As ideias aqui não são originalmente minhas, mas são fruto do que tenho aprendido da Palavra de Deus fora dos sistemas denominacionais com irmãos congregados ao nome do Senhor e também com autores de outras épocas que congregavam assim, como J. G. Bellett, C. H. Brown, J. N. Darby, E. Dennett, W. W. Fereday, J. L. Harris, W. Kelly, C. H. Mackintosh, A. Miller, F. G. Patterson, A. J. Pollock, H. L. Rossier, H. Smith, C. Stanley, W. Trotter, G. V. Wigram e muitos outros. Uma lista completa em inglês você encontra neste link.
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Posso ter plena certeza?



https://youtu.be/5_3vgWZasWo

Quando encontro alguém que se identifica como cristão, fico muito feliz. Geralmente a primeira pergunta que o outro faz para mim é: "De que igreja é o irmão?", ou "Onde você congrega?". Na sequência eu vou dizer que estou congregado somente ao nome do Senhor Jesus, sem uma denominação religiosa, sem um templo, um "pastor" ou "padre" à frente, sem dízimos, bandas, altares e outras coisas que acabaram por caracterizar uma reunião de cristãos em nossos dias.

Na maioria das vezes o outro me olhará como se desconfiasse de minha fé e dirá que congrega na "Igreja X" ou "Igreja Y". Ele aprendeu que cristão não pode ser "sem igreja" ou "desigrejado", que eu posso ser um "desviado" e me dirá que é importante estar "ligado ao corpo de Cristo". Na sua concepção, influenciada pelo erro eclesiástico, isto significa ser membro de uma organização eclesiástica chamada "Igreja X" ou "Congregação Y" ou "Comunidade Z". Tento explicar que somos feitos membros do corpo de Cristo no momento em que cremos nele, e é o próprio Senhor quem faz essa ligação. Nenhum ser humano consegue fazer outro ou a si mesmo membro do corpo de Cristo, que é a Igreja, da qual fazem parte todos os salvos por Cristo sem exceção.

Nessa hora eu sinto-me tentado a entrar em mais detalhes e explicar como os cristãos deveriam estar congregados segundo a doutrina dos apóstolos encontrada em Atos e nas epístolas, mas sou obrigado a me conter e fazer uma pergunta de grande importância: "Se você morrer agora, para onde vai?". Alguns dizem que não sabem ou não têm certeza, e logo percebo que estão precisando do Evangelho básico da salvação e dos "rudimentos de Cristo"  (Hb 6:1).

Outros respondem "Para o céu!", e se pergunto a razão de pensarem assim, as respostas variam entre "Porque Jesus morreu por mim", que é a resposta certa, e "Porque procuro perseverar" que é a resposta errada. Fica logo claro que ao menos este segundo não tem plena certeza de sua salvação porque recebeu um falso evangelho de salvação por obras e perseverança. Não entendeu que graça significa favor imerecido e que "pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas." (Ef 2:8-10).

Quando uma pessoa entende a graça de Deus e crê em Cristo depositando nele total confiança de ter tido seus pecados perdoados e um lugar assegurado no céu, ela passa da condição do homem do capítulo 7 de Romanos para o homem do capítulo 8. O primeiro está ainda lutando contra a carne e o pecado e sem saber onde encontrar descanso.

"Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim.  Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" (Rm 7:18-24).

A resposta a essa pergunta é Cristo e a certeza da nova vida vem no capítulo 8 que começa dizendo: "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus" (Rm 8:1). Isto não é apenas ter certeza, mas plena certeza, expressão que aparece em três passagens das epístolas dos apóstolos:

"Para que os seus corações sejam confortados, estando unidos em amor e para conseguir todas as riquezas da plena certeza do entendimento, para reconhecerem o mistério de Deus, Cristo." (Cl 2:2 Trad. Brasileira)

"Desejamos, porém, continue cada um de vós mostrando, até ao fim, a mesma diligência para a plena certeza da esperança" (Hb 6:11 ARA)

"Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura." (Hb 10:22 ARA)

E para falar dessa certeza que tem todo aquele que escutou o Evangelho, creu em Jesus e foi selado pelo Espírito Santo, vou emprestar um texto de John Kulp que fala justamente disso: A plena certeza.

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Certa vez um cristão apresentou outro crente como sendo alguém que parecia pensar que poderia dizer a Deus o que Deus deveria fazer, enquanto se dava o crédito por simplesmente ouvir a Deus e fazer o que Deus lhe diz para fazer. A implicação era que o crente que estava sendo apresentado estava tão seguro em suas crenças, que não poderia se esquivar de tentar convencer a Deus para que enxergasse as coisas do seu jeito. Deixando de lado a questão da legitimidade dessa acusação, esse cenário levanta a questão da garantia do crente e como ela é obtida, desfrutada e desenvolvida.

As escrituras usam a expressão “plena certeza” três vezes, e é significativo que ela seja encontrada somente nas epístolas do Novo Testamento. Somente os crentes na obra consumada de Cristo são exortados a esse alto nível de certeza, pois isso é somente para os cristãos que são selados e habitados pelo Espírito Santo de Deus. "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo." (1 Jo 2:20). O contexto deste versículo deixa claro que o cristão tem a capacidade de conhecer a verdade revelada pelo Espírito e transmitida a nós na inspirada Palavra escrita de Deus. Além disso, nós que temos o Espírito somos capazes de distinguir entre verdade e erro com confiança por causa do conhecimento que Ele concede.

Em termos da linha do tempo de nossa experiência cristã, o primeiro tipo de “plena certeza” de que temos tanto o privilégio quanto a responsabilidade de possuir é o da fé. "Tendo, pois, irmãos, intrepidez para entrar no Santo dos Santos, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne, e tendo grande sacerdote sobre a casa de Deus, aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hb 10:19-22). Um crente em Cristo pode conhecer que todos os pecados foram perdoados, e pode desfrutar da perfeita paz de uma consciência purgada, embora tenha a ver com um Deus santo e justo que não pode permitir o pecado em Sua presença.

Não seria apropriado para um cristão, não importa quão jovem na fé, entrar na presença de Deus, adorar dentro do véu do santuário celestial, enquanto ainda tem dúvidas sobre seus pecados ou pecado. Os pecados do crente se foram, porque Cristo os carregou no madeiro (1 Pe 2:24), sua consciência foi purificada pelo sangue de Cristo aplicado à sua alma no momento da fé, e ele é lavado pela água da palavra, que o regenerou e colocou em uma posição inteiramente nova diante de Deus, onde o pecado não pode mais se unir a ele. Apresentar-se diante de Deus como um adorador sem a plena garantia de uma completa aceitação por parte dele seria uma contradição da posição do santo, como “santo e sem culpa, diante dele em amor”. Que bendita garantia é nossa! (Tt 3:5; Jo 13:10; 1 Jo 3:9; Ef 1:4).

Hebreus 6:11 traz diante do peregrino cristão a necessidade de diligência espiritual para poder desfrutar da “plena certeza da esperança”. O contexto aqui não é adoração, mas perseverança até o fim do caminho da fé, a fim de, ou dessa maneira, herdar as promessas de Deus. Essas promessas, a serem feitas realidade no final da jornada de peregrinação, não poderiam ter sido mais certas para o crente agora, pois Deus jurou por si mesmo que Abraão receberia a promessa feita a ele, e a promessa de vida eterna a um crente em Cristo não é menos certa. (2 Tm 1:1, 9; Tt 1:2; At 13:48).

No entanto, a fim de usufruir adequadamente nesta vida das "grandes e preciosas promessas" e ao mesmo tempo dar frutos para Deus, e para aproveitar melhor no final desta vida uma entrada ricamente aparelhada para o reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (2 Pe 1:4-11), diligência e perseverança são necessárias. Essa diligência traz consigo plena certeza de nosso destino sem sombra de dúvida, o que nos permite desfrutar do Senhor Jesus aqui enquanto esperamos a glória com Ele, não importa quão difícil seja o caminho. Esta é a essência e relevância da esperança do cristão. Ele fornece incentivo ilimitado para continuar por Cristo nesta vida.

Finalmente, Deus deseja o crescimento do cristão no conhecimento de si mesmo, e este processo divino deve caracterizar um crente maduro tanto quanto um bebê em Cristo. Não há um patamar em que um santo possa finalmente parar de “crescer no pleno conhecimento de Deus”, mas existem alturas que podem ser alcançadas "para compreenderem plenamente o mistério de Deus, Cristo, em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.” (Cl 1:10; 2:2-3). Esse entendimento vai além da verdade cristã básica do Filho de Deus enviado a este mundo como o Messias, como o Cordeiro de Deus sacrificado pelos pecadores, o “pão de Deus” que desceu do céu e deu vida ao mundo.

Esta linha elementar de verdade pode ser considerada “os princípios elementares da doutrina de Cristo” (Hb 6:1), mas há muito mais que o escritor aos Hebreus queria explicar a eles, e havia muito mais com que Paulo desejava que os colossenses (e toda a igreja) se ocupassem, a saber, o “mistério de Deus”. Nele estão escondidos todos os tesouros de sabedoria e conhecimento, como tendo a ver com Cristo como a Cabeça de Seu corpo, exaltado nos céus acima de todas as coisas, e mais que isso: Cristo Jesus é Cabeça sobre todas as coisas criadas para a igreja, Seu corpo e noiva. Além disso, Ele estava entre os colossenses que eram crentes gentios, como "a esperança da glória" (Cl 1:27), pois o Seu corpo é uma unidade composta de crentes judeus e gentios, que esperam por Ele retornar em glória com eles para reinar sobre a terra na "dispensação da plenitude dos tempos", quando todas as coisas estarão convergidas em Cristo (Ef 1:10).

Todas essas coisas maravilhosas, e mais ainda, não eram conhecidas antes da cruz, mas temos o privilégio e a exortação de estarmos totalmente seguros em nossa compreensão delas. Elas compõem o “mistério”, o segredo de Deus agora tornado conhecido pela igreja para louvarmos e nos maravilharmos eternamente com elas. Há imensa bênção a ser alcançada pelo cristão na posse de uma plena certeza de fé, esperança e entendimento, quando desfrutadas em comunhão com Deus — o Pai, o Filho e o Espírito Santo —, e ainda mais pelos santos cujos corações estão unidos em amor. (Colossenses 2:1-2). - "Full assurance: Can you have it?" - John Kulp

por Mario Persona

Mario Persona é palestrante e consultor de comunicação, marketing e desenvolvimento profissional (www.mariopersona.com.br). Não possui formação ou título eclesiástico e nem está ligado a alguma denominação religiosa, estando congregado desde 1981 somente ao Nome do Senhor Jesus. Esta mensagem originalmente não contém propaganda. Alguns sistemas de envio de email ou RSS costumam adicionar mensagens publicitárias que podem não expressar a opinião do autor.)

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