceu com Paulo e uma víbora, por não perceberem que era Deus quem havia permitido aquilo justamente para dar testemunho do poder do Deus que Paulo vinha lhes anunciar:

"E, havendo Paulo ajuntado uma quantidade de vides, e pondo-as no fogo, uma víbora, fugindo do calor, lhe acometeu a mão.E os bárbaros, vendo-lhe a víbora pendurada na mão, diziam uns aos outros: Certamente este homem é homicida, visto como, escapando do mar, a justiça não o deixa viver. Mas, sacudindo ele a víbora no fogo, não sofreu nenhum mal." (At 28:3-5).

Todo esse terrorismo psicológico cria em alguns a "Síndrome de Estocolmo", que é um estado psicológico em que uma pessoa, submetida a um tempo prolongado de intimidação, passa a ter simpatia e até mesmo amor ou amizade pelo seu agressor. O nome foi dado depois de um sequestro em Estocolmo, na Suécia, em 1973, quando se percebeu que as vítimas, submetidas a um forte estresse de dominação violenta, se apegaram aos seus captores e os defendiam perante a polícia.

Este mesmo sentimento pode ser encontrado em esposas e filhos que sofrem abusos de maridos e pais violentos, e em prisioneiros de guerra que são torturados física e psicologicamente. Uma série de TV que explorou o assunto foi "Homeland", que mostrava um soldado norte-americano de volta ao seu país como herói, depois de ter passado anos numa prisão sendo torturado por radicais islâmicos. O que não sabiam era que debaixo da farda de herói o que voltava para casa era um psicopata convertido ao islamismo e pronto para se explodir em cega obediência a seus torturadores.

Mas o que fazer no seu caso, quando se é perseguido e amaldiçoado pelos líderes e outros que ficaram na denominação pentecostal de onde você foi liberto? O melhor é seguir as instruções do Senhor: "Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam." (Lc 6:28). E olhar bem onde pisa, porque se torcer o pé certamente vão dizer que foi intervenção divina, castigo por ter deixado a igreja, maldição diabólica etc.

De uma coisa você pode ter certeza: Se for intervenção divina, certamente não terá sido por ter deixado a má doutrina, e sim por alguma outra razão. E quando Deus permite algo desagradável em nossa vida sabemos que é para o bem, e pode às vezes vir como consequência de nossa fidelidade em buscar fazer a vontade dele.

Com Jó foi assim e todos sabemos do final feliz de sua triste história. Alguém provavelmente influenciado pela doutrina que permeia essas religiões me questionou como João Batista podia ter sido morto se era fiel a Deus. Para essas pessoas quando acontece algum problema, seja enfermidade, acidente ou o que for, é porque deve ter algum pecado oculto ou até uma maldição familiar vinda de algum antepassado que foi pirata há duzentos anos. É claro que os que ensinam essas coisas sempre têm alguma sessão milagrosa para livrar a pobre alma atingida pelo infortúnio. Mediante uma oferta bem polpuda, evidentemente.

Nos Evangelhos encontramos o Senhor sendo perseguido pelos mesmos que deveriam aguardar pelo Messias e não o reconheciam bem ali. O judaísmo, a única religião instituída por Deus, havia chegado a um tal ponto de degradação que Deus iria colocá-la inteiramente de lado. Enquanto isso, até mesmo alguns que depois Deus usaria muito, como Saulo, perseguiriam ferozmente os cristãos por amarem mais sua religião do que o Deus verdadeiro. O próprio Paulo diz:

"Bem tinha eu imaginado que contra o nome de Jesus Nazareno devia eu praticar muitos atos; o que também fiz em Jerusalém. E, havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a blasfemar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui." (At 26:9-11).

Ora, os primeiros discípulos também precisaram abandonar tudo e muitos viram seus cônjuges, pais e filhos passarem a odiá-los com inimigos. Jesus avisou: "Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada; porque eu vim por em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra; e assim os inimigos do homem serão os seus familiares." (Mt 10:34-36).

Você viu algum apóstolo levando uma vida tranquila por ter abandonado o judaísmo, a religião de seus pais, para seguir a Jesus? Todos eles morreram de forma violenta, exceto João que morreu na velhice, porém numa prisão na Ilha de Patmos. Estas passagens poderão servir de consolo:

"Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis." (Rm 12:14).

"Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus; bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa. Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós." (Mt 5:10-12).

"Por isso sofro trabalhos e até prisões, como um malfeitor; mas a palavra de Deus não está presa. Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna. Palavra fiel é esta: que, se morrermos com ele, também com ele viveremos; se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará; se formos infiéis, ele permanece fiel; não pode negar-se a si mesmo." (2 Tm 2:9-13).

"Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis. Se pelo nome de Cristo sois vituperados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus; quanto a eles, é ele, sim, blasfemado, mas quanto a vós, é glorificado. Que nenhum de vós padeça como homicida, ou ladrão, ou malfeitor, ou como o que se entremete em negócios alheios; mas, se padece como cristão, não se envergonhe, antes glorifique a Deus nesta parte. Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus? E, se o justo apenas se salva, onde aparecerá o ímpio e o pecador? Portanto também os que padecem segundo a vontade de Deus encomendem-lhe as suas almas, como ao fiel Criador, fazendo o bem." (1 Pe 4:12-19).

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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